SOL
Tecto nas pensões?...Absolutamente de acordo, mas...

 

Acho muito bem que se proceda, e já, à elaboração de uma lei que estabeleça o máximo tecto de valor da pensão de reforma. Que fique entre 2500 a 3000 euros, se assim for entendido, mas que tenha efeitos de retroactividade. Porquê, podem perguntar. Muito simples. Falarei da minha profissão e suas vicissitudes para exemplificar.

Eu e muitos outros como eu, técnicos superiores já na linha dos 60 anos de idade (entre 59-62), poderemos considerar-nos perdedores dos mesmos direitos adquiridos que atribuem aos que, abaixo de, e na nossa idade, já se encontram reformados e com reformas “douradas”. Que fizeram mais que nós, já que muitos até descontaram menos anos e até valores bem mais baixos? A justiça deverá ser universal.

No meu ramo, Medicina, os médicos, na função pública, tinham o hábito de trabalhar, na sua maioria, no regime de não exclusividade de 35 horas, com uma remuneração equivalente a quase metade da dos que trabalhavam no regime de exclusividade de 42 horas (só mais sete horas no horário, com extras pagas a valores relacionadas com ordenado base). Todavia, os das 35 horas poderiam acumular na privada, se para tal tivessem “unhas… e guitarra”. Os da exclusividade, só poderiam trabalhar na instituição pública onde tinham contrato, embora, quando mais graduados, já podiam (pasme-se!) exercer clínica privada, cumulativamente, dentro da própria instituição pública e à custa de recursos dessa instituição. Estava na lei, criada por sua excelência a Dra Leonor Beleza, no tempo dum Governo PSD. E tinha mais benesses para estes clínicos que optassem por esse regime de exclusividade das 42 horas semanais: a partir dos 55 anos iam diminuindo uma hora semanal de trabalho durante cada ano de idade até que aos 62 anos já trabalhavam as mesmas 35 horas que os da não exclusividade, mas com ordenado mantido no “quase-dobro”. Basta lerem o Dec-Lei 73-90, criado pela Dra. referida, então Ministra da Saúde.

Ora sucedia, muitas vezes, que os médicos quando chegavam aos 60-62 anos, por arte e manha, já que a lei, então o permitia, pediam passagem para a exclusividade de 42 horas, o que lhes iria elevar o valor da remuneração da sua pensão final, passados mais três ou cinco anos. Claro que isso já foi abolido, há poucos anos, após criação dos Hospitais EPE e a obrigatoriedade de se fazerem Contratos Individuais de Trabalho (CIT). Era o princípio do fim das carreiras hospitalares públicas, com contratos estatais duradouros e acabou-se exclusividade e até se destruiu o verdadeiro espírito do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que nos chegou a cotar num belíssimo 12º lugar de melhor sistema do mundo (agora estamos talvez abaixo do 30º ou lá perto).

Porquê tanta retórica e história, perguntarão os que me lêem? O intuito é explicar aos que desconheciam esta verdade da existência de médicos em “não exclusividade” e outros “em exclusividade de 42 horas”, e as voltas que os mesmos davam no fim de ciclo laboral, para auferirem mais uns trocos (permita-se a expressão). Assim, desde há uns nove a dez anos que um médico no regime das 35 horas (não exclusivas) e no topo da carreira, recebia (e recebe) cerca de 2500 euros, enquanto um aposentado continua, repito continua, a receber entre 4500 a 5000’ euros. Até parece mentira, mas não é. Alguém no activo, em topo de carreira, a receber quase metade de ex-colega aposentado e que tinha praticamente os mesmos anos de actividade profissional! A lei permitia, era injusta, pelo que se deverá proceder a correcções, pois agora ninguém vai ter essas benesses. Todos comemos, todos vestimos, todos temos gastos a curto e médio prazo que contamos pagar com os valores que pensamos vir a receber. As dificuldades tocam a todos, pelo que os sacrifícios deverão ser partilhados, já que há profissões duras, que não a minha, em que se ganha muito, muito pouco mesmo. Estes é que deverão ser protegidos e ajudados, não falando dos muitíssimos reformados com valores de pensões super-vergonhosas. Se eu fosse um governante deste país, tinha vergonha de não ter atribuído melhores reformas a muitos que lutaram e foram sempre honestos e explorados. Nunca me sentiria bem a receber balúrdios e a gastar desenfreadamente, quando a maioria nem para comer tem.

Por isto e muito mais que isto, entendo que todos deveriam sofrer a redução do valor das suas pensões de reforma incluindo quem já recebe, pois o seu direito adquirido tem o valor do meu e de muitos outros quase na sua idade e até mais velhos.

Mais, é urgente retirar aos políticos aposentados o correspondente ao valor da sua “subvenção vitalícia” que é imoral, imerecida e até vergonhosa. Não estão a entrar no país aqueles valores exorbitantes de dinheiros a fundo perdido que entravam na data em que, oportunisticamente, foi criada tal subvenção. Mexe-vos na carteira, não é, senhores políticos? É mesmo nisto que vocês devem dar exemplo, para que se possa acreditar que vivem para governar e não para se governarem. O povo ficar-vos-ia grato se mostrassem vontade de corrigir erros que foram vícios e pecados de más governações. Que se retirem mordomias e benesses que não se justificam. Vão a tempo apesar dos maus tempos que se aproximam…para todos.

Se o fizerem terão a cátedra do poder por muito e muitos anos, podem crer.

 

Estavas tão bem caladinha, Ana...

                  

Ana Gomes coloca hoje Paulo Portas numa situação que não corresponde totalmente ao que porventura ele desejaria. No mesmo plano de Dominique Strauss-Kahn (DSK)  do FMI, actualmente a aguardar julgamento nos EEUU.

Creio que apenas a comparação comportamental e situação internacional extrapola o razoável. Paulo Portas até gostaria de ter um protagonismo (essencialmente pela positiva), igual ao de DSK, mas ainda bem que não tem, senão Passos Coelho seria seu súbdito e não o que na realidade sucede. No entanto, todos sabemos que PP tem bastantes telhados de vidro dentro da nossa política nacional. Não basta falar dos submarinos, caso ainda em Tribunal, nem da contribuição do seu preço para a excessiva dívida portuguesa. Hoje mesmo se fala das “provas recebidas há algumas semanas das autoridades alemãs, que indiciam o pagamento de ‘luvas’ a militares e políticos portugueses, que em 2004 (no Governo PSD-CDS, de Durão Barroso e Paulo Portas) decidiram adjudicar a compra de dois submarinos ao consórcio GSC”.

É facto que se trata de um “caso de polícia”, mas o homem poderá ter agido de boa fé, sem intuitos comprometedores, mas apenas para sobrevalorizar o seu protagonismo político. Desconheço se ganhou riqueza pessoal com tal negócio.

Aliás nota-se que Portas apresenta excessivo brilho nos olhos e um fácies eufórico e delirante quando lhe concedem o poder para as mãos. Há quem chame prestígio a tal poder que se recebe, mas para mim o prestígio reside na honestidade e correcção do cumprimento da actividade política que nos é colocada nas mãos.

Todos se lembram ainda da suspeita em relação a facturas falsas na Cooperativa Dinensino no processo da Universidade Moderna. Ficou tudo esclarecido? Talvez sim…talvez não.

Brincando com letras, creio, apesar de tudo que PP não irá estragar a salada ao PPC, pois este último C faz a diferença, referindo que está por Cima de PP.

Achei estranho que Cavaco, após afastamento de Sócrates do elenco do PS, não tenha proposto ao PPC uma coligação mais forte com o PS sem Sócrates. Afinal os socialistas já não tinham o suposto “veneno” e tinham conhecimento de muitos dossiers do Governo. Sempre não teriam que recomeçar em vários sectores, mas dar continuidade e aperfeiçoar determinados itens. Claro que iriam ter a guerra de Paulo Portas que até “já sabia” que seria o único a ter assento no Governo com a vitória do PSD (e quiçá se fosse o PS a força mais votada).

Obviamente Passos Coelho (tal como Cavaco) não pretenderia ter como colaboradores aqueles que ele e seus seguidores sempre consideraram os maiores causadores do “buraco negro” nacional.

Nada a censurar, mas terão mesmo razão? O buraco não começou a ser cavado mesmo por Cavaco? Tanto dinheirinho mal gasto no seu reinado e seguintes! Tanta criação de mordomias políticas! Tanta traição a um pobre povo que sempre esperou vir a ter melhor vida no futuro e apenas ganhou uma mão cheia de nada e outra de dívidas que não contraiu.

Vamos lá ver que tipo de governação vai fazer a refeita sociedade PSD/CDS-PP, e se vai reduzir o enorme peso da máquina governativa e dos gestores “políticos”, bem como a luta anti-corrupção. Se o fizerem passarão a merecer continuidade no poder e a gratidão do povo.

Pois é Ana, estavas tão bem caladinha e com certeza eu também… mas parece que gostamos de provocar (debates).

 

 

O homem e...o homem novo

                                                                                                                                                                                                                                       em (postado noutros blogues do autor)

Somos um país “sui generis”. Está na nossa genética peninsular e disso não nos livramos. Além de minúsculos, somos megalómanos, mas também vingativos e, por vezes, intolerantes.

Nestes últimos seis anos o País foi dirigido por um homem que alimentou ódios e mal-estar nos seus opositores, mesmo que partidários da “rosa”. Desde o início do seu mandato serviu de alvo a abater. Ninguém parecia querer mal ao partido que dirigia, pois as baterias apontaram sempre, nestes seis anos, apenas na direcção desse homem.

