SOL

…”De facto, 0 1º de Maio pertence a um mundo que, a Ocidente, desapareceu. Depois da vitória, em 1984, de Mrs Thatcher sobre os mineiros britânicos, nada voltou a ser como dantes. Em vez de operários, com uma profissão organizada, temos jovens empregues em call center, com trabalho precário e sem poder reivindicativo….” Maria Filomena Mónica in Meia Hora

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“Os jovens são limitados pelo seu umbigo e pelo imediatismo dos seus interesses.” Constança Cunha e Sá in Público

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“Durante cinquenta anos, a obra de (George) Steiner perseguiu uma pergunta curial: como foi possível a uma civilização que se julgava intelectualmente avançada descer ao abismo do horror no século XX? A pergunta faz sentido sobretudo para quem sempre depositou na "cultura" uma fé profundamente optimista. E, no entanto, é possível encontrar exemplos de homens cultos que, depois de uma sonata de Schubert ou de umas páginas de Flaubert, acordavam no dia seguinte e iam gasear judeus com entusiasmo burocrático.

Se a cultura não nos torna mais "humanos", para que serve a cultura, afinal?” João Pereira Coutinho in Expresso On-Line

Javier Bardem na pele de Anton Chigurh que lhe valeu o Óscar de melhor actor secundário.

 

 Confesso ser um grande admirador dos filmes realizados pelos irmãos Coen. Desde o momento em que visionei os filmes "Fargo" e "Barbeiro" fiquei fã deste cinema virtuoso, agarrando técnicas do cinema clássico, fitas com base em argumentos de  transgressões relacionadas com a lei ou a moral combinados por um suspense a fazer lembrar os filmes de Hitchcock.

O ritmo preciso das suas narrativas, a elegância dos movimentos, o humor negro sempre presente, todos estes ingredientes trajados por uma inteligência que nos incita a uma reflexão sobre os quadros que se vão movendo aos nossos olhos, interligando-se e criando fitas espantosas como o filme que lhes valeu o reconhecimento da Academia de Hollywood. Melhor filme, Melhor realização, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor Secundário.

Após o visionamento deste filme que deu título ao post, o sentimento que me assaltou de imediato foi o de um certo descontentamento, alguma repugnância pela violência quase gratuita a que se assiste. Não pondo em questão a qualidade de realização do filme, dentro dos moldes virtuosos já referidos, após uma cuidada reflexão e após a leitura de alguns críticos especializados, percebi que o referido sentimento encontra explicação no argumento adaptado do romance de Cormac McCharty e que tem como título original, No Country for Old Men.

Não posso ser considerado uma pessoa velha, nem lá perto, mas com idade suficiente para me lembrar do que o mundo era antes da mudança de valores, da destruição das referências pelas quais fui crescendo e vivendo.

A somar a este sentimento de ausência de identificação com as práticas do mundo actual, por altura do visionamento do filme, tinham ocorrido uma sequência de homicídios e revelações de crimes vários no chamado país de "brandos costumes" afectado para o bem e para o mal pela chamada globalização.

Estou completamente de acordo quando Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema escreve no Expresso "... o que nos fica pegado á pele é a incompreensibilidade que nos separa de Chigurh ( Javier Bardem ) .... Se querem saber, eu acho que Chigurh não tem alma - é o Mal em trânsito..."

Joel Coen e Ethan Coen após terem recebido as estatuetas.

0-2/5-3

Sporting vai defender a Taça de Portugal no Jamor depois de jogo memorável com o Benfica.

Rui Patricio, Abel, Tonel, Miguel Veloso, Grimi, Adrien, João Moutinho, Vuckcevic, Rogmanoli, Liedson, Djaló, Izmailov, Derlei, Gladstone e Paulo Bento vão ficar para a história do futebol português depois do fantástico derby jogado ontem a 16 de Abril. Um resultado histórico e pouco usual a culminar um jogo fantástico com incerteza no seu desfecho, principalmente nos segundos 45 minutos quando os leões finalmente decidiram mostrar o seu coração.

