SOL

O ALFAIATE VIRA-CASACAS

Não consigo imaginar o que significa estar preso.
Já visitei várias cadeias e, obviamente, conversei com muitos presos.
No entanto, é-me impossível calcular os sentimentos de quem se encontra privado da liberdade.
Ainda assim, estimo que alguns reclusos tenham uma postura de responsabilidade e assumam que o facto de cumprirem uma pena de prisão resulta do comportamento que adoptaram.
Esta será uma reacção possível de quem está atrás das grades, por ter cometido um crime.
Completamente diversa é a situação dos prisioneiros de guerra. Encontram-se num cenário consideravelmente mais adverso e, ainda por cima, apenas foram detidos por pertencerem ao exército oposto.
Alguns princípios regem a conduta destes prisioneiros.
No interrogatório, apenas são obrigados a indicar o nome, o posto, o seu número e a data de nascimento.
Em contrapartida, é desaconselhável que faltem à verdade, pois facilmente a mentira é detectada. É preferível remeterem-se ao silêncio, quanto a outras questões que lhes sejam colocadas.
Também não se preconiza que os prisioneiros de guerra adoptem uma postura hostil em relação aos captores.
Depois, é recomendado que tentem a fuga.
Naturalmente, estas regras são aplicáveis no pressuposto de que há respeito pela Convenção de Genebra, que impede maus-tratos.

Precisamente no dia em que meu irmão completava três anos de idade – tendo eu já feito quatro -, em 21 de Novembro de 1970, foi levada a cabo uma operação que visava libertar militares presos na Guiné, pelo P.A.I.G.C.
Tratou-se da Operação Mar Verde, que foi conduzida pelo Comandante Alpoim Calvão, à revelia do poder político. A manobra nunca chegou a ser reconhecida oficialmente pelo Estado Português.
Dez dias antes, António de Spínola escreveu ao Presidente do Conselho, dizendo que iria ocorrer um golpe de Estado e que os militares portugueses apoiá-lo-iam.
Na realidade, consistia numa operação exclusivamente organizada por portugueses.
Foi bem sucedida no que muito justamente era devido: o resgate de 16 jovens prisioneiros, que se encontravam há anos nas mãos do movimento independentista da Guiné-Bissau.
Falhou naquilo que seria uma tragédia, caso tivesse havido êxito. A operação tinha também como objectivo matar Sékou Touré, Presidente da República da Guiné-Conacri. Pretender-se-ia, posteriormente, entregar o poder desse país a homens que não apoiassem o PAIGC.
Se tal fosse alcançado, Spínola perderia toda a credibilidade. A ONU e a maior parte dos Estados não reconheceriam certamente o novo Governo de Guiné-Conacri. Esgotar-se-ia qualquer possibilidade de solução negocial, sendo militarmente impossível vencer os independentistas da Guiné-Bissau.
Durante anos, pouco se falou da Operação Mar Verde.
Em 1997, o jornal “Expresso” reuniu os antigos prisioneiros de guerra. Seis anos mais tarde, um deles – António Júlio Rosa – publicou as “Memórias de Um Prisioneiro de Guerra”. Há dois anos atrás, foi lançada a obra “Operação Mar Verde”, de António Luís Marinho.
Actualmente, sabe-se, com rigor, o que sucedeu.
Tudo começou com declarações prestadas pelo fuzileiro Alfaiate. No dia 18 de Fevereiro de 1968, em conjunto com outros dois camaradas, este militar deixou a tropa e uniu-se ao Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde. Mas, algum tempo depois, entregou-se ao exército português. Passou a ser conhecido como ex-desertor Alfaiate.
Explicou que os portugueses capturados encontravam-se em território da Guiné-Conacri. Numa folha de papel, desenhou um esboço da pequena cadeia, detalhando as quatro celas, as instalações dos guardas e o refeitório.
Assim, foi preparada a invasão, que permitiu a dezena e meia de jovens regressarem a Portugal. Não para se juntarem, de imediato, à família. Foram conduzidos para Oeiras e permaneceram em instalações controladas pela PIDE - a polícia política -, onde foram submetidos a constantes interrogatórios.
Actualmente, todos reconhecem que, apesar da dureza imposta pela privação da liberdade, nunca foram maltratados, tendo o PAIGC observado rigorosamente as disposições da Convenção de Genebra.
Aliás, três destes prisioneiros haviam-se evadido em Março de 1969, sendo recapturados poucos dias depois, sem que sofressem represálias.

