SOL

Viagens no meu Partido

discussão e partilha de opiniões sobre política. by Celso Guedes de Carvalho
A brecha

A saída do socialista Manuel Pizarro para secretário de Estado da Saúde abre (mais) uma brecha no PS/Porto. Uma significativa brecha, na exacta medida em que, com o devido respeito por quem lhe sucederá e por quem o acompanhou na vereação da autarquia portuense, Manuel Pizarro era dos poucos socialistas (senão mesmo o único socialista) que mantinha um grau de visibilidade e de intervenção política condizente com o que é exigido ao maior partido da oposição da segunda câmara do país.

 

A subida a secretário de Estado de Pizarro é, por isso mesmo, reveladora da pífia estratégia autárquica do PS/Porto. Ao eleitor minimamente interessado nestas coisas da política, há-de meter muita impressão o facto de um partido com as responsabilidades do PS ter constituído uma lista para a Câmara que abana aos primeiros sopros.

 

Descontada a dificuldade (que os responsáveis do PS no Porto nunca souberam, em bom rigor, transformar em oportunidade) em enfrentar uma maioria absoluta liderada por um autarca com uma modo muito próprio (digamos assim) de pensar os destinos da cidade, talvez seja preciso começar a pedir contas aos autores da estratégia que colocou o partido num estado pouco recomendável. Perto do comatoso.

 

Para o caso e para o comum dos mortais, não é relevante saber se os achaques, as tricas, as intrigas e os desaguisados entre quem manda na distrital e na concelhia contribuíram muito ou pouco para o que esta à vista de todos. A "lavagem de roupa" consta do ADN dos partidos - e a isso não há volta a dar.

 

O que interessa é assumir, primeiro, que o contributo do PS para o debate político e, por essa via, para o fortalecimento do Porto enquanto concelho e líder natural da região Norte anda perto do nada. Perante esta constatação (tão evidente que entristece), convém perceber, a seguir, as razões de fundo deste drama (hão-de ser muitas e bonitas). E, por fim e mais importante, apontar os caminhos que, no mínimo, permitam recolocar o PS no lugar que lhe cabe.

 

A cidade e a região agradeceriam imenso. 

 

Fonte: Causa e feito , Paulo , Ferreira, Chefe de Redacção, JN, 2 de Fevereiro de 2008

Comentários

Sem Comentários

Para comentar necessita de estar registado