SOL

isabelmetello

Este blog tenta ser o mais ecléctico possível, assumindo-se como não temático, mas generalista. Vários sãos os temas que elejo como mote para os meus textos, mas, essencialmente, interessa-me discorrer sobre a realidade que nos rodeia de forma humanista.

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O Tempo, esse grande limitador...........................

Porque, infelizmente, o tempo não é elástico e são várias as áreas por onde divido o meu trabalho e a minha dedicação este é o meu último post no Sol.

Um abraço a todos, o desejo de muitas felicidades e de uma vida plena de energia positiva,

 Isabel Metello

 PS: Se me quiserem visitar estou nos: http://www.briefnewworld.blogspot.com/ ;

http://vacagalobarcelos.blogspot.com/

http://lavailama.blogspot.com/

Deixo, em jeito de despedida, O Cântico Negro de José Régio:


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

 

Vingança : : Dor : : Humilhação : : Carrie : : Sweeney Todd : : Colombine

Ainda a propósito da vingança e de Sweeney Todd, que é um tema que me interessa sobremaneira, dado que revela o fruto do lado mais instintivo humano, formalmente arquitectado por uma fria racionalidade.

Por vezes, há danos irreparáveis que certos seres mais ou menos desprovidos de consciência provocam nos outros, mais ou menos deliberadamente, isto é, mais ou menos calculadamente. A vítima, perante uma dor lancinante, por vezes, na solidão do desespero, congemina aquilo que encara como a sua redenção, a purificação da sua dor através do sacrifício do seu agressor, pelo dano que lhe infligirá, obedecendo à Lei de Talião: "Olho por olho, dente por dente", por vezes, hiperbolizada em "olho por corpo, dente por vida". Compraz-se nesse cenário futuro de retaliação (o vocábulo tem como étimo a lei supra-citada), como se de um ritual de ascese se tratasse, deixa que o mal provocado por outrem, num momento passado, se arraste por tempo indeterminado, maculando um presente e um futuro sempre adiados, até ter a oportunidade de pôr em prática o maquiavélico e sempre insano plano. Como dizia Mrs.Lovett, uma boa vingança requer tempo e paciência, enquanto ciência de quem, metódica e perfeccionisticamente (perdoem-me o neologismo), tece uma teia meticulosamente urdida. É a vez da mosca apanhar a aranha! É, mais uma vez, a lógica de um Carnaval utópico rabelaisiano, assumido como a inversão momentânea da hierarquização do poder natural ou social- a fragilidade que, por um dia, derruba o forte e se torna autoridade!

A lei prevê que o direito de legítima defesa deva ser proporcional à agressão sofrida, mas isto das vinganças, da complexidade da vida e dos males psicológicos é tudo relativo, assumindo-se as medições objectivas como sempre impraticáveis. Como é que se mede a dor e o medo de uma criança vítima de maus tratos reiterados pelos colegas? Assim, a emocionalidade funciona como um catalisador hiperbólico e, como o sofrimento causado pela acção ofensiva é relativo- depende da natureza, dos princípios de vida, da maturidade e do estado de espírito de quem a sofreu-, também, a reacção poderá ultrapassar em muito o teor da primeira.


Daí que Colombines, vinganças à Sweeney Todd e fenómenos similares nos pareçam, a nós, que racionalmente condenamos o horror de uma reacção tão desproporcionada, um acto tresloucado. É-o com certeza, mas e a acção ou acções que deram lugar a reacções tão terríficas, que revelam o lado mais negro da existência humana? Onde ficam as suas responsabilidades? Será que os seus autores extrairão algumas ilacções e lições do caos que a abertura de uma imprevisível Caixa de Pandora provocou?