Importunaram-se com a forma como obteve o seu curso superior, com a sua amizade e relacionamento com os implicados no negócio Freeport, com os seus projectos de casas nas beiras e com as suas amizades com determinadas pessoas ligadas a duvidosos negócios de sucata.

O homem, com muita paciência e alguma crispação (quem não se sente não é filho de boa gente), lá foi aguentando todas as insinuações e afrontas. Determinados grupos dos “media”, a soldo de grupos indignados, davam ênfase a muitas destas suspeitas, tentando julgar o homem em praça pública, como se jornalista ressentido fosse equivalente a juiz inquisitório.

Havia necessidade de abater o homem, nem que fosse numa salada de invenções caluniosas.

O País, dizem e não está longe da verdade, afundou-se economicamente mais nestes seis anos que em quase todos os anteriores governos. Mas a verdade é que também os seus acusadores esquecem que, no reinado deste homem, o país criou maior bem-estar social, conhecimento e poder tecnológico que em todos os anteriores. O ordenado mínimo cresceu e teve promessa de atingir os 500 euros (miserável ordenado mínimo se comparado com outros países da EU).

Também os seus delatores se esqueceram que, a partir de 2008, a crise económica mundial teve efeitos cumulativos e potenciadores em todas as crises dos países com economias mais frágeis, como Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, etc. Da mesma forma a agiotagem das agências de “rating” iniciou a caça ao tesouro europeu. Por acaso esse homem, tão espicaçado pelos opositores, seria o dirigente da Grécia, Espanha, Irlanda e outros países aflitos? E os problemas não eram comuns?

Já viram que os países, em disputa pelos grandes grupos económicos e agências de “rating”, são aqueles que melhores destinos de férias possuem? Dizem-se recantos extremamente apetecíveis pelos senhores do capital, que pretendem escolher e ficar com os mais belos e recatados, roubando-os às populações desses países. No fundo eles querem ser donos, a título grátis (juros incomportáveis cobrados) desses belos recantos que privatizarão e transformarão em condomínios privados de super-luxo. Só não vê quem for cego.

Cá dentro, os opositores daquele homem alinham na chantagem e forçam a entrada do FMI. Em vez da independência duma Pátria com cerca de 900 anos, preferem a subserviência à agiotagem internacional.

Agora, com as consequências do “forcing”, já temos intrusos na nossa governação nacional. Não faz mal, dirão muitos, pois já cá tínhamos gestores de grandes empresas que eram estrangeiros, também poderemos ter um Governo estrangeiro.

É isto mesmo, amigos, um Governo estrangeiro. Tudo o que sair destas dispendiosas e desnecessárias eleições, não irá passar dum “verbo de encher”. Os nossos governantes a eleger serão elementos de “um Governo fantasma”, pois apenas terão um peso minúsculo na eficácia governamental. Nem sequer terão um quarto do poder, tendo que cumprir as directrizes do FMI. Ninguém venha com histórias! Podem lá colocar o Coelho da Madeira que fará o mesmo que o outro Coelho (O PPC). Não passarão de um bando de carneiros obedecendo ao seu pastor. Vamos ver para crer.

No entanto, aquele homem foi o alvo a abater, não o seu partido (embora este o fosse por arrasto) e era apontado como o único culpado do “afundanço” nacional. Errado e desculpas de maus pagadores. Tudo vem já detrás, anos antes, em que os partidos e coligações que lá passaram, gastaram a seu bel-prazer e tudo se foi acumulando. Nos governos cavaquistas e seguintes, todos gastaram e desperdiçaram as enormes tranches, a fundo perdido, vindas da EU. Foi um fartar de maus gastos, roubos descarados, criação de clientelismos vergonhosos. Os políticos e amigos, na sua maioria, enriqueceram a olhos vistos. Exageradas mordomias eram uso corrente na classe política e seus boys. Milhares de empresas criadas e falidas, pouco tempo depois… era dinheiro a fundo perdido, não importava. Necessário era gastá-lo, de preferência mal, mas com proveito para os boys.

Quando aquele homem começou a governar a entrada desses dinheiros, a fundo perdido, diminuíram significativamente. Foi o mal, pois ele julgou que poderia manter os consumos, com menos entradas a tapar buracos! Assim o buraco teve um agravamento abissal. Ainda cortou as famigeradas “subvenções vitalícias” dos ex-políticos, mas já tarde, pois ainda os actuais as irão receber. Seria bom que as retirassem a todos os que as recebem, com efeitos retroactivos, pois não correspondem a qualquer merecimento, essencialmente se tivermos em conta que temos péssimos políticos.

Não se vigiou, nem pôs travão à corrupção e até se criou a lei dos 60% - 40% , uma autêntica lei de Ali Babá e dos 40 ladrões, aprovada em AR. Simplesmente horroroso!

 

Agora chegou a hora de se escolher um novo Governo fantasma (como se sabe). Todos se digladiam e os abutres e chacais doutros governos anteriores já rodeiam o “homem novo” que se entusiasma em discursos inflamados, com alguns tiros nos pés. Fará alianças com o partido do outro homem, mas nunca com o dito. Verdadeiro acto democrático!

Entretanto as sondagens dão-lhe novo ânimo e o “homem novo” pede a maioria absoluta para ser governado pelo FMI. Um verdadeiro feito! Reinar para não ter reino.

 

Os políticos e os ventos do sul e oriente

revolta

Todos parecem andar felizes no Governo com a pseudo-recuperação das contas públicas, mas, na verdade, todo o mundo sabe que essa recuperação dos índices de Janeiro se devem aos dinheiros que o Estado angariou, roubando aos ordenados dos funcionários públicos (não todos obviamente), e recebeu dos aumentos do IVA e das portagens (com novas vias pagas, para lá das já existentes), além doutros desvios técnico-financeiros bem engendrados. Foi nesta sanha de ladroagem, legalizada com medidas à feição da mentalidade e inépcia destes políticos, que o saldo da dívida ficou um pouco adocicado, graças ao gerador de miséria criado na Assembleia da República, pelo partido do poder e pelo outro que, a breve trecho, lá quer ficar e reinar. Partidocracia de alterne que nos vem afundando desde os primeiros anos da democracia, deste pequeno, mas megalómano país, em decadência progressiva.

Podemos clamar bem alto e em uníssono que os nossos políticos e governantes, afectos aos partidos alternantes (que teimam eternizar-se…), são uma belíssima porcaria, uma nulidade, uma espécie de símios, aptos para governação de macacos e submissos, que fazem e desfazem leis como quem chupa rebuçados, procurando apenas manter os seus estômagos aconchegados e as suas contas bancárias recheadas e, se possível, longe das mãos dos macacos e submissos, não vá surgir alguma revolta tipo egípcia ou de algum Spartacus. Lamento, sinceramente, que não a haja e com finalidade correctiva! Sem os mesmos e sem os pretendentes ao mesmo!

Enquanto um funcionário público que ganha satisfatoriamente, incluído numa classe média (de baixa a alta), vai perdendo, mensalmente, de três a dez por cento da sua remuneração, a partir dos 1500 euros, assistimos impávidos à intocabilidade das contas dos ex-funcionários, também públicos e de classes médias, que vivem com iguais remunerações. Mas isso tem alguma lógica?!… Claro que não. Primeiro, porque muitos desses funcionários estão em escalões etários que, à luz das leis actuais, deveriam, ainda, estar no activo, já nem sequer falando dos tipos que fizeram da política uma profissão, em vez de terem dignificado o “acto cívico” da intervenção política. É que estes, com o factor multiplicativo do famigerado “tempo de serviço”, conseguiram, com dez anos de “ocupação política”, auferir um tempo de serviço duas vezes maior, ou seja, vinte anos. Depois, adicionados aos poucos anos da sua verdadeira (e única) profissão, acabaram por somar tempo bastante para serem APOSENTADOS da função pública, mesmo que na sua verdadeira profissão não tivessem sido funcionários públicos. Mas o pior é que a tudo isto (verdadeira engenharia de chico-espertice política) acresceram uma nova reforma chamada de “subvenção vitalícia”. Ah!, finórios.

E agora? Não querem mexer nas suas reformas (acrescidas da subvenção vitalícia política), pelo que, estando a maioria deles com remunerações entre os 2000 e os 5000 euros, decidiram que os aposentados acima dos 1500 euros não deveriam ser vítimas da “taxa de gatunagem” de 3% a 10%. Vê-se mesmo que a lei foi feita a pensar no seu futuro. Questiona-se: se um reformado não necessita gastar dinheiro nas viagens nem na alimentação relacionadas com o "seu trabalho", porque não descontam também a mesma taxa? Além de mais, a maioria já nem tem filhos pequenos, nem deverá ter grandes encargos financeiros (embora cada um os tenha à medida da sua bolsa), o que será mais um motivo para ajudarem na recuperação do “buraco” criado por eles próprios e pelos seus amigos que continuam no poder.

Mais, ainda, porque razão os aposentados dourados, com pensões acima de 5000 euros, na mesma linha de pensamento lógico, só descontam, para oclusão do “buraco”, uns míseros 10% do que passa acima dos 5000 euros? Ou seja, um ex-gestor e ex-magistrado (tipos com as melhores reformas) descontam apenas 100 euros por cada 1000 euros acima dos 5000. E além disso, como sabemos, poderão ser gestores doutras empresas, sendo reformados! Isso é que é roubar, ou antes, perceber de GESTÃO. Os que mendigam trabalho e remunerações justas à sua volta, que se lixem…aprendam a ser GESTORES. Sim GESTORES, uma espécie de neologismo político, com poucas dezenas de anos, que significa “EX-POLÌTICO, EX GOVERNANTE, EX-EMPRESÁRIO, mais concretamente, BOY POLÍTICO dos partidos que sabemos.”

