Muito antes da nossa era
A Morte subiu
O vale do lado do sol poente
E ficou à nossa espera
Na margem esquerda do rio
Como sempre
Luxor (Vale dos Reis), 10 de Abril de 2001
P.S.: Como dizem os chineses, há um tempo para nascer e um tempo para morrer. No entanto, não julguem que é fácil terminar um relacionamento de quatro anos mesmo quando já há pouco para dizer, como é o caso. Gostei de vos conhecer e de partilhar as minhas ideias convosco. Mas chegou a altura de partir… Um abraço e até sempre!
Há cerca de dez anos escrevi o seguinte texto a propósito do crescimento dos partidos fascistas e dos sentimentos xenófobos na Europa, sentimentos esses que agora também começam a aparecer em Abrantes, relativamente à comunidade cigana:
«Como já devem ter reparado, hoje quase toda a gente é de esquerda. Da tal esquerda não praticante, bem entendido, que gosta de falar dos pobrezinhos e dos excluídos para aliviar a consciência e ajudar a digestão. E hoje em dia, não há melhor digestivo para um requintado banquete do que as preocupações sociais. Acontece que quem quiser continuar a ser antifascista não pode ser de esquerda. Porque esta esquerda mole, lassa, barriguda e viscosa que se reproduz nos órgãos de comunicação social e engorda nas repartições públicas, é a mãe de todos os fascismos. E, quer se queira, quer não, mães e filhos são tudo farinha do mesmo saco».
Não é, pois, de estranhar que os europeus, ao verem os seus líderes a tremer de medo e incapazes de enfrentar os monstros que as suas teorias (pós)modernistas conceberam, comecem agora a dar ouvidos aos líderes populistas dos partidos neonazis e fascistas. É no que dá o modernismo, o multiculturalismo e as lideranças frouxas.
PRÓXIMO: SÁBADO

TVI - 7/5/2010
O Governo prevê que linha do TGV para Madrid atinja mais de nove milhões de passageiros por ano. Um número de viagens superior ao que hoje existe entre Paris e Londres e também entre as principais cidades espanholas. Esta previsão é um dos pontos mais polémicos do projecto do TGV, Lisboa - Madrid.
A linha de alta velocidade Lisboa-Madrid passa a norte da cidade de Évora. Do lado português terá 203 quilómetros. A maioria do percurso, 437 quilómetros, fica em Espanha.Com estações garantidas em Mérida, Cáceres e Telavera de La Reina.
A nova ligação ferroviária servirá uma população de 2,8 milhões de pessoas na grande Lisboa, 50 mil na região de Évora, um milhão na Estremadura espanhola e tem como principal mercado Madrid, região mais povoada da Península com mais de 6 milhões de pessoas.
A linha servirá uma população de referência de cerca de 10 milhões de pessoas. Mas a RAVE, empresa pública para a alta velocidade, prevê que venham a ocorrer 9 milhões e 300 mil viagens por ano.
A maioria das viagens, a confirmar-se a previsão da empresa portuguesa, será feita em território espanhol. 5,7 milhões, o que corresponde a 61 por cento dos passageiros. Viagens internacionais não chegarão a 30 por cento: 2,7 milhões.
Em território nacional, entre Lisboa, Évora e Elvas a previsão fica-se pelas 820 mil viagens por ano, 9 por cento.
A RAVE acredita que a linha Madrid-Lisboa, que atravessa uma região com 10 milhões de pessoas atrairá 9 milhões e 300 mil passageiros por ano. A verdade é que a linha Madrid-Barcelona, que serve 15 milhões de pessoas com maior poder de compra, só gera, hoje, 5,7 milhões de viagens. E a linha Madrid-Málaga, para uma população de 9 milhões, não atinge os 2 milhões de viagens.
Os especialistas consultados pela TVI lembram: nem o comboio entre Paris e Londres, que só demora duas horas, atinge 9 milhões e meio de passageiros. [...]