 

Após terem encaixado dois golos sem resposta na primeira parte, a desilusão e revolta instalava-se nas mentes dos fieis adeptos leoninos, conscientes de que mais um desaire estava prestes a acontecer depois do dano causado pela perda da final da Taça da Liga através da marcação de grandes penalidades e da eliminação da Taça UEFA por uns toscos vindos da Escócia. A humilhação pairava no ar no Estádio de Alvalade, nos adeptos sportinguistas. A segunda parte trouxe um Sporting finalmente desinibido, confiante, disposto a mostrar todo o seu valor e deixar tudo em campo. O Benfica, confiante de que a vantagem seria suficiente para garantir a passagem à final do Jamor, começou a ser empurrado para a sua defesa, fruto também das alterações feitas por Paulo Bento na medida inversa ás realizadas por Chalana.

Como adepto sportinguista senti uma enorme alegria. Foi uma reviravolta com sentido verde e branco, o assumir de um sentimento de desforra e de assunção de justiça após o desaire do 3-6 presenciado ao vivo e que nos retirou a possibilidade de vencer o campeonato nacional no ano de 1994. A pirueta, nesse jogo, tinha sido em sentido contrário, ficando na memória os "tiros" de fora da área do João Vieira Pinto. Os jogadores do Sporting têm valor para ganhar a qualquer equipa. Depois dos jogos que fizeram perante a Roma e o Manchester United, na Liga dos Campeões, dos jogos com os seus rivais Benfica e Porto, esta jovem equipa leonina tem fome de bola e de vitórias.

O Sporting e os seus adeptos ansiavam e mereciam por uma alegria desta dimensão. Mas ainda nada está ganho, e no dia 18 de Maio a fé é verde e uma final é sempre um jogo transcendente onde tudo pode acontecer.

VIVA O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL!

Liberdade de Expressão é um direito humano fundamental assim declarado no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este é um facto que merece ser lembrado por ocasião do aniversário de 60 anos da Declaração.

A liberdade dos mídia e o acesso à informação inscrevem-se nos objectivos de desenvolvimento e enriquecimento das pessoas. O enriquecimento pela via do conhecimento traduz-se no ganho de controle sobre as suas próprias vidas e seus destinos. Isto somente pode ser atingido por meio do acesso a informações exactas, justas e imparciais, reflectindo o pluralismo de opiniões e oferecendo à população meios de se comunicarem e assim participarem activamente da vida da comunidade.

A relação entre a moral e a política aponta para um limite ténue entre a privacidade e o desempenho de representantes de altos cargos políticos. Assistimos, neste mundo global em que o conhecimento tem um papel importante a nível socio-económico, a cada vez maior número de exemplos em que factos da vida privada de personalidades públicas que desempenham funções de Estado se tornam públicos muitas das vezes trazendo consequências devastadoras para a vida pessoal das mesmas. 

De acordo com alguns inquéritos realizados por esse mundo fora, mais de metade dos participantes consideram a liberdade de imprensa "muito importante" para garantir uma sociedade livre havendo uma grande percentagem de inquiridos que são da opinião que o fundamental é manter a "harmonia social" e a "paz", mesmo que isso signifique a limitação da liberdade de imprensa na divulgação da veracidade da própria notícia. 

O aumento dos grupos privados de mídia monopolizando o sector, provocam uma orientação política do meio em função dos seus accionistas sendo notória a instrumentalização dos meios de comunicação públicos pelos respectivos Governos trazendo menor qualidade, transparência e pluralidade á informação pondo em causa os alicerces das democracias. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas devem ser invioláveis mas o homem público, muitas das vezes, precisa compartilhar a sua vida pública e privada com os eleitores no intuito da criação de uma marca associada à sua personalidade com o objectivo de captação de simpatias e votos para a manutenção no poder.

A crise económica que a Europa atravessa por efeito de arrastamento da crise nos EUA, não melhorará os padrões políticos, pois a permissividade, a contemporização, o corporativismo, a protelação de reformas continuará a manter a crise e não se espere suicídio (como acontece no Japão) em função da vergonha pública. Se assim fosse, o cemitério estaria entupido de homens públicos.