Acho que deveríamos propor um REFERENDO sobre a RETIRADA AOS POLÍTICOS “aposentados” e aos que vão estar, com a mesma benesse (a que acham ter direito?…), da ignominiosa “SUBVENÇÃO VITALÌCIA” que não merecem, nem deverão ter direito.

Mais, proponho que nenhum político seja reformado sem ter atingido o limite da idade da reforma (lei nacional) e que seja reformado pela sua verdadeira profissão que não a de político, funcionário público. EXERCÍCIO POLÍTICO NÃO É PROFISSÃO devendo, isso sim, ser um verdadeiro acto de amor, dedicação e cidadania ao serviço do país

 Também reformados não deveriam ocupar funções de gestão em empresas com capital público. Da mesma forma NINGUÉM deveria usufruir de acumulação de pensões.

Todos temos estado atentos e sentimos que os ventos sopram incómodos do norte de África e do Oriente. Às vezes a ventania sofre desvios inesperados e desaba em autênticos temporais que os homens não controlam. Formam-se turbilhões e autênticas catástrofes. Todos sabemos isso. As ameaças nunca avisam quando se tornam verdadeiros tufões incontroláveis. Mas o vento continua a soprar, agitado e sem GPS que o oriente…aguardemos a sapiência e a justiça do TEMPO. Os dinossauros já passaram à história dos tempos, mas foi o TEMPO que os fez desaparecer. Acautelem-se os novos dinossauros, mesmo os que pensam como símios pseudo-inteligentes, com bandos de macacos e submissos à sua volta.

 

Continuaremos com farisaísmo militante...mas o povo quer

                                              

Amanhã saberemos quem na realidade será o próximo Presidente da República, desta república de bananas, durante tantos anos governada por outros tantos bananas que muitas cascas, do dito fruto, semearam por todo o pantanal em que, lenta e progressivamente, nos vamos afundando.

São aqueles mesmos bananas que agora vão continuar, no mesmo ritmo de sempre, com acusações mútuas, a mesma saga de sempre, para conseguirem os seus intentos. Exibem esgares de zangamento, mas repetem-se e alternam essa repetição, de forma pouco ortodoxa, perante tantos eleitores iludidos, mas reincidentes no masoquismo e auto-flagelações. O povo gosta disto e sofre, abnegado, as dores com que, estupidamente, se vai prendando, num reciclar de votações, até ao sacrifício final.

Sinceramente, tal como a maioria das pessoas, prevejo a reeleição do Prof. Cavaco Silva. Não queria nada que houvesse esta recondução, mas lá terei, muito provavelmente, que a suportar. Sim, suportar, porque não consigo tolerar tamanha ironia duma pessoa arvorada em falsa seriedade, com frases piedosas e imaculadas, qual fariseu batendo com a mão no peito e acusando os outros dos erros e crimes por si cometidos e repetidos, sem qualquer retratamento. É lamentável que muitos eleitores bananas, não saibam analisar factos tão badalados e comprovados, que muito favoreceram, ilegalmente, o candidato, com prejuízo notório para um país em queda abismal, com um povo longamente sacrificado. Basta de hipocrisia, mas também de cegueira voluntária, pois sói dizer-se que não há maior cego do que aquele que, tendo boa visão, não queira ver. Masoquismo puro, mas democraticamente teremos que aceitar e viver, lado a lado, com o inimigo público de tantos anos.

Dos outros, nem falarei, pois as suas hipóteses serão apenas reavaliadas, posteriormente, no contexto hipotético e distante de uma segunda volta, coisa muito indesejada e propalada como negativa pelo potencial reeleito.

(publicado noutro blog do autor)

 

Bater no ceguinho... a crise e os sacrifícios

crise

Há coisas que nunca compreenderei, mesmo que estude e analise toda a bibliografia do mundo e todos os tratados de ética e boas práticas políticas.

Onde vão os nossos medíocres políticos buscar as razões lógicas para tanta asneira, tanto contra-senso e tantas injustiças cometidas? Que raio de lógica assiste à elaboração das “pseudo-leis” de conduta moral e cívica dos mesmos políticos e legisladores nacionais? Acho que apenas a lei dos próprios interesses pessoais e da classe social a que pertencem.

O país está como se vê: uma bagunçada económica e um antro de injustiças sociais, sequelas de más políticas durante trinta e cinco anos de incompetência primária desses políticos, em conivência com mercados de agiotagem, e corrupção de partidos e grupos económicos, mafiosa e descaradamente organizados. Somos roubados e explorados ao abrigo de leis ambíguas, cirurgicamente aprovadas e de utilidade selectiva. Fabricam-se grupelhos de amigos muito ricos, ao abrigo das tais ignominiosas leis, politicamente aprovadas, com prejuízo para a maioria da população que vê toda a riqueza nacional deslizar para o mesmo lado, de forma tão descarada e em nome das “regras do jogo”. Limpidez, nenhuma, apenas a limpeza do dinheiro que desaparece dos nossos olhos e dos nossos bolsos!

Ficamos todos estonteados pela “magia” do acto político que empobrece o povo, mas enriquece toda a bicharia política e seus correligionários. Qualquer ex- político, como é evidente, e poucos serão excepção, vive muito acima do valor das suas remunerações legais e objectivas, à custa de mordomias ou resultado das mesmas. Bancos, grandes empresas, fundações e outros organismos altamente lucrativos são dirigidos e usurpados por vários ex-políticos. Têm remunerações e reformas intocáveis por qualquer crise, além de indemnizações à barda. Claro que não há erário público que resista.

Quanto a injustiças sociais, sucede o mesmo. O Estado Social é paulatinamente destruído e, em questões de Saúde, já não há sequer um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde. Quase tudo foi entregue a grupos privados que vão sugando descaradamente os dinheiros públicos do orçamento do Ministério da Saúde. Basta ver os Hospitais EPE…só prejuízos, mas mantêm administradores em excesso e todos com boas remunerações e mordomias que nem lembram ao diabo. Já fomos o 12º melhor SNS do mundo, mas logo que entraram os “pseudo-gestores” e se criaram hospitais-empresas, foi um autêntico afundanço económico, sem ganho de qualidade e sem resultados visíveis. Até os médicos, hoje, se sentem muito mal dentro desse sistema, parecendo mais produtores de parafusos e pregos, a quem se exige determinada produção de consultas (mesmo prejudicando-se a observação dos doentes) e se obriga a um certo “carneirismo” já fora dos tempos actuais. Já viram o que seria uma equipa cirúrgica interromper uma cirurgia porque o seu horário terminara? Já pensaram na qualidade duma consulta, quando o médico tem que observar trinta doentes em duas ou menos horas, para aumentar a rentabilidade e a produtividade hospitalar? Pois é, mas isto é o que se exige aos clínicos. O doente é sempre a vítima, mas a sua posição de inferioridade, perante a situação e o sistema, não lhe permite estrebuchar, pois sujeitar-se-á a sofrer retaliações futuras.

Ainda na saúde, já viram os cortes (e já os havia) no transporte de doentes incapacitados e de baixos recursos económicos? Não acham um desaforo, autêntica vergonha, recusar ajuda nos transportes dos doentes, com tão poucos recursos (dói vê-los e alguns até faltam às consultas e tratamentos…não têm dinheiro para a deslocação e os táxis são muito dispendiosos) e ao mesmo tempo ver os principais administradores dos hospitais usufruir, à borla, de bons automóveis de serviço (para todo o serviço, entenda-se…). O mesmo sucede noutras organizações recentemente criadas, como a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em que há também automóveis de serviço à borla para vários grupos dirigentes. Uma vergonha, uma injustiça.

Reparemos, também, na Educação. As escolas eram geridas anteriormente por um Conselho Directivo, mas recentemente, mais um atropelo aos gastos foi criado com os agrupamentos escolares: um Director de Agrupamento com belíssimo acréscimo remuneratório que rondava os 750 euros; como não bastasse, mais uns quatro ou cinco adjuntos (para bater palmas?) que também recebiam cerca de 400 euros de acréscimo. Multiplicado por centenas e centenas de Agrupamentos, mais um desperdício de dinheiros públicos.

Claro que nesta crise já se decidiu uma redução quer do incentivo remuneratório quer do número de adjuntos do Director, mas, os que estão, ficarão e em nada se mexerá até novas eleições (os mandatos são de quatro anos, como só decorreu um, teremos “chuchadeira” mais três anos lectivos. Uma vergonha! É só desperdício e criação de “boys”.

Da mesma forma, com a criação dos Agrupamentos de Centros de Saúde, a despesa com Directores também sofreu acréscimo notório, mas não interessa, o povo pagará que se lixa!

É já muito antigo, mas também ignominioso: o subsídio de alojamento para juízes que trabalham fora da sua área residencial. Sem alterações da crise era de 770 euros, e poderia ser duplo para um casal de juízes. Ah, consta-se que este subsídio era vitalício, ou seja, mesmo após aposentação e já no seu domicílio, continuariam a receber essa quantia. Não interessa, o povo pagará. De salientar que professores, médicos e outros funcionários públicos deslocados, salvo casos pontuais, nunca tiveram tal mordomia, e não lhes reconheço inferioridade na valia profissional e académica em relação a juízes e magistrados. O poder judicial, apesar do lamentável estado da Justiça, é enorme!