Estas reflexões lembram-me, claramente, um filme que me marcou na adolescência: "Carrie" (1976), baseado no primeiro romance de Stephen King, com argumento de Lawrence D. Cohen e Brian de Palma, com Sissy Spacket como main actress. Esta narrativa tem como protagonista Carrie White, uma menina pobre, triste e vítima de violência psicológica doméstica por parte da sua mãe, uma fanática religiosa, e por parte dos colegas da escola. Carrie, o símbolo da vítima de bullying, que usa os seus poderes paranormais para executar a sua vingança final, que mais não é do que um grito final de "basta" a quem a abusou, vilipendiou, lhe estropiou os sonhos e a inocência. Vale a pena rever este filme, a propósito de um fenómeno que se assume como uma das principais causas de suicídio nas faixas adolescentes e até infantis em vários países- o bullying, a violência psicológica e, tantas vezes, física, surda e continuadamente exercida sobre crianças e jovens pelos seus pares.
Carrie White, uma menina pura que confia até ao último momento em quem sempre a magoou de morte e que não aguenta mais ser agredida por seres desprovidos de alguma compaixão, passando o white da sua inocência ao red da sua vingança. Terá sido esta uma reacção desproporcionada? Não sei, Stephen King, o autor do romance, o saberá, mas algo se poderá extrair destas histórias dramáticas ficcionais ou reais- o resultado final depende, regra geral, de uma súmula de más acções de que todos os intervenientes se deveriam responsabilizar.

Mas, comparando o leitmotiv da vingança contextualizado em Sweeney Todd e Carrie e, tendo em conta a forma como os protagonistas nos são apresentados, como dois seres de boa índole cujo lado negro é despoletado pela extrema maldade alheia, pode-se concluir que o mal é de facto, um corruptor, pois até corrompe almas puras. Todavia, creio que uma alma equilibrada, direccionada para o Bem, mesmo que seja vilipendiada até ao final da sua resistência humana, nunca converterá o mal recebido como vítima em mal a infligir no(s) seu(s) agresso(es). É minha convicção que, enquanto o sofrimento provoca em seres com uma essência não muito cândida, para usar um eufemismo, um rancor e uma frustração surdos, descarregados, continuada e veementemente, em forma de fel sobre os outros; em seres espiritualmente elevados, o sofrimento é catalisador de evolução, que pressupõe paz interior e empatia com o universo. Será que estas minhas convicções dicotómicas e até simplistas poderão adaptar-se à realidade de forma absoluta? Duvido...Esta é tão complexa!

Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, o intertexto com António Vieira, Robin Hood e Rabelais

Ontem, deslumbrei-me ao visionar a adaptação cinematográfica da obra de Hugh Wheeler- Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street (Sweeney Todd : o Terrível Barbeiro de Fleet Street). Tim Burton, o realizador, elegeu como protagonista de um elenco de luxo, pelas excelentes representações, Johnny Depp, o seu actor fetiche, o inesquecível Eduardo Mãos de Tesoura, que encarna o papel do malogrado e injustiçado Benjamim Parker que, fugido do degredo forçado, com a ajuda de Anthony Hope (Jamie Campbell Bower), regressa à Londres sombria do séc. XIX, sob o falso nome de Sweeney Todd, obcecado pela ideia de vingança, face a uma pretérita vida familiar dilacerada por outrem- pelo maléfico e pervertido juiz Turpin, interpretado por Alain Rickman. Helen Boham Carter, a actual companheira de Tim Burton, interpreta a dúbia e egocentricamente apaixonada Mrs Lovett, o cérebro da fábrica das tétricas empadas cujo princípio activo é, nada mais nada menos, que carne humana fidalga. Sasha Baron Cohen interpreta o pretérito aprendiz de barbearia de Benjamim Parker, convertido em famoso e petulante barbeiro, de seu nome Signor Adolfo Pirelli, e em violento agressor do seu pequeno ajudante, depois de 15 anos passados. A Jayne Wisener cabe o papel da mártir filha de Benjamim- Johanna-, uma frágil e bela adolescente encerrada pelo vilão?mor numa gaiola de ouro, o pólo do Amor de dois homens, o seu amado e o seu pai, que optam por caminhos opostos para a salvar das garras do pútrido juiz. E last, but not least, Beadle Bamford, o cruel e algo efeminado carrasco a soldo e a mando do torpe magistrado, interpretado pelo sempre magnífico, apesar de horrífico, Timothy Spall.