Publicação: segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009 19:39 por HelderFraguas

Comentários

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009 21:19 por bluewater68

Helder Fráguas,

não posso deixar de referir o clássico "A Grande Evasão", com o grande Steve McQueen, e mais uns 'desconhecidos' como Charles Bronson, James Garner ou James Coburn.

[YouTube:xkwmIDx9RwQ]

E um grande filme visto do lado de quem está atrás das grades, condenado injustamente, e sonha com a liberdade

"Os Condenados de Shawshank"

[YouTube:vG8waVVl5SY]

Abraço

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009 22:10 por oserrano

Interessante Caro Amigo!

Explico porquê:

Para tomar o cafézinho de cada manhã, por volta das 9 horas, juntam-se desde ha anos um grupo de cidadãos, ainda jovens neste século mas com muita história sobre o século passado.

E todos nós fomos combatentes!

Cada um em sua guerra ou em cada novo País!

Quer dizer que ali está o leque do que foi Portugal no Mundo.

Durante uma hora, sai de tudo, que pode nem ser nada de guerras mas de coisas que vamos vendo no dia a dia!

É uma tertúlia a sério, sim senhor!

E um de nós, entrou nessa brincadeira...

Ia saindo de lá com o rabo a arder!

Olhe, às tantas, há um que olha para o relógio como que sentidndo a obrigação de lançar um falso alarme.

E diz"...mas voc~es já viram as horas e nós aqui no café a dar este mau exemplo?"

Olhe, vou-lhe pedir que conte ( muito por alto) a sua versão!

Abraços da Serra, Meritíssimo

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 11:45 por joaocarreira

Caro Helder Fráguas,

 Eu também não sei o que é estar preso, mas julgo que isso seria a minha morte, não só pelo feitio, questões de carácter, mas também porque não consigo me imaginar mais de 1 dia numa sala preso. Por mais inocente que fosse e estivesse preso, dúvido que durasse muito tempo vivo.

 Quanto à Convenção de Genebra, lembrei-me de Guantanámo e de um dos meus filmes favoritos, daqueles que adorámos em miúdos, " A Grande Evasão". Felizmente, parece que o BlueWater68 pensou no mesmo...

Quanto ao livro que me sugeriu, muito simpaticamente, ainda não o comecei a ler, mas já tenho um exemplar. Falta de tempo...não por desorganização, mas por excesso de ocupação.

Votos de uma Excelente semana.

com estima e admiração,

João

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 13:22 por arneiro

Helder Fáguas

Como cumpri comissão na guerra de África, tomei instruções, para o caso de aprisionamento. A teoria é uma, mas na prática, pelo que julgo saber, os algoses, fazem tábua rasa.

Daniel

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 13:33 por LUCINDA

Olá Helder,

          Sou uma Moçambicana, vive muito de perto o antes e depois da guerra, o meu ex. marido andou nessa guerra contava me imensas histórias do mesma, esteve nela durante 48 Meses, embora tivesse sido um dos priveligiados visto ao cargo que ocupava, não foi por isso que teve grandes sustos.

Como sabe Helder uma guerra de justa pouco  ou nada têm, e essa em aspecto algum teve o seu quê de justiça, lembro me de ter pensado em ainda muito jovem se quando fosse mãe e tivesse um rapaz eu o deixa se partir para uma guerra inútil.

Quanto aos direitos tomados pela Convenção de Genebra, neste caso aconteceu, mas ambos sabemos que todos os dias estes direitos são violados, e quando assim não são é de louvar como neste caso.

