De vez em quando, o país é pulverizado pela comunicação social, com ideias e idiotices de exarcebado nacionalismo desportivo (o nacionalismo cívico, ainda está por ressuscitar...). Nesses momentos, são apregoadas as extraordinárias qualidades e capacidades físicas e técnicas dos nossos atletas, garantindo-se esperanças de vitórias fáceis e de medalhas antecipadas. E o país, depressa embarca numa onda de profunda histeria e se enreda em sucessivos ataques de epilepsia colectiva, que depresa se afogam num extenso desgosto e num amargo confronto com a realidade.Afinal, o que valemos? Afinal o que fazemos para valer seja o que for?Afinal, porque enfermámos desta doença que nos mata enquanto povo e nos envergonha enquanto nação? Afinal, esta sociedade não está doente?




São tão simples como a máquina que as tirou, mas foram as cores do meu jardim que hoje me deram o bom-dia. Afinal, estou de greve, tenho tempo para tudo isso e muito mais.....

Hoje e amanhã, não contem comigo para trabalhar ... para o Estado. Estou em greve.
Sei que sou licenciado. Sei que sou chefe. Sei que sou trabalhador. Sei que sou pai. Sei que tenho uma casa para sustentar. Sei que tenho utentes para servir. Sei que pago todos os meus impostos e contribuições.Sei que cumpro a esmagadora maioria das mais elementares regras do bom comportamento social. Sei que há muita coisa para mudar e algumas delas já mudaram ou estão a mudar pela mão do Eng. Sócrates. Sei que ainda tenho uma réstaea de esperança neste Portugal. Sei que sou um cidadão liberal, de costumes e políticas.Mas que diabo, sei que não tenho culpa da situação financeira do país. Por tudo isto e muito mais, fico em casa.
Dizia-me há pouco um amigo, a respeito da sua expectativa quanto ao sexo do rebento que em Abril lhe duplicará a qualidade de pai, que a sua preferência ia no totalidade para uma menina (não obstante já ter uma), já que em seu entender a efeminização do mundo actual, designadamente pelo acelerado processo de emancipação da mulher, constitui um cenário propício ao sofrimento do ser “macho”, logo incompatível com a legítima aspiração de um pai quanto à felicidade do filho (macho).
Confesso que tal jamais me havia passado pela cabeça! Sempre julguei que um mundo no feminino, ou mais feminino, poderia ser mais concertado do que esta versão máscula e repleta de testerona que até há pouco vingou.
Vou continuar a reflectir no assunto…
Muito se tem dito e escrito sobre o divórcio entre o
cidadão comum e os políticos, entre a sociedade civil e as instituições de um
regime que um dia se quis democrático.
Da esquerda à
direita, independentemente da perspectiva que se adopte para abordar o fenómeno
do relacionamento do cidadão com a política e da postura dos políticos face aos
cidadãos, o certo é que ninguém que preze a sua honestidade intelectual pode
aplaudir o actual estado de coisas.
Tudo o que na
política era sério, digno, nobre e capaz de mobilizar pessoas e aglutinar
ideais, foi literalmente dilacerado por um comportamento mercantilista da
generalidade da classe política, que prostituiu a política em nome das ambições
e vaidades privadas, dos interesses partidários ou de grupos económicos.
À frontalidade
sobrepôs-se a hipocrisia. A coragem depressa foi vencida pela cobardia. A
inteligência vendida à cegueira dos cargos, do poder e das honrarias. Os
políticos perderam fulgor, especializaram-se em fugir aos desafios, em negar as
evidências e a dar o dito pelo não dito.
Depressa se
chegou a uma situação assustadora em que por ignorância, por comodismo ou por
incapacidade, a sociedade transferiu para a classe política o poder de modelar
a democracia, de defender os seus valores intrínsecos, de representar e de dar
voz aos seus mais legítimos anseios, e aquela, na sua maioria, destituída de
cultura e de civilidade, baralhou e confundiu os direitos e os deveres dos
representantes e dos representados, falando e agindo em nome destes, usurpando
poderes e viciando as verdadeiras regras do jogo democrático.
