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isabelmetello

Este blog tenta ser o mais ecléctico possível, assumindo-se como não temático, mas generalista. Vários sãos os temas que elejo como mote para os meus textos, mas, essencialmente, interessa-me discorrer sobre a realidade que nos rodeia de forma humanista.

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Da banalidade : : A Origem das Espécies Malignas

A banalidade assusta-me, assim como o simplismo das máximas que entronizam o senso comum como fonte legitimada da ausência de uma capacidade individual verdadeiramente crítica. E quando digo assusta-me não me refiro a qualquer tipo de medo pessoal, pois os seres muito afoitos à banalidade são tão previsíveis e vácuos que tudo o que dizem ou fazem parece fazer parte de um plot que nós já conhecemos ou antevemos com a facilidade de quem descobre o criminoso numa série de ficção policial B. Para além do mais, regra geral, o ser humano teme essencialmente o desconhecido.

E é este medo de um caos verdadeiramente criativo, que lhes é totalmente alheio, pelos espartilhos mentais que toldam a sua visão e os seus parcos horizontes, que leva estes indivíduos, defensores de pequenos cosmos arrumados e protegidos por lugares-comuns redutores, a agruparem-nos arquivística e estereotipadamente em verdades feitas.

"Um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural (...)". Este slogan de um produto capilar que faz parte das minhas memórias infantis resume caricaturalmente os ditos simplistas deste género de criaturas que, ansiosas, pela fobia do que não conseguem catalogar, pretendem a todo o custo que o verbo modele a realidade. Para si, a sua própria palavra tem um efeito mágico, cria o real e tudo o que escape ao poder inicático da sua capacidade verbal banal, normalmente, entronizado como a expressão sacralizada do seu ego desmedido, não existe. Então, lá vêm os silogismos dicotómicos: se A é C e B é D, então A nunca poderá ser D. E lá se reconfortam com esta catalogação simplista do que os rodeia, com um sorriso imaturo de quem quer moldar o mundo com os próprios olhos toldados pelas palas da banalidade.

Acontece que, felizmente, a realidade é tão complexa, é fruto de tantas tensões criativas, que estes mundozinhos menores ficam confinados aos membros dos clubes dos fãs do Banal!

E já dizia o outro: a banalidade é uma das primaciais fontes do Mal, pois, enquanto leviana, não consegue compreender a complexidade e a profundidade daquilo que a rodeia; não compreendendo, não cria empatias com realidades que desconhece, só as estabelecendo com os lugares comuns que confortam os seus estereótipos e o seu cosmos infantilmente organizado. E, como afirmava o oficial judeu da película A Lista de Shchindler de Steven Spielberg, depois de entrevistar todos os monstros nazis capturados pelos Aliados, que tinham congeminado e levado a cabo o Holocausto, a essência do Mal reside na falta de empatia para com tudo aquilo que não se assemelha com a banal fonte de simplismos ego e etnocêntricos.

Posted: domingo, 3 de Fevereiro de 2008 17:33 por isabelmetello

Comentários

camionista said:

Sei que existe algures um país onde tais males são a base sobre a qual assenta toda uma cultura. E não é este situado a ocidente da Península Ibérica. Trata-se de um país que pretende servir, e efectivamente serve, como modelo de toda uma civilização, quase a nível planetário.

Talvez esteja a rondar aqui por perto a explicação para o aparecimento de fenómenos, nesse país, que é real, muito semelhantes àqueles que aponta no final do seu texto. E não basta exorcizá-los, nem mesmo quando enquadrados pela beleza de uma obra como a que refere. É preciso tentar percebê-los (ia a usar o verbo compreender...) para melhor os rejeitar para sempre.

Felizmente, o espírito de dissidência, mantém-se vivo, lá como cá.

# Fevereiro 3, 2008 18:53

isabelmetello said:

Camionista,

Muito obrigada pelo seu comentário. No meu texto, expresso a minha rejeição a estereótipos e, como tal, a minha crítica incide sobre comportamnentos de indivíduos que orientam a sua visão do mundo segundo esses mecanismos redutores. Indivíduos que podem inscrever-se em inúmeras variantes, desde a nacionalidade à idade. Todavia, creio que certas matrizes socioculturais dominantes potenciam estas visões simplistas. E, na minha modesta opinião, as culturas onde não há um claro respeito pelo indivíduo e pela expressão do seu pensamento diferenciado e onde o gregarismo se impõe como matriz de socialização, maior é a tendência para esse flagelo se disseminar e entronizar-se como norma...

# Fevereiro 4, 2008 12:03
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