Com respeito ao que se passa dentro das celas Portuguesas e não só, é um tema bastante sensivél. Sensivél porque de alguma maneira essas pessoas cometerem um crime e por essa razão o terem de pagar com essa privacidade de liberdade, mas os contornos que afecta essas mesmas pessoas não é entendida, e por outro lado também não é muito divulgado nos meios de comunicação.

Eu própria nunca até à relativamente dois anos, numca disso  ter reflectido a não ser por motivos profissionais ter que ter falado com o Director da Penal de Alcoentre e Vale de Judeus, que me informaram de alguns factos que eu nunca me ter apercebido da vida de um prisioneiro e do seu dia á dia.

Confesso que no dia que cheguei à cadeia de Vale Judeus, assustei me imenso porque pensei que tinha havido um motim, visto cá fora se encontrar guardas muitos, com fardas pretas e empunhando metrelhadorsa enquanto dois autocarros com presos lá dentro aguardavam, e depois de ter entrado ter sido revistada por uma guarda prisional, pensei estar a viver um filme Americano. Mas segundo me informaram os ditos presidiários iam ser levados ao dentista. Estes factos realmente deram me que pensar e fiquei mais sensivél ao assunto.

Beijinho!

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 13:35 por massapinaopiniontotal

Caro Dr. Helder Fraguas

Parabéns por mais um magnifico post.

Me veio desde logo a imagem de "Papilon", e de mais uma boa quantidade de classicos cinematograficos e literários.

Já conhecia um pouco do relato, que transforma o Alfaiate, quse num heroi de guerra.

Em 1983, a quando de uma passagem minha pela Guiné-Bissau, para ministrar um curso de acção politica, escutei vários relatos muito interessantes, e de entre os quais surgiu o desse quase 'agente secreto'.

Ao contrário do que muito boa gente possa imaginar; a Guiné-Bissau desempenhou um papel muito importante na guerra ultramarina.

Lamentável é que um País com tamanho deslumbramento natural, e com um povo magnifico, continue a viver abaixo do limiar da miseria.

Saudações Amigas

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 16:52 por aselva

Um excelent post, abordando tambem um facto histórico que nunca podemos contornar, a guerra colonial. Noque diz respeito á detenção nos dias de hoje, tenho uma opinião, que possivelmente pode ser constrangedora para quem manda uma Lei para a rua. Pelo que tenho falado com guardas prisionais, a maioria dos presos, são pessoas que não têm dinheiro para um advogado habilidoso. O exemplo que gostaria de comentar, é o caso daquela jovem que atirou acido para a cara do namorado, o qual veio a falecer de maneira dolorosa e horrorosa. A dita jovem, encontar-se solta, apos varios recursos, por ter ultrapassado o tempo da prisão preventiva. Peço desculpa se estou a falhar em algum detalhe técnico, na verdade não sou conhecedor dos meios judiciais, mas no entanto creio que é imoral, esta situação e outras tantas, em que crimes graves se arrastam. Creio que há muito se aguarda uma reforma da jústiça em Portugal e vontade política para o fazer.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 18:04 por Zorate

Caro Hélder,

Mais um excelente post...já conhecia a história nele relatada, mas...le-la na sua "versão" foi um momento gratificante para a alma...

:)))

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 19:52 por Lucat

Olá Helder.

Não sei muito bem o que pensar deste Alfaiate. Se por um lado é condenável a deserção, por outro temos que colocá-la no devido tempo e espaço. O serviço militar era obrigatório na época. Foram enviados miúdos para a guerra, muitos nem nunca haviam visto o mar ou uma grande cidade e já tinham uma arma na mão e autorização para matar. Por outro lado, imaginar a angústia de um POW também é, praticamente, impossível. Só quem passa por elas é que sabe. Mesmo que não se sofram sevícias nas mãos de quem os aprisiona.

