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Rede ciclável do Seixal terá ramificações em todo o concelho

No próximo ano irá nascer no concelho do Seixal uma vasta rede de pistas para utilizadores de bicicletas, que a longo prazo deverá ter a extensão de 90 km. O objectivo da autarquia é reforçar a mobilidade e acessibilidade, dando mais ênfase às questões ambientais numa cidade que é a segunda mais motorizada da Área Metropolitana de Lisboa.

 

O plano foi elaborado com base num inquérito realizado à população sobre hábitos de uso de bicicleta, daí que pretenda cobrir todo o concelho, "em articulação com os transportes públicos", explicou Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal, na apresentação pública do plano.

Até 2010, a aposta definida pelo município será priorizar o uso da bicicleta em toda a zona da baía, acompanhando assim a revitalização da mesma, na qual serão investidos nove milhões de euros em infra-estruturas, e acompanhar o traçado metropolitano com o objectivo de estabelecer a ligação com os transportes públicos. Alfredo Monteiro afirma, porém, que esta é "a aposta para uma década de uma rede que, para além de cobrir o concelho, terá ligação com os concelhos vizinhos de Almada e Barreiro".

 

Diz Carlos Mateus, vereador do Ambiente e Serviços Urbanos da Câmara do Seixal, que a criação desta rede deriva de "um longo trabalho em que houve a preocupação de recolher experiências de outros países, onde existem bons exemplos, e a participação em conferências mundiais".

 

Alfredo Monteiro considera-a "um desafio que constitui uma etapa importante em relação ao planeamento estratégico do município onde a mobilidade é essencial". O autarca do Seixal inclui este projecto numa visão mais alargada "em conjunto com os desenvolvimentos em termos de mobilidade e acessibilidade dos quais o Metro Sul do Tejo será essencial". Recorda ainda que "é um projecto importante em termos ambientais".

 

Inverter prioridades

Mário Alves, engenheiro e consultor de mobilidade neste projecto, alerta para a mobilidade enquanto "problema político com soluções políticas que depende da articulação entre técnicos, autarquias e cidadãos". O engenheiro alerta que " a sustentabilidade é a responsabilidade de garantir a qualidade de vida", considerando que mais projectos como este terão que nascer nas cidades portuguesas. O objectivo será por isso "inverter a actual prioridade dada aos carros e passá-la para as pessoas", explica.

 

Na última década na Área Metropolitana de Lisboa, Mário Alves afirma que "a mobilidade tem aumentado e a acessibilidade descido", sendo "importante apostar mais na acessibilidade enquanto facilidade de acesso das pessoas aos locais e não tanto na mobilidade, que é apenas a quantidade de movimento das pessoas", pelo que a solução apontada assenta no ordenamento do território, na restrição automóvel e no investimento em transportes públicos e não-motorizados.

 

Joana Figueiredo, representante do Grupo de Mobilidade Sustentável da autarquia, explicou que a metodologia de aplicação do plano foi constituída "pensando a rede viária como suporte-base, os transportes públicos enquanto local de interface, equipamentos de partida e destino e ainda a estrutura verde do concelho, procurando também promover o centro histórico enquanto ponto turístico de fácil acesso".

 

O declive do terreno, os condicionantes do Plano Director Municipal e a continuidade do serviço foram também "pontos essenciais na aplicação do plano", explicou a responsável. Para o utilizador, "os critérios de desenho tiveram em conta a inclusão na via, a funcionalidade, a segurança e conforto e a qualidade ambiental", afirmou Joana Figueiredo.

90 km

 

Segundo a assessoria de imprensa da CM Seixal, o investimento a longo prazo aponta para um milhão de euros para a criação de uma rede de 90 quilómetros de pistas cicláveis.

 

Hábitos de uso da bicicleta no concelho

O concelho do Seixal apresenta uma elevada taxa de motorização, com 72 por cento de utilizadores diários da sua viatura própria, apesar de mais de metade das deslocações casa-trabalho serem, em média, menores a cinco quilómetros. A conclusões foi feita a partir de um estudo camarário, realizado entre Maio e Outubro de 2006, com uma amostra representativa de 626 pessoas, que teve como objectivo perceber qual a possibilidade de aplicação do plano da rede ciclável no concelho do Seixal.

 

Como resultados do inquérito, ficou a saber-se que 50 por cento dos inquiridos revelou ter bicicleta própria, e, destes, 58 por cento revelaram vontade de aderir ao uso diário da bicicleta, se para isso forem criadas as necessárias condições. Quando questionados os pais em relação a uma possível utilização pelos filhos da bicicleta como veículo para chegar à escola, 81 por cento dos encarregados de educação afirmou que permitiria essa deslocação dos seus filhos, mas, mais uma vez, se forem criadas as melhores condições, sendo que a segurança foi o denominador comum citado por todos.

 

A bicicleta é utilizada actualmente no concelho essencialmente como objecto de lazer. A falta de pistas cicláveis, a sinalização de percursos e a inexistência de locais de estacionamento para bicicletas foram os factores mais apontados pela população como dissuasores do seu uso.

 

A autarquia tem investido na promoção de estilos de vida saudáveis através do desenvolvimento do Projecto Municipal Seixal Saudável, pelo que, segundo Carlos Mateus, "esta proposta de Rede Ciclável vai ao encontro dos princípios e objectivos promovidos pela Rede Europeia das Cidades Sustentáveis e pela Agenda 21, aos quais o Seixal aderiu em 1998 e 2003, respectivamente". Neste sentido, "o uso da bicicleta é encorajado por melhorar o ambiente, a saúde, a equidade social e a economia dos seus utilizadores e da comunidade".

 

Fonte: Público, 14.12.2008

Posted: quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009 15:25 por energia
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