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Mas o TGV não é o primeiro grande projecto estruturante de Sócrates
Em 1995, José Sócrates tornou-se membro do Primeiro Governo de António Guterres, ocupando o cargo de secretário de Estado-adjunto do Ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com a tutela do Desporto. Foi, nessa qualidade, que se tornou no principal impulsionador da realização, em Portugal, do EURO 2004. Por ter sido um dos governantes com a tutela do Euro 2004 - quando foi ministro-adjunto do primeiro-ministro, durante o I Governo de António Guterres -, Sócrates foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Tomada a grande decisão da realização do Euro-2004, avançou-se para a construção dos dez estádios de futebol que se traduziram em mais de mil milhões de euros de investimento público total, em nome de um amplo desígnio nacional. O Euro 2004, diziam, iria trazer muitos milhões de turistas a Portugal que constituiriam o pontapé de saída para o arranque decisivo da economia portuguesa.
Entrevista de Sócrates ao Acção Socialista - 19/5/2004
AS - "Atendendo a que foi o ministro responsável pela realização em Portugal do Euro 2004, qual o seu comentário ao posicionamento ambivalente do Governo [PSD] face ao evento?"
Sócrates - "O Governo [PSD] aprendeu. Começou por ter as maiores dúvidas e reservas quanto ao Euro 2004, a fazer-lhe críticas muito pueris, próprias de quem não percebeu nada do que estava em causa. O Euro 2004 não é um torneio de futebol, é muito mais do que isso. É um grande acontecimento que projecta internacionalmente o nosso país. [...]
AS - "No entanto, passa a ideia que eles [o governo PSD] colhem os louros do Euro 2004 e passam para os governos do PS o odioso, nomeadamente a construção dos dez estádios."
Sócrates - "Pois, mas a construção dos dez estádios não é um odioso, é um bem necessário ao país. Portugal tinha que fazer este trabalho. É também uma das críticas mais infantis que tenho visto, a ideia de que se Portugal não tivesse o Euro não tinha gasto dinheiro nos estádios. Isso é uma argumentação própria de quem é ignorante. [...] Ouvi recentemente responsáveis pelo Euro dizerem que é já claro, em relação ao que o Estado gastou e ao que recebeu, que estamos perante um grande sucesso económico."
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Os proveitos dos 10 Estádios de Futebol do Euro 2004
Jornal Público - 7/2/2010
Antigamente, na Índia e na Tailândia, o elefante branco era um animal sagrado que não podia ser usado em trabalho. Quando o rei oferecia um destes animais a um cortesão, este tinha de o alimentar, mas não retirava daí nenhum proveito, ou seja, possuía algo muito valioso, mas que só lhe dava despesas, conduzindo-o, muitas vezes, à ruína. É esta a origem da expressão "elefante branco", tantas vezes aplicada aos estádios construídos para o Europeu de futebol de 2004.
O Cidades visitou no último mês os cinco estádios públicos construídos para o Europeu e os autarcas, mesmo sem falarem em "elefantes brancos" olham para essas obras como uma fonte de problemas financeiros. Os números, aliás, não deixam dúvidas. Braga paga seis milhões de euros por ano à banca, Leiria paga cinco milhões anuais só em amortizações e juros, Aveiro despende quatro milhões no pagamento de empréstimos e na manutenção, enquanto Faro e Loulé gastam, em conjunto, 3,1 milhões por ano em empréstimos e manutenção. Coimbra é que menos paga e mesmo assim, este ano, vai transferir para a banca 1,8 milhões de euros. Somando estes valores (e em alguns casos a manutenção não está contabilizada), as seis câmaras que construíram os recintos para o Euro 2004 gastam anualmente 19,9 milhões de euros, ou 54.520 euros por dia, montante que terá tendência para aumentar com a subida das taxas de juro.
E se somarmos o que as câmaras de Porto e Guimarães pagam aos bancos pelos apoios que deram aos clubes locais nas obras dos estádios e acessos, a factura anual das autarquias com os empréstimos e manutenção de estádios do Europeu eleva-se para 26,1 milhões de euros. A autarquia portuense pagou 3,6 milhões de euros em 2009, tendo ainda pela frente 44,5 milhões até 2024. Em Guimarães, a câmara gastou 2,5 milhões de euros no ano passado. Já a Câmara de Lisboa afirma que não contraiu empréstimos por causa do Euro.
