SOL

recuperar a memória- 18 de Janeiro de 1934

 Familiares dos presos da revolta do 18 de Janeiro- fotografia da época

  

O conto que ides ler foi escrito para recuperar uma memória. É tarefa árdua, essa de recuperar memórias. Mais árdua ainda se queremos saber, o que viveram aqueles que estiveram nos acontecimentos e fizeram História. É certo e sabido que ouvir os protagonistas, não é o mesmo que ouvir histórias em segunda mão. Mas que fazer se as memórias são de uma criança e se essa testemunha, quando a encontrámos, já não é a criança que as viveu mas uma idosa irremediavelmente transformada pelo tempo? E se quando queremos escrever sobre essas memórias passaram anos sobre a conversa? Que fazer então? Esquecer ou tentar juntar retalhos e ficcionar sobre eles? 

Faz mais de vinte anos que conversei com Mariana num lar de idosos na Marinha Grande. A sua memória conservava ainda alguns fragmentos daquele dia longínquo do mês de Janeiro do ano de 1934. O dia em que Mariana esteve pela última vez com o pai sem haver de premeio um parlatório de prisão. Um dia em que não houve escola e gente estranha lhe invadiu a casa à procura de papéis. Uma casa pobre onde os únicos papéis que existiam eram as folhas do seu caderno da Escola. Nem o pai, nem a mãe sabiam ler.

A memória da conversa que tive com Mariana, sobre o dia que mudou a sua vida, também se foi esvaindo com o tempo. E agora que escrevo já não sou o jovem estudante de serviço social, que o acaso de um estágio, colocou diante da testemunha dos factos que enquanto criança viveu. Parecem-me nebulosos certos pormenores, faltam-me os gestos, as entoações, assalta-me uma ou outra dúvida que ficou por desfazer. Lembro-me bem que houve muitas coisas que não consegui perguntar. Afinal o que fica de uma conversa quando a lembramos passados anos? Agora que quis escrever e procurei as minhas memórias do encontro, apercebo-me do quanto a memória é um país distante como alguém disse num poema. Cada encontro da nossa vida é irrepetível e Mariana já não está entre nós.

Mas porque quis escrever socorri-me, para preencher muitas das dúvidas, de documentos. Fontes como lhe chamam os historiadores, memórias que outros deixaram escritas sobre o que se passou. O relatório dos acontecimentos do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande, feito por um militante do Partido Comunista Português é a visão que ficou escrita por outra testemunha dos acontecimentos. Vão em itálico parágrafos desse relatório, no início de cada uma das quatro partes, que constituem o conto. Não encontrei testemunhos de anarco-sindicalistas cujo papel nos acontecimentos foi como é sabido determinante. O pai de Mariana era anarco-sindicalista e morreu na prisão do Tarrafal. Foi a própria que me fez saber esse facto. Nem ela nem ele se reconheceriam por certo neste documento. Afinal há tantos olhares sobre as coisas, quantas as pessoas que as vêem. A minha imaginação ficcionada encarregou-se de fazer o resto.   

Serpa, 16 de Março de 2008

A.P.

 

O DIA QUE MUDOU MARIANA

1.

Pela uma hora da madrugada do dia 18 de Janeiro de 1934 reuniram-se os membros do Comité Local (…) Esta reunião efectuou-se num local próximo desta Vila, num casão.

Era sempre assim quando não queria comer. Ficava sentada à mesa de castigo sem se poder levantar. O fastio em casa de pobres merece castigo, dizia-lhe a mãe. De nada adiantava queixar-se. A única forma de quebrar o enfado era distrair-se a olhar as pequenas coisas à sua volta esperando que o tempo passasse. E Mariana seguia com os olhos os gestos dos pais à conversa, o gato dormitando, as sombras que o lume ia desenhando nas paredes. Hoje falavam baixinho. A mãe com um ar preocupado o pai cheio de entusiasmo. Estava alegre, disso não havia dúvida. De que conversariam os dois? Mexeu-se, deslizando devagar, no banco corrido para tentar ouvir. Mas a mãe deu pelo movimento e gritou-lhe lá do fundo:

-- Não sais daí enquanto não comeres tudo. Ouviste-me bem Mariana?

