SOL

Novos ricos, novos pobres e outras misérias

Ontem “novos ricos”, hoje “novos pobres”. O ontem, passado, foi um tempo de aparências, de show e de grinaldas, o que para a História pouco conta. O hoje, presente, é o tempo da realidade, da verdade nua e crua. A História no seu movimento não perdoa e acaba por se desfazer do supérfluo e de tudo o que não está de pedra e cal. Os novos ricos davam-se ares, viviam de créditos e empréstimos, eram ricos-leasing. A substância era pobre. De consciência. No seu movimento, a roda da História reduziu-os à sua verdadeira condição. Chegaram ao ponto donde, de facto, nunca saíram.

 

No capitalismo só há duas classes que merecem em toda a plenitude esse nome, a classe capitalista e a classe trabalhadora. O que aparece pelo meio ou a reboque, quando as engrenagens da luta de classes entram em movimento acelerado, como na crise que o capitalismo está neste momento a atravessar, é “depurado”. Contam-se pelos dedos os grãos de trigo que passam à classe capitalista. O resto é joio. Proletarizam-se. Aprendendo a lição, poderão ainda ajudar na luta da classe trabalhadora. Os que se recusarem a aprender vão andar por aí a mastigar a falência fantástica do seu passado glorioso. Os capitalistas sempre encontrarão para eles algumas migalhas e até alguns trabalhos sujos na política.

 

Chamam-lhe a “classe média”, por não ser carne nem peixe, por se querer inodora, transparente, independente. Na realidade são filhos de gasolineiros, de agricultores de leiras, de serventes em repartições públicas. Filhos amnésicos quando se lhes lembra as origens sóbrias de pais honestos.  

 

Enquanto não desce o pano no palco onde imitaram os tiques daqueles que eles tomaram por gente fina, faremos de conta que não sabemos que eles não têm onde cair mortos.

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O regresso ao velho estado de coisas

 Este é o novo governo, depois do anterior, e do governo antes do anterior, e do governo anterior ao antes do anterior, e do governo anterior ao anterior ao antes do anterior, que quer pôr o velho estado de coisas, um governo restauracionista. Estão a conseguir. O povo quer o velho estado de coisas, embora a maioria nem saiba bem o que era, ou o que seja, o velho estado de coisas, porque do velho estado de coisas, do fascismo, não se mostra o que estava mal. O velho estado de coisas era só o velho estado de coisas e qualquer país tem o seu velho estado de coisas. Só que o velho estado de coisas em Portugal era o fascismo e a democracia em Portugal nunca se demarcou do fascismo. Os cérebros sujos, emporcalhados  pelo fascismo continuam a produzir pensamentos sujos e emporcalhados que não ficam bem numa democracia. Hoje querem um regime de acordo com a sua mentalidade suja e emporcalhada. Ou já se viu um porco a sentir-se bem numa penthouse? E para que serve um livro de Shakespeare nas mãos de um mentecapto? Talvez para o pôr debaixo do trazeiro para chegar às migalhas do banquete da democracia.

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Quando um destruidor de sonhos nos fala do futuro

Há quem diga que o futuro se constrói sobre o presente. Este por seu lado foi construído sobre o passado. Bem, o passado já lá vai e o presente é o que se sabe. Com um presente com tão más permissas será que o futuro terá algumas condições para vingar? É com este presente estrangulado que se pretende criar um futuro promissor? Duvido.

 

Os sonhos lindos precisam de uma realidade saudável. De uma realidade doente só podem sair pesadelos. Os que enfraqueceram e debilitaram a base económica e produtiva do país  são os mesmos que agora nos andam pelas américas a falar de quimeras sorridentes. Invocam o “imperativo da portugalidade” perante escorraçados e vítimas da sua incompetência enquanto governaram e durante a presidência que ainda ocupam. Com o elogio bacoco da “potência da diáspora” ignoram as capacidades dos homens que ficaram e que lutam todos os dias por se libertar de asfixiantes tentáculos burocráticos. Aos portugueses pode-se exigir sacrifícios mas seria bom que os resultados se tornassem visíveis e palpáveis no desenvolvimento produtivo do país. Ora isto não está a acontecer.

 

As medidas de austeridade que estão a ser levadas a cabo só vão intensificar e ampliar o desastre da política dos últimos trinta anos. E os potentes homens da diáspora far-lhe-ão um enérgico manguito e, com um sorriso triste, saberão mandar trabalhar o malandro incompetente que agora lhes tenta passar a mão pelo pêlo.