Porque não retiraram as subvenções políticas (quantia adicionada à da aposentação de todo o bicho político) agora com a crise? Esse dinheiro é um roubo aos cidadãos nacionais que trabalham honestamente e foi criado com os dinheiros vindos da UE no mandato de Cavaco com Mário Soares a PR. Uma outra vergonha! Há que retirar essa quantia que perfaz milhões de despesa do erário público e que nenhum político merece, pelo muito que já ganhou ilicitamente. E já agora, porque razão não vão cortar nas reformas de tantos funcionários pagos com dinheiros da “sustentabilidade” estatal, que têm remunerações melhores que os que trabalham e até vão agora piorar a situação? Há milhares de aposentados com reformas chorudas, e os seus colegas no activo, com idades iguais e até mais elevadas, estão a ser vítimas de roubo descarado. Um reformado já não paga deslocações para o trabalho, nem come longe de casa, nem tem tantos descontos como os activos. Então porque não ajudam a pagar a crise de que são tão “culpados” como os que trabalham. Será isto a justiça social nas democracias socialistas? Não entendo!

Não, não nos acusem de inveja. Já nos habituámos a ver tanta corrupção e ganhos ilícitos que estamos vacinados, no entanto não compreendemos os cortes nos ordenados de quem trabalha e em obrigações sociais do Estado para com os pobres e as classes mais desfavorecidas. Qualquer político que venha falar de pobreza extrema merecia que lhe arrancássemos a língua, pois é um autêntico atentado a quem sofreu as consequências das suas más e incompetentes governações. Estes desavergonhados continuam a não abdicar das suas mordomias e não olham para países mais ricos em que cada político utiliza apenas aquilo que lhe sai do ordenado normal. Portugal é governado por megalómanos que julgam que as riquezas deste país são apenas pertença sua. Espero que isto não dure muito, e, apesar de ser contra a violência, não me espantarei se em breve algumas “vendettas” começarem a surgir por aí. Vai então falar-se de anarquia, mas na realidade um país que não tem governantes que cumpram o acto de governação honesta e justa o que é? Uma anarquia pura! Zero de governo, zero de democracia, zero de justiça social.

Do Engº Sócrates, dito socialista, sinceramente esperava um maior sentido de Estado e um maior sentimento de equidade e justiça social. Estragou tudo com demasiadas mordomias e criação de maior despesismo em favor dos seus “boys”. Notoriamente inventou uma nova forma de governar, governando-se e dando muitas benesses a quem não as deveria ter. Criou demasiados novos lugares de chefias remuneradas, que antes nunca o foram. Foi mesmo só aumentar a despesa e o défice do Estado. Esperava dele precisamente o contrário.

De Passos Coelho não espero nada de novo, achando que vai repetir tudo quanto já foi erro, pois a filosofia política do PSD que gere é por demais conhecida e já tem provas dadas por outros líderes a quem não deverá desobedecer na lógica partidária. Aliás o seu discurso propalado em longas parangonas jornalísticas, mostram o seu famélico instinto e avidez pelo poder. Todavia, a sua preparação política ainda está a alguns anos luz doutros políticos de monta, incluindo Sócrates, apesar de todos serem, na sua essência, uns bons exemplares do princípio de Peters, com lastimável incompetência para tarefas de cidadania e serviços de gestão pública.

Sinceramente, em questão de partidos não vislumbro nenhum que possa SALVAR PORTUGAL dum desastre cada vez mais evidente. Teríamos que, massivamente, recorrer aos independentes e livres de compromissos sujeitos à disciplina partidária. Alguém que por puro acto de amor à Pátria e cidadania se limitasse a gerir honestamente os bens nacionais, sem intenções de se governar e aos seus amigos. Já sei que será uma utopia, um sonho, mas que será possível não duvido, contudo obrigaria a renegar muita gente, muita promiscuidade e pressão nacional e internacional.

os bons...os maus e...os vilões

Em 02/10/10 o escritor Batista Bastos  num artigo do Jornal de Negócios, bateu numa tecla que, desde longa data, todos os portugueses melhor esclarecidos também batem, mas com menor mediatismo, face ao anonimato da grande  maioria. Poderão visualizar esse artigo em : http://resistir.info/portugal/b_bastos_01out10.html .

Creio que vale a pena meditar, mas melhor seria que os protagonistas da destruição do nosso erário público também o fizessem e não se limitassem a assobiar para as estrelas como se os prejudicados pela sua má gestão do País não passassem de meros cães famintos e merecedores de tal castigo. Hoje poderão desdenhar, impugnáveis no seu pedestal, mas não demorará muito tempo que serão  derrubados das suas torres de marfim e poderão até rastejar na cinza das "mortes" que semearam.

Eu próprio, um anónimo entre tantos, já bati e rebbati na mesma tecla, como se poderá confirmar no meu "post" de 25 de Abril de 2009 http://comunidade.sol.pt/blogs/domisol/archive/2009/04/25/Ainda-sei-gritar-Abril_2E002E002E00_-em-nome-dos-que-sofrem-mais.aspx .

São variadíssimos os artigos escritos e os "posts" publicados sobre esta matéria. Poucos se interessam pelo que é transmitido e se alguém faz referência ao facto é, de imediato, apodado de invejoso. Acredito que um ou outro possa ser movido pela tal inveja, mas entendo que poderá haver ainda muita gente séria, com sentido de justiça social e que não pretende beneficiar com o prejuízo de todos. Para se ser um verdadeiro político é necessário possuir esse sentido de equidade e justiça social, o que exige uma preparação global que a maioria dos nossos governantes não têm, nem pretendem obter, o que é deveras lamentável. Não vemos, hoje, perante a crise, esses políticos, abdicarem das suas subvenções vergonhosamente adicionadas às reformas, nem de uma das duas ou mais reformas que alguns inexplicavelmente possuem, para já não se falar das alcavalas e mordomias por demais conhecidas. Vergonhoso! Razão para se dizer que poderá haver alguns bons, mas na sua maioria tornam-se "maus e vilões".

Simplesmente relembrar Abril

 


ABRIL DE ABRIL

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjectivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em acto
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.

Manuel Alegre

Direito à segunda oportunidade...até Cavaco a teve!

meditando

 

Não queria deixar de rabiscar a minha opinião sobre tudo o que nos vai fazer desaguar esta noite num pós eleitoral de alegria ou tristeza

Sejam quais forem os resultados, tal como a maioria das pessoas, acredito que ninguém será maioritário. E por esse facto já poderemos ficar descansados, pois as maiorias costumam absolutizar o poder e tornar a democracia incaracterística e algo prepotente. Depois é vê-los, os senhores das cúpulas, a brandir a bandeira da arrogância e da indiferença. Já vimos e provámos esse petisco.

Todavia, mesmo sem maioria, teremos que definir hipóteses e seleccionar esquemas de vida.

Dos habituais contendores há sempre a dupla que discute o lugar cimeiro e forma governo: ou PS ou PSD, que, coligados ou não, entre si ou com outro partido muleta, deverão formar e presidir um novo Governo. Creio que os portugueses, por atavismo ou não, continuam a ser muito conservadores nas escolhas, quase indiferentes e passivos no seu quotidiano político. Comodismo? Receio da mudança? Masoquismo? Seja lá o que for, teremos que aceitar.

Num passado não muito longínquo já tivemos PSD com e sem alianças, e em tempos de muito dinheiro da UE a entrar no País a fundo perdido. Aplicou-se bastante, mas também enriqueceram muitos políticos desse sistema, de forma fraudulenta e deixando o povo na mesma miséria. Criaram-se bancos e estruturas financeiras oportunistas, para que os novos-ricos, quase sempre ligados ao sistema político vigente, guardassem os produtos desviados fraudulentamente e quiçá as parcelas legalmente ganhas. E que se viu?

Aparecem as vergonhas dum BPN quase totalmente dominado por políticos do PSD e amigos próximos, que servia de couto para tipos sem vergonha que se serviram dos dinheiros de todos os portugueses e o aplicaram apenas em benefício próprio e dos seus. Chamar a isto políticos sérios é o mesmo que dizer que Hitler foi um governante sério e justo, salvo algumas diferenças pontuais. O pior é que governantes actuais e de suposta confiança, concediam benesses nacionais a alguns desses “ladrões do povo”. Claro que também tiveram exuberantíssimos lucros e proveitos com as fraudes cometidas, mas parecem estar alheios ao facto, como se a seriedade e honestidade fossem um saco roto. Não deverão justificações ao humilde povo que roubaram? E o castigo da Justiça, onde está? Intocáveis? Não pode ser!

É certo que muitas outras manigâncias se cometeram na alta finança portuguesa, mas curiosamente (coincidência, acaso?) só com este último Governo de Sócrates é que começaram a desvendar-se essas fraudes e abusos dos “novos-ricos” cheios de falso poder. Louvor seja dado, então a este Governo, pelo menos neste campo, em que os pseudo-poderosos começaram a ter que prestar contas de fraudulentos negócios e enriquecimentos. Governos anteriores (com telhados de vidro) nem sequer ousaram investigar… deixaram-nos continuar no “negócio”.

