A NOITE DOS SÁBIOS
Hoje é a noite
de todos os sábios,
daqueles que tudo
sabem
Como:
Construir, destruir, conservar
e até criar amores,
e desamores,
e quem sabe...
Acabar com a guerra
Hoje é a noite dos saberes
do aprender, da ilusão
e também da desilusão,
da gargalhada feliz
e da lágrima rolante
Hoje é a noite,
em que os sábios
nos vão dizer porque é que
a terra é redonda,
e o sol não é a luz da vida
Hoje é a noite de soltarem
as loucuras, a poesia,
os cantos de Camões
e os sábios também
Esta noite chove prata
e vai ser inesquecível,
é a noite das noites,
porque os sábios,
vão andar por aí...
66 - de: Fernando Ramos
OUTONOS
Já tudo dissemos na rua do tempo
E aqui continuamos nós lado a lado
Em todas as estações do ano
Até nas frias manhãs de Outono
Onde nossos lábios cansados
Ainda trocam beijos roubados
Como, se fossemos adolescentes
Então meu amor, apesar dos anos
Que por nós vão passando,
Ainda nos admiramos das palavras
Já há muito gastas
Aquelas onde suavemente dizemos
Que ainda nos amamos
E ao olharmos o céu azul
Aos fins de tarde
Trocamos sorrisos coniventes
Murmurando que estamos juntos
Como no princípio dos tempos
Então passados
Que nos foi fortalecendo
Para outros Outonos
Da nossa vida que ainda virão
Juntos, caminharemos continuamente
Vergados pelo cansaço
E p’la felicidade de algumas manhãs
Onde nos amamos perdidamente
Dentro de lençóis que guardam
Nossos segredos nus de pudor
E as sílabas trocadas de promessas
De outros Outonos vindouros
Que nos vão deixar para sempre
Ligados até ao nosso final
Ao final, que nós não queremos
Mas onde a vida vai deixar acontecer
fernando ramos
ADEUS POETA
Foi embora um poeta
Desta vida de mil poderes
Com ele imensa cultura foi
P’ra terra dos saberes
Volta poeta, volta
P’ra ouvirmos teus dizeres
É que, tudo que sabemos
De ti, nós aprendemos
Tudo aquilo que perdemos
Jamais iremos perceber
Mais pobres de arte ficamos
Com a falta do teu conhecer
Porquê meu amigo poeta
Tão cedo te foste embora
Porquê essa pressa amigo
Naquele dia pela aurora
O povo chora baixinho
Lagrimas caídas na dor
O poema se sente perdido
Na ausência do criador
O poeta jamais volta
Lá das terras do saber
A cultura seus ais solta
P’los tempos de empobrecer
O poeta não volta, não
P’ra mal da árdua liberdade
Todos ficaram mais pobres
Mergulhados na saudade
fernando ramos
6
SOFRER DE SOLIDÃO
Não procurar novos caminhos
não olhar o sorriso das crianças,
ou o ouvir o cantar do rouxinol
Certamente sofre de solidão
Quem percorre as mesmas ruas
Os mesmos lugares
E não tem o prazer de sentir emoção
De uma obra de Mozartt
Certamente sofre de solidão
Quem nunca muda
Mesmo com o passar dos tempos
E se transforma um ser desconfiado
Rebelde, e de mau humor constante
Certamente sofre de solidão
Quem não sente a chama da paixão
Ou nunca amou uma única vez
Ou não teve um sonho de prazer
Pobre coitado...
Certamente sofre de solidão
Não sofras mais de solidão
Abre teu coração ao mundo
Abre teu sorriso à natureza
E vem ouvir o riacho
Que se calhar esteve sempre lá
Bem próximo de tua porta
Vem ver o doce florescer das orquídeas
O esplendoroso amanhecer na primavera
Vem ver a cor do arco Íris
Que a vida também nos presenteia
Ouve teu coração, vem ouvir os outros
Que não sofrem a tua solidão
Procura ser feliz nas pequenas coisas da vida
E certamente não terás a solidão!
