PS está governamentalizado e se não mudar por dentro...
Manuel Alegre e 170 apoiantes reuniram-se ontem, em Lisboa, e o resultado foi uma chuva de críticas à acção governativa e ao funcionamento do PS. Como socialistas, a ideia é recolher contributos pelos concelhos e distritos, para reformar o partido, mas "sabendo de antemão que é muito difícil os partidos regenerarem-se por dentro".
"Há uma grande crítica ao funcionamento do PS, consideram que não há debate suficiente, que o partido está muito governamentalizado", resumiu Alegre, no intervalo, e por isso admite, no futuro, ir mais além do que a "corrente de opinião" interna agora lançada.
"Vou até onde me for possível", afirmou Alegre, reiterando que não voltará a ser candidato a secretário-geral do PS nem tenciona apresentar lista alternativa à da direcção no próximo congresso. "Não nos guiamos pela lógica aparelhística nem para nos constituirmos como aparelho", frisou.
"Agora não me desafiem para coisas que são perigosas, como congressos, porque se me desafiarem, vou às urnas", disse em resposta a José Lello que, ao comentar o encontro, exortou Alegre a ir ao congresso que terá lugar dentro de poucos meses.
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"Há um pensamento único", em que se assiste ao "esvaziamento dos serviços públicos e ao desprezo pelos sindicatos", mas como "o PS oficial não está a travar esse combate ", acredita que esse papel lhe cabe.
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PS proíbe tendências
Os estatutos do PS cuja revisão foi aprovada a 11 de Janeiro de 2003 - durante a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues - proíbem a criação de tendências internas. "Não é admitida a organização autónoma de tendências nem a adopção de denominação política própria", refere o número dois do artigo 6.º. Por este motivo, Manuel Alegre optou por designar a iniciativa de ontem e as que eventualmente se realizem no futuro, como "uma corrente de opinião".
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Fonte. JN, 10 de Fevereiro de 2008