Apesar de desertor, este homem tornou-se um "arrependido" e graças à sua ajuda conseguiu-se libertar os restantes camaradas de armas. Uma atitude digna de um certo louvor. A mente humana é estranha e imprevisível. Esta história acabou por ter um final feliz. Quantas não o têm?

Um abraço,

Luísa

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 20:15 por ifabiao

Tenho pena de não saber mais sobre a guerra no ultramar: tenho um tio que supostamente esteve ligado à PIDE, viveu até na Guiné,e agora, no fim de velho, não sai da igreja.Não fala do assunto porque sabe que não pode nem o deve fazer, mas não páro de pensar que ele sabe muitas coisas e terá visto muitas coisas com as quais possivelmente nem concordava e agora está a precisar do "perdão"... O que será que lhe vai na alma?

Beijinhos

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009 3:34 por PedroPenedo

Ainda bem que saíram ilesos.

A guerra colonial poderia ter sido evitada. Bem poucos portugueses recusaram participar nela, foi pena.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009 14:16 por Tempestade

Caro Helderfraguas,

Obrigado por mais esta lição da história que é de todos nós.

Abraços

Tempestade

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009 18:03 por pepelegal

Caro Hélder

Li atentamente o texto e veio-me á memória dois casos passados em tempo de guerra em África.

A pouca instrução de muitos soldados tanto literárias como (outras) fizeram com que se conseguisse esta coisa extraordinária! Um dia ao fim da tarde foi capturado um elemento do inimigo. Como não havia cadeia o preso foi guardado por soldados que se revezavam de guarda quatro em quatro horas. O que chegou ao raiar do dia, logo que sentiu os cozinheiros a fazerem o pequeno-almoço, (na porta em frente onde eles estavam) deixa o preso e foi tentar arranjar alguma coisa para comer, quando voltou costas nunca mais o viu. Nem a companhia inteira que andou todo o dia a bater a zona não lhe pondo mais a vista em cima!

Este segundo caso ainda é mais caricato! Um dos nossos (raça negra) foi descoberto como que passador de informações para o inimigo! De dia estava preso num pequeno quarto (se é que isso se podia chamar) guardado por sentinelas. Á noite como o pessoal do grupo de combate a que ele pertencia não chegava para fazer a guarda ao quartel (?) o cabo dia, ia busca-lo para fazer guarda num posto dando-lhe uma G3! Um dia descobrem que ele não estava no posto dele! Toda a companhia se levantou para ir procura-lo. Quando estava tudo pronto a sair, eis que ele estava numa camarata com outros colegas (negros) mas pertencentes a outros grupos de combate!

Pepe

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009 23:59 por Poemas

Gostei muito deste apontamento!

Bom Fim de Semana!

Um forte abraço!

Paulo

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

sábado, 24 de Janeiro de 2009 11:38 por void2

Li com toda a atenção esta história.

Como participante na Guerra em África - longos 48 meses no norte de Angola - muitas vezes me pergunto o que foi feito dos oficiais generais que "traíram" as suas próprias tropas e entregaram a terra aos inimigos.

Há um especial que continua atravessado como uma espinha na garganta - o almirante vermelho mais conhecido como Rosa Coutinho - que enquanto comandante-chefe da tropa portuguesa já traficava com o MPLA e com os cubanos.

Será que este tipo nunca vai ser julgado pelos autenticos crimes de guerra que cometeu?

Quando olhamos hoje para o resultado da famosa descolonização temos resultados que não surpreendem: Angola está entregue a um autentico gang criminoso, com o Povo a morrer de fome e de doenças e os membros do Politburo a viverem como nababos e a comprar tudo o que podem no exterior, já a prever uma reforma dourada fora de Angola.

Quanto à Guiné, Bissau é hoje um dos principais centros internacionais do tráfico de droga.

Os Povos destas terras ganharam o quê com a tal "independência"?

Um abraço amigo

a formiga

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

sábado, 24 de Janeiro de 2009 21:43 por AlfredoRamosAnciaes

Caro Helder,

Começo também por louvar o comportamento do PAIGC no caso em epígrafe.