De. Fernando Ramos
MARTÍRIO NEGRO
Ao longe vislumbrava-se a Nau
Na negra sombra da noite
Corta ondas dum mar mau
Na crista da vaga seu açoite
No tombadilho ia o martírio negro
Eram escravos de sua negritude
Seus olhos choravam o medo
Caindo lágrimas de brutal virtude
Aguardam a sangrenta cidade
Que suas vistas já alcançam
Esperam dos senhores crueldade
E a chibata que p´la ponta dançam
E as aves canoras embalam
Cânticos de dor terrível
Para os escravos que não falam
Da sua raiva compreensível
Tambores retumbam a chagada
Das naus que vinham de África
Traziam miséria e a morte esperada
Como linha de montagem de fábrica
E naquela barbárie loucura
A razão não impôs seu juízo
O mundo não sabia dessa tortura
Que hoje devia ser dor e prejuízo
Como foi possível tal calamidade
Em séculos que se pensa passados
Mas hoje há outra montruosidade
Em seres igualmente mal abençoados
Que também partem p’ra longe
Em aviões modernos super lotados
Procuram vida que não é de monge
E encontram futuros confiscados
De: Fernando Ramos
UM HOMEM UMA MULHER
O homem, é um sonhador e companheiro
Quando amigo, é um sério e grande amigo
Não faz amizades verdadeiras por dinheiro
E quando tu estás mal, ele está contigo
A mulher, a mulher... É a musa, um poema um sol
É a fada cristalina que enfeita o caminho de seu amor
Com pétalas de rosas viçosas guiando-o como um farol
E sofre por ele em paciência, e no silencio da dor
O homem, é aquele doido cabeça no ar bem distraído
Mas está sempre lá, quando ela precisa, está presente
E ama, ama muito, e por vezes por amor é vencido
Por uma paixão torpe e cruel que lhe mente
A Mulher não se engana e torna-se bem vivida
E quando te ama de verdade dá-te tudo, tudo
E sofre, sofre muito quando se sente traída
A loucura de sua paixão fá-la virar o mundo
O homem... Por vezes durão, outras carinhoso
Gosta de uma boa oportunidade de colher e vencer
E o seu clube é um mundo só seu, e é o mais virtuoso
Não tolera hipocrisia, mentira e se traído faz sofrer
Mas a mulher... É a graciosidade, a força a beleza
Que faz dela o ser mais fascinante do universo
Delicada e tão irreverente e também a boa surpresa
A mãe de nós, que constrói o mundo bom, e adverso
O homem, bem... o homem, é como a mulher
Gostam de uma boa conversa honesta, correcta
E sofrem os dois por uma paz de felicidade e saber
Mas uma paz que lhes traga amor, e que nada lhes afecta
Os dois juntos destroem barreiras com sua determinação
E com austera prepotência amam seu chão sagrado
Que é o seu bendito lar que lhes enche a alma e coração
E no seu gostoso leito vão às nuvem com seu bendito pecado
O homem, a mulher, este é o verdadeiro segredo de Deus
Porque os juntou... Porque os fez diferentes e tão iguais
E não passam um sem o outro, mesmo com graves erros seus
Tão bela é esta união, onde o mundo gira, e p’ra ele são leais
De: Fernando Ramos
AFLIÇÃO
Por ti pouco a pouco me envolvi
E mergulhas-te em meu tonto coração
Mas alcançar teu amor não consegui
É tão grande esta estranha confusão
Agora que farei eu não sei bem
Oro a Deus para ele me guiar
Nesta dor que mal ajuizei
Nas mil indiferenças de teu amar
Que melancólica é esta desventura
E vai-me consumindo de paixão
Anseio por teus olhares de ternura
Se não morro na voraz solidão
Que comigo em alvoroço vive
Em total e pesarosa aflição
De: Fernando Ramos
PINTURA INACABÁVELQuero amar-te eternamente
Como pintor que ama sua obra
E delinear por minha arte
Acentuando em pinceladas firmes
Os contornos de teu corpo
E na tela vou pingando teu sorriso
Em cores de minha inspiração
P'ra nele poder levemente beijar
Os traços de teus lábios de mel
Que me torturam de amor
Quero amar-te, amar-te
Amar-te sempre e delicadamente
Deslumbrando-me com o teu amor
Na pintura da obra perfeita
Sombreada a leves tons do arco Íris
Encontrados na minha imaginação
E apenas vou aguardando
Com todo este ardor profundo
Que me deixes salpicar teu mundo
Na minha pintura inacabável
De: Fernando Ramos
Quero amar-te eternamente
Como pintor que ama sua obra
E delinear por minha arte
Acentuando em pinceladas firmes
Os contornos de teu corpo
E na tela vou pingando teu sorriso
Em cores de minha inspiração