O fantástico argumento, da autoria de Stephen Sondheim e John Logan, conta-nos a história de uma figura-tipo- um homem cuja sede de vingança o impede de vislumbrar o Amor, acabando por matar a sua amada e quase a sua adorada filha, na sangria desenfreada a que a dor de um negro passado sempre presente o impele. "Nunca esquecer, nunca perdoar"- esse é o seu lema, repetindo a si próprio uma lenga-lenga ritualizada que conta, em traços largos, como a Londres novecentista esconde os maiores vermes que se deleitam nas sarjetas infectas- os tiranos que se encontram no topo da pirâmide social, que se alimentam da tragédia daqueles a quem o poder nem a sorte favoreceu. Lenga-lenga que se assume como um manifesto quase marxista contra a omnipotência de poderes (passo o pleonasmo) despóticos de mentes maléficas que desgraçam a vida alheia por meros apetites ocasionais, como é o caso do juiz Turpin, auxiliado pelo seu carrasco de serviço, a tradicional figura da mão assassina popular que nega as suas próprias raízes, vingando-se e depositando, barbaramente, os seus vis instintos nos seus pares, a coberto das ordens do seu senhor e dono. Todavia, o destino ainda confere uma esperança a Benjamim Parker, uma possibilidade de redenção desse sentimento autodestrutivo, pelo contacto com a pureza de alma de Anthony Hope (António Esperança), um inocente cujos Amor Sublime, visão ainda não consporcada pelo ódio e genuína generosidade acabam por salvar Sweeney Todd do perpétuo degredo e Johanna do seu calvário, ainda que esta seja quase aniquilada, também, pelo pai. No entanto, o amor egoísta de Mrs Lovett funciona como adjuvante da fatídica negra missão do herói maldito e oponente face à sua possível redenção pacificadora. A sintonia entre estes dois sentimentos negativos- a vingança e um amor autocentrado- contribuem para a criação de uma empresa do Mal, denunciada pela voz da loucura lúcida- a da própria mulher de Benjamim Parker, por ele julgada morta, que, 15 anos antes, depois de violada, vilipendiada e afastada da filha pela cupidez lúbrica do juiz, se refugia na mendicidade e nos meandros da insanidade, aguçando, no entanto, a sagacidade da demência. De facto, respeitando a moral de mitos ancestrais, a verdade é enunciada pela voz dos loucos, enquanto a maior das loucuras é revelada como provindo das mãos da racionalidade fria despoletada pelo desejo de vingança. Nesta tétrica narrativa, a vingança serve-se, de facto, fria, gelada, mas engole-se a ferver, derramada com o próprio sangue que jorra em catadupa das jugulares outrora pulsantes, arrasando toda e qualquer réstia de esperança de redenção. Aquilo que, no início do filme, é enunciado como um acto de salvação pelo próprio malogrado Benjamim Parker, transforma-se na sua inexorável perdição, enquanto Sweeney Todd, o justiceiro negro.


O filme é, com efeito, uma grande metáfora da perdição adstrita à obsessão pela vingança enquanto projecto vivencial, que acaba por ter como principal vítima o seu mentor. Quando o sofrimento atroz de um passado se sobrepõe a uma esperança de um presente sempre futuro, surdo a caminhos alternativos enunciados por potenciais protagonistas que, enganosamente, são tomados por figurantes, o destino confere ao sujeito o que este lhe pede: a irremediável perdição eterna.