Perante o exposto vem a propósito uma notícia de 30 de Março passado supostamente verificada com o presidente da Federação Internacional de Automóvel. O tablóide inglês "News of the World" publicou uma história, acompanhada de vídeo e fotografias, onde, alegadamente, Max Mosley se envolve numa orgia sexual sadomasoquista com cinco prostitutas. Muito naturalmente, a FIA manteve uma prudente distância sobre este assunto, que envolve o seu presidente, mas a notícia provocou ondas de choque entre a comunidade judaica, que já pedem a "cabeça" de Max Mosley.

Entre as muitas reacções a esta situação, destaque para uma declaração de Stephen Smith, director do "Holocaust Centre", que refere: "O Sr. Mosley condenou recentemente o racismo nos desportos motorizados, pelo que devia levar a sua vida pelos mesmos standards que ele próprio determina. Isto é um insulto para os milhões de vítimas, os sobreviventes e as suas famílias. Ele deve desculpar-se publicamente e retirar-se do cargo que ocupa.", referiu Smith ao autosport.com

Obviamente, no seio da comunidade da F1, também se fizeram ouvir algumas reacções mais ou menos "fortes". Se Bernie Ecclestone preferiu remeter o caso para a esfera pessoal de Mosley, já Sir Stirling Moss, por exemplo, referiu ao "The Times: "Não vejo que ele possa continuar no seu cargo. Tenho pena pois ele é bom no que faz. Claro que um caso destes é problema dele quando permanece entre portas, mas quando sai cá para fora, a música é outra. É absolutamente chocante."

Do lado da FIA, silêncio quase total: "Este é um assunto entre o Sr. Mosley e o jornal em questão. A FIA não comenta.", referiu um porta-voz da entidade.

Aqui vai um excerto do polémico video retirado do youtube:

[youtube:x6CoQ4WE3DM]

Photo by Flickr

 

Pela luz, que vence a noite escura

Pelo sol, que nasce a cada dia

Pela flor, que enfeita o nosso caminho

Porque um dia Jesus nos ensinou amai-vos uns aos outros como eu vos amei

Aleluia, Aleluia, Aleluia.

O dia do pai já passou. Mas o pai genuíno é aquele que acompanha e ama os seus filhos toda a sua vida. Excelente e ternurento video, passe a publicidade.

 

[youtube:LuSBCIV1zuQ]

Na Colômbia, uma senhora encontrou um leão ainda bebé, mal alimentado e quase morto. Cuidou dele até crescer ...

Vejam a reação do leão quando ela o visita.  

[youtube:IlR4nBStjVw]

"As palavras...Muitas que hoje desapareceram, irão renascer, muitas, agora cheias de prestígio, cairão, se assim o quiser o uso." Horácio

 

Mika - Grace Kelly in Youtube

Nascido em Beirute, filho de pai norte-americano e mãe sírio-libanesa, Mika utiliza o seu instrumento vocal de uma forma brilhante e distinta. No começo da audição das suas canções a memória leva-nos até aos anos 50 e à música colegial ouvida e dançada nos bailes das festas de escola. As suas cancões são um hino à alegria e esperança. Um excelente anti-depressivo de um performer auspicioso.

[youtube:tPUpxIBkcjM]

Não sei quem foi o mentor deste desafio mas ele parte duma premissa que com o decorrer dos anos vamos dando menos importância. Mas para não fazer a desfeita ao meu caro João Carreira vamos a isso:

5 bens materiais QUE TIVESTE NO PASSADO, já não os tens e sentes saudades ou nostalgia por eles.

Recordo-me especialmente das pessoas próximas por quem nutria grande amizade e carinho e deixaram de existir. Guardo delas uma eterna saudade e gratidão.

   

5 bens materiais QUE POSSUIS ACTUALMENTE, que mais gostas e não vives sem.

Os bens que a natureza permite gozar e que são do domínio público.

5 bens materiais QUE PENSAS EM ADQUIRIR nos próximos 5 anos. (opcional: por que não os adquiriste antes?)

Os bens que me permitam respirar sem dificuldade, que não sejam fonte de preocupação.

5 bens materiais QUE GOSTASTE DE OFERECER a cinco pessoas diferentes.

Máquina de Café (pais);

CD de Sting (primo amigo);

As primeiras chuteiras dos meus filhos;

Uma mala de marca francesa reputada (esposa);

Uma garrafa de vinho bem avaliado ao meu vizinho do lado.