Com tudo isto,
Portugal transformou-se num país em que o que conta são algumas centenas de
políticos, meia dúzia de grupos económicos, três canais de televisão de grande
audiência, três clubes de futebol e milhões de cidadãos desmotivados, cépticos
e incrédulos.
Sendo a política
a profissão mais antiga do mundo, mais antiga do que aquela que todos pensam
ser, o certo é que nos últimos tempos a classe política portuguesa tem
feito tudo para
demonstrar que se a política vence a prostituição em antiguidade, não o faz em
honestidade.
Assim sendo,
quem pode acreditar em novas eras? Quem está disposto a confiar em novas
promessas vindas do tradicional poder estabelecido? Não valerá a pena começar a
considerar outras alternativas? Não valerá a pena atribuir algum crédito a
outras vozes?
Não será proveitoso incentivar o aparecimento de outras correntes
de pensamento?
Perante tantas
dúvidas legítimas, a única certeza é a de que o presente que vivemos não
garante o futuro, nem é digno de ser herdado pelas novas gerações. A mudança é
necessária como única forma de salvaguardar a democracia. Haja coragem para a
fazer.

Acabei
de ler que o presidente norte-americano, George W. Bush, representa para os
britânicos uma ameaça à paz maior do que os líderes norte-coreano e iraniano,
Kim Jong-il e Mahmud, Ahmadinejad,
Bush
apenas é ultrapassado por Osama bin Laden nesta sondagem, efectuada
conjuntamente pelo Guardian, Haaretz (Israel), La Presse e Toronto Star
(Canadá) e Reforma (México).
Ora,
estarei desordenado com tanta confusão que corre nas cabecinhas dos inquiridos?
Então meu povo, quem se auto-designou de Guardião do mundo livre, pai de todas
as liberdades e dono de todas as guerras pela democracia? Afinal quem é o lobo
mau? Dhaaaaa!
O que a seguir transcrevo apareceu na minha caixa de correio, com o título "Fases do ensino em Portugal".
"1ª
fase (antes de 1974):
O
aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar
o
contrário ao professor.
2ª
fase (até 1992):
O
aluno ao matricular-se arriscava-se a passar.
3ª
fase (a actual):
O
aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos
muito
excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de
incluir
no processo, obrigatoriamente um "curriculum vitae" extremamente
detalhado
do aluno e nalguns casos da própria família.
4ª
fase ( em vigor a partir de 2007):
O
professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado
é
o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco
quase
certo de chumbar...
Apetece
acrescentar uma 5ª fase:
Os
alunos que saibam escrever o seu nome sem erros, nem precisam
matricular-se.
Têm acesso directo ao Conselho de Ministros como consultores
privados
do 1º Ministro, equiparados a Chefe de Gabinete, com direito a
subsídio
de almoço e de transporte."
Para lá da brincadeira, fica uma mensagem muito clara sobre o estado do ensino em Portugal. Ou muito me engano ou a Dona Democracia está a ser mal interpretada por muita gente, pois mediocridade ou amadorismo jamais foram expoentes da democracia.
Mais de oito
séculos após a sua fundação, Portugal enfrenta um dos mais duros desafios da
sua sobrevivência enquanto Estado.
Entre o
anacronismo da estrutura político - administrativa vigente, de características
paroquiais e excessivamente politizada e uma mentalidade desajustada da
realidade global que nos envolve e que confunde libertinagem com democracia,
Portugal navega perdido ao sabor das suas desventuras políticas, sociais e
económicas.
Ano após ano, o
País repete-se. E fá-lo em geral pelo que de mais pequeno e mesquinho tem: o
futebol; os árbitros; os incêndios; as fugas de informação; as guerras
políticas estéreis; as confissões intimas do jet set; as gafes e os maus
exemplos dos políticos; as irritações presidenciais; os conflitos de vizinhança
e os escândalos.