P'ra nele poder levemente beijar
Os traços de teus lábios de mel
Que me torturam de amor
Quero amar-te, amar-te
Amar-te sempre e delicadamente
Deslumbrando-me com o teu amor
Na pintura da obra perfeita
Sombreada a leves tons do arco Íris
Encontrados na minha imaginação
E apenas vou aguardando
Com todo este ardor profundo
Que me deixes salpicar teu mundo
Na minha pintura inacabável
De: Fernando Ramos
MEU LOUCO SONHO
Hoje sonhei que era dono do mundo
Dono das árvores, dono dos rios
Dos mares, e das montanhas
E vejam lá, até sonhei
Que era dono do Polo Norte
Polo Sul e da Amazónia
Sonhei que era dono do desemprego
Por isso ele não existia, não era real
Era dono dos excluídos, e sonhei
Que a fome era passado
Eu não a deixava voltar
E editava leis, leis, leis, leis
Sonhei que era dono das mais belas
Pinturas, Esculturas, e de toda Arte
Exposta em todos os museus do mundo
E que também era dono
Da liberdade de todos os povos
Por isso decretei, decretei, decretei
Às Nações Unidas que todas as leis
Tinham de ser minhas
Sonhei que era dono
Das mais belas cidades do planeta
Lisboa, Paris, Rio de Janeiro, Caracas
Nova Iorque, Londres, Genebra
Atenas, Buenos Aires
Barcelona, Amsterdão
Veneza, Tóquio, Bangkoke
E tantas, tantas outras e em todas elas
Mandei pintar o céu nas cores do arcos Íris
Porque todas as cidades eram minhas
Sonhei que era dono das florestas
De todos os animais, dos frutos
Dos cereais e de todo pão do universo
E tantos se alimentavam com ele
Também sonhei que era
Dono de toda a solidão do mundo
E dei ordens, ordens, ordens, ordens
Para que saíssem leis
E todos tivessem a felicidade
De ver voar o colibri, o Flamingo
A Águia Real, e ouvir o canto do Rouxinol
E até sonhei que todos viam jogar e ganhar
Os Clubes do seu coração
Com respeito, transparência e dignidade
E viam o meu Benfica.
Jogar, jogar, jogar
Com as estrelas do céu
Como se fosse uma criança
Brincando com sua bola
Apenas só sonhei...
E isto é o meu louco sonho
Tão louco que hoje me faz sorrir
E é tão pouco, tão pouco
Comparado com o que Deus
Na sua Infinita Bondade
Tem para nos oferecer
Meu irmão, minha irmã
Não sonhes esta loucura como eu
Tu e eu não somos nada
Segue apenas os desígnios de Deus
Que te dará a felicidade eterna
Sem fronteiras, sem decretos
Mas com afectos e amor no coração
De: Fernando Ramos
BRILHOZINHO MISTERIOSO
Quando te vi pela primeira vez
Meu coração pousou no teu
Palpitou tanto até que fez
Ele amar perdidamente o meu
Como foi bom e valeu a pena
Essa paixão tão determinada
Poetas inspiraram-se nesta cena
Versejando arte terna e aveludada
Hoje meu corpo no teu se atreve
Entregando todo malicioso sabor
E tu me queres em suspiros breve
Depositando em mim todo esse ardor
E tanto vibramos nesta paixão
Tocada ao som dum tambor
Quanto mais a ela nos entregamos
Mais forte é o nosso louco amor
Desde que te vi por esse tempo
O coração em ti está refastelado
Desde aí não perdemos um momento
Amando-nos num leito apaixonado
No céu um brilhozinho misterioso
Mostra as estrelas a sorrir de nós
Sabem que este é um amor curioso
Que até a Lua nunca nos deixa sós
E no adormecer da noite estrelada
Entrelaçados por ali nos deixamos
Saboreamos a paixão talhada
Do momento que nele bem dançamos
E nossos lábios aos prazeres se entregam
Soltando murmúrios e puros beijos
Que p'los ondulados corpos navegam
Aportando no cais de nossos desejos
De: Fernando Ramos
GENTES RENDIDAS AO BELO E AO AMOR
A corda da guitarra chora
Lágrimas tiradas na dor
Atreve-se o coração na hora
E oferece-lhe palpitar de amor
E o poeta p’ra guitarras compõe
Poemas de seu belo prazer
Elas trinam melodias que expõem
Fadistas suas poesias dizer
E no canto da garganta afinada
Corre fado soberbo e encantador
É de letras de vida realizada
Em pingos de puro candor
E o guitarrista muito se atreve
A dedilhar na gostosa emoção
Vai-lhe o grito no caminho breve
Na garupa dum cavalo alazão
O poeta que seu poema escreve
P’ra fadistas exaltarem a vida
Com guitarras que a arte serve
Numa paixão soberba e desmedida
E no acto artístico de total esplendor
Nasce nova primavera de dons
P'ra gentes rendidas ao belo e ao amor
P’lo fado, o escrever e novos sons
