SOL

MENOS QUE ZERO

Do Alentejo para o mundo. Opiniões. (Saem aos Domingos, depois da sesta)
Quadras bastante soltas!

Fio d’água no deserto,

Mulher – deusa, pele morena.

Procurei-te, fiz novena,

E tu sempre aqui tão perto.

Amélia, Berta, Carminda,

Deodata, “Estrudes”, Firmina,

Guiomar, Hortência, Isolinda,

Júlia, Libânia, Marina.

 3 

Em tempos muito distantes

Quando o mar aqui chegou,

Aportou com os navegantes,

A mulher que me cativou!

4 

Bati em todas as portas

Desta rua sem ter fim

Nenhuma delas se abriu

Não quiseste saber de mim.

5                             

Bati a todas as portas,

Só houve uma que s’abriu.

Era o teu rico paizinho,

Vá p’rá p.u.t.a. que o pariu!

                                  

Rosa Brava, pastora de sonhos e outras histórias - por Pedro Coelho (SIC)

O livro lançado recentemente em Lisboa e em Montemor-o-Novo, terra natal do jornalista, faz parte de um universo ao qual não pertence a sua tese de mestrado, publicada em Fevereiro do ano passado, com o título “A TV de Proximidade e os novos desafios do Espaço Público”. Escritos ambos pelo mesmo autor, tornam-se distintos pelas suas características: o primeiro é o resultado de um trabalho académico - um estudo onde não é possível soltar a palavra – e o segundo, para além dos temas, e apesar de o suporte de origem ter sido a imagem, é um tributo à palavra em liberdade. E porque não sabemos quanto tempo nos resta, foi bom o Pedro ter aproveitado para usar a palavra com a força e a intenção com que ela merece ser usada.

 

Chegámos ao Rosa Brava…

E começo por roubar à Cândida Pinto, autora do prefácio, uma ideia que me prendeu, e a ela também, pois acaba por agarrá-la na conclusão do seu belíssimo texto. Estamos de acordo, porque é sempre nesta linha que começo por comentar com a minha mulher os trabalhos do Pedro. Logo a seguir ao genérico final das suas reportagens, a primeira exclamação que me sai, muito antes de conversarmos sobre o tema ou a imagem é: “Mas que belíssimo texto.” A Cândida diz o mesmo de uma forma mais objectiva: “O Pedro escolhe as palavras todas”. Pois não sei o que mais me atrai nos trabalhos televisivos do jornalista Pedro Coelho, se a poesia da imagem, se a faceta literária das frases que acompanham essa imagem.

 

De vez em quando, quando revejo as reportagens do Pedro, a dúvida subsiste, resiste, aprofunda-se e continua a deixar-me sem resposta. O que é mais importante para o jornalista? A imagem ou o texto? São, parece-me, as duas faces da mesma moeda, perdoem-me esta metáfora já desgastada. E essa moeda é, afinal, o próprio autor que ali está, reflectido, projectado de alma inteira.

 

O livro do Pedro surge diante de nós como fruto de um processo contrário ao princípio da comunicação televisiva. O aparecimento do cinema e, mais tarde, da televisão deu origem a uma expressão muito utilizada por quem trabalha em publicidade ou em jornalismo televisivo: “Uma imagem vale mais do que mil palavras…” O Pedro aplicou sempre com rigor esta máxima e em nenhuma das suas reportagens o texto coincide com a imagem. A imagem conta uma coisa e a palavra conta outra. Embora o objecto da descrição seja exactamente o mesmo. A palavra mostra o que a câmara não mostra. A palavra conduz o espectador ao interior das personagens reais que surgem no ecrã e cuja alma é impossível de filmar. É exactamente para isso que o Pedro usa as palavras e, devo acrescentar, com uma habilidade absolutamente notável: para filmar o que a câmara, pelas suas limitações, não consegue captar.

 

E se a palavra filma o interior dos que protagonizam as suas histórias televisivas, também serve hoje para que o jornalista e repórter deixe passar para o exterior o que há nele de mais indizível, de estranhamente intraduzível e que encontra na palavra e na interpretação de quem lê a via mais directa para a superfície do seu espírito.

Não me lembro se li ou se me disseram, mas nós somos o que escrevemos. A escrita reflecte a nossa própria existência, torna-se o nosso instrumento e pretexto para sermos todas as personagens que inventamos, sem afinal, sermos nenhuma delas, porque não podemos ou porque tal não nos é permitido pelas normas da moral, da ética e do bom senso. E o autor destas três histórias de solidão transportou para a imagem e, agora, aprofundou na sua escrita, forte e viva, as suas preocupações, os seus anseios, aos quais, através do seu trabalho, tenta mostrar a luz do dia.

