marimbar-se nos credores e pôr-los a cuspir fininho
Num fogacho iluminado, depois dum jantar ao que parece bem regado, um deputado vice-presidente da bancada socialista defendeu o não pagamento da divida afirmando que se estava a marimbar para os credores usurários. É isso mesmo marimbar-se, o que quer dizer deixar de dar importância, estar-se nas tintas ou desprezar. Ora bem assim é que é falar minha gente. E mais, acrescentou a necessidade de pôr os banqueiros alemães a tremer fininho. A tremer ou a cuspir fininho, como se usa na gíria lisboeta, significando a bater a bola baixa e com respeitinho. O vinho tem este condão de aclarar as mentes e desatar as línguas.
Só lhe faltou mesmo dizer não se deixem ir ao galheiro com o Passos Coelho. Porque é mesmo para onde caminhamos quando aceitamos pagar um empréstimo com juros e alcavalas que rondam os quarenta por cento. Até o ilustre presidente da república já o percebeu. Só não o disse por ser abstémio e preferir a moderna comunicação light em rede via facebook.
Ora chegou o tempo de falar vernáculo e dizer as verdades com todas as letras. Curto e grosso. Ao que parece os portugueses bebem pouco vinho e preferem ter a mente toldada por anti-depressivos e calmantes. Caso contrário teriam já repetido num coro gigantesco as palavras do ilustre deputado pondo a cuspir fininho os banqueiros alemães mais o casal travesti Merkel e Sarkozy.
Só assim se explica que se deixem roubar por todos os lados sem esboçarem qualquer reacção. Roubados nas pensões, nos salários, nos serviços públicos de proximidade que vão encerrando. Roubados com o aumento da jornada de trabalho sem contrapartida salarial, o que mais não é que, uma redução encapotada dos ordenados. Agora com menos transportes mas pagando mais por eles. Ficando ainda mais isolados no interior porque tem de pagar portagens para de lá saírem. A pagarem mais caro quase tudo, a electricidade, os serviços de saúde, os bens alimentares enquanto são esmifrados com mais e mais impostos. Só a falta de vinho parece explicar que um povo inteiro aceite sem reagir um tamanho rol de malfeitorias.
É tempo de virar o bico ao prego, de nos marimbarmos na troika e pôr os credores alemães a cuspir fininho nem que seja preciso aclarar primeiro a garganta com um bom vinho verde. Vamos por de lado a cerveja fraca dos alemães, abrir um bom tinto e gritar: «Não pagamos». Ou caso contrário só nos resta ir tristemente ao galheiro juntos com o Passos Coelho.