No tempo dos governos de Cavaco, sendo Primeiro-Ministro Mário Soares, com tanto dinheiro a entrar no País, a fundo perdido, criaram uma lei que iria beneficiar e apenas enriquecer TODOS os políticos que estivessem no activo: criaram as subvenções políticas, uma remuneração adicional à reforma, algo substancial, e que era atribuída ao fim de poucos anos de exercício político efectivo. Sabemos que quase todos os políticos ainda no activo (pois são sempre os mesmos a ocupar cargos!) e outros já aposentados (mas com tachos milionários de pseudo-gestão) são beneficiários efectivos dessa subvenção política adicional. Se ainda não a recebem, vão recebê-la, pois foi-lhes atribuída por lei, anteriormente. Só os novos, mesmo novos, que nunca foram reconduzidos nos seus cargos, é que já não vão ter direito a essa subvenção. Porquê? Porque o Governo de Sócrates, e muito bem (mais uma vez este Governo!) se dignou colocar um fim a essa vergonhosa benesse dos políticos. Já não foi sem tempo, no entanto deveria retirá-la a quem dela usufrui, pois hoje há muitos trabalhadores que já vão perder benesses normais das suas futuras reformas, mercê de nova legislação que mexeu nas “regras do jogo”. A perder, percam todos e haja moralidade!

Acusaram este Governo de muitas irregularidades e gritam-nas aos quatro ventos, mas parece que apesar de algumas dessas irregularidades, ainda conseguiu ser mais justo que governos anteriores, doa a quem doer.

Realmente também ofereceu “tachos” e um deles é o de Jorge Coelho, na Mota-Engil, que tem direitos até longas datas e “ganha” muitas empreitadas. Mas, se bem se lembram, esta benesse concedida veio tirar idêntico, ou até mais grave, “tacho” que fora concedido pelo PSD a Ferreira do Amaral, com a Luso-Ponte. E Ferreira do Amaral, já não tinha cometido erros enormes na EXPO-98, além doutras derrapagens vergonhosas em seu proveito? Não sou eu que o digo, os jornais escalpelizaram os problemas. Pois bem, embora mal, aqui, “amor com amor se paga”. No entanto deveremos continuar alerta e vigilantes, denunciando estas irregularidades e benesses.

Neste Governo houve um facto que muito me marcou, pela arrogância dos governantes, mal informados e num autêntico despique político com sindicatos de esquerda (além doutros) – a reforma do Ensino, a guerra com os professores.

Claro que aqui o Governo exagerou e procurou impor-se a uma classe que não tinha qualquer interesse numa guerra Governo/Fenprof. Também é certo que os professores, apesar de ser uma classe “a toque de campainha” (quase a única, na Função Pública) merecia que lhes corrigissem determinados vícios ancestrais, que não foram eles que criaram, mas os sistemas políticos anteriores. Refiro-me, particularmente a carga horária de luxo, essencialmente em finais de carreira, em que a componente lectiva era muitas vezes de 14 horas semanais! A componente não-lectiva não era nada de pesado e, por vezes, quase inexistente. Também a progressão na carreira era de um facilitismo notório, sem prestação de grandes provas, embora fossem avaliados (contrariamente ao que o Governo deixou transparecer), frequentando acções de formação, mas muitas delas de valor duvidoso e dificuldade quase nula.

Contudo, este Governo, como já muito propalado, criou um ECD (Estatuto de Carreira Docente), demasiado confuso, complexo e que gerou algumas injustiças inter-pares. A avaliação do desempenho tornou-se um cavalo de Tróia, uma guerra de complicados papéis. A divisão dos professores em Professor e Professor Titular, criou injustiças com criação apressada de Titulares sem regras justas e lógicas, sobejamente conhecidas. Mas, o pior de tudo, ainda foi a nova forma de Gestão Escolar, em que se deu azo a muitos oportunismos de índole política local, com escolha de Directores, maioritariamente, em período de interrupção lectiva (Páscoa). Estes Directores de Agrupamentos escolares, passaram a ter um poder absolutista, que urge modificar, e foram eleitos por um Conselho de Escola em que a maioria dos eleitores não são professores, ou seja, por exemplo, em vinte elementos apenas sete serão professores. Ora estes são, com os seus colegas de Agrupamento, as verdadeiras vítimas dos atropelos cometidos pelo excessivo poder dos Directores, que reinam a seu bel-prazer, sem, muitas vezes, ouvir opiniões dos colegas. Além disso têm um bom suplemento remuneratório para o desempenho da sua actividade e rodeiam-se de adjuntos da sua confiança que nem sempre serão os mais capazes, já que receiam o incómodo e a sombra de alguém mais bem preparado, fomentando o já conhecido Princípio de Peters, tanto em voga na política, desde a central à autárquica, além doutras. Como exemplo diga-se que para cargos de Coordenação Pedagógica são exigidos professores Titulares, mas para a Gestão Escolar e adjuntos do Director, não são necessários os Titulares! Belas hierarquias!

Claro que não vou, aqui, repetir muito do que já escrevi noutras alturas, mas queria deixar um apontamento e alerta para muitos dos professores que andaram agora em plena campanha eleitoral a reabrir as feridas que levaram às grandes greves, e justas, da classe. Alguns estão a querer passar por serem “socialistas” ou que votaram “Sócrates” nas anteriores Legislativas, mas creio que a maioria deles não votou “Socialista”. Sempre foram, ou mais à esquerda e “agentes sindicais” disfarçados ou são “PSD’s” camuflados. Creio que não enganam as pessoas, mas para esses deixo-lhes um repto e solicito-lhes que me expliquem o seguinte: acham que o PSD não queria que fosse aprovado este ECD? Então porque faltaram aqueles cerca de 30 deputados desse partido, no dia da votação deste ECD, que poderiam ter evitado, como sabem, a sua aprovação? É fácil, Manuela Ferreira Leite queria mais tarde, se ganhar estas Legislativas (o que não acredito), não ter a classe dos docentes contra ela, pelo que favoreceu estas faltas. Posteriormente seria só dar uns retoques nesse mesmo ECD, e até passaria pela melhor do mundo!

Logo a seguir veio também, muito pressuroso, o Presidente da República, aprovar e promulgar esse ECD. Claro que primeiro falou com MFL e o partido, que é o seu, por muita isenção que procure evidenciar. Veja-se agora o caso “inventado” pelo seu Gabinete sobre as “pseudo-escutas”. Porque não vetou então o documento e o promulgou? Era mais plausível que o fizesse face ao hipotético descontentamento dos seus correligionários, mas não convinha… era mais lógico vetar outros documentos que discordassem da sua fé e filosofia de vida, como o das uniões de facto (aqui a MFL impôs-se-lhe, com a disciplina partidária e o retrogradismo de ambos!). Conclusão, ao PR, tal como ao seu partido, não convinha anular a promulgação do ECD. É por demais evidente.

Dada a já longa exposição, não vou estender-me mais, deixando novo comentário para depois. No entanto, acho que na sua globalidade o Governo de Sócrates foi o melhor de todos os anteriores. Reformista, dinâmico, eficiente e, apesar da crise capitalista mundial (inegável e destruidora de todas as economias mundiais), conseguiu manter firme a nossa Economia, já de si muito frágil. Creio, pois, que merece uma segunda oportunidade de governação, pois até Cavaco a teve naquela sua longa governação, num período em que mais dinheiro a fundo perdido entrou no nosso País e desapareceu, muito dele, para enriquecer os seus amigos e correligionários. Foi assim que nasceu o BPN, quase aposto. Foi assim que nasceram as subvenções políticas a que Sócrates colocou ponto final.

Logo se verá quem ganhou e, seja qual for o resultado, a vida continuará. Que os vencedores formem um Governo que leve o País a bom cais e nos tire desta malfadada sina de sermos eternamente pobres e injustiçados.

 

O gesto é tudo...

                                      

Há gestos que valem um discurso e discursos que não merecem um gesto. Da gestualidade à objectividade pode distar um fosso imensurável, mas o significado do gesto poderá ser demolidor e irredutível. Repare-se na exuberância mímica facial, na amplitude gestual e no olhar algo cínico de um quase ícone governamental que decidiu, sem gestos, mas por simples palavras decretar o fim da crise. Dir-se-á um homem em crise que, num momento posterior de crise comportamental, acabou por denunciar quão verde estava Pinho...e parecia, na opacidade duma política de bruma, um Pinho já maduro. Como é enganador o cendal translúcido da política baseada no excesso da maioria. Tudo o que parece, afinal não é, e a limpidez das imagens só deixa transparecer imaturidade em fase senil. Isso mesmo, a verde senilidade de quem se julga fruto maduro!

Não há verde pinho sem poesia nem canto, e nós, portugueses, até possuímos lembranças para o autor deste inusitado gesto, desde D.Diniz até Afonso Lopes Vieira e outros. Como memorando cá vai o poema de Afonso Lopes Vieira, consagrado na voz de Amália.

"Flor Do Verde Pinho"

meu jardim de saudades
Verde catedral marinha
E cuja reza caminha
Pelas roboantes naves.
Ai flores do verde pinho
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'a perderam no caminho.
Revejo-te e venho exangue,
Acolhe-me com piedade
Longo jardim da saudade
Que me puseste no sangue.
Ai flores do verde ramo
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'alongaram do que eu amo.
A tua alma em mim existe
E anda no aroma das flores
Que te falam dos amores
De tudo o que lindo e triste.
A tua alma com carinho
Eu guardo-a e deito-a a cantar
Das flores do verde pinho
quelas ondas do mar.
Ai flores do verde ramo
Dizei que novas sabedes
Da minha alma cujas sedes
M'alongaram do que eu amo.

 

(Afonso Lopes Vieira)

Pinho, na fase mais madura do seu trajecto político, mesmo ao cair das folhas esmaecidas do poder, acabou por sucumbir mais verde do que julgava, pois nem sequer amadureceu as ideias duma crise, por si, decretada num passado recente. Nem sempre cair de maduro será regra...pois há gestos que ceifam pedestais e fazem rolar cabeças (mal pensantes).


