Estamos com o Rivoli!
Triste país este onde a cultura para se afirmar como identitária e de todos requer barricadas e protestos ao nível do que se assiste por estes dias com o Teatro Rivoli,do Porto.
Portugal vive uma praga economicista onde a Verba se tornou inimiga do Verbo ,a cultura está no deve e haver como um saco de batatas,e a lógica da rentabilidade rende inexoravelmente a busca da qualidade.
Seria de esperar serem os gestores da Cultura a pugnar pela missão e espirito de serviço público que aos teatros nacionais e municipais,pelo menos,está destinada .Contudo,30 anos depois do 25 de Abril,a lógica consumista,que faz dos Malucos do Riso maior exito de bilheteira que Tchekov ou Garrett,tudo varreu,as nóveis empresas municipais que pululam por essas autarquias para gerirem os teatros e auditórios construídos com lógica eleitoral não foram pensadas para uma acção cultural consistente e continuada,e estão de costas para os agentes da inovação e criatividade.O Rivoli da canção de Rui Veloso cairá como tem caído o teatro independente,a Seiva Trupe,e outros.
Se noutros países por vezes menos avançados(dizemos nós) os artistas e teatros são acarinhados e estimados,este país de 900 anos agora não tem mais que vontade de ser espanhol e estes vontade que o sejamos?Não podemos deixar caír os braços na lógica fadista do Finis Patriae!.Bem hajam os barricados do Rivoli pois podem perder um teatro,mas ganharam um título:o de Cidadãos de Corpo Inteiro.Estes,sim,são os Grandes Portugueses!