Na ronda pelos cinco estádios municipais, algo ficou à vista. Não há, ou pelo menos não houve até agora, soluções para rentabilizar os recintos, de forma a cobrir as despesas que a sua construção gerou. Todas as autarquias têm um pesado fardo anual e nenhuma encontrou "a galinha dos ovos de ouro". Umas invejam o Algarve, porque recebe o Rali de Portugal. Outras Coimbra, porque tem lojas na estrutura do estádio. Outras Braga, porque vendeu o nome do estádio a uma seguradora. E se umas (como Leiria) lamentam que o recinto tenha sido construído no centro da cidade, sem espaço para edificar mais equipamentos desportivos à volta, outras (como Braga e Aveiro) deparam-se com críticas da população, porque os estádios estão fora da cidade. E outras ainda (Algarve) lamentam não ter uma equipa da I Liga a utilizar o recinto.
[...] Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, é o único autarca assumidamente contra a construção do estádio. "Nenhum país decente constrói dez estádios para um Europeu", critica aquele autarca do PSD. [...]
"Muitas cidades que queriam o Euro agora dão graças por não ter um estádio", desabafa Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria. "Estes estádios foram pensados para uma realidade que não é a portuguesa. O Estádio de Aveiro leva metade dos [60.000] eleitores da cidade. Está sobredimensionado", acrescenta Pedro Ferreira, presidente da empresa que gere o recinto aveirense, ao que Alberto Souto, antigo presidente da Câmara de Aveiro, contrapõe que 30.000 lugares eram a lotação mínima para receber jogos de Europeu.
Com o Europeu de futebol de 2004, o Estado português gastou, pelo menos, 1035 milhões de euros, o equivalente ao custo da Ponte Vasco da Gama. Apurado por uma auditoria do Tribunal de Contas, realizada em 2005, este valor inclui, por exemplo, os encargos com os estádios (384 milhões), acessibilidades (228 milhões), bem como os apoios indirectos das câmaras do Porto (152 milhões) e de Lisboa (59 milhões).
Nas últimas semanas, os gastos anuais com os pagamentos de empréstimos e os custos de manutenção dos estádios têm gerado discussão um pouco por todo o país. O economista Augusto Mateus, que foi ministro da Economia entre Março de 1996 e Novembro de 1997, sugeriu uma solução radical: DEMOLIR.
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Miguel Sousa Tavares (Jornal Expresso 07.01.2006)
"Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita.» «Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre."
PRÓXIMO POST: SÁBADO
Perante o grave problema que enfrentamos, o Governo começou por ignorar, negar, fingir que não existia e assim o problema foi crescendo sem limitações.
Posteriormente, começou a tomar medidas impostas pela emergência, desgarradas e que não correspondem a reformas de fundo.
Não se avaliam as suas consequências, pelo que a probabilidade de não acertar é muito elevada.
As chamadas medidas de austeridade que têm sido tomadas e algumas das anunciadas atingem claramente a classe média.
Ora, não há crescimento económico sem uma classe média viva, impulsionadora de milhares de pequenas e médias empresas.
Assim, todas as soluções que atinjam desordenadamente as expectativas da classe média e minem a sua confiança têm necessariamente um efeito recessivo.
Só mesmo por imprudência, por exemplo, se pode ter “mexido” no IRS.
Só por demagogia se avançam propostas dissuasoras da poupança que acautelem a velhice.
Baixar o rendimento disponível diminui também as hipóteses de investimento.
Este atordoamento não conduz ao progresso do país.
Mais parece uma subjugação calculista ao politicamente correcto.
Não se está a tentar que a classe média puxe a economia para melhorar a situação dos pobres, mas a tomar medidas recessivas que levarão a que todos fiquem igualmente pobres.
Manuela Ferreira Leite - in Expresso de 12/6/2010in Expresso de 12/6/2010
PRÓXIMO POST: 3ª FEIRA
O recente homicídio, a sangue frio e de forma absolutamente gratuita, do motorista do Crato Nelson Silva, de 37 anos, na área de serviço de Abrantes da A23 era tão escusado como previsível.
E se os autores materiais do crime já estão presos (se bem que por pouco tempo, face à nossa legislação criminosa), os autores morais continuam à solta.
O que era de esperar de três jovens criados numa comunidade que tem por referências morais indivíduos que se dedicam à criminalidade, que não têm o mínimo respeito pelas autoridades, que desprezam a vida humana, que aterrorizam a cidade, que vivem na mais absoluta impunidade, que apresentam sinais exteriores de riqueza sem trabalhar e que ainda são premiados pelo Estado com casa e rendimento social de inserção?