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Somos nós que temos de mudar

Como se costuma dizer, o homem mente com quantos dentes tem na boca. Fá-lo com o à vontade do seu antecessor. Estamos, portanto, habituados. Há uma pequena diferença. No momento em que votamos nele, muitos de nós não tinham ideia nenhuma de que o fulano ia alargar e intensificar de tal maneira o uso da mentira. O outro precisou de anos para nos convencer que era um mentiroso inveterado. Este só precisou de uns meses.

 

Depois de trinta e tal anos de experiência sabemos que a mentira é um dos instrumentos destes partidos para chegar ao poder. O que não estávamos a contar era com esta velocidade e com este descaramento. Votamos neste convencidos que seria difícil de ultrapassar o outro. Enganámo-nos. Há sempre um mentiroso maior que espera por nós. Não há travão nem barreira para a mentira. Há sempre uma maneira de superar o outro. Mesmo na mentira. Agora sabemos: Destes partidos, venha quem vier, vem para mentir.

 

Enganados, instrumentalizados e vigarizados, só nos resta olhar para nós. Para o descalabro que despoletamos com o nosso voto. Fomos nós que os pusemos lá. Uma vez o outro, agora este. Mas antes do outro já outros passaram pelo Governo e foram eles que abriram o caminho e prepararam o terreno para estes. A mentira tem sistema e é cada vez mais repugnante e insuportável. Finalmente só estão no poder porque, ingenua ou conscientemente, fomos nós que os pusemos lá. Teremos força para reconhecer que somos nós os culpados desta desgraça?

 

Sejamos honestos. O facto de um ser mentiroso não nos dá o direito de pôr lá outro mentiroso. Um mal não justifica o outro. Os adeptos e eleitores do outro estarão agora satisfeitos e provavelmente até dirão que não é possível governar sem mentir. Governar é mentir, dirão. A partir do momento em que neles acreditamos, estamos a deixar de ser honestos para nós próprios. Uma coisa temos que lhes permitir. È que continuem a mentir. A questão agora está na nossas mãos, neles já não precisamos de acreditar. Somos nós que temos de mudar.

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Barriga de aluguer, mãe de aluguer

Ter um filho sem ser mãe. Sem ter percorrido o caminho da maternidade. Com suas dores e alegrias. Huuuummm!!! A vida é muito mais que ter. É ser.

 

O capitalismo com o seu dinheiro permite-nos tudo. Com uma condição: Que nunca queirámos ser quem somos. Que abdiquemos de querer saber quem somos. Que fujámos de nós. No caminho (sempre o caminho) da humanização, o dinheiro é um companheiro limitado, muito limitado. As portas dos tesouros da humanidade, da maternidade, do conhecimento, não se abrem com dinheiro.

 

Aqui não se compra, não se vende, não se aluga, não se tem. É-se. E para se ser, há um caminho a percorrer. Um werden, em alemão.

 

A felicidade está no ser. No caminho, no esforço, na luta, nos cuidados, no que se faz. E fazendo, fazemo-nos. Mãe não é a que chega a casa com uma criança que outra mulher trouxe nas suas entranhas. Mãe é a mulher que sentiu o filho a crescer dentro de si, com ele se identificando. É esta identificação com o filho que faz a mulher mãe. A mãe é uma mulher melhor.

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Jones e o Alcorão

 

 

O Pastor Terry Jones declarou que só estaria disposto a ceder se Deus lhe enviasse um sinal.

 Fazendo-lhe a vontade...

 

“.... o anjo do Senhor gritou-lhe dos céus: “Jones! Jones!” Ele respondeu: “Aqui estou!” E o anjo disse: Não estendas a mão contra o Alcorão e não lhe causes nenhum dano. Agora sei que desprezas a Deus, pois nenhum livro acalma o teu ódio. Jones ergueu os olhos e viu um pasquim evangélico pendurado em farrapos num espinheiro. Pegou o pasquim e ofereceu-o em holocausto em lugar do Alcorão.”

 

(Bíblia, Génesis 22, Deus prova Jones, versão adaptada e actualizada)

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Prós & Contras

Perguntaram-me o que achava do “Prós & Contras” da Fátima Ferreira.

 

Repugnante.

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É.

 

 

Embora isto seja verdade e os factos sejam incontornáveis, mesmo assim opto por ignorá-los. Mudar de opinião poderia abalar os meus preconceitos.  

 

Nunca trocaria a tranquilidade das boas ideias feitas pelos desassossegos da faculdade de pensar.

