Autárquicas
1 - Faltam um ano e seis meses para as eleições autárquicas. É cedo para expor ideias. Provavelmente ainda ninguém as quer ouvir. Mas já se testam candidatos. A Norte é o Porto a praça mais desejada. Será pacífico que Rui Rio se recandidata, afastada que parece a possibilidade de lutar pela liderança do PSD. E a ser assim, parte em vantagem. Ganhou folgadamente em 2005 e não serão episódios como o Rivoli ou, agora, o Bolhão que lhe causarão problemas. Deverá enfrentar Elisa Ferreira, a independente que parece gerar consenso mesmo entre o aparelho socialista mais renitente a curvar-se perante quem não tem cartão do partido. Teve direito ao palco no comício do Porto e isso diz quase tudo sobre a vontade de José Sócrates, que ninguém ousará contrariar. Diz a eurodeputada, para justificar uma hipotética candidatura, que foi no Porto que nasceu e viveu. Assim mesmo, no passado. Mas não será o afastamento que o tempo verbal denuncia a estragar-lhe as contas. Difícil mesmo será impor a sua equipa e as suas ideias. Primeiro aos militantes do PS, depois aos eleitores.
2 - A segunda grande praça eleitoral das autárquicas de 2009 será Vila Nova de Gaia. Luís Filipe Menezes já deixou claro que não se recandidata, embrenhado que estará a tentar conquistar o Governo da Nação. Já designou sucessor, Marco António Costa, de quem se pode dizer que é presidente de facto, ainda que não de direito. No entanto, nunca foi cabeça de cartaz eleitoral. O PSD partirá sempre com a margem de uma maioria absolutíssima em 2005, mas a habilidade inata de Marco António para conquistar os militantes para actos eleitorais internos de pouco serve quando o que está em causa é um eleitorado bastante heterogéneo, mas ainda assim maioritariamente urbano e jovem. As contas dependerão sempre do que quiser ou conseguir fazer o PS. E a verdade é que, até ver, faz pouco e não mobiliza ninguém.
3 - Tempos difíceis se adivinham também para o PS em Matosinhos, a terceira grande praça da Área Metropolitana do Porto. Sobretudo se Narciso Miranda insistir em avançar como "independente". O actual presidente, Guilherme Pinto, não é propriamente um homem popular. Nem na rua, nem entre socialistas. E foi até obrigado, para manter um mínimo de coesão partidária, a avançar como candidato à presidência da Comissão Política Concelhia do PS. Falta ainda saber quem será o candidato do PSD para se perceber se a luta pelo poder será a dois ou a três.
Fonte: JN, Rafael Barbosa Chefe de Redacção Adjunto