OS FILHOS DE ESTIMAÇÃO
«Muitas vezes são um luxo; outras vezes, são um fardo.»
Antigamente os filhos eram a razão de ser dos pais. A principal função do casal era educar e criar os filhos. Era, para isso, que as pessoas se casavam e que o casamento existia. Só que isso já passou de moda.
Hoje, o casal vive exclusivamente em função de si próprio. Os filhos deixaram de ser uma prioridade. Muitas vezes são um luxo; outras vezes, são um fardo. Em regra, está-lhes quase sempre reservado o papel secundário de um mero animal de estimação. Vestidos com roupinhas de marca da cabeça aos pés, atolados em brinquedos tão caros quanto inúteis e exibindo as habilidades que os pais fizeram questão de pagar para lhes ensinarem, servem na perfeição a estratégia de afirmação do estatuto económico do casal.
O importante não é se o filho é feliz. O importante é que os outros constatem que os brinquedos e as roupas do seu filho pedem meças aos das melhores famílias e que as habilidades que estes aprenderam não estão ao alcance da bolsa de qualquer um.
O pior são os fins-de-semana, as férias, a progressão na carreira... Mas para isto existem os avós. E, no fim, tudo se compensa com mais uns brinquedos... De resto, como pode um casal, que vive exclusivamente orientado para a apropriação e ostentação de bens materiais, compreender que o excesso de brinquedos é altamente prejudicial ao desenvolvimento do seu filho e que, de forma alguma, compensa a ausência dos pais?
E é talvez esta a grande diferença entre os pais de hoje e os de antigamente: hoje, os pais, no pouco tempo que têm para estar com os filhos, tudo fazem para que os filhos gostem deles; antigamente, pelo contrário, os pais faziam o que deviam porque gostavam dos filhos.