Viagens no meu Partido (brevemente em livro)
As razões que me levaram a publicar as “Viagens no meu Partido” são as mesmas que estiveram na origem deste blogue: promover o debate sobre o sistema político português e o papel que os partidos políticos e os cidadãos nele desempenham.
Os 39 artigos de opinião do livro Viagens no meu Partido são o resultado de uma reflexão sobre as diversas perspectivas de observação, comparação e sistematização de alguns factos e acontecimentos políticos dos últimos anos na política portuguesa.
Através de uma abordagem das diversas temáticas que o debate político nos coloca nos dias de hoje é objectivo deste livro levar os cidadãos a interessarem-se e a agirem.
Ao longo desta viagem verifiquei que existem demasiadas ideias preconcebidas sobre a forma de “fazer politica”, nomeadamente que a actividade politica está reservada aos órgãos dos partidos e vedada aos cidadãos anónimos. E que existe um descrédito generalizado relativamente ao exercício da actividade política. Assim decidi “fazer-me à estrada” e dar o meu contributo para alterar esta situação.
Defendo que a democracia não é um regime de elites ou de heróis, é um regime de homens comuns e para homens comuns. É um regime de avaliação de resultados. Tanto os procedimentos como os calendários estão concebidos de modo a que se mantenha, na mão dos cidadãos, a possibilidade de afastar os que falham ou que, simplesmente, não estão à altura das exigências que os novos desafios impõem.
Quem hoje domina as máquinas partidárias está satisfeito e certamente vai continuar a resistir à mudança: a insatisfação dos que não participam na vida partidária não é um estímulo suficientemente forte.
Os partidos, outrora essenciais para o debate político, foram ultrapassados pela “economia do lazer” e pelas novas tecnologias.
Se queremos mais, se queremos melhor, temos que nos envolver.
Claro está que a cidadania política não tem necessariamente que ser desenvolvida exclusivamente dentro dos partidos políticos. Sem estarem filiados em partidos é possível cumprir o dever cívico, participar em debates e lutar por uma mudança. Até porque a política é demasiado importante para ser feita só por políticos.
Filiados ou não o que importa é efectivamente cumprir o nosso dever cívico.
Eu, como já manifestei, acredito que é possível cumprir esse dever dentro dos partidos. É também essa a minha luta. E dela não abdico.
Uma última palavra de agradecimento a todos aqueles que desde o início acompanharam esta viagem e aos que com os seus comentários, provocações e contributos a tornaram mais interessante e estimulante.
Celso Guedes de Carvalho
celso.guedes.carvalho@gmail.com
25 de Julho de 2008