-- Sim mãe – respondeu a pequena recuando de novo para a frente do prato.

E a conversa continuou no mesmo tom até que um gesto mais brusco do pai fez o gato levantar-se, dar uma volta e ir esticar-se ao lado da cantareira. De tão absorto que estivera na conversa só então o pai reparou nela e sorrindo fez-lhe sinal que o castigo tinha terminado. Mariana foi até ao seu banquinho e ficou ali calada olhando o lume que crepitava lançando fagulhas que se perdiam no ar.

--Pois podes crer que vai correr tudo bem – disse o pai atiçando o lume – vai correr tudo bem te garanto eu. Já passa das onze? Tenho de ir andando para a reunião.

--Não ouviste ainda agora as badaladas na torre. Andas mesmo fora da lei de Deus, mas a culpa não é tua. É de quem te mete essas ideias na cabeça quando vais ao sindicato. Deve ser tão bom que até o fecharam.

Sem responder o pai levantou-se e puxou do relógio que trazia pendurado no bolso do colete. Depois apressado foi vestir o casaco e veio despedir-se das duas.

-- E tu Mariana toca de ir deitar que já se faz tarde – disse rodando a chave da porta – amanhã trago-te uma prenda tão bonita como tu nunca viste.

Mariana sorriu, pressentindo que qualquer coisa muito importante estava prestes a acontecer.

 

2.

Eram 3 horas da madrugada, soou o primeiro tiro! Sinal da luta... 4 brigadas atacam simultaneamente o posto da Guarda Nacional Republicana e a estação dos correios e telégrafos… Ás cinco horas da manhã toda a Marinha Grande estava nas mãos do proletariado e milhares de trabalhadores percorriam a vila…

Mariana acordou com um grande alarido na rua. Eram vozes que davam vivas a coisas de que nunca ouvira falar. E entre esses vivas ouvi uma ao sindicato e aos trabalhadores. Os seus olhos encheram-se de contentamento. Não fazia ideia do que era essa coisa, a que todos davam vivas no largo, mas sabia que o pai gostava. Ele falava muitas vezes desse sindicato. Uma vez dissera-lhe que também ela um dia seria uma trabalhadora mas que então já tudo seria de todos e não haveria mais gente a passar fome.

Levantou-se e abriu uma fresta do postigo. A rua ia cheia de gente como nunca a tinha vista. Viu bandeiras vermelhas e negras ondulando ao vento acima da multidão, homens com espingardas e enxadas erguidas. Os risos e o vozear alegre davam um ar de festa aos rostos que mal se definiam na madrugada. Ficou a ver. No meio da gente reconheceu o tio agitando com grande entusiasmo uma bandeira vermelha e mais atrás aquele senhor que às vezes vinha buscar o pai e lhe trazia sempre um punhado de rebuçados. Reparou na braçadeira que ele trazia na manga do casaco de um vermelho muito vivo e percebeu nos gestos que ele fazia que dava indicações aos outros.

As casas do largo estavam quase todas já de janelas abertas e nalgumas pendiam agora colchas vermelhas como nos dias de festa. Sem receio abriu por completo a porta de madeira do postigo, deitou a cabeça de fora e espreitou para o largo.

À porta de casa a mãe conversava com a vizinha Rosa. As duas tinham o mesmo contentamento dos demais. O corrupio de gente não parava e às vezes da multidão saíam acenos aos quais elas respondiam sorrindo e acenando também. Não havia dúvidas. Algo de extraordinário tinha tomado conta da vila. Vestiu-se e desceu as escadas até à porta. Mãe, gritou cheia de entusiasmo. A mãe apertou-a muito contra si e deu-lhe um beijo de bons dias. A multidão de gente que não parava de engrossar dava agora Vivas à Revolução Social. Enquanto olhava sentiu de repente a mãe puxar-lhe a mão e fazê-la entrar por dentro do mar de gente.

Com uma braçadeira igual às que vira noutros homens, o pai estava ali. Num instante a família ficou reunida no meio do turbilhão de gente que confluía ao largo e Mariana sentiu-se de repente elevada no ar pelos braços do pai.        

-- Toma Mariana, trouxe esta prenda para ti – disse o pai tirando do bolso do casaco uma grande bola de vidro colorida.    

