SOL

Rexistir

«Remar contra a maré é difícil mas enrijece» (Goëthe)

News

  • Visitantes

    web statistic

A MORTE SAIU À RUA

O recente homicídio, a sangue frio e de forma absolutamente gratuita, do motorista do Crato Nelson Silva, de 37 anos, na área de serviço de Abrantes da A23 era tão escusado como previsível.

E se os autores materiais do crime já estão presos (se bem que por pouco tempo, face à nossa legislação criminosa), os autores morais continuam à solta.

O que era de esperar de três jovens criados numa comunidade que tem por referências morais indivíduos que se dedicam à criminalidade, que não têm o mínimo respeito pelas autoridades, que desprezam a vida humana, que aterrorizam a cidade, que vivem na mais absoluta impunidade, que apresentam sinais exteriores de riqueza sem trabalhar e que ainda são premiados pelo Estado com casa e rendimento social de inserção?

Se os três jovens foram os autores materiais deste hediondo crime (a vítima foi morta apenas porque olhou para o homicida), bem revelador da falta de valores em que foram criados e da comunidade onde estão inseridos, o Estado português é o seu autor moral, nas suas diferentes vertentes:

         -        a Escola, porque se demitiu de educar estes jovens, sendo a escolaridade obrigatória;

         -        a Segurança Social, porque continua a fechar os olhos aos sinais exteriores de riqueza que apresentam e às actividades ilícitas a que se dedicam;

         -        o Governo e a Assembleia da República porque criaram uma legislação criminosa que protege e financia os criminosos, promove o crime e desprotege completamente as vítimas e as testemunhas honestas;

         -        os Tribunais porque preferem refugiar-se na justiça formal, feita de testemunhas e de vítimas que, para salvarem as suas vidas e dos seus familiares, têm de negar ou calar o que sabem e o que viram, a enfrentar a dura realidade de um país "sem rei, nem roque";

         -        a Autoridade Pública, totalmente desautorizada, que só é forte perante os fracos e que treme perante uma comunidade de delinquentes que, à vista de todos, conduz sem carta, se passeia armada pelas ruas, ofende e agride a autoridade, assalta e agride quem lhe apetece e aparece pela frente, sem que nada lhes aconteça;

         -        e, finalmente, a Câmara Municipal de Abrantes que assiste, impávida e serena, ao lavrar do incêndio pela cidade sem um gesto público de indignação e sem ser capaz de liderar a comunidade abrantina que clama pelo direito de viver em paz e em segurança.

PRÓXIMO POST: SÁBADO

Posted: segunda-feira, 5 de Julho de 2010 3:19 por contracorrente

Comentários

JorgePaz said:

Caro amigo:

Bravo pelas verdades dolorosas que tem a coragem de denunciar.

Podia aqui referir um rol de culpados, mas todos sabemos que é na "eduquês" do "facilitismo" que se geram estes jovens delinquentes.

E, em sequência, temos uns políticos, a começar pelo PM, que estão mais interessados em verem-se bem vestidinhos ao espelho e nas fotos...

Um abraço

# Julho 7, 2010 0:18

contracorrente said:

Jorge Paz

Mas o que me choca mais em tudo isto é a extrema passividade e indiferença com que o povo português vai aceitando tudo isto.

Só me lembra a estranha passividade dos judeus a caminho dos campos de morte, na IIª Guerra Mundial.

Santana Maia

# Julho 7, 2010 16:15

OlindaGil said:

Olá Santana-Maia

O pior é que esta "cambada" de gente sem valores e sem qualquer noção de dever ético tem tendência a aumentar. A forma como tem decorrido todo o processo de desculpabilização dos coitadinhos que grassam pelas escolas, irá reflectir-se em adultos desprovidos de noção de bem e de mal.

Beijinhos

# Julho 8, 2010 15:16

contracorrente said:

Olinda Gil

Dizem que hoje não há autoridade. Há autoridade. Só que autoridade é esta gente.

# Julho 8, 2010 17:15
Para comentar necessita de estar registado