Se os três jovens foram os autores materiais deste hediondo crime (a vítima foi morta apenas porque olhou para o homicida), bem revelador da falta de valores em que foram criados e da comunidade onde estão inseridos, o Estado português é o seu autor moral, nas suas diferentes vertentes:
- a Escola, porque se demitiu de educar estes jovens, sendo a escolaridade obrigatória;
- a Segurança Social, porque continua a fechar os olhos aos sinais exteriores de riqueza que apresentam e às actividades ilícitas a que se dedicam;
- o Governo e a Assembleia da República porque criaram uma legislação criminosa que protege e financia os criminosos, promove o crime e desprotege completamente as vítimas e as testemunhas honestas;
- os Tribunais porque preferem refugiar-se na justiça formal, feita de testemunhas e de vítimas que, para salvarem as suas vidas e dos seus familiares, têm de negar ou calar o que sabem e o que viram, a enfrentar a dura realidade de um país "sem rei, nem roque";
- a Autoridade Pública, totalmente desautorizada, que só é forte perante os fracos e que treme perante uma comunidade de delinquentes que, à vista de todos, conduz sem carta, se passeia armada pelas ruas, ofende e agride a autoridade, assalta e agride quem lhe apetece e aparece pela frente, sem que nada lhes aconteça;
- e, finalmente, a Câmara Municipal de Abrantes que assiste, impávida e serena, ao lavrar do incêndio pela cidade sem um gesto público de indignação e sem ser capaz de liderar a comunidade abrantina que clama pelo direito de viver em paz e em segurança.
PRÓXIMO POST: SÁBADO
Quando um aluno beneficia da acção social, pode almoçar na escola, tem direitos a livros e depois não vai às aulas ou aparece com um telemóvel topo de gama, eu pergunto que sociedade é esta. Não há responsabilização social.
António Gamboa
director do Agrupamento de Escola da Damaia
in Expresso de 20/3/2010
PRÓXIMO POST: 3ª FEIRA
Quando foram começadas a construir as SCUTS, defendi o princípio do utilizador/pagador para evitar que os encargos com as mesmas se viessem a transformar, a prazo, num peso absolutamente insuportável para o bolso dos contribuintes.
Não foi esse, no entanto, o caminho seguido, tendo-se optado por recorrer aos impostos de todos para pagar o proveito de alguns.
Acontece que, em consequência desta política absolutamente irresponsável do Partido Socialista, a carga fiscal dos portugueses, directa e indirecta, disparou para níveis absolutamente insuportáveis para a esmagadora maioria dos portugueses que vêem o seu rendimento livre mensal não chegar sequer para satisfazer as suas necessidades básicas e as obrigações assumidas.
Ora, manter os impostos altos para pagar as SCUTS e introduzir o sistema de portagens nas SCUTS é estar a comer por dois carrinhos. Ou seja, a introdução das portagens nas SCUTS só seria aceitável se houvesse uma redução geral de impostos proporcional ao que o Governo tenciona arrecadar com as mesmas.
Por outro lado, o Governo decidiu ainda começar a encerrar escolas, serviços de saúde e outros serviços públicos por esse país fora com o argumento de que essas localidades que perderam os serviços estavam agora servidas de boas estradas (em regra, as SCUTS) que as colocavam perto dos locais para onde esses serviços foram deslocados.
Ora, também por este motivo não me parece sério colocar portagens nas SCUTS sem devolver a essas terras os serviços que perderam com o argumento das boas acessibilidades.
PRÓXIMO POST: SÁBADO
Talvez, com o passar dos anos, a obra faça sobressair o autor e esquecer o homem, se bem que o mais natural seja sumir-se a obra e o homem e ficar, apenas e vagamente, o nome do autor.
Mas, independentemente da efemeridade das modas e da falível futurologia dos iluminados, este é o meu tempo e eu sentir-me-ia mal com a minha consciência se esquecesse, neste momento, todas as vítimas dos gulag, das purgas, dos genocídios, dos samizdat culturais e religiosos, desde Cuba à União Soviética, da Coreia do Norte à Venezuela, ou seja, de todas as vítimas da ideologia assassina por quem José Saramago, até à hora da sua morte, nunca verteu uma única lágrima ou sentiu um pingo de piedade ou arrependimento.
Não deixa, no entanto, de ser significativo do cinismo e da hipocrisia da nossa esquerda o apelo patético de Francisco Louçã para que o Presidente da República Cavaco Silva, que José Saramago abominava, estivesse presente no funeral.