 

 

 

as faces da mesma fruta

                           partes iguais

Dá vontade de rir e de chorar, mas com predomínio de riso...um riso de chacota e sardónico, perante o ranger de dentes de políticos falhados e arrogantes, perante os últimos valores da abstenção nas Europeias.

Realmente lamentável tamanha ausência às urnas, mas a realidade é esta...dói aos bem instalados e aos mais conscientes, mas o verdadeiro povo a que pertencemos é assim...conformado e resignado: não sabe nem quer saber, não tem nem quer ter, não luta nem quer lutar. Pretende deixar que outros pensem e façam por ele... uma verdadeira apatia!
E porquê? Podem crer que a maior culpa cabe à desgraça dos políticos que temos e que singram apoiados na apatia deste povo que exploram e dominam de forma infame e desonesta. Povo que não acredita nos políticos, embora possa acreditar em algumas políticas que não são postas em prática. Se o povo se desligou da política, a culpa vai quase inteira para os maus políticos (quase sempre os mesmos, em alternância) que geriram o País nestes 35 anos de pseudo-democracia.
As recentes eleições europeias mostraram, sem quaisquer razões para euforia dalguns e depressão doutros, que as políticas não cumpridas e a falta de bom senso político, jamais favoreceram a pretensão pela continuidade. Todavia há que estar atentos porque os falsos ganhadores não merecem o apoio do povo, nem um retorno aos erros que anteriormente cometeram e agora pretendem branquear. Será que o povo sofre de amnésia ou padece de masoquismo crónico? Não creio neste princípio e espero que nas próximas eleições saibam o que escolher. É que muitas vezes vale muito mais uma continuidade com sacrifícios, que voltar às perfídias dum poder que se diz alternativo, mas não passa de uma sanguessuga que nos levou à miséria anunciada, com espoliação do erário público e alimentação de um polvo constituido por uma classe política ávida de poder e mordomias. Acaso algum político da era PSD/AD se encontra a viver de ordenados regulares ou reformas normais? Só quem andar a léguas da realidade e das recentes polémicas do BPN e quejandos, se deixa embrulhar por falsas ideias e promessas. Qual foi o Governo, até hoje, que ousou mexer nas mordomias exageradas de gestores, políticos e outros oportunistas do Sistema?
No tempo dos Governos PSD (com ou sem CDS) ninguém mexeu com os grandes interesses económicos, ninguém mexeu nas classes mais favorecidas e até se fomentou o enriquecimennto dos que militavam no Poder instalado. Verdade que o PS pós Guterres ainda alimentou desses vícios e desfavoreceu os que trabalham quotidianamente com salários, muitas vezes, de miséria. Que raio de desenvolvimento económico teve o nosso País nestes 35 anos de alternância política? Quem procura agora, e em tempos de crise mundial, corrigir alguns (muitos) erros do passado? Quem acabou com a subvenção política (belo tacho remuneratório) dos deputados, autarcas e governantes?
Sabemos que já foi um pouco tarde e a desoras...mas sucedeu. Alguém teve a coragem que aos anteriores faltou... e mais não direi, que o povo não dorme, mas castiga na hora certa.

Tem piada o PSD cantar vitória nas eleições recentes, mas tudo não passa de uma farsa. O PSD teve cerca de 3000 votos acima dos que teve nas europeias anteriores, mas...ficou na "pole position". Na próxima corrida, com muito maior assistência, sem tantas ausências (menos que 62%) poderá voltar a perder a vantagem posicional.
À guisa de relembrança, irei transcrever algo que aqui escrevi em 11/12/2004, num outro blogue. Na altura cairia Santana Lopes e seu séquito. Qualquer coincidência com a realidade de hoje será mesmo ocasional.
Isto foi escrito antes das eleições de 20/02/2005 e, obviamentes antes da tomada de posse de Sócrates em 12/03/2005

«Alberto Caeiro, em Poemas Inconjuntos, diz: “Cortei a laranja em duas, e as duas partes não podiam ficar iguais. Para qual fui injusto - eu, que as vou comer a ambas?”
Teoricamente este Governo já se foi...na prática ainda poderá causar danos colaterais se não houver anticorpos que os neutralizem. A real bagunçada já não é institucional, não se brinca num cenário político às trocas e baldrocas e os atónitos do mundo surreal já não se divertem a expensas do pobre Zé Povinho. Infelizmente ainda há nevoeiro que desaparecerá, talvez, a breve trecho, mas sumiu-se o bréu que nos envolvia. Como muitos, senti alívio dum sufoco que não escolhi, e, muitos que escolheram, sentiram-se livres duma penhora que jamais esperavam quando com boas intenções o fizeram. O tempo mostra, em devida e exacta altura, o seu contratempo. Se o fruto caíu por “bichado”, foi óptimo. A bicharada, por contiguidade, poderia minar novos frutos e seria a putrefacção global. Em bom tempo o tempo foi contratempo. Os homens adormecem inebriados no seu narcisismo que é efémero, mas o tempo, na sua real crueza, não permite eternidades balofas. Muito menos a atónitos dum mundo surreal. Vêm aí tempos de mudança e contratempos que poderão arrastar a continuidade do mesmo que, nós mesmos, queremos distante. E a continuidade poderá ter outra máscara carnavalesca, mas, subjacente, o rosto mostrará iguais cores e feições. Dóceis palavras e falsos sorrisos tentarão fazer deslizar os incautos. Cuidado, que as promessas que saem de quem não cumpriu nem agradou, não trarão novas mézinhas e as maleitas prevalecerão, por vezes mais resistentes a nova terapêutica. Na bipolaridade a que nos limitaram, teremos duas fortes opções: os mesmos, ou os quase-mesmos. As duas partes de uma mesma laranja...e sem sermos injustos, teremos que continuar a comer mais do mesmo, que as partes são semelhantes (mas não iguais).»


Afinal que nos irá reservar o próximo acto eleitoral?...Vamos andando e na altura se verá, pois a inconstância e fidelidade de um povo ditarão os resultados. Prevejo uma luta de gigantes entre os dois habituais, já que os outros apenas vão marcando presença perante um conservadorismo popular que diria doentio e masoquista quanto baste. Mais uma vez teremos do "mesmo" ou do "quase o mesmo"... a laranja, mesmo partida em duas, continua a conceder-nos o mesmo sumo, quiçá com maior acidez que naqueles "idos"
Insistir na mentira...cale-se Sr PM, a ministra engana-o

                                    

 

Ouvi Sócrates, em Braga, enumerar os pretensos sucessos na reforma da educação. Acho que ele está mal informado pelo seu elenco ministerial.

Primeiro: Os professores sempre foram avaliados, embora em moldes diferentes dos agora propostos e que são um autêntico falhanço e acima de tudo uma injustiça, pois não premeia os melhores, mas sim os do sistema, bajuladores e mais amigos do Director e avaliadores.

Segundo: a criação de directores nos agrupamentos de escolas é o ressurgimento da forma antiga, salazarista, mas com os protagonistas a ser eleitos por uma maioria que não é de professores, mas ao sabor dos interesses das Câmaras Municipais e outras instituições oportunistas que nem se preocupam com a Escola. Ah!, e estes Directores vão ganhar mais uns setecentos e tal euros, além dos seus 3 adjuntos que receberão cerca de mais 400 euros. Realmente em tempo de crise o Governo é displicente e mãos largas. No salazarismo, e até agora, cada um vivia com o seu ordenado próprio, mas ...há que tê-los nas mãos, subservientes ao poder. Nas USF (Unidades de Saúde familiar) a coisa é parecida e com despesas acrescidas. Viva a crise!

Chamar sucesso às vergonhosas aulas de substituição? Que aulas? Antes entretenimento de meninos e sobrecarga estúpida de professores a quem a substituição nada diz. Nem sequer, na sua maioria, pertencem ao grupo do professor que substituem. Uma farsa que o PM não quer ver nem analisar "in situ".

Quanto ao "Magalhães", os alunos não o podem usar, na sua maioria; muitos nem o possuem, outros vendem-no. Outra farsa. O PM que se inteire, pois anda cego.

E mais injustiças há que deixaram os professores à beira do desespero. Basta ver e confirmar o número dos que pediram reforma antecipada com prejuizo de valor. Basta ver o descontentamento dos mais corajosos e resistentes e as milhares de depressões (em seguimento médico) dos mais frágeis.

Aos alunos só lhes falta agredir fisicamente os professorees no dia a dia, pois psicologicamente já o fazem ao som do batuque ministerial e com assentimento do poder político.

Quanto ao sucesso escolar...nem falemos. Passa-se, obrigatoriamente, com várias negativas e professor que não atribua notas positivas é conotado de mau professor e o Governo aplaude a poupança e o pseudo-sucesso.

Há motivos para o País estar alarmado com tamanha fraude na Educação, essencialmente quando se diz que tudo está bem e é um sucesso. Acorde senhor Primeiro Ministro, abra os olhos e deixe de acreditar em todas as porcarias que lhe contam. O País rola mal na Educação. Nada de facilitismos, pois acaba por se auto-condenar. Falarão do seu curso de Engenharia feito com facilitismo inusual, e ainda da grande farsa das Novas Oportunidades.

Quem não quer ventos que não semeie tempestades, pois a seu tempo sofrerá consequências nefastas e irreparáveis. Pode crer Sr. PM, a sua cama vai ser feita agora nas novas eleições e só a grande abstenção, brancura e nulidade, o vão safar duma catástrofe eleitoral.