5 bens materiais QUE SONHAS EM TER mas que sabes não vir a adquirir (é claro que vamos adquirir).

A esperança é a última coisa a morrer. O sonho comanda a vida, torna-nos corajosos, ilumina-nos o percurso a percorrer. Mas como diz Séneca, nada de ânsias que nos faça perder o gozo do(s) bem(ns) alcançado(s).

"Sound of Silver talk to me/ makes you want to feel like a teenager/ until you remember the feelings of/ a real life emotional teenager/ then you think again."

O reaproveitamento do passado numa capacidade rara que é exibir o velho mesmo em frente aos nossos olhos e fazer-nos acreditar que é novo. Não é ilusão. É mesmo assim.

"That´s how it starts/ we go back to your house/ we check the charts/ and start to figure it out."

Um som prateado e reciclado ao estilo de Warhol, que representa modernidade e anuncia o futuro.

"Sound of Silver" dos LCD Soundsystem desfila uma linha coerente e enérgica de sons que nos faz vibrar e nos impulsiona até uma pista de dança para escutar e dançar as nove canções pulsantes nele produzidas na perfeição.

[youtube:noHwSIobCXc&feature=related]

A jovem promessa portuguesa Michelle Larcher de Brito foi convidada pela organização do JB GROUP Classic para fazer parceria com Elena Dementieva, número 11 do ranking WTA e ex-número 4. As duas jogadoras jogaram e perderam a final de pares em Hong Kong para o par constituído por Caroline Wozniacki e Vénus Williams. O JB GROUP Classic é um torneio de exibição que se realiza há 8 anos em que grandes nomes do ténis mundial foram consagrados como campeões neste torneio asiático. Vénus Williams, Kim Clijsters ou Mónica Seles já saíram de Hong Kong coroadas campeãs e com os bolsos cheios de dinheiro.

Mais uma etapa marcante no percurso de crescimento desportivo de Michelle Brito, tendo demonstrado em Hong Kong as suas fortes possibilidades de jogar ao mais alto nível. De acordo com as afirmações feitas por si e pelo seu pai ao jornal “A Bola”, o presente ano vai ser muito importante na medida em que vai jogar 10 torneios profissionais com o objectivo de preparar com método e sem pressas a sua ascensão ao topo dentro de dois a três anos. A tenista portuguesa ambiciona ser "número um" mundial, mas sabe que tem um "longo caminho" a percorrer.

Reconhecendo que o seu nome já é conhecido na modalidade, a jovem portuguesa, que a 29 de Janeiro completa 15 anos, não troca a nacionalidade portuguesa "por nada", diz que "gostaria" de representar Portugal nos Jogos Olímpicos e mantém uma vida normal entre a escola e os "treinos duros" impostos pelo seu pai, que sempre foi o seu treinador.

Em Abril, poderemos desfrutar da sua presença ao vivo nos courts de terra batida do Jamor, no Estoril Open.

Ano Novo, Velhos Vícios?

Ano par, bons augúrios... parece que não. Dos factores exógenos, aqueles dos quais estamos dependentes e influenciam a nossa existência adivinha-se a perpetuação e o deslizar da economia para níveis acentuados de subdesenvolvimento manifestados por uma forte dependência económica externa, taxa elevada de desemprego, baixo nível escolar, desmantelamento das estruturas existentes de serviço de saúde pública.

O regime político em que vivemos é um regime de fachada, de mentira, que vai atrasando cada vez mais o país. Desde 1976 que temos tido governos com uma duração média de 20 a 21 meses. As clientelas políticas impossibilitam que se façam reformas a médio e longo prazo. Que reformas foram feitas por este governo que tenham tido influência na despesa pública? A redução do défice foi feita quase exclusivamente à custa do aumento dos impostos. De que forma vão manter o nível atíngido do défice? Entre 2000 e 2006 o IVA e o ISP corresponderam a 72% dos impostos arrecadados, impostos esses que fustigam todos os anos as classes médias e médias baixas. A carga fiscal corresponde a 37% do PIB sendo as exportações a parcela mais pequena do mesmo. A Economia tercearizou-se, a pesca e as minas vão desaparecendo. Ao mesmo tempo vamos assistindo à desindustrialização do país.

