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Lançado em final de
2007, o estudo HabitAr – projecto que avalia a qualidade do ar interior em 600
habitações portuguesas e averigua a sua possível relação com patologias
alérgicas e respiratórias dos habitantes - abrangeu já mais de metade do
universo de lares definido, tendo percorrido até ao presente momento nove
distritos do país (Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Faro, Leiria, Porto, Setúbal e
Viseu).
Este estudo epidemiológico
inédito, que caracteriza a qualidade do ar interior nas habitações portuguesas,
é uma iniciativa conjunta do Instituto UCB de Alergia (IoA) e da Sociedade
Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) que visa analisar a
qualidade do ar que se respira nas casas dos portugueses e saber até que ponto
este afecta a Saúde e Bem-Estar da população.
Esta importante
avaliação irá contemplar, em breve, um distrito abrangente como o de Lisboa, no
qual serão visitados os concelhos de Amadora, Loures, Lisboa, Sintra e Oeiras,
onde se prevê exista uma boa receptividade por parte da população.
Estima-se que o
universo total de habitações seja visitado até meados do próximo mês de Julho,
tendo em vista a divulgação dos resultados do estudo HabitAr no último
trimestre deste ano. O bom ritmo a que os trabalhos têm decorrido deve-se de
forma primordial à boa adesão dos cidadãos nos locais visitados, tornando
possível esta relevante investigação.
O alerta dado pela
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e pelo
Instituto UCB de Alergia (IoA), aquando do arranque deste estudo, salientou o
facto do nível de poluentes nas habitações ser duas a cem vezes superior ao do
ar exterior, o que pode afectar a Saúde e o Bem-Estar da população, razões
pelas quais as referidas entidades se empenharam na elaboração do estudo
HabitAr.
O objectivo principal
do HabitAr é quantificar vários parâmetros poluentes no ar interior, colocando
no campo uma equipa de técnicos que tem vindo a visitar as habitações
portuguesas, recorrendo a equipamentos com sensores específicos. É
caracterizada, também, a potencial patologia alérgica e respiratória dos
utentes das casas, associando-a depois a factores como a poluição interior.
De acordo com Mário
Morais de Almeida, presidente da SPAIC, “nas últimas décadas tem-se assistido a
uma crescente prevalência de doenças respiratórias, principalmente nas
populações urbanas, o que pode estar amplamente associado a factores existentes
no interior das habitações. Animais domésticos, ácaros, fungos, alterações na
humidade do ar, partículas em suspensão e o caudal da ventilação do ar podem
causar inflamação das vias respiratórias superiores e inferiores”.
Estima-se que apenas
10% do nosso tempo seja passado no exterior de edifícios e que a maioria da
população despende o restante tempo em áreas fechadas como o interior das
habitações, locais de trabalho, áreas comerciais ou zonas de lazer interior.
Para Carlos Nunes, Imunoalergologista e representante do Instituto UCB de Alergia,
“doenças como alergias respiratórias, asma, cancro do pulmão e outras
patologias são as mais relacionadas com a poluição atmosférica. Tornava-se
assim já imperativo analisar a qualidade do ar dos ambientes fechados que os
portugueses respiram, a fim de serem tomadas medidas que diminuam eventuais
efeitos nefastos para a sua Saúde”.
O estudo
consiste na medição do nível de vários poluentes no ar interior das habitações,
segundo uma amostragem contendo 200 pontos de observação distribuídos pelas
cinco regiões do país (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e
Algarve), sendo visitadas três habitações por ponto de observação e efectuadas
medições em dois locais de cada uma delas (quarto e cozinha). Para complementar
o estudo, será feita igualmente a caracterização das condições gerais das
habitações e do estado de saúde dos habitantes." http://feeds.feedburner.com/~r/cienciapt/kHeL/~3/287992454/index.php |