Para quê eleger 230?
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Num país onde a Assembleia tem uma imagem tão pobre e degradada, a presença quinzenal do primeiro-ministro contribui para dignificar a função e a instituição parlamentar. E o chefe do Governo também se valoriza aos olhos dos eleitores com esta disponibilidade para responder aos eleitos.
O modelo em vigor parece ter sido feito à medida dos talentos de quatro protagonistas que o dominam com arte e engenho, mesmo quando se excedem na gritaria, no azedume e na demagogia: o próprio José Sócrates, Santana Lopes, Paulo Portas e Francisco Louçã. Nem Jerónimo de Sousa nem Alberto Martins o usam com o mesmo talento e agilidade.
Mas, além desse desequilíbrio de desempenhos, há outra fragilidade a registar e que prejudica seriamente a imagem da Assembleia: é exactamente o protagonismo excessivo, aliás exclusivo, dos líderes de bancada. O facto de serem sempre e só eles a falar e a perguntar, ficando todos os outros deputados reduzidos à função de claques, levará muito eleitor a perguntar-se para que serve, afinal, uma assembleia de 230 se apenas cinco têm esclarecimentos a solicitar ou críticas a fazer. É certo que a actividade parlamentar não se resume a estes debates quinzenais, mas nem por isso a pergunta deixa de ser pertinente e a redução do número de deputados um tema a pedir reflexão urgente.
Fonte: 21 de Março de 2008