Cavaco Silva teve, no entanto, a sensatez e a hombridade de não pôr os pés num funeral onde não era desejado por ninguém, a começar pelo defunto.
Quando o escritor é de esquerda, impõe-se que toda a gente esqueça o passado, mesmo o passado bastante recente, e lhe preste homenagem, independentemente da crueldade dos regimes que patrocinou, branqueou ou defendeu.
Mas se o escritor for de direita, o simples facto de ter lutado ao lado dos falangistas em 1936 é o bastante para que toda a esquerda (BE, PCP e PS) recuse, setenta e quatro anos depois, no nosso Parlamento, um simples voto de pesar pela sua morte, como aconteceu, no preciso dia em que faleceu José Saramago, com o voto de pesar pela morte de Couto dos Santos.
PRÓXIMO POST: 6ª FEIRA
Com o advento, para breve, das adopções de crianças por casais homossexuais, as aulas de Educação Sexual tornam-se fundamentais para preparar as crianças para essa eventualidade.
Sugiro, por isso, o regresso à teoria da cegonha para explicar às crianças de onde vêm os bebés.
Desta forma, as crianças já não vão estranhar e já não vão fazer perguntas de difícil explicação por serem filhas de dois pais ou de duas mães.
Esperemos, no entanto, que as adolescentes, para não engravidarem, não passem a atirar pedras às cegonhas, como faziam os alentejanos.
PRÓXIMO POST: 6ª FEIRA
Nós, os ocidentais, somos amigos estranhos. Damos prioridade ao nosso conforto moral. Convinha-nos que Israel levantasse o bloqueio a Gaza e aceitasse passivamente os bombardeamentos do Hamas, limitando-se a filmar os mortos e a preencher o devido impresso de reclamação na ONU. Seria assim mais fácil de redigir artigos pró-israelistas.
O embaixador de Israel em Lisboa fez há dias, na televisão, a pergunta fatal: tem o Ocidente meios para garantir que o fim do bloqueio não deixaria o Irão reforçar o Hamas? E concluiu: Israel prefere receber mensagens de protesto do que mensagens de condolências.
O Médio Oriente não é terra para ingénuos. Se, amanhã, a vantagem militar passasse para o Hamas, não haveria Israel no dia seguinte. Eis o problema: Israel é incómodo porque nos lembra que o mundo não é como gostaríamos que fosse, e que a nossa força e o nosso direito não chegam para o mudar.
Rui Ramos – in Expresso de 05/06/2010
PRÓXIMO POST: 3ª FEIRA
O Presidente da República entendeu promulgar a lei que institucionaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo invocando a "ética da responsabilidade" e contra o seu próprio parecer sobre a questão.
A expressão "ética da responsabilidade" é redundante, porque a irresponsabilidade nunca é ética, como é óbvio. "Responsabilidade" significa, etimologicamente, o "peso" (pondus, em latim), de "coisa" (em latim, res), ou seja, ser responsável é acarretar com as consequências das próprias convicções em todos os actos ou opções. A "ética da responsabilidade" opõe-se, portanto, à lógica da conveniência, cujo critério decisivo não é pautado por imperativos morais, mas por razões de oportunidade.
Gonçalo Portocarrero de Almada – in Público de 05/06/2010
PRÓXIMO POST: 6ª FEIRA
Sempre votei e apoiei Cavaco Silva. E fi-lo sempre por convicção. E foi precisamente por acreditar na sua promessa de que seria capaz de devolver Portugal ao crescimento e prosperidade, em "cooperação estratégica" com a maioria socialista, que votei nele nas últimas presidenciais.
É óbvio que, para haver "cooperação estratégica" com o Governo, seria necessário, antes de mais, que o Governo quisesse cooperar com o Presidente, o que manifestamente não sucedeu. Mas o Presidente não podia deixar de ver aquilo que entrava pelos olhos de qualquer pessoa com "dois dedos de testa": a corrida vertiginosa para o abismo a que as políticas irresponsáveis e criminosas do Governo, nas mais diferentes áreas (Educação, Justiça, Obras Públicas, Trabalho, Família, Administração Pública, etc.), nos estavam conduzir.