Mariana sem palavras olhou o enorme pisa-papéis de vidro colorido que tanto a fascinava quando ia com a mãe, pôr as cartas para a avó, aos Correios. Era aquela a prometida prenda. A enorme bola de vidro, que enfeitava a secretária do homem que aos berros mandava nos Correios, estava agora ali brilhante nas suas mãos.

A mãe e o pai continuavam abraçados como nunca os vira antes. E do rosto da mãe viu descer algumas lágrimas. De alegria só podia ser, pensou Mariana.

-- Já está mulher. Conseguimos. Tomámos o posto dos Correios para cortar as comunicações. Agora vamos cortar a estrada. Eu volto pela manhã.

-- Tem cuidado homem. Tem cuidado. No que te foste meter sem me dizeres nada.

-- E que querias tu que eu dissesse? Isto era segredo mas agora já está. Vencemos. 

Mariana sabia que o pai também tinha ajudado a fazer a grande festa que enchia a madrugada. E percebeu também que era perigoso fazer esta festa, que enchia todos os corações de uma alegria imensa. Sentiu então crescer dentro de si um enorme orgulho. O pai acenou uma última vez e levado na multidão desapareceu no fundo de praça.              

3.

Fogo nutrido de metralha e à vista a cavalaria e infantaria, perante esta força bruta; e a nossa fadiga duma noite completa de luta recuamos em direcção das matas, onde ainda pretendemos defender os pontos com tantos sacrifícios conquistados mas tudo debalde…

A pequena não voltou a deitar-se. A promessa do pai, de vir dejuar a casa, enchera-a de um entusiasmo ainda maior do que aquele que tivera na rua horas antes. No postigo, sempre de olho na praça esperando, Mariana viu romper o dia por entre o cerrado nevoeiro que cobrira a vila. Ao lume a mãe preparava a comida. Olhou-a e encostou com mais força contra si a boneca. Um dia seria também assim. Atarefada cuidando de tudo, a mesa posta, a comida quente, a família junta.

Um enorme estrondo fez-se de repente ouvir, abanando a casa. Correu para junto da mãe. Logo depois, um outro ainda maior, a fazer estremecer a loiça no armário. Ao longe começaram a ouvir-se tiros. Mariana agarrou-se à mãe.

-- Tenho medo Mãe. Tenho muito medo.

Mas a mãe não a pode acalmar. Também ela tomada de um temor súbito, ficou por momentos paralisada. Foram os toques apressados, dados na aldraba da porta, que as fizeram despertar daquele pavor.

-- Laura abre a porta. - gritava a voz da vizinha Rosa - Abre a porta.

-- Vou já. – disse Laura, descendo apressada as escadas.

-- A vila está cercada. Veio tropa de Leiria. O teu homem?

-- Ainda não chegou.  

Mariana escutou a conversa. Um aperto, maior ainda que o que tivera ao ouvir os primeiros tiros de artilharia, encheu-lhe o coração e logo os olhos se lhe inundaram de lágrimas. A mãe voltou apressada a subir as escadas. 

-- Não te assustes Mariana. – disse acariciando-lhe o cabelo - Nada de mal vai acontecer ao pai. Ele é forte e estão muitos com ele.

-- Eu sei mas tenho muito medo.

Ficaram as duas agarradas ouvindo os disparos de artilharia que pareciam não querer cessar. Ao som cavo dos disparos veio pouco depois juntar-se o ruído dos aviões sobrevoando a vila e as ruas ficaram desertas.

Mãe e filha esperaram abraçadas e sem palavras que os sons aterrorizadores se calassem. Já passava do meio-dia quando ouviram entrar na praça as primeiras tropas. A vila tinha sido ocupada.

4.   

…em breve começaram as prisões em massa e levados todos os presos para Leiria pois aqui a canalha podia exercer à vontade as patifarias...

Ao fim da tarde a vila estava silenciosa como a querer vingar-se dos rebentamentos que tinham atroado o dia. Era um silêncio só quebrado de quando em vez pelo marchar das colunas militares. No postigo, espreitando apenas por uma pequena fresta entreaberta, Mariana e a mãe esperavam. A largueza da praça ficara reduzida a um pequeno risco por onde as duas foram vendo a luz do dia ir-se lentamente desvanecendo até dar lugar à noite.

