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fernandomoraisgomes

Coisas da Terra dos Homens e dos espantos que provocam neste Anno Domini MMVI à distância dum dedo,duma URL e duma cabeça.Carpe Diem1
Grandes Portugueses

O aparentemente inofensivo programa da RTP para votar naquela que se considera um Grande Português afigura-se simbólico para o estado precário que a democracia e a ideia que os portugueses têm dela(desta)denota 30 anos depois da instauração da mesma. Para mim,interessa valorizar dois aspectos:o ser GRANDE.Grande numa área concreta,como profissional ou exemplo.E ser PORTUGUÊS,isto é,ter cotribuído para que a ideia de Portugal e o seu povo tenham evoluído ao longo do tempo,próximo ou remoto.

Daí que grandes músicos,cientistas,pintores,escritores ou políticos não sejam só por si grandes portugueses,pois não foi a pensar em Portugal ou na portugalidade que se moveram,antes pelo contrário,foi fugindo a um país padastro que muitas vezes se destacaram,porque eram bons naquilo que faziam,e não por serem portugueses(Vieira da Silva,Saramago,Pedro Nunes,Carlos Seixas)

 Também não me parece relevante,dum ponto de vista global ou estruturante da ideia de Grande Português que tivesse de ser um democrata,sendo que tal valor só foi valorizado depois da Revolução Francesa,e pode-se ser um grande patriota sem ser um democrata(Paiva Couceiro,Padeira de Aljubarrota,Nuno Álvares Pereira,Marquês de Pombal,Sidónio Pais)).

Daí que se tivesse de escolher um grande português,que se norteou pela consolidação de Portugal como Estado-Nação e lançou as raízes que permitiram a todos os outros destacarem-se até pelo menos 1580,só um pode ser escolhido.Não D.Afonso Henriques que ganhou territórios para si e não para Portugal,e os ia deitando a perder depois do desastre de Badajoz;não Camões,figura vaga que não se sabe sequer se existiu;não todos os que fizeram do seu desprezo/despeito a Portugal uma bandeira política e literáriamente correcta(Eça de Queirós,Fernando Pessoa,Lobo Antunes),mas sim o único estadista que consolidou o Estado,expandiu o nome de Portugal(e sem Império não haveria a dita "língua que nos une,nem colónias,nem ouro do Brasil,nem India,)e se impôs a Papas e Reis como pai da primeira globalização da História Moderna:D.João II,que planeou Tordesilhas,e Cabral,e o Gama,e reforçou o Estado e apunhalou adversários,chamado com respeito de "El Hombre" por Isabel,a Católica.

Também ele hoje estaria na categoria de tiranos,mas qual o rei que o não foi?E depois,a História de hoje não é igual á de ontem.Afinal,um dos maiores tiranos que houve em Portugal não tem hoje uma estátua ao cimo da avenida dita da Liberdade?E não matou os Távoras,e criou os monopólios e enriqueceu com a desgraça do terramoto?

Fazer História não é julgar,é compreender e relacionar.E a mim,como a Spinoza,"interessam-me os factos humanos não para aplaudi-los ou censurá-los,mas tão só para compreendê-los"

PS-Este post veícula apenas a opinião pessoal do seu autor
 

 

 

Posted: quinta-feira, 26 de Outubro de 2006 2:00 por fernandomoraisgomes

Comentários

Vietkong said:

Já que ainda não tens comentários a este artigo, aí vai o meu!

Não concordo nada com os pressupostos... mas concordo com a conclusão.

Quaisquer que sejam os motivos que nos movam, não deixamos de ser Portugueses, quer aqui, quer aonde o raio-que-nos-parta nos tenha levado.

O que está em causa é: quem foi o Português mais insigne de todos os tempos?

Em que termos?

Se pensarmos num Português que faça parte da História, mas que tenha sido o único a notabilizar-se num determinado campo, então, sem margem para dúvidas, Pedro Hispano, o Papa João XXI.

Se pensarmos na fundação da Nação e em como o nosso Território foi fundado e consolidado, então, sem dúvida, el-rei D.Sancho I.

Se pensarmos em projecção "mediática" de Portugal, no mundo, temos muitos: desde o Infante D.Henrique até Eusébio da Silva Ferreira.

Muitos mais itens poderiam ser avaliados...

Penso, contudo, que o somatório de todos eles dá um único resultado:

El-Rei D.João II!

# Novembro 8, 2006 4:07
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