"Não recuso ser candidata no Porto"
Elisa Ferreira. Ex-ministra garante que não foi convidada mas admite estar disponível para ser candidata pelo PS à Câmara do Porto. O seu diagnóstico é negativo: a cidade não tem dinâmica
É cada vez mais indicada como a futura candidata socialista à Câmara do Porto, principalmente após a sua intervenção no comício do PS com José Sócrates.
Vai ser mesmo candidata?
À partida é uma hipótese que não recuso. Aliás, como outras, continuar no Parlamento Europeu, por exemplo. Portanto, candidatar-me à Câmara é uma hipótese que teoricamente admito.
Mas já foi sondada ou convidada pelo PS, sabendo-se do apoio do líder da distrital do Porto, Renato Sampaio?
A questão não me foi colocada. Não existe nenhum convite. A minha participação no comício dos três anos de balanço do Governo é que foi associada a essa leitura.
Para uma professora universitária, com mestrado e doutoramento, ex-ministra do Ambiente, que já esteve 13 anos na Comissão de Coordenação Regional Norte não se trata de um desafio estimulante, quando há quem aponte o definhamento do Porto?
Na verdade, já fiz muitas coisas na vida, estive, até, seis anos no Governo. Considero o Porto sem dinâmica, uma cidade esmorecida, muito morta. Não se encontra nos melhores patamares.
Então o que falta ao Porto para voltar a ter vida?
Ressalvo uma realidade: não estamos em clima de campanha eleitoral. Por isso quero precisar que já antes de falarem de mim como possível candidata, fazia muitas intervenções relativas ao Porto. Na qualidade de cidadã e de deputada. Nota-se que há uma atitude depressiva e desmoralizada na cidade. O Porto tem de iniciar uma nova fase, tem de estar com atenção para não perder oportunidades. O Norte não pode alhear-se da política comercial externa, se defende ou aceita as políticas da China e da Índia, as taxas de câmbio, a valorização de projectos, a biotecnologia, projectos como o que tem à cabeça o professor Sobrinho Simões.
Disse no comício estar "na essência" satisfeita com o desempenho do primeiro-ministro. Muito do que referiu não depende também do governo central?
Estou, na essência, de acordo com a política de José Sócrates. Porém, há reajustamentos a fazer. Cito a capacidade do Norte em atrair investimento estrangeiro, destaco o micro-crédito e a formação profissional, a ciência e a tecnologia. Impõe-se fazer sentir a especificidade do Norte".
Com Rui Rio, falou-se muito nos jogos promíscuos entre política e futebol. O que tem a dizer uma portista assumida?
Tenho cartão do FC do Porto, não me incomoda nada. O clube representa uma grande prova da capacidade de organização e de projecção internacional. Não vejo necessidade de hostilizar o futebol para provar que não se é corrupto. É errado não se entender os nichos de competência. Já houve raciocínios errados com a indústria têxtil e do calçado. Eu defendo o vinho do Porto e não preconizo o alcoolismo ou a cirrose no fígado.
Fonte: DN, 23 de Março de 2008