Adivinha-se, pois, uma profunda crise social. O plano de recuperação do emprego é mera demagogia. Temos uma das maiores taxas de desemprego da Europa. Até às próximas eleições já não será possível fazer nada de importante porque ninguém lança uma reforma importante, dura e difícil, a ano e meio de eleições.

O ano de 2008 vai ser especialmente um ano de intensa propaganda através de um acentuar da intoxicação e manipulação da comunicação social. O Governo criou agências de informação que manipulam e manuseiam a informação às quais os profissionais da Comunicação Social não são capazes de contrapor sob pena de serem despedidos. Veja-se o exemplo das notícias sobre a licenciatura do Sr. Sócrates, actual primeiro- ministro de Portugal.

Teremos um ano em que se falará, quase exclusivamente, da participação da nossa selecção no Europeu de Futebol, dos nossos atletas nos Jogos Olímpicos na China e das faraónicas obras do futuro Aeroporto Internacional e do TGV.

A sociedade em que vivemos caminha no sentido escolhido. Alterá-lo, para mal ou bem, está nas nossas mãos. Devemos agir no sentido de a tornar mais justa, mais próspera e mais solidária.

A esperança é a última coisa a morrer. É meu desejo que 2008 seja um ano brilhante para todos nós!

Bem haja ao Sol por permitir dispor deste espaço de forma a que possamos exprimir e partilhar as nossas convicções.

 

Caldeirada de cherne com bastante tomate.

Como é possível a passagem da administração do maior Banco do Estado para o outro lado da barricada, cozinhada nos gabinetes de S. Bento e na Rua de S. Caetano à Lapa, com a maior passividade das autoridades competentes e dos accionistas do maior Banco Privado Português?! 

A acontecer, será que a administração nomeada e provavelmente eleita irá defender quem lhe paga ou irá levar a camisola que tem vestido e trespassar as informações e experiência em proveito da sua dama de eleição.

Esta atribuição dos principais cargos do Estado através de critérios político-partidários sempre feita pelo "Bloco Central" desprezando o critério da competência e o pluralismo é o prosseguimento do descaramento e do continuado definhamento da democracia.

Que isto aconteça nos Organismos da Administração Pública e nas Empresas do Estado é a lógica prevalecente. Interferências do Governo nas áreas empresariais do domínio privado não deixa de ser no mínimo estranho e extraordinário...ou talvez não!

Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas.

Nos tempos modernos o Natal surge como forma de aquecer o mercado consumidor num período em que não há muitas vendas, aproveitando as festas de final de ano (hemisfério norte) ou as férias (hemisfério sul). O foco na celebração, na festa da família e do encontro dos amigos, faz com que pessoas solitárias ou que recentemente sofreram perdas possuam uma tendência mais forte para o abatimento físico e/ou moral durante o Natal.

Sejamos cristãos ou não esta época emprega valores como a solidariedade, a paz, a tolerância e a amizade.

Sabemos que a aplicação do seu significado  é cada vez menos frequente, por isso a sua divulgação impõe-se forçosamente sob pena da sociedade em que vivemos perder os seus alicerces fundamentais. Ninguem melhor que os nossos poetas exprime com brilhantismo o sentimento das coisas: 

Chove. É dia de Natal.

Lá para o Norte é melhor:

Há a neve que faz mal,

E o frio que ainda é pior.

E toda a gente é contente

Porque é dia de o ficar.

Chove no Natal presente.

Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse

O Natal da convenção,

Quando o corpo me arrefece

Tenho frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra

E o Natal a quem o fez.

Pois se escrevo ainda outra quadra

Fico gelado dos pés.

Fernando Pessoa

Dia da vida                                                                     

Noite da morte...                                                           

O verso                                                               

E o reverso                                                                        

Da  medalha.                     

E não há desespero que nos valha,                         

Nem  crença,

Nem  descrença,                                                            

Nem  filosofia.                                                             

Esta brutalidade, e nada mais;                                              

Sol e sombra - o binómio dos mortais.

Miguel Torga

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