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Sim inocente, meu amor

 

 

Sim, inocente, meu amor. Até às moscas que fui despedindo da vida, as que esperaram, o fiz com a maior consideração. Pedia licença para as esmagar, não sem antes lhe perguntar, interiormente, com uma lágrima no canto do olho, se não se importavam. Acariciava-lhe as asas, mentalmente, uma última vez. Olhava-as, maria-madalenamente, torcido de pena. Nunca foi minha intenção fazer-lhes mal. Lembrava-me do Prof. Dr. César das Neves, perturbado pela ideia de estar a cometer um pecado mortal. Sofria horrivelmente com a ideia de que alguém interpretasse o meu gesto como uma cruzada contra insectos domésticos. E mais uma vez, espiritualmente, lhes perguntava se não estavam... se não se importavam... é que tinha de ser.

 

Eu levantava o punho, as moscas levantavam voo. Foi esta consideração que os senhores juízes não tiveram para com as almas pedófilas. Fizeram justiça. Condenaram-nas, meu amor.

 

Os senhores juízes não estão inocentes. Esses não, meu amor.

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Os desejos inconfessáveis do galo de Barcelos

Diz o galo de Barcelos para a águia: Os que voam alto têm, pois, de começar a voar de outra maneira.

 

A águia: O quê?!!! Ainda precisas de mais frangos de churrasco no teu aviário?

 

(Isto a propósito de que “a esquerda tem, pois, de começar a pensar de outra maneira.” É o que se escreve para aí.)

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Pia o Cruz condenado

O Cruz na comunicação é a cruz da comunicação. Cruzes, que cumunicação!

 

Eça: “A sua música é a tua caricatura.” (*)

 

Que prostituição!

 

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(*) Eça de Queiroz em “Uma Campanha Alegre”

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Está bem!

Lenta, lentamente, a Justiça acerta o passo pelo crime. Para os monstros, "monstruosidades jurídicas".

 

Está bem!

 

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A guerra colonial nunca existiu

Isto é só ficção, são só palavras simbólicas, exactamente como a guerra colonial:

 

"Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava e, como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros." Aqui.

 

Os fascistas, os militaristas, a direita caceteira, não gostam disto. Para as “províncias ultramarinas” embarcavam só missionários, beneméritos, sacristães e meninos de coro. Pelo meio, por engano, iam alguns heróis, os do mar, os do costume. Pelos vistos, a estes não lhe cabia um feijão. Mas isto, claro, não se diz de heróis.

 

Alguns Homens, militares, tiveram a coragem de acabar com os feitos lendários dos heróis. Fizeram o 25 de Abril. E acabaram com a “realidade” paradisíaca dos Tarrafais, o charme de Peniche, a simpatia amorosa da Pide, o sex-appeal de Salazar.

 

É claro que os heróis, beneficiários do “Jardim das Delícias” colonial, nunca perdoarão aos militares de Abril. Não faz mal. A verdade quando começa a surgir vem sempre envolta num manto de fantasia. Talvez para não ferir os espíritos mais sensíveis dos fiéis do colonialismo.

 

Um obrigado a António Lobo Antunes.

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O Tao dos incêndios

Ø       Só um incêndio que se apaga pela centésima sétima vez é um bom incêndio e merece ser ateado no próximo ano.

 

Ø       Abrir caminhos nas matas e florestas custa menos que uma auto-estrada; Não vale a pena.

 

Ø       A mata que limpares hoje pode estar suja amanhã; não lhe toques!

 

Ø       Bons governantes e bons autarcas são aqueles que estão cheios de trabalho e precisam dos incêndios para desopilar.

 

Ø       Aproveita um incêndio para interromper as tuas férias mas de tal modo que ninguém pense que és bombeiro ou tens alguma coisa a ver com o caso.

 

Ø       Se o poder corrompe e a água apaga, então a caruma não é cavaco.

 

Ø       Quem limpa matas evita incêndios; Pensa bem antes de assumir tal responsabilidade.

 

Ø       O fogo aquece; ideal para uma noite de Verão.

 

Ø       Só plantas que ardam bem se devem voltar a plantar. Não esqueças, o eucalipto é uma instituição nacional.

 

Ø       De noite, quando os raios do sol são mais escaldantes, é também quando o fogo tem mais dificuldade em pegar. Se vires alguém com uma botija de gás e um maçarico, alumia-lhe o caminho.

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Bomba atómica sobre Hiroshima

E se nos colocássemos no lugar de Truman, pergunta o cómico JMF, aqui.

 

E no lugar de Hitler?

E no lugar de Estaline?

E no lugar de Franco?

E no lugar de Pol-Pot?

E no lugar de Salazar?

 

Basta de criminosos da humanidade.

 

E se nos colocássemos no lugar de Einstein?

E no lugar de Darwin?

E no lugar de Galileu?

E no lugar de....

 

Basta de gente aborrecida.

 

E se o cómico JMF se colocasse no lugar de uma criança de Hiroshima?

 

Tão mau não sou que isso lhe deseje; mas que há por aí muito imbecil, ai isso há.

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