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OS FILHOS DE ESTIMAÇÃO

«Muitas vezes são um luxo; outras vezes, são um fardo.»

 

Antigamente os filhos eram a razão de ser dos pais. A principal função do casal era educar e criar os filhos. Era, para isso, que as pessoas se casavam e que o casamento existia. Só que isso já passou de moda.

 

Hoje, o casal vive exclusivamente em função de si próprio. Os filhos deixaram de ser uma prioridade. Muitas vezes são um luxo; outras vezes, são um fardo. Em regra, está-lhes quase sempre reservado o papel secundário de um mero animal de estimação. Vestidos com roupinhas de marca da cabeça aos pés, atolados em brinquedos tão caros quanto inúteis e exibindo as habilidades que os pais fizeram questão de pagar para lhes ensinarem, servem na perfeição a estratégia de afirmação do estatuto económico do casal.

 

O importante não é se o filho é feliz. O importante é que os outros constatem que os brinquedos e as roupas do seu filho pedem meças aos das melhores famílias e que as habilidades que estes aprenderam não estão ao alcance da bolsa de qualquer um. 

 

O pior são os fins-de-semana, as férias, a progressão na carreira... Mas para isto existem os avós. E, no fim, tudo se compensa com mais uns brinquedos... De resto, como pode um casal, que vive exclusivamente orientado para a apropriação e ostentação de bens materiais, compreender que o excesso de brinquedos é altamente prejudicial ao desenvolvimento do seu filho e que, de forma alguma, compensa a ausência dos pais?

 

E é talvez esta a grande diferença entre os pais de hoje e os de antigamente: hoje, os pais, no pouco tempo que têm para estar com os filhos, tudo fazem para que os filhos gostem deles; antigamente, pelo contrário, os pais faziam o que deviam porque gostavam dos filhos.

 

Posted: quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006 2:56 por contracorrente
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Comentários

ladoposto said:

Gostei da sua muito boa observacao!A qual estou totalmente de acordo.E repare,como os pais de hoje:concorrem com os filhos que,até por vezes,parecem querer dar a entender,que sao mais jovens que eles(os filhos).Ridículo!Nao é?

# Dezembro 20, 2006 3:15

tresa said:

Muitas vezes isso é o reflexo da sociedade em que vivemos.

Mas não há regra sem execpção.

Um abraço.

# Dezembro 20, 2006 14:51

keselixe said:

Não há forma de dizer que o meu caro não têm razão quando ela lhe assiste na integra. Ser-se pai ou mãe entre as classes médias, médias-alta e burguesas, não passa de um entretem( não generalizado claro que a generalização é palavra de marxismo), e alguns destes ainda são a favor da penalização das mulheres que optaram pelo aborto, é assim o mundo em que vivemos.

keselixe

# Dezembro 20, 2006 19:44

PedroPenedo said:

Gostei do seu modo de ver as coisas.

Dou-lhe muita razão.

A família precisa duma reviravolta e para que tal aconteça temos de lhe dar novamente a atenção que merece.

Um abraço.

# Dezembro 20, 2006 20:54

Serak said:

Admito que o quadro negro que descreve se aplique a alguns desmiolados pais. Contudo, pela observação no meu contacto social diário, eu não partilho da ideia de generalizar tal quadro negro ou mesmo de que ele seja aplicável à maioria dos actuais pais.

Apesar da minha já um pouco longa vivência, já lá vão três gerações, não constato alguma diferença assinalável entre o desvelo, o amor, o carinho, o sentido da responsabilidade dos pais actuais e dos pais do "antigamente" relativamente aos filhos.

Por isto, eu acredito na actual geração e não acredito na já gasta falácia da geração rasca...

Um abraço

Serak

# Dezembro 20, 2006 22:09

gmaria said:

Eu acredito na geração rasca dos pais modernos...

