Salazar está na moda?
Por estes dias parece ter havido um ataque de salazaromania que merece
um tratamento sociológico do porquê,e sobretudo porquê nesta altura da
vida do país em que todos falam da dita depressão(se é que os povos têm
depressões,o problema é mais falta de dinheiro...)
É a polémica dos Grandes Portugueses.É um album de BD lançado no
recente festival da Amadora.É o livro de Felicia Cabrita sobre os
amores de Salazar.Tudo aponta pois para abordagens que ao matarem o
Salazar das paixões e ódios e o centrarem como personagem histórico sem
complexos,por paradoxal que pareça,fazem ressaltar um personagem
simpático,nada misógino como se pintava,e até veladamente visto com
saudade por aqueles que não viveram o tempo histórico em questão,e
portanto têm desse período uma imagem de ouvir dizer que pelos vistos
sublima mais os aspectos "positivos"(autoridade,relativo bem estar da
classe média,colónias,Império),em contraste com a apagada e vil
tristeza dos dias que passam(segundo outros).Se tal acontece,será por
demérito da democracia que temos e não por mérito de Salazar.Esse,com o
tempo lá voltará para o rol de Grandes Portugueses,com ponte de volta e
tudo.Os líderes carismáticos foram sempre os ligados ao exercício da
Autoridade.Veja-se D.João II,o Marquês de Pombal,Sidónio Pais.Como
dizia Karl Marx,"a história repete-se sempre duas vezes,a primeira como
tragédia, a segunda como farsa".Nada do que foi será como era,essa a
grande realidade.
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