Pelo restauro do Chalet da Condessa,em Sintra!
Rumando pela direita ,bem oposto ao tritão sentinela da Pena de
Eschwege,curvada a Fonte dos Passarinhos,por entre o cheiro a humús e a
placidez da selva/jardim mais que centenária,chegamos pouco a pouco á
casa ou o que dela resta qual produto duma noite de walpurgis dum
halloween purificador de fantasmas cantantes ululando Donizzetti ou
Wagner.
Por entre o emaranhado de vegetação enfim senhora do espaço outrora dos
Homens,qual templo sagrado há longo tempo adormecido,descortinam-se as
paredes beije com heras desenhadas,os varandins ao estilo
alpino,entulhos de pedras e sonhos e memórias que se quiseram
espezinhar para que deles mais lembrança não houvesse.E fumegantes
vemos passar D.Fernando e o seu burro de estimação,o secretário
Kessler,Elise,outrora diva e hoje dama na sombra do mecenas germânico
que um dia aportou neste canto saído duma guerra, e que,casando com a
jovem rainha, aos poucos se fez Rei.
As matas do Eden continuam,invasores em seu torno,humanos e outros,
novas lutas travam pelo regresso desse Camelot á beira do
lago.Esconjurem-se pois as gárgulas,tritões e klingsor e com a força
das camélias e buganvílias, sob esta Cyntia esventrada, restauremos o
orgulho da mata verdejante e fértil,e demos o descanso definitivo aos
fantasmas ululantes dessa Casa do Regalo hoje mais de Dickens e Poe que
de Dumas ou Twain.
O chalet de Elise e Fernando voltará a ouvir Donizetti e lá haveremos
de comer scones contemplando os tectos estucados e as paredes em arte
forradas.
Da Pena ao chalet,vidas cruzadas e destinos cruéis culminarão numa
catarse feliz para este karma digno de Kipling!
Para comentar necessita de estar registado