 

O Pedro não foge a esta caracterização que se tornou quase uma regra e que obras de grandes escritores contemporâneos ajudaram a confirmar: o Pedro é também aquilo que escreve. O que está patente nestas três histórias, e em muitos outros trabalhos de reportagem que o Pedro (ainda) não transformou em livro, é a sua noção de Democracia, de Estado de Direito, é o seu sentido de justiça, e sobretudo de justiça social, inerentes aos conceitos de Democracia e de Estado de Direito.

Vimos as imagens inequívocas da pastora Rosa, filha de Manuel Pita e de Maria, que vive na Serra, esquecida e desigual nas oportunidades; testemunhámos as ilhas que se podem construir dentro de uma Ilha e concluímos que a questão do Corvo e dos Corvinos é também uma questão social e sociológica. Seguimos, atentos, o trabalho sobre os reclusos de Pinheiro da Cruz que foi, para além de uma reflexão sobre aqueles homens, também seres sociais fora do seu ambiente natural, e tal como o autor nos confessa na introdução, um imperativo a que não podia mais fugir.

 

Pacifista por natureza, tímido desde sempre, o Pedro acaba paradoxalmente com o rosto virado para uma câmara de televisão, exposto diante de milhões de pessoas a dizer de sua justiça, a lançar aos quatro ventos o que os políticos não querem ver, porque tais imagens renegam a sociedade da Utopia, perfeita e sem trancas nas portas; a mostrar o que as religiões adoram ver para poderem assim promover os respectivos paraísos, lugares certos para quem sofre neste mundo as desgraças do destino; o Pedro denuncia, através da imagem e da palavra, a forma de vida de uma pastora, pouco mais que criança, isolada na Serra e pela Serra da Estrela, a quem foram negados os direitos mais elementares; mostra a existência de 400 ilhéus, castrados pela insularidade, pelo isolamento e, sobretudo, pela falta de querer; tenta perceber e dar a perceber o isolamento dos reclusos de Pinheiro da Cruz, acreditando que a reabilitação é sempre uma enorme possibilidade.

É isto o que o Pedro faz. Mostrar o que lhe causa preocupação.

 

Ao escrever este livro, inspirado pelo que viu e ouviu, agarrado às imagens sublimes e quase neo-realistas de Jorge Pelicano e de Luís Pinto, o jornalista Pedro Coelho deixou no panorama jornalístico português, e agora no literário, uma mais-valia incontornável.

 

Quando o Pedro quis ser jornalista, um pouco contra a vontade da família, preocupada, e com alguma razão, com o seu futuro profissional, fui com ele a Lisboa ensinar-lhe onde era a Universidade Nova. Pois eu não fazia ideia, não podia fazer, que atravessava aqueles portões do edifício da Av. de Berna ao lado de um amigo que, vinte e cinco anos mais tarde, viria a ser considerado por algumas das mais prestigiadas instituições não-governamentais e pela crítica como um dos melhores jornalistas e repórteres da televisão portuguesa. Pelas instituições, pela crítica e por mim.

Encontramo-nos à esquina

Vou para férias. Mas vou preocupado. Não sei quantas vezes a minha viagem vai ser interrompida pelas autoridades, não para me mandarem soprar o balão, mas para revistarem o carro para ver se encontram panfletos ditos subversivos e para me fazerem um electroencefalograma, com contraste, para confirmarem se os meus pensamentos estão de acordo com a lei vigente ou se põem em causa as decisões dos mais altos magistrados da nação. A minha fofa é da opinião que a gente não devia parar, mesmo que eles nos obrigassem. “Adoro perseguições policiais”, confessou-me com ar sonhador. “As sirenes a apitar e nós a sermos perseguidos a mais de 180, auto-estrada fora…”  “Era muita fixe, pai”, exclamaram os gémeos em coro.

 

Em 1948, George Orwell escreveu um livro chamado Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, onde inventou a figura do Big Brother, o Grande Irmão ou, numa tradução mais correcta, o irmão mais velho, que tudo sabia e tudo via para tudo controlar. Três anos antes, em 1945, publicara Animal Farm, traduzido para Português como O Triunfo dos Porcos – uma sátira mordaz e oportuna aos regimes democráticos conquistados depois de uma revolta e que vão sendo, aos poucos, com o consentimento dos governados, transformados em ditaduras.