Quanto a estar preso imagine como eu me senti quando entre os meus 12 ou próximo dos treze anos fui privado da liberdade durante um dia na cadeia da GNR de Penedono e ainda por cima por um terrível equívoco ao que acrescentou o meu pai ser mal visto pela GNR de antes de Abril apenas por ser considerado do contra e ser afilhado do maçon Afonso Marques que chegou a ser temporariamente Presidente de Cãmara.

A GNR andava sempre de olhos postos no meu pai por aquele facto e por outro episódio em que a população da minha terra desarmou os GNR e que também aqui o meu saudoso pai não teve nada a ver, apenas emprestava a sala da casa do Adro para bailes de grafonola e altifalante. E a população adorava. Um dia a GNR veio prender o Sr da aparelhagem e entrou pela casa do meu pai acima sem pedir autorização. Acontece que o Sr da aparelhagem que era visto como um "deus" (foi a primeira aparelhagem e com altifalante que a população viu) foi avisado e este escapou-se, foi-se esconder numa casa ali perto entrando pela chaminé e depois saiu, sendo sempre ajudado pela população. O levantamento da população foi tão grande que desarmaram os guardas para o Sr da música chamado "Verdinho" fugir. E foi isto para tribunal mas a população inteira negou sempre tudo. "Ninguém viu nada".

Não vou aqui descrever em pormenor o cubículo em que me meteram, sem luz, sem janelas, sem água, com um buraco para as necessidades que cheirava que nem digo nada e por cima ouvia passar a população em liberdade e eu preso por um equívoco e por via da GNR gostar de todas as formas de acertar contas com o meu pai. Custou-me mais a passar este dia, sem liberdade, do que 26 meses de mato e guerra em Moçambique.

Fragmentos das minhas memórias.

fred

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

domingo, 25 de Janeiro de 2009 0:26 por luardeagosto

Caro Helder,

Suponho que deve ser um dos maiores castigos do Homem! A privação de liberdade!

Temas sempre muito interessantes!

Sensibilizada pelo seu olhar em 'fragmentos'!

Luar

... a primeira imagem deste 'post' é lindíssima!

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009 14:54 por Tordesilhas

Belo post.

Há quem tenha medo de falar nas vitórias portuguesas e a "Operação Mar Verde" foi uma delas não obstante não ter atingido um dos objectivos principais que era "arrecadar" o Sékou.

Valeu, principalmente, pela libertação dos prisioneiros portugueses!

Só por isso, Alpoim Calvão não deveria ser esquecido, mas esteve envolvido em outras heróicas missões.

Um abraço,

Manuel Peralta

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009 15:03 por Tordesilhas

Tal como o nosso amigo void2 também estive durante o serviço militar em Zona de Intervenção Norte (Angola) durante dois anos.

Tal como ele, considero bem pertinentes as suas perguntas.

Manuel Peralta

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009 22:49 por KURIOSO

Caro Hélder,

As guerras perdidas (ou injustas) têm tantas histórias como as guerras ganhas (justas??).

O problema é que uma história precisa de um contador e de uma audiência, e durante muitos anos não houve audiência para as histórias da nossa ?Guerra Colonial?.

Agora que começa a haver algum interesse, alguns dos contadores já cá não estão, e muitos outros acham que já não vale a pena.

Nenhuma nação devia ter vergonha dos seus soldados.

Kurioso

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009 23:07 por JorgePaz

Meu caro Dr. Helder Fráguas:

Também eu só conheço as prisões por ter visitado duas, mas não tenho dúvidas que aprivação da liberdade é terrível.

Por isso, a missão chefiada por Alpoim Calvão pode-se dizer que obteve um semi-êxito, pois, quanto ao resto, o que falhou foram os opositores de Sekou Touré que, à última da hora, tiveram medo e não fizeram o que lhes competia, que era precisamente derrubarem tal ditador (igual a tantos outros...).

