De salvação do Norte a projecto nacional
Com José Sócrates fora do país, três secretários de Estado - da Saúde, da Indústria e Inovação e do Desenvolvimento Regional - representam o Governo na cerimónia de constituição da associação do pólo de competitividade da saúde, na sede da Comissão de Coordenação da Região Norte. O cluster é um exemplo raro de iniciativa da sociedade civil (investigadores e empresários), que, como lembra Luís Portela, "não esperaram que algo acontecesse para avançar". O "algo", neste caso, são os prometidos apoios à constituição de pólos de competitividade temáticos, que o executivo ainda não anunciou.
"Nos últimos anos, esta é a única iniciativa de alcance nacional com origem no Porto, que habitualmente se coloca numa posição mais reactiva. Estamos perante o escolha de um país que não é o país ensimesmado de que se fala, que não é um país com medo do futuro", considera Carlos Lage, presidente da CCDR-N, que considera que "só pode ser motivo de satisfação para o Governo que os agentes não tenham esperado pela asa protectora do Estado", para avançar com a iniciativa.
A CCDR-N acolherá a associação, em duas salas, porque cedo percebeu que teria de apoiar a sua actividade, considerada estratégica para a alteração do perfil produtivo de uma região estagnada por força da crise nos designados sectores tradicionais.
A presença da Bial, sediada na Trofa, de várias empresas de dispositivos médicos e de uma capacidade de investigação assinalável nas áreas das engenharias, informática e ciências da vida nas universidades do Porto e do Minho explicam a geografia inicial do projecto que se alargou a todo o país, convencendo, por exemplo, o grupo José de Mello Saúde. Só este sócio tem um volume de negócios anual de 300 milhões de euros, próximo dos 350 milhões gerados por todo o grupo de cerca de 20 fundadores iniciais. Vem, com outros parceiros, dar dimensão crítica ao cluster, esperando tirar dividendos desta cooperação com a investigação e a indústria, melhorando, no seu caso, a prestação de cuidados de saúde.
Fonte: Público, 04.04.2008