Adolf Hitler, Joseph Stalin, Benito Mussolini, Francisco Franco, Oliveira Salazar foram todos ditadores europeus e contemporâneos uns dos outros; (a Europa esteve bem entregue, como estão a ver). Já morreram. Todos. Morreram eles, mas não os seus métodos. Estes existem e cada vez mais disfarçados e, por isso mesmo, difíceis de detectar. Portugal está a transformar-se num pântano perigoso.

Martin Luther King, vítima da intolerância e do medo que os seus actos e as suas palavras provocaram nos poderes instituídos, afirmou um dia: "O que é mais preocupante não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-carácter, dos sem-ética. O que é mais preocupante é o silêncio dos bons".

 

Felizmente que nem tudo está perdido. Fiquei a simpatizar bastante com Carmen Pignatelli, Secretária de Estado Adjunta da Saúde. Eu explico: depois de alguns sindicalistas terem sido identificados por manifestação dita ilegal; depois de um professor de Inglês ter sido exonerado do cargo que exercia na Direcção Regional de Educação do Norte, devido a uma alegada piada ao Primeiro-ministro; depois de afastada do cargo a Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, por, de acordo com o Ministro da Saúde, não ter competências para tal, mas só depois de divulgado um cartaz “jocoso” contra esse governante, afixado na sala de espera, vem a senhora Secretária de Estado dizer que podemos dizer mal do Governo, sim, desde que seja “nas nossas casas ou na esquina dos cafés”. Está entre aspas, porque foi ela quem disse e eu não quero ser acusado de plágio, preso e julgado sumariamente.

Portanto, está definido: indicado por um membro do executivo governamental, já temos um lugar próprio para mandar umas bocas ao Governo. É assim uma espécie de Speaker’s Corner, no Hyde Park, em Londres. Não sei é se as esquinas deste país vão chegar para tanta gente.

 

Até Setembro. Neste Menos que Zero ou numa esquina qualquer desta cidade.  

O país começou a definhar
"O que é mais preocupante não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-carácter, dos sem-ética. O que é mais preocupante é o silêncio dos bons"
Martin Luther King (1929-1968)
...E eu sou efodiofóbico

Viajei recentemente. Para onde? Não é da vossa conta. Viajei e é isso que importa. Descobri, por causa desta viagem, que sofro de uma doença rara e incurável e apoderou-se de mim uma enorme tristeza. Porquê logo comigo? Há tanta gente com medo do escuro, com pavor das aranhas, com pânico dos lugares altos… Por que não eu também? Por que não havia eu, alentejano de gema, de me ter transformado num exemplo raro de copofóbico (indivíduo com medo da fadiga), ou sofrer como muitos que conheço, nos mais variados ramos de actividade (e também no ensino), de epistemofobia (medo do conhecimento)? Ou, num caso muito pessoal, ter-me transformado num falacrofóbico (tipo com pavor de ficar careca)? Seria um indivíduo descontraído se sofresse, por exemplo, e tal como muitos dos nossos políticos, de fronemofobia (aversão mórbida irracional, persistente e repugnante de pensar). Mas não, nem uma pontinha sequer de xenofobia, uma doença tão em voga ultimamente. Nada. Sou efodiofóbico e pronto. E-fo-di-o-fó-bi-co!

Viajei recentemente. Um dia antes da partida, a minha fofa chamou-me do quarto: “Anda ajudar-me a fazer as malas.” Obedeci, claro. Aquilo que eu estava a fazer no sofá (uma sestinha) podia ficar para mais tarde. Fazer as malas para quatro dias fora de casa seria mais fácil e muito mais rápido do que comer um prato de caracóis na Sede dos Pombos. Quando entro no quarto e vejo a minha cama tapada de malas grandes, pequenas e médias, de bocarra escancarada, uma com roupas de Verão, outra com roupas de Inverno, outra com sapatos, outra com sandálias, outra com produtos de beleza, outra ainda vazia, outra encostada ao roupeiro, à espera de vez, senti uma tontura forte, um tremedouro nas pernas… e desmaiei. Desmaiei mesmo.

Acordei com a minha fofa a arrastar-me para cima do tapete. “Fofa”, murmurei, “o que é que se passou?” “Foi uma quebra de tensão”, decidiu com firmeza. Levantei-me e, quando encaro novamente aquele desassossego de malas e objectos, gritei assim tipo Janet Leigh na cena do duche do Psycho, do mestre Hitchcock, e voltei a sentir o chão a faltar-me debaixo dos pezinhos. “Quando regressarmos, tens de ir ao médico”, sentenciou. “Agora já não há tempo!”