O sino tinha já batido as dez quando umas batidas fortes na porta fizeram estremecer mãe e filha.      

-- Abra é a Guarda.

Laura desceu as escadas e foi abrir. Sentiu-se empurrada pela força da porta e logo depois agarrada. Chorou.

-- Olhem que está ai a minha filha – disse tentando silenciar um choro que teimava em irromper do mais fundo de si – Ouviram estou com a minha filha. Não assustem a pequena.

-- Ah, agora é que te lembras da tua filha – o graduado mantinha-a presa pelo braço – Se o teu homem não se metesse em porcarias não estávamos aqui. Vá toca a subir. Vais mostrar onde ele guarda a papelada.  

-- Não tenho papelada nenhuma. Eu nem sei ler.

-- Não sabes tu mas sabem eles. Vá lá, vamos embora.

Mariana no quarto paralisada pelo medo viu, pela porta entreaberta, os guardas entrarem em casa arrastando a mãe e começarem a revolver tudo. Viu arrastarem o louceiro fazendo partir a loiça, despejarem as gavetas, revirarem a arca espalhando a roupa pelo chão. A mãe sem fala foi atirada contra a parede pelo guarda mais velho.

-- Olha lá. Onde é que ele guarda as coisas? Já as fostes deitar fora? – gritou puxando-lhe com força o braço – Vais piar tudo. A gente sabe bem. Não queres dizer? Queres ir fazer-lhe companhia para a prisão de Leiria?

-- Não tenho cá nada – disse rompendo em lágrimas.

Um violento pontapé fez abrir com estrondo a porta do quarto e Mariana assustada rompeu num choro de pânico.

-- Está aqui a pequena. – O guarda olhou Mariana e falando mais baixo acrescentou – Vá lá a gente não te faz mal. Só andamos à procura de papéis. O pai guarda aqui papéis? Guarda?

Os guardas revolveram o quarto incomodados com o choro convulsivo de Mariana. E chorando ela viu cair por terra a boneca de trapos, a pequena casinha de cortiça que o pai lhe oferecera nos anos e os pratinhos de folha que lhe tinha comprado na feira dos Santos.

-- Aqui não há nada. – disse o graduado – Vê ai de baixo da cama.

-- Há aqui um caderno. Espera aí. – o guarda deitado no chão esticou mais o braço - Já está! Apanhei-o.

-- É o meu caderno. Dá-me o meu caderno. É o meu caderno.- lavada em lágrimas Marina implorava. -- Dá-me o meu caderno.

O chefe da guarda abriu o caderno e foi passando uma a uma as folhas. Viu apenas, escritas a lápis, as primeiras letras de uma criança. Depois com o ar enfadado de quem estava a perder tempo atirou o caderno à cara de Marina.

-- Toma lá e vê se te calas está bem?

Publicação: sábado, 17 de Janeiro de 2009 18:06 por contramestre

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Comentários

sábado, 17 de Janeiro de 2009 20:30 by Talina

# re: recuperar a memória- 18 de Janeiro de 1934

Olá Contramestre

sábado, 17 de Janeiro de 2009 20:30 by Talina

# re: recuperar a memória- 18 de Janeiro de 1934

Olá Contramestre

sábado, 17 de Janeiro de 2009 20:35 by Talina

# re: recuperar a memória- 18 de Janeiro de 1934

Olá Contramestre

È muito importante reavivar a memória , há muita gente infelizmente que desmente o fascismo e mesmo o desconhecem...O fascismo instalou-se na Itália, com Mussolini e, internacionalmente, na Alemanha de Hitler, em 1933.

      Em Portugal, o fascismo chegou em Julho de 1932, quando Salazar tomou conta da chefia do Governo.

      Em 31 de Dezembro de 1933, Salazar proibiu os sindicatos livres. Esta foi apenas mais uma das acções de repressão e de violação das liberdades individuais do povo Português. Mas a exploração, o desemprego e a coacção sobre as massas operárias era tão evidente e tão anormal que, naturalmente, provocou a revolta dos trabalhadores.

