Livro "Viagens no meu Partido" - Prefácio
A democracia representativa constitui uma das mais expressivas formas de cumprir a actividade politica e cívica. Por isso este livro constitui um testemunho de quem participa na vida política como membro de um partido, orientado pelo estudo, etiologia dos valores sociais e pela participação de todos no bem comum.
Esta viagem começa por analisar a reforma dos partidos políticos e do sistema eleitoral português dando especial destaque à criação de círculos uninominais que, como é salientado, foi incluída na constituição portuguesa em 1997, com amplo apoio do PS e do PSD.
O autor relembra que o Governo PS na década de 90 foi um acérrimo defensor desta reforma eleitoral e que já em Julho de 2006, pela voz do Dr. Alberto Martins, o PS admitia que não existia um calendário definido para apresentar ao Parlamento a criação de círculos uninominais. Por isso deixa a interrogação: “Quantos anos vão ser precisos e até quando vamos continuar a enganar os eleitores com promessas que depois não são cumpridas?”
Pretende ainda o autor analisar o comportamento dos candidatos que classifica de independentes e as consequências das respectivas campanhas eleitorais no que diz respeito às eleições para a Câmara de Lisboa. Acerca dos resultados afirma: “Resumindo, nada de novo. Das doze candidaturas apresentadas apenas quatro podem, na minha opinião, cantar vitória”. E mais à frente saliente que apenas 1 em 4 lisboetas registados nos cadernos eleitorais votaram nos partidos com assento parlamentar.
Interpreta ainda estes factos dizendo que: “Face aos resultados muitas foram as vozes que alvitraram uma alteração profunda no sistema político português” o que leva o autor a questionar se o aparecimento de independentes será um fenómeno tão apocalíptico.
Face às muitas questões que são equacionadas nestas “Viagens no meu Partido” o autor descreve os seus desejos políticos e resume-os em duas palavras: exigência e ambição. Neste, como em muitos dos artigos aqui publicados, é notório o apelo para que o Partido Socialista mostre à sociedade o seu compromisso em servir a causa pública.
Estas viagens traduzem uma atitude analítica de quem se assume um democrata representativo mas não exclui a participação social na actividade partidária.
Professor Doutor Nuno Grande