"Sai um filho, dois ou meia dúzia sff!" ... Parvoíces dos grandes e crianças. Um "porquê?" meu também.
Uns caracóis e umas tranças…
Estas palavras são de um texto que escrevi sobre a minha irmã. Eu sou mais velha 2 anos e poucos meses.
Isto de ser mais velha e ajudar a tomar conta, teve as suas “vantagens” no meu aspecto maroto, mas também e sempre protector para com ela!
Lembro-me tão bem de fingir que não conseguia levantar uma cadeira, e após umas colheradas de sopa de legumes, e como na magia dos espinafres do Popeye, ficava cheia de força e era só levantar as cadeiras! Ela olhava para mim com os olhinhos muito abertos e comia a sopa, convicta de que ficava mais forte!
Eu pedia-lhe, mais pequenina para vir para ao pé de mim á noite, porque tinha medo do escuro...
Brincavamos e partilhavamos tudo. Não teria palavras para falar de nós as duas!. Apenas escrevo que estivemos sempre muito presentes na vida de cada uma e que sempre fomos amigas. Ainda hoje. Ter uma irmã foi e ainda é para mim muito gratificante.

Mas...
Ter um filho, dois ou até meia dúzia é uma opção consciente dos pais. Infelizmente, por vezes, nem é opção ou não será consciente. Mas... a razão que leva alguns casais a ter um único filho, ou não terem nenhum, é privada e se a partilham é com quem querem. Porquê este parágrafo?!
Porque algumas pessoas, mesmo até algumas supostamente mais “sensatas” ou cultas, têm a mania de dizer frases como:
“Então... está na altura de ter outro...”
ou
“Quando pensa em ter um rapazinho?”
pior ainda... quando se dirigem às crianças, e também à minha filha e dizem:
“Tens que pedir um mano aos pais!”
Sim, porque além de presenciar com estranhos, já ouvi algo do género e a minha menina também.
Normalmente, são ainda pessoas mais estranhas, ou simples “conhecidas” que nos dizem estas coisas, pois os mais proximos provavelmente saberão porque se tem um, dois , meia dúzia ou nenhum filho!
Inúmeros factores poderão condicionar essa decisão, e ainda bem que esta é reflectida ( um bebé, um filho não é um Nenuco!...).
A mim irrita-me, porque se não tenho mais filhos, a questão é minha e nunca dei a resposta adequada a estas situações, pois seria socialmente e polidamente incorrecta! Muito mesmo. E prefiro nem dar muito “crédito”! No entanto, torna-se depois mais difícil de explicar aos filhos pequenos o “porquê de não...”! E sei por experiência própria que não é fácil explicar algumas decisões de adultos a menores de 8 anos!
Mas existe um factor muito cruel que pode originar um "não ter filhos"; o da infertilidade! Não sendo o meu caso... conseguem imaginar o que sente uma mulher que anseia por ser mãe há anos, ao ouvir frases como as que muitas vezes se ouvem num supermercado, café ou rua, e para as quais não quer nem deve socialmente dar a resposta adequada limitando-se a um sorriso amarelo e um
“Um dia, um dia...”
Ao ver estas situações, quase me torno anti-social! Apetece-me até!!! Muito!!!
Existem “coisas” que não se perguntam nem dizem. Mesmo que sem maldade. Doiem.

Ainda sobre filhos...... crianças e este mundo dos adultos;
não sei como é possível ler num artigo, notícias como a de que “não há qualquer processo de investigação na Russia e só quando acontecer uma tragédia é que... seria admitir um erro... não interessa...” sobre o caso da menina Alexandra na Russia e pelo facto da escola que a menina frequenta ter apresentado queixa à Protecção de Menores o mês passado porque a menina apareceu com hematomas e sinais de maus tratos.
“Só quando acontecer uma tragédia?”
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Quanto valem as burocracias e caprichos dos adultos?! A vida dela?!
Também fiquei a saber numa pesquisa casual, que muitas crianças pequenas devolvidas na fase de pré-adopção, foram e são-no por razões como:
“O cão não se dava bem com ela, e está há mais tempo connosco”
ou
“É muito carente, está sempre a dar beijinhos...”
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Quanto vale a vida de uma criança perante argumentos tão “ocos”?!
(Aqui faço um parágrafo mais feliz):
Existem pessoas muito “especiais” (raríssimas) que adoptam também crianças “que ninguém quer”, algumas com deficiências físicas, mesmo sem as ver primeiro (não querem) apesar da insistência da instituição, pois segundo as palavras das mesmas, um filho... não se escolhe! É a criança que vier. Sinceramente, não sei se o faria. Daí, a minha admiração.
Hoje foi como se levasse murros no estômago ao ver as notícias sobre o "belo" Haiti e de saber que a maioria das vítimas serão crianças. Mas os jornalistas avisaram sobre as imagens. Fiquei mesmo horrorizada, e como alguns sabem, além do medo enorme que tenho desta coisa chamada sismo, gosto mesmo muito de crianças! Nem comento as imagens, nem imagino a dor e o trauma de algumas... Não compreendo porquê tantas...
E tantas outras que sabemos em sofrimento por esse mundo fora, e não vemos, e não podemos... eu sei! Mas neste curto espaço em que escrevi estas linhas, não sei quantas se apagaram nos escombros por falta de meios e ajuda, ou com fome.
Talvez por estas coisas, o meu cepticismo sobre certos “Deuses” venha ao de cima como nunca! Desculpem os mais fervorosos no tema. Ou expliquem-me, como mais conhecedores, porquê elas, tão pequenas e bonitas!...
Já sei, já sei... nestes países pobres a taxa de natalidade é elevada, ... pois pois. Adultos, crianças, ...
É mesmo o nosso mundo!... E o mundo delas dentro do nosso. E todos dentro de outro!