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Viagens no meu Partido

discussão e partilha de opiniões sobre política. by Celso Guedes de Carvalho
Ajuste de contas

Foi uma semana decisiva para o PS de Matosinhos. Primeiro, as eleições para a "Concelhia", com uma vitória folgada do actual presidente da Câmara. Seguiram-se os ajustes de contas. E a certeza de que, nas próximas eleições autárquicas, para além da candidatura socialista "oficial", liderada por Guilherme Pinto, haverá uma candidatura socialista "independente", protagonizada por Narciso Miranda. "Vou criar um movimento cívico", anunciou o antigo presidente, em resposta ao actual, que o acusara de "traição de forma desonesta".

 

Alicerçado nos 75% conquistados nas eleições internas, Guilherme Pinto não perdeu tempo em eleger Narciso Miranda como o principal derrotado. Não foi candidato mas "fez campanha" para "influenciar os resultados" e, portanto, "deveria respeitá-los". Percebe-se a leitura emocional dos resultados por parte de quem também diz que a sua "imagem e trabalho" começaram a ser "destruídos" dois meses depois das últimas autárquicas. Mas nota-se, por outro lado, o excesso de quem parece estar a tomar a parte [os militantes do PS] pelo todo [os eleitores de Matosinhos].

 

A resposta de Narciso Miranda, aliás, veio célere e demonstrou que o antigo presidente percebe bem a diferença entre conquistar o universo de 3813 militantes ou o dos 140 mil eleitores matosinhenses. "É a estes que tenho dedicado a minha vida e atenção", diz o homem que já prepara o lançamento de um movimento cívico por Matosinhos. Sem perder a sua identidade política, que afirma claramente ser a do socialismo democrático.

 

Faltarão, ainda, alguns meses para que o movimento e a candidatura ganhem carácter formal, mas só por cegueira pode ainda pensar-se que isso não vai acontecer. Mal ou bem - o julgamento será dos eleitores, não dos militantes de um partido - Narciso Miranda está decidido a testar a sua popularidade em 2009. Tem a seu favor os exemplos recentes de Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras ou Isaltino de Morais. É tão ou mais reconhecido do que estes. E tem a vantagem de não ter contas para acertar com a Justiça.

 

Guilherme argumenta que o maior defeito de Narciso "é que nunca se sabe bem o que quer ou pensa". Narciso contrapõe que Guilherme "tem um discurso condicionado por sombras e fantasmas". Parece certo que o ajuste final de contas ficará nas mãos da população de Matosinhos. 

 

Fonte: Rafael Barbosa, Jornal de Noticias, 14 de Abril de 2008

Posted: segunda-feira, 14 de Abril de 2008 7:06 por celso

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