Assim foi. Quando avistámos a velha Torre do Relógio, cartão de visita da minha cidade, o nosso Big Ben do coração, telefonou a um psicólogo que, por sua vez, conhecia um psiquiatra especializado em doenças esquisitas e lá fui eu de charola. Muita conversa, muitas perguntas, muito disto e daquilo e mais o cheque da ordem. Ou melhor, à ordem. Cheguei a casa há menos de meia-hora com a sentença lida: sou efodiofóbico. Isto é: tenho um pavor indescritível e insuperável dos preparativos para as viagens.

Por isso, a partir deste dia, enquanto a minha fofa trata da questão das malas (só de usar esta palavra sinto um ligeiro tremor nas pernas, ainda assim musculadas), eu tenho mesmo de ficar deitado no sofá (ordens do médico) a dormir a minha sestinha.

Resultou o truque do desmaio. A consulta é que foi um bocadito cara. Do mal, o menos.

A minha fofa sobre de pocrescofobia

Elas já começaram. A minha fofa e as amigas. Assim que enfiam a louça do jantar na máquina de lavar, aí vão numa grande ciguêra dar a volta à cidade, sem entretengas de qualquer espécie. Magras, gordas, feias, bonitas, jeitosas e assim-assim, as mulheres de Vila Nova voltaram à carga todos os dias à noite. Chamam-lhe marcha mas, para mim, é mais uma forma de queimar as calorias dos palmières, pastéis de nata e pudins de nasêquê que marcharam logo pela manhã, nas pastelarias da cidade. Para além de ser uma óptima e insuspeita desculpa de pôr as conversas em dia.

Num serão destes, a minha fofa convidou-me para ir com ela. “Anda, para ver se abates essa barriga”, desafiou-me, provocadora. “Que barriga?”, perguntei-lhe, sustendo a respiração, enquanto tentava encostar a parede da frente do estômago à coluna vertebral, esquecido momentaneamente do cozido à portuguesa (com abóbora e grão, tal como a minha mãe faz) acabado de ingerir. “Mas que maneira tão parva de queimar calorias”, respondi-lhe, quase irritado. “Conheço outras bem mais agradáveis.” E, chateado, não fui.

Pronto para passar o primeiro serão de calor deste ano, sentei-me no sofá, pensando numa cerveja gelada, a beber lá para as 11 horas, num ritual de gestos lentos e lânguidos. Daí a um bom bocado, chegou ela, cansada, esbaforida, com a prima a reboque, continuando exactamente tão gordas como estavam antes de terem partido. “Estás muito mais magra, fofa”, disse eu por pura vingança, “parece que vale a pena fazer essas caminhadas.” Ela não gostou e, durante três dias, a contar já com aquele, dormi no sofá da sala. “Já que gostas tanto do sofá, aproveita”, sentenciou. Mas não me calei: “Sabes o que tu és? Uma pocrescofóbica. Tu e as tuas amigas, que atravessam Vila Nova numa só noite, um percurso que eu levaria seis dias a fazer…”.

Enquanto eu dava um jeito ao sofá, sobrepondo-lhe um lençol às flores amarelas (uma oferta da minha sogra!) e uma almofada com fronha a condizer, vi-a, pelo canto do olho, a folhear discretamente o dicionário.

 

Voltaram os bufos (ou não chegaram a partir)?

“E tu, Chico, que és professor de Inglês, o que é que tens a dizer sobre o senhor Primeiro-ministro?”, perguntou-me há dias um velho conhecido que eu não via há muito tempo. “Sobre o senhor Primeiro-ministro?”, balbuciei, admirado com a pergunta.

 Olhei muito sério para o meu interlocutor. Tinha os olhos escancarados e mil gotas de transpiração inundavam-lhe a testa alta. Os lábios finos, cruéis, conservava-os semiabertos, já com alguns laivos de baba a escorrerem-lhe pelos cantos da boca. Parecia um lobo a aguar pela presa certa.

Engoli em seco, respirei fundo e respondi com a voz mais firme que me foi possível: “Do senhor Primeiro-ministro só tenho a dizer bem, só bem…”

E sublinhei a minha alegria instantânea com dois saltinhos de feliz patriotismo: “Viva o senhor Primeiro-ministro”. 

Pois.

