Isto é só ficção, são só palavras simbólicas, exactamente como a guerra colonial:
"Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava e, como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros." Aqui.
Os fascistas, os militaristas, a direita caceteira, não gostam disto. Para as “províncias ultramarinas” embarcavam só missionários, beneméritos, sacristães e meninos de coro. Pelo meio, por engano, iam alguns heróis, os do mar, os do costume. Pelos vistos, a estes não lhe cabia um feijão. Mas isto, claro, não se diz de heróis.
Alguns Homens, militares, tiveram a coragem de acabar com os feitos lendários dos heróis. Fizeram o 25 de Abril. E acabaram com a “realidade” paradisíaca dos Tarrafais, o charme de Peniche, a simpatia amorosa da Pide, o sex-appeal de Salazar.
É claro que os heróis, beneficiários do “Jardim das Delícias” colonial, nunca perdoarão aos militares de Abril. Não faz mal. A verdade quando começa a surgir vem sempre envolta num manto de fantasia. Talvez para não ferir os espíritos mais sensíveis dos fiéis do colonialismo.
Um obrigado a António Lobo Antunes.