Acontece que o Presidente assistiu à derrocada de Portugal, impávido e sereno. Na sua comunicação ao País, a propósito da promulgação dos casamentos gay, ficámos todos a perceber a razão deste silêncio cúmplice com a política criminosa do Governo: para o Presidente, a ética das convicções deve ceder à lógica das conveniências, a que eufemisticamente resolveu chamar "ética da responsabilidade", mas que, no fundo, se resume apenas a uma enorme cobardia e a pura táctica política.
É, por esta razão, que eu, não sendo crente, nem católico, tenho uma enorme admiração por Bento XVI. Para este, a ética da responsabilidade está sempre intimamente ligada à ética das convicções, não podendo viver uma sem a outra.
Isto não significa, obviamente, que concorde com a posição do Cardeal Patriarca ao sugerir a perda do voto católico em Cavaco por este não ter vetado a lei dos casamentos gay. Aliás, esta declaração não faz qualquer sentido tendo em conta o que fica do chamado casamento civil.
Com efeito, depois da lei do casamento civil ter sido absolutamente esvaziada pelos sucessivos governos socialistas, o que resta, hoje, é apenas uma excrescência jurídica de que apenas sobejou o nome, sem qualquer objecto e que visa apenas dar trabalho e dinheiro aos advogados, tribunais e conservatórias. Sem casamento civil, a maioria dos escritórios de advogados (eu falo por mim) iam à falência: acabavam-se os divórcios, inventários, prestações de contas, arrolamentos, regulações de responsabilidade parental, acções de indemnização e de alimentos, execuções, etc.
É, também por esta razão, que o legislador quer equiparar as uniões de facto ao casamento civil, com receio de que a maioria dos portugueses se aperceba da inutilidade do casamento civil e passe a unir-se de facto, em vez de se casar.
Ora, em face disto, a Igreja Católica só tinha de fazer uma coisa: rasgar a Concordata e recusar que o casamento católico pudesse continuar a ser equiparado a esta excrescência jurídica que o legislador teima em chamar "casamento", com vista apenas a enganar os incautos.
O casamento de que fala Bento XVI não tem nada a ver com isto. Casamento, para Bento XVI, é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher. Ou seja, para Bento XVI, o casamento é um projecto de vida colectivo que vai muito para além da união de dois indivíduos e de dois egoísmos. O casamento, para Bento XVI, é o contrato para a vida que acautela o futuro dos filhos (criando-as e educando-as) e dos pais (protegendo-os na velhice).
É claro que a maioria das pessoas, nas quais eu me incluo, é hoje demasiado egoísta para se preocupar com as gerações futuras. Cada um que se desenrasque. E desde que o mundo chegue até à hora da nossa morte, é o que chega para a maioria das pessoas.
No entanto, apesar de reconhecer o meu egoísmo e o meu comodismo, reconheço também a razão de Bento XVI ao defender a família como uma instituição perene (e não um local de passagem de indivíduos de diferentes proveniências, como hoje acontece), única forma de a responsabilizar e garantir a transmissão dos valores comunitários.
PRÓXIMO POST: 3ªFEIRA
Resposta dos vereadores da Câmara de Abrantes eleitos pelo PSD Santana-Maia Leonardo e António Belém Coelho ao artigo de opinião «Reciclar a Asneira» de Alves Jana, director do Jornal de Abrantes, publicado no jornal A Barca de 27/5/2010
O dr. Alves Jana, verdade se diga, tem tido a esperteza de utilizar os jornais dos outros para criticar os vereadores do PSD, evitando, desta forma, o risco de ser obrigado a publicar, através do direito de resposta, alguma coisa da oposição no jornal de que é director. E desta vez, resolveu usar A Barca para atacar os vereadores do PSD, invocando um putativo direito de resposta que baptizou com o nome «A RECICLAGEM DA ASNEIRA».
Francamente, desconhecemos se as asneiras do dr. Alves Jana são ou não recicladas, mas, de uma coisa não temos dúvidas, é reconhecidamente um verdadeiro artista da asneira. E se o leitor tiver dúvidas disso, basta ouvir a gravação do programa "Radiografia" da RAL sobre o «Museu Ibérico» que passamos a transcrever. Comecemos, então, pelas asneiras propriamente ditas utilizadas, no referido programa, pelo dr. Alves Jana:
«(…) O PSD de Abrantes cuspiu na cara deste homem (...) As oposições tratam todos os políticos como filhos da P***. (..) Nós, no poder, todos, somos bons e somos sérios, vocês no poder são todos uns filhos da P*** (…)».