The piano
Um pianista negro norte-americano, bebedérrimo, senta-se ao piano e executa uma melodia jazzística meio obtusa, a descair, mas sem cair (a melodia e o músico). Receando alguma admoestação por parte do público, apressa-se a explicar: "Sorry, folks! The fuckin' piano has been drinkin'"!
E o Rui Pedro?
Neste dia 15 de Maio, depois das 13 horas, a pequena Maddy ainda não foi encontrada. A máquina posta em movimento, para descobrir o paradeiro da criança que desapareceu há uma semana, ainda não atingiu, infelizmente, os seus objectivos. Polícia, jornais, televisões, populares, todos procuram a criança inglesa, com oferta inclusivamente de várias recompensas para quem trouxer a boa notícia. É emocionante ver como funciona o lado bom das pessoas, a rapidez com que nos interessamos pelos problemas dos outros, a importância que damos a estes casos que, a provarem-se, são crime grave e a merecerem a mais pesada das condenações. Continua em paradeiro desconhecido um menino português chamado Rui Pedro Mendonça, que desapareceu em 1998, quando tinha 11 anos. Não me recordo de ter visto qualquer movimentação de meios, semelhante à que decorre agora, para ajudar a polícia a recuperá-lo. Ou será que houve e eu já não me lembro?
Mais 10, para o caminho!

A arma espirrava cravos e sonhos. Tinha chegado a Liberdade.

Olha! Outra história em 10 palavras
Ele. Ela. Sós. Sexo. Muito. Até de madrugada. Fim. Recomeço.
Eu também escrevi uma história em 10 palavras
Nasceu. Viveu. Morreu. Nunca soube porquê. Que descanse em sobressalto.
Reflexões para um Domingo de Páscoa

 

Eu, que sou agnóstico, quando vou a um funeral católico (ainda não vivi a experiência de assistir a um ritual de outra religião), gosto de assistir às cerimónias do princípio ao fim. Entre várias razões, porque quero estar perto da família e porque quem partiu também estaria ali se fosse eu o defunto. Ao contrário de muitos, que preferem que a cerimónia se resuma ao que se chama a Encomendação da Alma (e ala, que se faz tarde), eu gosto que haja Missa de Corpo Presente. Por dois motivos: porque a celebração serve de ponto unificador entre os que ali estão e porque fico sempre com a esperança de ouvir quem preside tecer algumas considerações (ou pedir a alguém que o faça) sobre quem nos deixou. Mas não. Em dezenas de funerais a que tenho assistido, para além de lhe recitar o nome e de lhe chamar várias vezes irmão ou irmã, o celebrante raramente refere a vida ou a personalidade de quem vai, para sempre, separar-se fisicamente da família e dos amigos.

Fez-se, não há muito tempo, uma brilhante excepção. Um velho amigo meu, padre, presidiu a uma cerimónia fúnebre de um familiar, assumindo com rigor e na íntegra as suas funções de ministro da Igreja. Falou com entusiasmo de Deus e da Eternidade, da Vida e da Morte, da Esperança e do Amor, mas incluindo na sua prelecção o cunhado e amigo que partira. Falou dele, falou com ele, com a mulher e a filha e deixou naqueles que assistiam uma vontade que todos os funerais se iniciassem daquela maneira: com uma forte comunicação entre o sacerdote e os fiéis através do defunto que, a par da Fé – para os que a sentem -, é o principal motivo da nossa presença naquele lugar. E a família sentiria a cerimónia de um outro modo: menos vazia, menos chapa cinco e mais humana. E talvez o último adeus fosse assim menos doloroso.

Et lux perpetua luceat eis!

Esta não sabe a Paula Bobone. Ou sabe?
"It's okay if it happens to your finger. Yes, you can *** your finger, but don't finger your ***. No, no."

George Carlin
Diz que é uma espécie...

Agora dizem que o primeiro-ministro é uma espécie de engenheiro. Como se o canudo de engenheiro fosse fundamental para se ser primeiro-ministro! Mas não andemos preocupados! Se José Sócrates não é engenheiro… ainda bem. Lembram-se do Eng.º Guterres? Lembram-se do Dr. Durão? Lembram-se do Dr. Portas? Lembram-se do Dr. Santana Lopes? Pois, andamos todos a chafurdar na boa coisa que estes senhores doutores fizeram e ninguém se preocupa com isso. Preferem implicar com o José Sócrates. Pode lá ser tanta embechação só por causa de um título académico?

Aquilo que eu mais desejo agora é que o senhor José Sócrates continue a preocupar-se com o país, que despeça alguns ministros que só andam a fazer asneiras e que deixe aquele pormenorzinho de lado. Se andar muito deprimido, eu vendo-lhe o meu canudo e fica tudo resolvido. Pode ser que ele, como professor, se lembre de convencer a ministra da Educação da necessidade imperiosa de reformar a Reforma que ela acabou de me oferecer. E, depois, se o senhor não for engenheiro, não é. Não faz mal. Nós não queremos pessoas muito letradas no poder. Nós não precisamos de governos intelectuais. Queremos é gente que arregace as mangas.

Como costumava dizer uma das minhas Avósquedeustem: quem muito pensa, pouco trabalha!

 

 
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