Prova de vida
Os pequenos partidos, sobretudo aqueles que não vivem em “barrigas de aluguer”, segundo a expressão curiosa do prof. José Adelino Maltez, andam numa aflição para fazerem a sua prova de vida, demonstrando que têm pelo menos cinco mil militantes. É o que a lei lhes impõe e eles agora contestam. Com razão.
É verdade que a maioria desses partidos tem uma existência fictícia. Quase todos são meras reminiscências históricas de uma época em que os partidos não tinham dificuldade em arranjar as assinaturas necessárias para poderem constituir-se. Os tempos mudaram e perderam a base de apoio que dantes os sustentava. É o que dizem os votos. E, a partir do momento em que um partido se constitui nos termos da lei, isso devia bastar. A democracia deve ser generosa e o mais aberta possível às múltiplas expressões de opinião e intervenção política. Mais séria para o regime do que a existência de partidos com fraca representatividade é a facilidade com que um partido nascido com determinada orientação ideológica pode ser ‘tomado’ por pessoas com ideologia e causas opostas, Foi o que sucedeu com o ex-PRD (centro-esquerda), hoje PNR (extrema-direita), e pode acontecer com qualquer outro em sentido oposto. Aí, sim, há uma ameaça grave de distorção do voto que talvez não esteja devidamente acautelada.
Fonte: Fernando Madrinha, Expresso, 26 de Janeiro de 08