Ainda sei gritar Abril... em nome dos que sofrem mais
pobreza 

Passaram já 35 anos. Para gente do meu tempo ainda foi ontem, mas, para a geração dos meus filhos, tudo parece estar à margem dos acontecimentos. Só quem saboreou os tempos de antanho e provou as agruras de uma certa forma de vida, poderá ter a verdadeira noção do antes e do depois. Os jovens até aos quarenta, quarenta e cinco anos, terão os testemunhos na memória, mas a vivência jamais por eles passou, pelo menos de forma vinculativa e quiçá traumática. Viver de facto não é propriamente a mesma coisa que viver ao som dos testemunhos e resquício de imagens e documentos.

Doa a quem doer, os tempos eram outros, todos sabemos. Se temos saudades de muitas coisas boas, que as houve, também não as temos de muitas outras que, hoje, quase seriam impossíveis e até obsoletas. Não se trata de repudiar o “modus vivendi “ e carências sócio-económicas desses tempos, mas tão somente a repressão, o silêncio imposto, a censura, a opressão de actos e ideias. Liberdade era coisa de que se não dispunha, desde que algo mexesse com os “superiores interesses” da Nação, barreira delineada pela máquina do poder.

Mas afinal que nos trouxeram, de novo, estes 35 anos de maior liberdade e democracia? Na realidade um pouco mais de liberdade, com demasiada libertinagem nos cérebros mais tacanhos e abusivos, mas também uma série de  injustiças sociais e económicas, ainda em crescendo.

É facto que se acabou a guerra com as ex-colónias, mas tal acabaria por suceder, mais ano menos ano, mesmo sem a revolta dos cravos, quase tenho a certeza disso. Ninguém pense que continuaríamos, mais tempo, com tal guerra estúpida e descabida. Marcelo Caetano sabia-o bem, talvez melhor que muitos dos que se revoltaram nesse Abril de então.

Também tivemos as portas da Europa abertas a mil sonhos que, na sua globalidade, apenas beneficiaram a fatia de novos políticos e novos ricos. Sabemos que os milhões foram aplicados em muitas obras e melhoramentos básicos para as nossas más infra-estruturas, mas, grande parte desses dinheiros que chegaram da UE, apenas reverteram em favor dos que se encontravam no poder, e seus correligionários. Foi para a nova classe política, que ainda hoje se mantém numa alternância de poder, uma autêntica chuva de dinheiros fáceis, aplicados apenas em seu proveito e de mais alguns amigos.

Realmente, estes 35 anos enriqueceram a corja política, essencialmente os "importantes" dos dois maiores partidos que se alternaram no poder, e, como não havia leis nem fiscalização para o enriquecimento ilícito, foi um “ver se te avias”. Quem mais roubasse e melhor disfarçasse, teria continuidade no poder e o respeito de milhões de ingénuos explorados que se vergavam perante senhorial canalha. Surgiu, perante os exemplos da americanice imperialista, uma casta de “pseudo-gestores”, feitos nas coxas, como sói dizer-se, e, que tal como lá, num imperialismo autofágico, acabou por trazer esta crise que castiga o povo desprotegido, mas premeia os que ilicitamente amealharam o que seria de todos, se melhor distribuido. E o efeito bola de neve continua...

Contudo, soubemos há poucos dias, que continua a não interessar aos poderosos, que se chamem os ladrões pelo nome. Poderão continuar a enriquecer ilicitamente, sem que tal seja considerado roubo, a menos que eufemisticamente lhe chamemos "lucros legais dignamente obtidos" (pobre povo português!), já que num contexto do tipo “Ali Babá e os quarenta ladrões”, o Estado (Ali Babá) ganha 60% do roubo efectuado pelos ilícitos (os quarenta ladrões...) sendo estes ganhadores de 40% do seu “legalizado” roubo. Ah, o povo, que é a vítima do roubo (pois donde haveria de sair o produto?!...), ficará a bater palmas aos intervenientes desta farsa, e continuará, eternamente a bajular quem, tão descaradamente, o assalta e, nas próximas eleições vai, subservientemente, reeleger os mesmos gatunos para o Governo da eterna alternância. O ciclo repetir-se-á “ad aeternum”, por uma simples razão: covardia, subserviência e falta de auto-confiança nas capacidades de cada um.

Os políticos, podem crer, são, na sua maioria, um bando de incompetentes, eleitos e nomeados ao abrigo do “Princípio de Peters”, e, quase sempre, são como as pilhas “Duracell”: duram, duram, duram... mas porque deixamos, podem acreditar.

Sempre ouvi dizer que o poder corrompe, mas tal só sucede com os mandantes desonestos, gatunos e mentalmente fracos. Portanto, acho que todos os governantes e gestores de empresas que se corromperam (e foram tantos, e alguns tão bem disfarçados) ou são mentalmente fracos, logo corruptíveis, ou então são gatunos e desonestos. Assim sendo deverão deixar o poder, ou a bem ou a mal, mas o povo é que deverá decidir, porque as leis são como se vê: favoráveis à corrupção, não considerando o roubo descarado como crime. Viu-se estes dias! E nada de justificar o injustificável, pois a ordem legal é neste momento: roubem, roubem quanto e como puderem, à sombra de favores e cunhas, pois o Estado agradece que o roubo seja gigantesco, para que os ladrões e o poder também enriqueçam. O Povo que se lixe, pois nasceu e vive para ser explorado pela corja dos chico-espertos, ao abrigo das leis, por estes, elaboradas

Afinal o mesmo povo subjugado e espoliado foi quem os elegeu, portanto que grame a pastilha até à dissolução final.

Conjecturando... (ou) Com jeito, urrando-2

         

 

No seguimento do anterior articulado, venho mais uma vez emitir uns “urros”, com jeito, como quem diz, conjecturar, sobre a tão badalada crise da “avaliação dos professores”, em moldes algo sul-americanos e anacrónicos.

Não sou professor, nem deles tenho, neste momento, qualquer sinal de inveja. Tenho esposa professora, como já referi, e embora tal não me conceda qualquer “estatuto” para falar de Ensino, acho que todos gostamos de analisar os dados e emitir opiniões.

De algumas vasculharias efectuadas, tirei humildes e pessoais ilações que não pretendem esclarecer os mais informados, mas até, e pelo contrário, colher informações de “feed-back”, se tal for o merecimento.

Assim, debrucei-me, sem escalpelo, sobre o célebre Memorando de Entendimento, assinado, em 17 de Abril de 2008, entre o Ministério da educação e a Plataforma Sindical dos Professores, concluindo que a metodologia e “timing” das avaliações dos docentes não eram ali taxativamente esclarecidas e estipuladas, parecendo-me até que seria mais aplicável ao ano escolar anterior e sob certos condicionalismos, com correcções a efectuar no decurso do presente ano lectivo. Aliás li uma declaração da Plataforma Sindical, assinada nesse dia, que abaixo transcrevo:

DECLARAÇÃO PARA A ACTA:

As organizações que integram a Plataforma Sindical dos Professores, ao assinarem a presente Acta fazem-no conscientes de terem sido obtidos resultados positivos para os professores e educadores que constam do "Memorando de Entendimento" nela contida. Só foi possível chegar a tal "Memorando de Entendimento" na sequência das lutas que têm vindo a ser desenvolvidas pelos professores, para o que contribuiu decisivamente a grandiosa Marcha da Indignação, realizada em 8 de Março, que juntou 100.000 professores. Há importantes resultados obtidos, tanto para os professores, independentemente do seu vínculo, como para as escolas, designadamente em aspectos relacionados com a carreira docente, os horários de trabalho e a formação contínua. O alargamento do prazo para a implementação do primeiro procedimento sobre gestão escolar abre perspectivas de intervenção aos professores, para além de ficar garantido, desde já, o desenvolvimento de processos negociais sobre matérias relevantes para os docentes. São resultados que reforçam a confiança dos professores na sua acção e nas suas lutas.

As organizações da Plataforma Sindical dos Professores subscrevem a presente Acta porque o "Memorando de Entendimento" que a integra responde satisfatoriamente às reclamações de carácter imediato que, na Marcha da Indignação, os professores e educadores exigiram ver resolvidas no terceiro período do presente ano lectivo.

Todavia, a Plataforma Sindical dos Professores, no que à avaliação diz respeito, reafirma o seu desacordo com o modelo imposto pelo ME, aliás, expresso nos pareceres e posições emitidos ao longo dos processos de revisão do ECD e de regulamentação desta matéria. Reafirma, ainda, que os pressupostos base do desbloqueio da actual situação de profundo conflito em nada alteram as divergências de fundo que as organizações sindicais mantêm sobre:

- o actual Estatuto da Carreira Docente, designadamente quanto ao ingresso na profissão e à divisão dos docentes em "professores" e "titulares", agravada por um concurso de acesso sujeito a cotas e com regras injustas e inaceitáveis;

- ao modelo de avaliação do desempenho que se considera injusto, burocrático, incoerente, desadequado e inaplicável, devendo ser alterado no final do ano lectivo de 2008/2009.

- um modelo de direcção e gestão escolar que não reforça a autonomia, antes a cerceia;

- a nova legislação sobre Educação Especial, que põe em causa princípios fundamentais da Escola Inclusiva;

- um conjunto grande de medidas que tem vindo a desvalorizar a Escola Pública e não dignifica o exercício da profissão docente.