Funesta e
hilariantemente, o País desfila a pobreza material e cultural que o domina, a
par do luxo e do artificialismo que o enfeita. Tudo com a mais ampla cobertura
dos órgãos de comunicação social, que não só relatam, como interpretam e
inventam factos, cultivando, assim, o espectáculo circense em que vivemos.
O povo vive com
aquilo que não tem e o Estado não providencia aquilo que o povo necessita. O
Poder é uma federação de associações que defendem cada uma delas os respectivos
interesses e, raramente alguém sabe identificar o interesse nacional.
A autoridade é
ficção. Os ricos fogem impunemente ao fisco.
É de bradar aos
céus, pois não são os deuses que estão loucos. Somos nós.
Quanto mais
tempo irá durar este Estado?
Quanto mais
tempo terá Portugal de aturar tanta palhaçada?
Se isto já deu o
que tinha para dar, então, comecem tudo de novo, mas por favor, não chamem o D.
Afonso Henriques.
Estamos a apenas quatro anos de registar o centenário da revolução republicana de 1910. Decorrido todo este tempo, o que mudou? Pouco, muito pouco!
Mudou tão pouco, que as palavras proferidas por Eça de Queiróz em "Uma Campanha Alegre", decorria o ano de 1871, aplicam-se ao presente de forma notavelmente certeira. Se não, vejamos:" (...) O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. (...)"
É notável o conservadorismo luso!
A reestruturação da administração pública portuguesa é uma necessidade consensualmente reconhecida. A procura de uma nova cultura de serviço, de uma maior eficácia e racionalização de meios técnicos, procedimentais e humanos, constituem metas que terão de ser alcaçadas em prol da modernidade e prosperidade do país. Porém, fazer tudo isso a reboque de uns quantos senhores que dos seus poleiros privados deram em pensar Portugal, é algo que só um Governo autista é capaz de levar a cabo. A título de exemplo, dissem eles que para emagrecer a administração pública há que eliminar os postos de trabalho de alguns milhares auxiliares de educação . Será que diriam o mesmo se os respectivos filhos frequentassem as escolas públicas?
O Governo da República entregou no parlamento, o Orçamento do Estado (OE) para 2007. Dizem os especialistas que a contenção é a palavra-chave para forçar a descida do défice.
Em função disso, não admira que o primeiro-ministro pretenda reflectir naquele documento todos os meios possíveis e imaginários para fixar o défice abaixo dos 3%. Reduzir, cortar, extinguir, concentrar, limitar, eliminar e redimensionar, são apenas alguns dos verbos que o Eng. Sócrates, na sua cruzada por tal desiderato, obrigou os seus ministros a conjugar, sem pestanejar.
A necessidade de reduzir o peso do défice público como caminho para a solidificação da economia portuguesa é inquestionável. O mesmo não se pode dizer da selecção dos interlocutores que o governo tem feito para erguer a bandeira do combate ao défice e sobre os mesmos fazer recair o esmagador peso da factura da contenção.
É visível a opção governativa na luta contra o défice: cortar a direito na despesa que o Estado domina já que aumentar a receita – por exemplo, pela via do eficaz combate à evasão fiscal - é algo que o Estado, pela sua crescente perda de autoridade, prefere não abordar.
Por esta via, o Eng.º Sócrates legitima a sua costela capitalista, isenta os ricos de pagarem a crise, manda a conta para a classe média e arranja uns esquemas de incentivo ao parasitismo que limita os danos colaterais da sua política de contenção nas camadas mais desfavorecidas da sociedade lusa.
Por incrível que pareça, este governo pseudo socialista, parece estar a criar condições para que o povo possa concluir que foi traído, já que o primeiro-ministro fugiu dos braços de quem esmagadoramente o elegeu e abraçou de alma e coração o capital, não o de Karl Marx, mas o do Belmiro de Azevedo, Jardim Gonçalves e restante patronato, fazendo jus ao socialismo de caviar em vigor no actual Partido Socialista.