Muito interessante, também, a alusão a um canibalismo pleno de justiça popular à Robin Hood ou mesmo, intertextualmente, ligado ao Sermão de Santo António aos Peixes do Padre António Vieira, que versa sobre "os peixes grandes que comem, engolem, devoram os pequenos". Lemas justiceiros e alegorias moralizantes que seriam, aqui, actualizados como "matar os ricos para os dar de comer aos pobres", numa inversão literal da cadeia alimentar adstrita aos poderes mundanos- os peixes miúdos, sem o saber, deleitam-se a comer os graúdos, agora, transformados em recheio das nutritivas empadas de Mrs Lovett, depois de chacinados pelas aguçadas navalhas de prata de Todd.
Um leitmotiv muito a propósito numa época carnavalesca, que permite aos mais pequenos um mundo, temporariamente, às avessas, talvez, para refrear recalcamentos, frustrações e tensões, acumulados na sua condição de eternos dominados, durante o tempo restante. Uma ideia muito próxima da expressada por Rabelais a propósito do carácter utópico do carnaval renascentista, dado que experienciamos uma época festiva que permite a inversão dos papéis sociais, dando a possibilidade ao bobo de desempenhar, ficcionalmente, o papel de senhor e ao senhor de interpretar o de bobo, a bem da higiene do globo e da manutenção dos intemporais privilégios!

Um filme a não perder e, mais tarde, a rever!

Da banalidade : : A Origem das Espécies Malignas

A banalidade assusta-me, assim como o simplismo das máximas que entronizam o senso comum como fonte legitimada da ausência de uma capacidade individual verdadeiramente crítica. E quando digo assusta-me não me refiro a qualquer tipo de medo pessoal, pois os seres muito afoitos à banalidade são tão previsíveis e vácuos que tudo o que dizem ou fazem parece fazer parte de um plot que nós já conhecemos ou antevemos com a facilidade de quem descobre o criminoso numa série de ficção policial B. Para além do mais, regra geral, o ser humano teme essencialmente o desconhecido.

E é este medo de um caos verdadeiramente criativo, que lhes é totalmente alheio, pelos espartilhos mentais que toldam a sua visão e os seus parcos horizontes, que leva estes indivíduos, defensores de pequenos cosmos arrumados e protegidos por lugares-comuns redutores, a agruparem-nos arquivística e estereotipadamente em verdades feitas.

"Um preto de cabeleira loira ou um branco de carapinha não é natural (...)". Este slogan de um produto capilar que faz parte das minhas memórias infantis resume caricaturalmente os ditos simplistas deste género de criaturas que, ansiosas, pela fobia do que não conseguem catalogar, pretendem a todo o custo que o verbo modele a realidade. Para si, a sua própria palavra tem um efeito mágico, cria o real e tudo o que escape ao poder inicático da sua capacidade verbal banal, normalmente, entronizado como a expressão sacralizada do seu ego desmedido, não existe. Então, lá vêm os silogismos dicotómicos: se A é C e B é D, então A nunca poderá ser D. E lá se reconfortam com esta catalogação simplista do que os rodeia, com um sorriso imaturo de quem quer moldar o mundo com os próprios olhos toldados pelas palas da banalidade.

Acontece que, felizmente, a realidade é tão complexa, é fruto de tantas tensões criativas, que estes mundozinhos menores ficam confinados aos membros dos clubes dos fãs do Banal!

E já dizia o outro: a banalidade é uma das primaciais fontes do Mal, pois, enquanto leviana, não consegue compreender a complexidade e a profundidade daquilo que a rodeia; não compreendendo, não cria empatias com realidades que desconhece, só as estabelecendo com os lugares comuns que confortam os seus estereótipos e o seu cosmos infantilmente organizado. E, como afirmava o oficial judeu da película A Lista de Shchindler de Steven Spielberg, depois de entrevistar todos os monstros nazis capturados pelos Aliados, que tinham congeminado e levado a cabo o Holocausto, a essência do Mal reside na falta de empatia para com tudo aquilo que não se assemelha com a banal fonte de simplismos ego e etnocêntricos.

Da vingançazinha...........................

No outro dia, ouvia alguém que, numa mesa ao lado, com os olhos esbugalhados e a voz alterada pelo ódio visceral, repetia um dos provérbios mais arrepiantes que existem: " a vingança é um prato que se come frio". Eu diria mais- serve-se frio, engole-se a ferver e, já bem deglutido, gela e queima a alma! Como diria o Poeta, sobre o Amor, mas aqui adaptado a esse sentimento medíocre- "é fogo que arde sem se ver", é um dos sentimentos mais descontentes que existe! De facto, há três sentimentos terríveis que ferem mais o sujeito que o objecto das suas investidas: a inveja, o medo e o desejo de vingança. Para dar um valente tiro no pé é o melhor do pior que há!