# Dezembro 20, 2006 23:11

Vietkong said:

Porquê, contracorrente? Não será isto um "sinal" dos tempos? Não será isto um sinal de que estamos passados para trás por um sistema que deixámos de controlar por causa do nosso próprio lascismo? Ou terá sido por causa da nossa desesperada busca pela sobrevivência?

Não há geração rasca! Há gente (miúda, ou graúda) que é rasca... ou não! O governo é rasca! A oposição é rasca! Nós somos rascas porque não vamos para a rua protestar!

De que nos serve esta conversa bloguística, senão para contestarmos opiniões divergentes, ou agradecermos opiniões convergentes? Uma coisa é verdade: não vou mudar o "rumo" de Ninguém com o meu blogue. Por isto...

Por isto, meu Caro, ... um sincero abraço para Si e para os Seus, votos de Feliz Natal, mas, fundamentalmente, votos de...

... um Portugal que convenha a todos!

# Dezembro 22, 2006 5:02

azzor said:

Descobri o seu blog por mero acaso através do blog Esmeralda-sim, eu pessoalmente estou de acordo com várias coisas que tem escrito no seu blog e em desacordo com outras. Penso que isso é normal... Ainda não consegui ler todas as suas postagens, trabalho muitas horas para poder conjugar o cheque com as contas, tenho um filhote lindo, que dá imenso trabalho, uma casa grande, duas enteadas que tentam num fim-de-semana de 15 em 15 dias brincar(leia-se desarrumar)até cairem de lado e um marido que trabalha às vezes ainda mais que eu...

Apesar das muitas coisas que estou em desacordo, subscrevo e assino por baixo as postagem das touradas (frequentei a faculdade e descobri lá todas aquelas pessoas diferente que aqui na minha santa terrinha ainda não chegaram, mas conheci lá alguns anti-touradas de morte, que nem sequer sabiam que em qualquer tourada, de morte ou não o touro acabava morto...).

Mas apenas este blog me faz comentar, tenho trinta e poucos anos, os meus pais eram pobres, e sempre acharam que a melhor educação que podiam dar era o exemplo e carinho. Nunca tive grandes brinquedos, a roupa corria toda a família antes de chegar a mim, as malas da escola eram prácticas e resistentes para aguentarem mais que um ano, as borrachas eram para apagar e não enfeitar... enfim todas aquelas coisas que eu com 7, 8, 10 anos achava horrível, porque os outros tinham e eu não. Mas com o passar dos anos cheguei À conclusão que o que os meus pais me deram foi mais importante que os bens materiais.

Tenho príncipios e uma boa educação,boa formação e sem dar importância às pequenas coisas da vida. Na minha casa não se dão presentes, só lembranças, especiais para cada um... O dinheiro primeiro paga as contas e depois logo se vê,l não vou de férias, fico de férias. As minhas enteadas adoram estar connosco, não têm roupas novas, nem de marca (há sempre alguém com uma filhota mais velha que nos dá roupa, isto para não termos q

# Fevereiro 13, 2008 21:19

azzor said:

que aturar a mãe porque a roupa xpto ficou rasgada, quando resolvemos subir às árvores, são obrigadas a fazer os trabalhos de casa, bem feitos, e a estudar, e ainda são postas de castigo pelas asneiras que fizeram nesses 15 dias antes, porque em casa da mãe "ai de quem faça seja o que for às minhas filhas"...

O meu filhote vai pelo mesmo caminho, ainda é muito pequenino, mas já herdou a cama do primo mais velho, que já serviu não sei quantos, as roupas de vários primos, e todos os brinquedos que as irmãs não querem...

Peço desculpa pelos testamentos e espero que continue sempre para eu poder acordar ou discordar de si:)

P.S.: no blog da Esmeralda assinei apenas r

# Fevereiro 13, 2008 21:25

contracorrente said:

AZZOR

Eu procuro fazer um pouco de advogado do diabo. Em todas as gerações há bons e maus pais. Eu aqui apenas quis focar aquele pai que privilegia as prendas à educação que caracteriza, de certa forma, alguns pais da nova geração.

# Fevereiro 14, 2008 20:39
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