De: Fernando Ramos
MOMENTOS SERENOS
Meu amor, meu amor como esquecer
Aqueles nossos dias cinzentos
Se foram eles que nos fizeram merecer
O sol de felizes e ternos momentos
Como esquecer algumas derrotas
Que a vida também nos presenteou
Hoje são vitórias que nos dão risotas
Porque no amor a gente sempre acreditou
Como esquecer tantos, e tantos erros
Comentados entre lagrimas e abraços
Deram-nos lições e alguns segredos
Aproveitados em íntimos pedaços
Como esquecer a triste solidão
Que por ocasiões a vida nos brindou
Percebemos aí a mensagem do coração
Que nos palpitava a bela união que criou
Como esquecer fugazes chamas de tristeza
Que estiveram presentes no dia, a dia
Tudo isso guardamos num baú como riqueza
E não fracassos de música de má melodia
Como esquecer meu amor, meu amor
Tais momentos grandes e pequenos
São as histórias vividas no ardor
Dos tempos rebeldes e serenos
De: Fernando Ramos
NOITES DE AFAGOS
Um feliz e denso mistério
Rodeado de espesso sossego
Leva-me ao jardim
Dos meus passeios costumeiros
Lá vou recordando anos
De tanto passado
E dos olhares gulosos
Da própria juventude
Em meus subterrâneos pensamentos
Vejo cada ano, cada década
Que pelo meu, hoje fraco corpo
Paulatinamente passaram
Já os escrevi e rescrevi como contos
Vividos não há assim tanto tempo
Dentro da liberdade possível
Mas de amor cegamente interiorizado
E vem-me à memória
A rapariga que conheci
Hoje a mulher que me acompanha
Neste cansaço da vida
E lembro as calmas noites de afagos
Noites de intensa paixão
As noites das chamas que nos levavam
Ás labaredas da loucura
Como hoje refastelado na idade
Lembro todos esses tempos
Que me vão acompanhar até à partida
Para o meu infinito
E não choro por esses momentos
por andarem perto do final
Mas dou um sorriso feliz
Um sorriso bem maroto
Por eles terem existido
Como bom tem sido
Todo este caminho toda esta vida
Como bom é ainda hoje
Em meu pensamento correr
Esses momento ternos de felicidade
Como bom é ainda puder lembrar
A soberania de seu olhar
E a doçura cheia de graça
De seu sorriso que continua
A ser meu desejo e ternura
E um farol no meu horizonte
De. Fernando Ramos
FADO DO POVOO povo canta a musica dele
Com a emoção junto à saudade
Ele sente-a, e não é aquele
Que ama a poesia sem liberdade
O fado é a sua nobre canção
Que se ouve alto e baixinho
Traz da garganta e do coração
Letras dedilhadas devagarinho
Elas dão melodias simples e bela
Que entra na alma emocionada
Alguma tristeza também vai nela
Com sua solidão condicionada
A fadista puxa, puxa pela voz
Deixando cair em seu regaço
Poemas livres de dor atroz
Cabendo inteirinhos nesse pedaço
E na sua garra que atordoa
Chora a saudade que vai nela
De si sai um poema que magoa
Num fado que se escuta na viela
Ele é a alma poética e a raça do povo
Gravada em preciosos pergaminhos
Deles se inspiram p’ro poema novo
Oferecendo ao fado futuros destinos
De: Fernando Ramos
O povo canta a musica dele
Com a emoção junto à saudade
Ele sente-a, e não é aquele
Que ama a poesia sem liberdade
O fado é a sua nobre canção
Que se ouve alto e baixinho
Traz da garganta e do coração
Letras dedilhadas devagarinho
Elas dão melodias simples e bela
Que entra na alma emocionada
Alguma tristeza também vai nela
Com sua solidão condicionada
A fadista puxa, puxa pela voz
Deixando cair em seu regaço
Poemas livres de dor atroz
Cabendo inteirinhos nesse pedaço
E na sua garra que atordoa
Chora a saudade que vai nela
De si sai um poema que magoa
Num fado que se escuta na viela
Ele é a alma poética e a raça do povo
Gravada em preciosos pergaminhos
Deles se inspiram p’ro poema novo
Oferecendo ao fado futuros destinos
De: Fernando Ramos
BELA DAMA
Airosa e tão formosa é minha Dama
Que desfruto no nosso leito de amor
Dessa ternura meu coração emana
Chamas límpidas e puras de esplendor
Bela Dama é toda a minha vida
É um fruto tão rico de sabor
Se a perco esta paixão é destruída
Bem como a semente de seu calor
Seu corpo em meu olhar é poema
Para minha mente repleta de desejos
Que se aconchega em sua pele morena
Quando acaricio seus belos seios
Que a poesia tão bem descreve
Prá dama que é meu verso breve
De: Fernando Ramos