       No dia 18 de Janeiro de 1934, o levantamento operário fez tremer Salazar.

       De 17 para 18 e durante todo o dia 18 de Janeiro, aconteceram no país cortes de linhas telegráficas, descarrilamento de comboios, explosões, assaltos a postos policiais, etc. .

       Contudo foi na Marinha Grande que o movimento operário teve mais expressão graças à maior coesão dos trabalhadores. Estes dominaram a povoação e submeteram a força local da GNR. De madrugada, grupos de acção, cada um de cinco operários, concentraram-se fora da localidade e convergiram depois para os pontos estratégicos: na Quinta do Banco interromperam a via férrea; no Cruto do Valeirão cortaram árvores para obstruírem as estradas; cortaram as linhas telefónicas; um grupo desloca-se a Leiria para ajudar no corte de linhas eléctricas entre Leiria, Batalha e Pombal; os últimos grupos ocuparam o posto da GNR e o edifício dos Correios.

       A população veio para a rua e solidarizou-se com o movimento.

       Contudo, rapidamente, as forças militares da Infantaria 7, Artilharia nº 4, a polícia e a PIDE atacaram e puseram fim ao movimento.

Era e foi assim o fascismo Salazarento.

Abraço Talina

domingo, 18 de Janeiro de 2009 16:50 by contramestre

# re: recuperar a memória- 18 de Janeiro de 1934

Amiga Talina:

Tem toda a razão. Hoje mais do que nunca importa mostrar aos mais novos que o fascismo existiu nesta terra. Os acontecimentos do 18 de Janeiro de 1934 ocorreram numa época em que a repressão se intensificava e pretendia acabar de vez com os restos de sindicalismos livre que ainda resistiam ao Estado Novo. Isto num tempo marcado pela crise económica e pela intensificação da exploração e repressão. Deixo abaixo o link para um trabalho do historiador Paulo Guimarães que mostra bem o ambiente que o movimento operário vivia naqueles tempos é o Cercados e Oprimidos.

O 18 de Janeiro marca também uma viragem definitiva na resistência ao fascismo. Nada ficou igual depois destes acontecimentos. O movimento anarco-sindicalista quase desaparece e o PCP ganha a hegemonia no movimento operário. Dai que esta data seja particularmente importante em termos históricos. Depois desta insurreição inicia-se igualmente o período sombrio de consolidação e aperfeiçoamento da máquina repressiva do Estado Novo. Muitos dos que participaram nestes acontecimentos na Marinha Grande, Almada e Sines os locais onde a insurreição foi mais forte vão inaugurar o campo de concentração do Tarrafal e aí acabam por morrer.

Escrevi este conto (apontamento a necessitar de um maior trabalho de escrita que ficará para mais tarde) com a intenção de mostrar o sofrimento que o fascismo provocou nas pessoas. Era uma criança quando Abril chegou e por isso só através das conversas com familiares e pessoas mais velhas tomei contacto com esse quotidiano de repressão que felizmente já não vivi.

Agora eu ainda ouvi essas estórias contadas na primeira pessoa. É uma obrigação e um dever moral deixá-las escritas para os mais jovens. Acho que está por fazer a história do quotidiano nos tempos do Estado Novo. Era importante que os historiadores o fizessem e com urgência. A cada dia que passa documentos vivos desse passado vão desaparecendo como desapareceu Mariana a protagonista deste conto.

Obrigado Talina pelos apontamentos que deixou no comentário. Deixo abaixo alguns links para trabalhos que me ajudaram a saber mais sobre o 18 de Janeiro de 1934. Percebo que partilhamos gostos e preocupações comuns. Fico contente de saber que também lê o Pimenta e agradeço o seu comentário que só agora vi. Dar os parabéns ao mano foi um dos textos que me deu mais gozo escrever para este blogue.

Um beijinho para si. É muito bom saber que uma amiga vai lendo o que eu aqui escrevo.  

Caminhos da memória

http://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/01/18/18-de-janeiro-de-1934/

Relatório dos acontecimentos e fotografias da época no site do PCP

http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=17317&Itemid=671

Cercados e perseguidos de Paulo Guimarães

http://anarlibe.pegada.net/documentos/CGT_anos30_PGuimaraes.pdf

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