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Viagens no meu Partido

discussão e partilha de opiniões sobre política. by Celso Guedes de Carvalho
Eleições para concelhias do PS sem oposição interna à vista

Unidade nalguns casos, desmobilização e apatia noutros, o certo é que as eleições para as concelhias do PS, a 5 do próximo mês, não terão, desta vez, listas concorrentes, com raras excepções. Matosinhos, Maia e Trofa fogem à regra no distrito. Mas, no Porto e em Gaia, ao contrário do último processo interno, só estão no terreno candidaturas únicas.

 

Num cenário pouco habitual, assistimos, assim, a umas eleições pouco disputadas. Sobretudo quando comparadas com as últimas, em que houve mais do que uma lista em vários concelhos, num clima pós-autárquicas.

 

Só na Área Metropolitana, chegam, de 2006, os exemplos do Porto, Gaia e Gondomar, este último com três candidatos. No primeiro caso, Soares Gaspar recandidata-se, agora, com apoio de Avelino Oliveira, seu adversário na última eleição, em nome de uma candidatura autárquica mais forte. E, em Gaia, outro concelho nuclear, a oposição a Eduardo Vítor Rodrigues não avançou, apesar de conhecida a divisão interna.

 

Num processo em que cerca de 17 mil militantes são chamados a eleger 18 concelhias, apenas são conhecidos três casos em que há disputa. Em Matosinhos, Alexandre Lopes, próximo de Narciso Miranda, volta a protagonizar a única oposição. E estas eleições surgem, mais do que em qualquer outro concelho, associadas à escolha do candidato autárquico.

 

Já na Maia a justificação para mais do que uma candidatura surge muito mais ligada às dinâmicas próprias da Concelhia.

 

Na Trofa, Joana Lima recandidata-se. Se é conhecida a sua proximidade a Narciso e a oposição a Renato Sampaio em dossiês como o metro do Porto, do outro lado surge Vítor Boucinha, que apoiou o actual líder distrital em congresso.

 

Pelo contrário, em Valongo, só surge uma lista. Isto apesar das divisões em torno das autárquicas. Maria José Azevedo não terá o apoio do PS para uma recandidatura à Câmara, mas também não terá peso no aparelho para patrocinar uma lista à Concelhia.

 

É sabido que serão as próximas lideranças a gerir o processo das eleições autárquicas e, também por isso, poderá haver tendência para juntar esforços. Se este será o caso do Porto, Gaia poderá ser o outro extremo, onde, segundo o vereador e ex-líder concelhio Barbosa Ribeiro, a falta de alternativa deve-se a uma "desmobilização" e "apatia", que estende à Distrital. A Eduardo Vítor Rodrigues critica pelos processos disciplinares contra militantes do PS, mas o líder garante que a falta de lista opositora resulta "do grande esforço" que fez "para unir o partido" e que "a unidade não é artificial".

 

 

 

Maia, Três listas num concelho dividido por tradição

O PS maiato já é conhecido por ser palco de disputa entre duas listas ou mais. Tradicionalmente dividido, desta vez avançam três candidatos. O primeiro a apresentar-se nestas eleições foi Luís Rothes. Apareceu no partido como independente, ocupando o segundo lugar na lista à Assembleia Municipal, nas últimas autárquicas. Após a demissão do anterior líder de bancada, ocupou este cargo. Entretanto, já se filiou no PS. Quanto a apoios, contará com a deputada nacional Paula Cristina Duarte, o ex-líder da bancada e alguns deputados municipais. Mário Gouveia também começou como independente. E foi o candidato vitorioso apoiado pelo PS à Junta de Milheirós. Tem consigo os vereadores Miguel Ângelo Rodrigues e Rogério Rocha, e alguns líderes de secção. Maria Luísa Barreto é a actual presidente da Concelhia, lugar que ocupou após a saída de Fernando Ferreira. É deputada municipal e desempenha funções no Centro de Emprego de Amarante.

 

Matosinhos, Corrida a dois marcada por Narciso Miranda

A sombra de Narciso Miranda e a ameaça de uma candidatura independente do ex-presidente à Câmara pairam sobre as eleições para a Concelhia. Em Matosinhos, as divergências entre Guilherme Pinto, que lidera a Autarquia, e o seu antecessor são tema frequente e a corrida ao PS não é excepção. De um lado, temos Guilherme Pinto que se candidata, agora, ao lugar que fora ocupado por Manuel Seabra, até este aceitar o convite para chefe de gabinete de António Costa, em Lisboa, e que promete voltar a apresentar-se nas autárquicas. Na conferência de Imprensa em que lançou a candidatura, estiveram o líder distrital, Renato Sampaio, o eurodeputado Manuel dos Santos, sempre tido próximo de Narciso, e a recente aquisição do Governo, Manuel Pizarro. Do outro lado, Alexandre Lopes recandidata-se e assume que o antigo presidente da Câmara é a sua aposta para as próximas autárquicas, e não o actual. Ganhar algum terreno é o seu principal objectivo.

 

Trofa, Líder recandidata-se com um pé nas autárquicas

Joana Lima, que é vereadora na Câmara da Trofa, deputada à Assembleia da República pelo círculo do Porto e líder do PS local, apresentou a sua recandidatura à Comissão Política Concelhia, assumindo, de imediato, a sua disponibilidade para voltar a disputar também a Autarquia, nas eleições do próximo ano. Aliás, prometeu que irá "para o terreno logo a seguir às eleições internas". Joana Lima foi apoiante de Narciso Miranda no plano distrital e, durante o seu mandato de deputada, já tomou posições contrárias à do actual líder da Federação do PS/Porto, Renato Sampaio, por estar em causa, por exemplo, a concretização do metro em via dupla para a Trofa. A outra candidatura à Concelhia é protagonizada, segundo dados da Federação, por Vítor Boucinha, que apoiou Renato Sampaio em congresso. Porém, os apoiantes de uns e outros candidatos ao PS/Trofa dividem-se no posicionamento face ao poder distrital instituído.

 

Fonte: JN, 24 de Março de 2008

Posted: segunda-feira, 24 de Março de 2008 7:08 por celso

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