Liberdade de Expressão é um direito humano fundamental assim declarado no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este é um facto que merece ser lembrado por ocasião do aniversário de 60 anos da Declaração.
A liberdade dos mídia e o acesso à informação inscrevem-se nos objectivos de desenvolvimento e enriquecimento das pessoas. O enriquecimento pela via do conhecimento traduz-se no ganho de controle sobre as suas próprias vidas e seus destinos. Isto somente pode ser atingido por meio do acesso a informações exactas, justas e imparciais, reflectindo o pluralismo de opiniões e oferecendo à população meios de se comunicarem e assim participarem activamente da vida da comunidade.
A relação entre a moral e a política aponta para um limite ténue entre a privacidade e o desempenho de representantes de altos cargos políticos. Assistimos, neste mundo global em que o conhecimento tem um papel importante a nível socio-económico, a cada vez maior número de exemplos em que factos da vida privada de personalidades públicas que desempenham funções de Estado se tornam públicos muitas das vezes trazendo consequências devastadoras para a vida pessoal das mesmas.
De acordo com alguns inquéritos realizados por esse mundo fora, mais de metade dos participantes consideram a liberdade de imprensa "muito importante" para garantir uma sociedade livre havendo uma grande percentagem de inquiridos que são da opinião que o fundamental é manter a "harmonia social" e a "paz", mesmo que isso signifique a limitação da liberdade de imprensa na divulgação da veracidade da própria notícia.
O aumento dos grupos privados de mídia monopolizando o sector, provocam uma orientação política do meio em função dos seus accionistas sendo notória a instrumentalização dos meios de comunicação públicos pelos respectivos Governos trazendo menor qualidade, transparência e pluralidade á informação pondo em causa os alicerces das democracias. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas devem ser invioláveis mas o homem público, muitas das vezes, precisa compartilhar a sua vida pública e privada com os eleitores no intuito da criação de uma marca associada à sua personalidade com o objectivo de captação de simpatias e votos para a manutenção no poder.
A crise económica que a Europa atravessa por efeito de arrastamento da crise nos EUA, não melhorará os padrões políticos, pois a permissividade, a contemporização, o corporativismo, a protelação de reformas continuará a manter a crise e não se espere suicídio (como acontece no Japão) em função da vergonha pública. Se assim fosse, o cemitério estaria entupido de homens públicos.

Perante o exposto vem a propósito uma notícia de 30 de Março passado supostamente verificada com o presidente da Federação Internacional de Automóvel. O tablóide inglês "News of the World" publicou uma história, acompanhada de vídeo e fotografias, onde, alegadamente, Max Mosley se envolve numa orgia sexual sadomasoquista com cinco prostitutas. Muito naturalmente, a FIA manteve uma prudente distância sobre este assunto, que envolve o seu presidente, mas a notícia provocou ondas de choque entre a comunidade judaica, que já pedem a "cabeça" de Max Mosley.
Entre as muitas reacções a esta situação, destaque para uma declaração de Stephen Smith, director do "Holocaust Centre", que refere: "O Sr. Mosley condenou recentemente o racismo nos desportos motorizados, pelo que devia levar a sua vida pelos mesmos standards que ele próprio determina. Isto é um insulto para os milhões de vítimas, os sobreviventes e as suas famílias. Ele deve desculpar-se publicamente e retirar-se do cargo que ocupa.", referiu Smith ao autosport.com
Obviamente, no seio da comunidade da F1, também se fizeram ouvir algumas reacções mais ou menos "fortes". Se Bernie Ecclestone preferiu remeter o caso para a esfera pessoal de Mosley, já Sir Stirling Moss, por exemplo, referiu ao "The Times: "Não vejo que ele possa continuar no seu cargo. Tenho pena pois ele é bom no que faz. Claro que um caso destes é problema dele quando permanece entre portas, mas quando sai cá para fora, a música é outra. É absolutamente chocante."
Do lado da FIA, silêncio quase total: "Este é um assunto entre o Sr. Mosley e o jornal em questão. A FIA não comenta.", referiu um porta-voz da entidade.
Aqui vai um excerto do polémico video retirado do youtube:
[youtube:x6CoQ4WE3DM]