Digo isto, em complemento do que escreveu, por ter vivido a operação "Mar Verde" de perto, pois estava como militar em Cabo Verde e valeu-nos estar dias e dias à espera de uma represália que, felizmente, nunca aconteceu.

O problema da chamada "guerra colonial" foi o ditador Salazar não se ter apercebido que era altura de dar lugar a novos "Brasis", pois se assim tivesse sido muitas vidas se teriam poupado e muitos portugueses lá teriam permanecido e ajudado a desenvolver esses novos países, em vez da miséria a que assistimos em quase todos, pois a única excepção é precisamente Cabo Verde.  

Parabens por ter trazido 2 excelentes temas "à colação", com este seu excelente post.

Um abraço,

Jorge da Paz.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

terça-feira, 27 de Janeiro de 2009 23:10 por Partebilhas

Caro Helder Fráguas

"Nenhuma nação devia ter vergonha dos seus soldados"

Uma lapidar frase do nosso amigo Kurioso.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009 0:33 por camionista

Independentemente de posições pró ou contra seja o que for, faz-se sentir em Portugal a falta de relatos da nossa História recente, especialmente, como é o caso, do terceiro quartel do século XX. A Guerra Colonial existiu. Será  que vai ser apagada da nossa memória colectiva?

O Kurioso deixou uns alertas dramáticos. Será que essa História vai acabar por ser escrita por uns "cronistas" que nada tiveram a ver com o assunto? É que os protagonistas vão desaparecendo. Afinal são de carne e osso...

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009 12:36 por laranjeira

Olá Hélder.

Nunca visitei uma prisão, mas oiço dizer á minha Família que meu trisavô, foi enviado para o Tarrafal com 20 anos e nunca mais voltou, lutava pela liberdade não se acomodando, devia ter passado horrores.

Deve ser terrível estar-se preso em condições degradantes.

Quanto á guerra Colonial,também tocou aos meus familiares lá irem parar, às várias Colónias.

Beijinho

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009 12:58 por HelderFraguas

BLUEWATER68,

Dois grandes filmes, sem dúvida. N´?Os Condenados??, um deles é efectivamente culpado e é interessante observar a interacção entre estes dois homens com vidas completamente diferentes e que as terminam de modo igual (com um final feliz, mas realista?)

O SERRANO,

Que encontros tão saudáveis esses!

JOÃO CARREIRA,

Certamente, rouba anos de vida, sem dúvida.

DANIEL (ARNEIRO),

Dificilmente poderei imaginar a dureza das coisas práticas, nesse domínio

LUCINDA,

Muito curioso o seu relato. Já vi presos que, felizmente, voltaram a ter uma boca sã, após a privação da liberdade. O consumo de estupefacientes leva à perda das peças dentárias e o desleixo posterior conduz a que a saúde oral se torne num flagelo.

MASSAPINIONTOTAL;

Meu Bom Amigo,

Não tenho esse privilégio de conhecer a Guiné-Bissau. Imagino que tenha sido uma experiência muito valiosa.

A SELVA,

No meio de um sistema de justiça em reconhecida crise (há décadas, não é de agora), há vários casos que nos deixam perplexos.

ZORATE,

Muito obrigado pela simpatia.

LUÍSA (LUCAT),

Não consigo estimar o impacto na vida desses jovens e, por isso, compreendo perfeitamente os que foram viver para Paris ou para outras paragens mais civilizadas.

I FABIÃO,

Que relato interessante?

Embora compreensível o recolhimento, como seria curioso conhecer a história de vida desse senhor.

PEDRO PENEDO,

Subscrevo a 100%.

TEMPESTADE,

É gentil demais?

PEPE LEGAL,

Fiquei maravilhado com os seus relatos.

PAULO (POEMAS),

Agradeço a visita.

A FORMIGA (VOID2),

4 anos que representaram certamente muito na sua vida.