Por sua vez, no seu artigo n’ A Barca, o dr. Alves Jana volta a insistir na expressão «cuspir na cara de pessoas de bem» para nos atacar e ofender, revelando, assim, uma propensão muito especial (ou devemos chamar-lhe, antes, patológica) para cuspidela, que não abona nada a seu respeito.
Mas, já que ele gosta tanto de usar esta expressão, vejamos, então, quem “cuspiu” na cara de quem. Regressemos, pois, à referida gravação e ouçamos o dr. Alves Jana a fazer, desta vez, asneira e da grossa. Asneira que agora, com o seu artigo, quer limpar, atirando o odioso para cima de nós, como se o que ele dissesse não se escrevesse. O problema é que ele diz e, depois, escreve.
Mas não percamos mais tempo e ouçamos esta autêntica obra-prima da asneira (asneira em estado puro, ou seja, sem ser reciclada) produzida aos microfones da rádio Antena Livre pelo dr. Alves Jana:
«(...) Há um outro problema, este muito mais complicado, mais polémico e que vai dar que falar. É assim... Grande parte das peças que, segundo sei, porque eu nunca vi a colecção, mas segundo sei fazem parte desta colecção não podiam fazer parte. Portanto há aqui um mistério, há aqui um mistério que vai dar muito que falar. Se é verdade que as peças de que tenho ouvido falar fazem parte daquela colecção, aquelas peças não podiam estar nas mãos do senhor Estrada, mas estão. Estão, porquê? Porque alguém lhas vendeu, o que significa que (agora sou eu a tirar conclusões), significa que alguns arqueólogos que fizeram escavações e descobriram peças preciosíssimas, em vez de as declararem ao legítimo proprietário que é o Estado português, as venderam por fora. Certo? E portanto nós vamos assistir e esse será uma das revoluções... (...) Eu não me admiro nada... Eu tenho a certeza que isto vai dar uma guerra civil mas que não vai envolver necessariamente o senhor Estrada, vai envolver a Arqueologia portuguesa. Certo? Ou seja, neste momento, também não tenho dúvidas nenhumas que deve haver gente a tremer de alto a baixo e deve haver forças a movimentarem-se para: ponto um, que este museu nunca seja feito, para que esta colecção nunca seja vista por ninguém; ponto três, quatro ou dez, que nunca ninguém saiba de onde é que aquelas peças vieram, porque se se vier a descobrir... eh pá, descobre-se não apenas de onde é que vieram as peças, mas muito mais acerca de muita gente que andou a fazer escavações nestes séculos... nestes séculos, não... nestas décadas passadas. Tenho a certeza de que este vai ser um problema levantado.»
Como resulta claramente destas declarações, o dr. Alves Jana não se limitou a “cuspir na cara” (para usar a sua expressão predilecta) do benemérito. “Cuspiu” também na sopa. Na “sopa” dele e da esposa, bem entendido.
Há pessoas que, como diz o povo (e o artigo do dr. Alves Jana é disso um bom exemplo), «quando abrem a boca ou entra mosca ou sai asneira». Ora, se o Dr. Alves Jana fosse uma pessoa prudente, devia manter mais vezes a boca fechada... Mais que não fosse para não entrar mosca...
Terminamos com um conselho de amigo: já que o dr. Alves Jana gosta tanto de usar o verbo “cuspir”, aconselhamo-lo a não “cuspir para o ar”, como fez no seu artigo. Sempre evitava que a cuspidela lhe caísse em cima, como agora aconteceu.
PRÓXIMO POST: 3ª FEIRA
Não sou crente, nem ateu, nem agnóstico, se bem que já tenha sido tudo isto e por esta ordem. Hoje, sou apenas descrente. No entanto, tenho pelo actual Papa Bento XVI uma especial veneração, como já tinha pelo Cardeal Ratzinger, o que me fez desejar que fosse o escolhido.
Na era do efémero, onde tudo muda ao sabor das modas e das conveniências do momento, era fundamental que uma instituição âncora da civilização ocidental, como é a Igreja Católica, elegesse para seu timoneiro um homem da craveira intelectual de Ratzinger que aceitasse ser o farol num mundo pós-moderno onde o homem ocidental e a Europa andam, literalmente, à deriva.
PRÓXIMO POST: 6ª FEIRA