PS escolhe novo presidente
Um novo líder do PS/Matosinhos será hoje eleito, após a saída de Manuel Seabra para Lisboa. A escolha faz-se entre Guilherme Pinto, que promete repetir também a candidatura autárquica, e Alexandre Lopes, apoiante de Narciso Miranda. O processo fica marcado, conforme noticiou o JN, pelo pedido de impugnação feito por quatro socialistas no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, alegando irregularidades na emissão dos cartões de militante, cujas datas os impedem de votar já nestas eleições. Situação em tempos denunciada por Alexandre Lopes. O pedido mostrou ser ineficaz. Será, agora, solicitada a impugnação dos resultados.
Guilherme Pinto - Presidente da Câmara
Por que decidiu avançar?
Porque entendo que é necessário colocar o PS de Matosinhos ao serviço de uma estratégia de mobilização da sociedade em torno do projecto da Câmara.
Há quem critique esta alegada "municipalização" do PS.
Desde há muitos anos que o PS/Matosinhos defende que o primeiro responsável do partido deve ser alguém que esteja perto ou na liderança da Autarquia.
O facto do partido e a Câmara serem liderados pela mesma pessoa não retira capacidade crítica na hora de avaliar a gestão autárquica?
Não. A primeira obrigação de um líder é saber ouvir. E eu, mesmo sem ser líder do PS, tenho ouvido os militantes.
Foi presidente da Comissão Política duas vezes, há 10 anos. O que trará de novo?
Uma dinâmica, uma actividade e uma proximidade aos militantes que são importantes para a sua motivação.
Motivá-los também para as autárquicas? Já disse que irá recandidatar-se.
O importante é criar condições para que o mandato possa desenvolver-se com toda a tranquilidade. Há pessoas, felizmente poucas, que, desde o início, procuram obstaculizar o normal funcionamento da Autarquia. Não têm sido eficazes.
Narciso Miranda prometeu ser candidato à Câmara, com ou sem PS.
Não havia necessidade de enunciar esse propósito se não fosse para tentar perturbar o funcionamento da Câmara. Há personalidades que precisam dar a conhecer-se para serem candidatos. Outras assumem-se precipitadamente como candidatos para condicionar o trabalho. Penso que os militantes não apreciam esse gesto. Além disso, ninguém atira pedras a uma árvore que não dê frutos.
Alexandre Lopes - Presidente da Junta de Senhora da Hora
O movimento que encabeça apresenta-se contra "a chantagem e as ameaças". A que se refere exactamente?
Guilherme Pinto e pessoas ligadas à sua candidatura pressionaram elementos e apoiantes meus, nomeadamente funcionários, a não participar em acções deste movimento.
Por que se intitulam de "reserva moral"?
O movimento criou-se sob este lema porque, ao contrário de alguns, há militantes que souberam seguir as deliberações do partido e se afastaram (após os incidentes da lota).
Critica a candidatura de Guilherme Pinto pela "municipalização" do PS. Mas, há dois anos, propôs que ele fosse candidato à Concelhia. O que mudou?
Há dois anos, fazia sentido falar em pacificação, agora não. A lógica dos partidos não deve ser a de listas únicas. Além disso, desde então, aconteceu muita coisa, criou-se um espaço, o movimento cresceu, tornando inevitável esta candidatura que é de tostões, enquanto a outra é de milhões.
Já assumiu que prefere Narciso Miranda para a Câmara.
Narciso Miranda é o melhor candidato que o PS tem para apresentar. Mas deve ser feito um estudo sério e imparcial.
E Guilherme Pinto?
Em primeiro lugar, não é um homem do povo. Segundo, do seu programa de mandato para as freguesias, não cumpriu, ainda, a 20%. Especialmente na Senhora da Hora.