FRED (ALFREDO RAMOS ANCIÃES),

Creio que, se eu tivesse passado por uma experiência semelhante, não teria a mesma coragem de aqui a relatar de modo tão pungente.

Na minha infância, apenas me deparei com a observação de um homem adulto, atrás das grades, na pequena cadeia que se situava junto da escola que eu frequentava. Confesso que foi uma experiência penosa.

É-me impossível conceber o que tenha significado, para si, tamanha barbaridade.

O seu comentário é daqueles que me faz sentir que o meu post pouco vale e é rapidamente ultrapassado pelos interessantes comentários de quem tem a amabilidade de o visitar.

LUAR DE AGOSTO,

Fico muito reconhecido pelas suas palavras simpáticas!

MANUEL PERALTA (TORDESILHAS),

Muito obrigado pelo seu testemunho!

KURIOSO,

Absolutamente de acordo.

MEU CARO AMIGO DR. JORGE DA PAZ,

A sua vida tem sido realmente muito preenchida, com inúmeras facetas e interessantes percursos.

As suas observações não podiam ser mais pertinentes.

PARTE BILHAS,

Sem dúvida alguma!

CAMIONISTA,

Meu Bom Amigo,

Agradeço a simpática visita e o interessante comentário.

Eu incluo-me entre aqueles que nada tiveram que ver com o assunto (embora não seja cronista nem escreva História).

São duas visões diferentes.

O livro de António Júlio Rosa é um depoimento e um testemunho de um protagonista que viveu, por dentro, um dos lados da guerra, de forma bem dura.

A obra de António Luís Marinho é o resultado de uma investigação imparcial, distante, descomprometida e desapaixonada.

LARANJEIRA,

Muito obrigado pelo seu testemunho.

O caso que relata do Tarrafal é impressionante. Um autêntico campo de concentração, de morte lenta, inspirado nos modelos nazis, destinado a torturar indivíduos que lutavam pelo fim da ditadura. Infelizmente, vários tiveram esse mesmo final trágico.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009 11:14 por joaocarreira

Caro Helder Fráguas,

Os acordos são para serem cumpridos, mas normalmente, há sempre alguém que se atrasa. Por exemplo, os atrasos são uma das injustiças da Justiça.

Vamos ver se Portugal cumpre ou adia a palavra que foi dada.

Quanto a este magnífico blogue, tenho vindo espreitar pelas novidades...

Muito Obrigado pela visita.

Com estima e admiração,

João

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009 22:16 por albertoluis

Caro Hélder,

Estar preso é uma das penas mais graves que se podem aplicar ao homem.

Não é por acaso que as prisões servem exactamente para punir faltas graves cometidas contra o status quo.

Para que a sociedade funcione é necessários que se cumpram as leis que a regem.

Lamento o facto de perante a justiça nem todos termos o mesmo estatuto e as mesmas possibilidades de defesa.

Abraço cordial.

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009 8:10 por MarAzul2007

Caro amigo Hélder Fráguas,

Nunca visitei uma cadeia, mas acredito que hajam lá homens e mulheres que reconheçam os seus erros e se arrependam, servindo-lhes de emenda para sempre esse acontecimento. Mas infelizmente não será o caso da maioria.

Desconhecia essa história da "Operação Mar verde", Obrigado por tê-la dada a conhecer.

Um abraço da cor do mar,

MarAzul2007

# re: O ALFAIATE VIRA-CASACAS

sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009 20:36 por HelderFraguas

JOÃO CARREIRA:

Agradeço a sua gentileza.

A crise da justiça não é de hoje e há muito que é debatida. Nalguns domínios, há progressos e a situação varia muito consoante a localidade em causa.

ALBERTO LUÍS:

Essa é uma questão delicada, que se coloca um pouco por todo o mundo: saber se existe uma justiça diferente para os ricos e poderosos. Quero acreditar que é igual para todos.

MAR AZUL 2007:

Pois é, parece que as cadeias estão cheias de pessoas que clamam inocência. Será negação?

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