A Plataforma Sindical considera ainda ser imperioso racionalizar a organização do horário dos docentes, aprofundando o que nesta matéria consta do Entendimento, no sentido de respeitar o direito ao tempo necessário para a excelência do exercício da docência, incluindo o tempo necessário para a actualização científica.

Estas são razões suficientes para que, apesar do entendimento agora encontrado, os professores continuem a lutar por uma profissão dignificada no quadro de uma Escola Pública de qualidade, inclusiva e mais democrática.

No que salientei, com fundo amarelo, quanto ao ECD, também estou em pleno desacordo com o que se fez, e até me parece que é aí que reside o verdadeiro busílis que introduz todas as assimetrias e injustiças inter-pares.

Como é possível, numa carreira tão importante como a dos professores, criar apenas uma dicotomia classificativa: PROFESSORES e TITULARES. Mas acima de tudo, recuar um pouco e ver como se transformaram os professores nos actuais TITULARES.

Nos vários agrupamentos escolares abriram (foi a nível nacional) concursos para promoção a TITULARES, mas apenas se valorizou os últimos seis ou sete anos da carreira de cada candidato, fazendo-se “tabula rasa” de todo um passado de professores, alguns já com mais de cinquenta anos, que ocuparam posições melhor pontuáveis, a fim de atingirem os pontos necessários à promoção. Mais ainda, e vergonha das vergonhas, os professores mais jovens, licenciados (muitas vezes em altas e longas fornadas das ESES, algumas de reputação dúbia) não eram obrigados a atingir limite mínimo de pontuação, mas os mais experientes (a maioria de Universidades e Faculdades de reputado gabarito) e dos escalões superiores, que ultimamente até cederam cargos agora valorizáveis aos seus colegas mais jovens, teriam que atingir 95 pontos, de contrário seriam eliminados. Onde está pois a justiça? E que outras injustiças daí advirão?

Primeiro: um professor que está num escalão mais baixo (8º ou 9º) irá, neste anacrónico sistema da avaliação, ser o AVALIADOR de um colega no 10º escalão, professor este que até poderia ter sido o monitor do anterior.

Segundo: um “professor”, mais concretamente Educador de Infância, que estava no agrupamento, e não é um verdadeiro professor (no sentido estrito e real do termo…que me perdoem!) vai poder avaliar, já que foi promovido, sem qualquer cota, a Titular, um verdadeiro professor licenciado para o Ensino e já em fim de carreira.

Terceiro: como vão continuar os escalões até ao 10º, vai suceder que alguns avaliadores terão avaliandos que, tal como eles, concorrem ao mesmo escalão superior, ou seja, vai ser como “um juiz em causa própria” e com obtenção de dividendos… um horror! 

Quarto: um professor de EVT vai avaliar professores (muitos de escalões superiores) de Educação Musical e Educação Física…pasme-se a sabedoria global que apareceu no Ensino!

E mais contra-sensos que os professores, melhor que eu poderão enumerar e citar.

Quanto às AULAS DE SUBSTITUIÇÃO, que não sirvam de exemplo de aceitação pelos professores, e muito menos como justificativas de sucesso escolar.

São uma verdadeira aberração, quer para alunos quer para professores, e a “VOX POPULI DIXIT”. São acima de tudo uma espécie de OTL (ocupação de tempos livres), com alunos revoltados e quase reprimidos dentro do espaço escolar, e professores a blasfemar, contrariados, muitas vezes indiferentes, autenticamente a leste dos assuntos relacionados com a matéria dessas aulas. Que proveito ou ilações advêm de tal balbúrdia e aberração. Há professores que conseguem ter maior carga horária de aulas de substituição que de aulas propriamente suas (exemplo: minha esposa, no seu grupo). Alguns alunos, se não tivessem aulas de substituição, às vezes chegavam mais cedo a sua casa, com possibilidade de estudarem matérias em atraso, mas lá vem a seca da aula de substituição, onde vai apenas queimar o tempo.

A Ministra, que, orgulhosa e ostensivamente, não quer abdicar do seu Modelo, copiado, ao que consta, do chileno, após tantos gastos e viagens inúteis na Finlândia, em busca do modelo nórdico, vai acabar, tal como os seus acólitos e Governo, por pagar um preço inimaginável. Ainda hoje ouvi o psitacismo inconfundível do Ministro dos Assuntos Parlamentares, que parece preferir a fractura versus torção. Como são todos tão iguais… quase saídos das páginas da “Revolta dos Porcos!”

Conjecturando... (ou) Com jeito, urrando-1

                

Hoje apeteceu-me, em dia de manifestação de professores e homenageando a minha esposa, ela própria uma manifestante, deixar aqui um pouco mais de mim e do que me vai recalcando o pensamento-

Assim, já deixei noutro blog uma primeira ideia que partilho em http://deputado-da-abstencao.blogspot.com/ e me fez pensar noutra situações que abalam o ensino actual, sob a batuta de uma Ministra já apodada pelos próprios professores, de Sinistra.

Não é por acaso que vejo a minha esposa, que sempre gostou da Escola e dos alunos, fazendo da docência, durante mais de trinta anos, uma autêntica sinfonia de amor e dedicação, ficar hoje desmotivada e desencantada com tudo o que esta senhora Ministra reservou para todos os professores, alunos e seus familiares.

Nem sempre o exagero reformista traz benefícios e, no Ensino, base da educação de um povo, as mudanças deverão ser ponderadas e estandardizadas. Não se deverá legislar "ad libitum" e ao sabor do "quero, posso e mando". Aliás, em nenhum tipo de reformas se deverá agir dessa forma. No entanto, acho que existem reformadores que pretendem ver, pela negativa, o seu nome ligado a um passado histórico que envergonharia e derreteria qualquer estátua de gelo.

Será que o Ensino se degradou neste mandato do PS? Acaso as reformas estarão a frutificar e a ser motivo do tão apregoado sucesso escolar e atenuante do nosso índice de iliteracia?

Sinceramente, pelas muitas conversas e ilações, ao longo deste tempo, não me parece haver o sucesso tão apregoado pela Ministra e Governo. As crianças chegam ao 5º ano de escolaridade obrigatória com múltiplas deficiências em todas as áreas de conhecimento. Alguns, até sem saber ler nem escrever, o que se pode provar aqui na minha cidade e na escola da minha esposa. Nos seus desabafos acabo por tomar conhecimento de muitos disparates cometidos em nome do sucesso escolar. Relatórios, na verdade, são às toneladas, por tudo e por nada, quase se discutindo e querendo provar o sexo dos anjos. Qualidade, pouca e duvidosa.

Hoje, no contexto da avaliação do desempenho dos professores, conta muito o sucesso dos seus alunos, mas esquecem-se, muitas vezes, que há vários tipos de turmas, e acima de tudo muitas maneiras de elaborar, no início do ano lectivo, essas mesmas turmas. Assim, há turmas onde se juntam os "gandulas" e "ordinários", alunos reconhecidamente mal comportados e com dificuldades acrescidas na aprendizagem elementar de conceitos básicos, introduzindo no seio da turma um ou outro "desgraçado" que, ou se deixa arrastar pela indisciplina dos "chefes de fila", ou será vítima de bullying. Por outro lado, elaboram-se turmas onde, por artes quase divinais, vão cair os melhores alunos e filhos de "boas famílias" (em sentido lato). Agora digam-me, se souberem, que culpa terão também os desafortunados e "desgraçados" professores que tiveram a má sorte de lhe caberem as turmas de problemáticos e maus alunos? Pois é, mas irão ser avaliados pelo seu desempenho com esses alunos que lhes couberam e, curiosamente, até os professores "rifados" parecem ser escolhidos. Maldades? Chamem-lhe o que quiserem, mas acreditem que um professor com maus alunos ou faz ouvidos de ferrador e vai na onda do pseudo-sucesso escolar, ou a ser correcto terá que amargar e sofrer com uma avaliação pior que a dos colegas bafejados por óptimas turmas, quase escolhidas a dedo. Será isto justiça? Pois podem crer que sucede em muitas escolas, tal como aqui na minha pequena cidade.

Quando não acreditarem nestas pseudo-demagogias de maus professores e profetas de desgraças, aconselho-vos a procurar informações destes dados junto de escolas várias e alguns professores amigos, depois emitam, com segurança e conhecimento as vossas doutorais opiniões.

Claro que, como em todas as profissões, há bons e maus professores . Sabe-se que até há bem poucos anos, com a progressão na carreira os mais antigos até tinham muito poucas horas de trabalho efectivo, quase a roçar o ridículo, mas isso é que deveria ser corrigido mas sem atitudes de vingança e menosprezo. A ser assim, também deveríamos contestar e menosprezar aqueles funcionários  públicos (incluindo professores) que até há bem pouco tempo eram reformados com pensão "total", e com pouco mais de cinquenta anos de idade. Porventura alguém os obriga, por legislação política, a regressar ao seu emprego e ser-lhes cortada a sua pensão, já que no activo estão pessoas que trabalham, com a sua idade, e vão, futuramente e a curto prazo, ser penalizadas em percentagens que rasam a vergonha nacional. E são estes os políticos, também eles bafejados por reformas e subsídios dourados e inteiros, que têm a distinta lata de castigar quem trabalha mais que eles e ao toque de campainhas? Sim, é que no Parlamento, nas autarquias e nos gabinetes governamentais, não há campainhas nem digitómetros para controlar os políticos e seus sequazes.

Nada me move contra bons políticos, mas são tão raros que acabo por ter vergonha da maioria deles, incluindo a nossa Ministra M.L.R., a tal que foi apodada de Sinistra.

 

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