A generosidade de doar vida! Ou negá-la.
“O que pensa um médico de uma unidade de transplantes, quando tem à sua disposição apenas um coração e mais do que um candidato para o receber?
Quando ambos os candidatos são candidatos “iguais” na prioridade clínica.
Como pode ele escolher, sabendo que o dom da vida para um, significará quase a morte certa para o outro?”
O médico sabe também, e pode acontecer,
o escolhido rejeitar o orgão.
Ficará o médico na dúvida se o orgão falharia também no outro candidato?”
“O que pensa um doente que está desesperado à espera de um coração, de um rim?”
(Este início foi baseado num romance de Henry Denker)

29 de Setembro de 1994
Uma família dirige-se de férias para o sul de Itália.
Na auto-estrada, uns assaltantes dão um tiro a um rapaz sardento e de cabelo desalinhado.
Tem sete anos. Vive na Califórnia.
Chama-se Nicholas Green.
1 de Outubro de 1994
Nicholas é declarado clinicamente morto em Messina na Sicília.
Os pais de Nicholas tomaram uma decisão que mudou para sempre as suas vidas e a de muitas pessoas no mundo com o efeito que provocaram.
Doaram os orgãos do filho.
No espaço de algumas horas, sete italianos receberam as córneas, os rins, o fígado, as ilhotas pancreáticas e o coração de Nicholas.
Este gesto de generosidade espalhou-se por toda a Itália, enquanto os jornais proclamavam:
“La Nostra Vergogna” (a nossa vergonha).
A Itália agradeceu os transplantes, mas também a lição de generosidade e compostura.
“A família Green deu-nos uma grande lição de civilidade” – disseram nas televisões.
Andrea Mongiardo
Uma malformação cardíaca dava ao rapaz só umas semanas de vida.
Tinha a pele azul e rosto encovado quando recebeu o coração novo.
Anos mais tarde...
tirou a carta de condução, trabalha, pratica natação, ...
Anna Maria Di Ceglie
Tinha 14 anos e os rins deixaram de funcionar. Praticava sessões de hemodiálise violentíssimas.
Recebeu um dos rins de Nicholas.
Silvia Ciampi
Estava inválida por causa da diabetes antes de receber as ilhotas pancreáticas.
Tino Motta
Fazia hemodiálise quando recebeu o outro rim, restando hoje apenas uma pequena cicatriz.
Francesco Mondello
Uma malformação na córnea estava a retirar-lhe a visão.
Recebeu uma das córneas do Nicholas o que lhe alterou a vida por completo.
Domenica Galleta
Recebeu a outra córnea e diz:
“Graças ao pequeno Nicholas, posso ver os meus filhos.”
Maria Pia Pedalà
Os médicos já tinham comunicado ao irmão que ela estava a morrer, quando recebeu o fígado.
Duas semanas depois, andava pelo próprio pé.

O “Efeito Nicholas”.
Em 1996, um vizinho da Anna Maria, um rapaz de 16 anos faleceu num acidente de moto.
Os pais, que tanto tinham ouvido falar no que o rim de Nicholas tinha feito pela jovem vizinha, resolveram doar os orgãos do filho.
Em 1999, Ilaria Perfetto, de 13 anos teve uma trombose e faleceu numa viagem aos Estados Unidos.
Os pais recordaram-se do casal Green e do Nicholas, e doaram os orgãos da filha que foram para quatro receptores americanos.
O casal Green deu milhares de entrevistas, respondeu a milhares de cartas e contou a história deles em video.
Abriram uma fundação com fins não lucrativos.
Todos os lucros obtidos com doações, livros, videos, conferências, ... servem para oferecer anualmente um subsídio a um médico italiano para ele aprender e estudar as últimas técnicas de transplantes.
http://www.nicholasgreen.org/

Os orgãos doados e referenciados nos Bancos Nacionais de Orgãos, são atribuidos a uma unidade de transplante com base na urgência clínica, proximidade geográfica e compatibilidade entre dador e receptor.
Nós não gostamos e geralmente não gostamos de pensar nestas coisas.
Infelizmente, a questão da doação de orgãos surge muitas vezes brutalmente, numa altura muito dolorosa para os familiares.
O pedido de autorização pode surgir inesperadamente.
O possível dador,
pode ser uma criança ou pessoa jovem, saudável, vítima de acidente, um tiro, ...
A reacção pode não ser sempre consciente.
Enterram-se muitos orgãos saudáveis.
Infelizmente por essa razão, existe também o
comercio ilegal de orgãos.
Só o nome do tema penso que é horripilante.
Não consigo imaginar o que se faz para ter mais depressa um coração ou um rim...
Quando a vida depende de um orgão que não há.
Ou para o vender desesperadamente.
Pequenos títulos:
“Em países pobres da Ásia, África e América Latina, o comércio ilegal de órgãos serve de escape para pessoas que tentam sair das dificuldades econômicas.”
...
"A verdade é que não sei o que fazer. Eu tinha estabelecido um preço de US$ 10 mil para o meu rim, mas cada vez acho que está mais baixo.
Ouvi dizer que há pessoas que vendem até por US$ 5 mil."
Para ler o artigo completo:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071013_orgaosperu_pu.shtml
Infelizmente existem mais artigos sobre este tema.

Muitos orgãos podem prolongar a vida a outras pessoas.
Quando um orgão como o cérebro ou o coração morre, os outros orgãos poderão ainda continuar a viver.
Uma parte do jovem Nicholas Green continua vivo...
O seu pai visita regularmente Andrea que recebeu o coração do filho.
São muito amigos.
Há orgãos que
têm o dom da vida.
Um video para ver.
Para pensar.
[YouTube:SHBV-TcF1iI]