Cãezinhos serão abatidos caso não encontrem um lar que os acolha

Pediram-me para divulgar o seguinte apelo:

Esta ninhada de 6 Golden Retriever estão a duas semanas de serem abatidos, caso ninguém fique com eles!

Quem quiser ficar com uma destas fofuras, por favor, contacte:

sara.matteucci@gmacio.com sheldon_sara@hotmail.com sara.mendes@inst-informatica.pt

Muito obrigada.

Como ainda não me tive tempo para me dedicar a colocar imagens neste blog, peço-vos que acedam a http://briefnewworld.blogspot.com/- estão lá as fotos destas criaturazinhas lindas!

Da nova lei anti-tabágica: considerações de uma ex-fumadora II

Continuando a saga do almoço de hoje, depois de sairmos do restaurante, continuei a tentar convencer as minhas amigas a deixarem de fumar, utilizando todos os argumentos de que me lembrava (posição que tomo sempre que nos encontramos). Eu sou uma defensora acérrima da nova lei, posso mesmo dizer que sou uma fundamentalista anti-tabágica e gostaria de pedir desculpas a todas as pessoas que incomodei com o meu fumo durante treze anos, até há, sensivelmente, uma década. Acreditem-me- desde essa circunstância bendita, que eu sei o que é suportar calada e agoniada o vício dos outros, sabendo que esse mesmo vício me está a ser imposto de forma parasitária! Não querendo cair no erro da petulância, considero o argumento a favor deste tipo de leis tão lógico, que não compreendo como é que pode haver tanta celeuma! Uma pessoa fuma, tem um vício, sabe que está a prejudicar a sua saúde, mas continua, porque retira prazer do acto, na ilusão de que o mal só acontece aos outros, mas isso é lá com o seu livre arbítrio de indivíduo autónomo; todavia, não tem nem um milímetro de direito de prejudicar alguém com a sua opção, i.e, o seu vício  tem de ser vivido individualmente e toda e qualquer imposição, mais ou menos explícita, desse seu tiro no pé a outrem é ilegítima e um verdadeiro atentado aos direitos alheios, ainda para mais quando questões tão graves como a da saúde estão em causa. E com o qualificativo ilegítima refiro-me tanto à dimensão legal como à moral (não quero aqui aplicar a palavra imoral, pois já sofreu uma evolução semântica para determinados significados idiossincráticos que não se coadunam ao actual contexto).

E que argumento fortemente pragmático posso eu apresentar aos actuais fumadores para abandonarem o vício? Bem, o cancro dos pulmões, da garganta ou da boca do próprio já não resulta, o envelhecimento precoce também não, o cancro nos pulmões dos fumadores passivos, mesmo o das pessoas que amam, muito menos,... bem, vou optar por um mais pragmático. Aqui vai: aquilo que começou pela publicação de uma lei totalmente justa e adaptada às ânsias de uma considerável fatia da população, que se iniciou como um acto formal com efeitos práticos, vai-se transformar, rapidamente, numa norma sociocultural de exclusão que influenciará em muito a dimensão laboral. Passo a explicar: mesmo que a entidade patronal tenha de aplicar a lei por pressão exterior, mesmo que o patrão fume e não concorde de todo com esta lei, o facto é que um trabalhador que se levante a cada 20 minutos para fumar, retirando-se do seu local de trabalho, e que, de cada vez que o fizer, se ausente por 10 minutos, num dia de trabalho normal das 9h às 17h, contribuirá para uma deflação de 2 h 20m do seu índice de produtividade (raciocínio: 2 x cada 60 minutos = 20 minutos perdidos em cada hora; 20 x 4 (período matinal)= 80 + 20 x 3 (período vespertino) = 60 + 80= 140 minutos = 2 h 20m).

E olhe que isto não é um pensamento maquiavélico e maldoso, bem pelo contrário, como julgo isto inevitável creio que agora existem todas as razões do mundo para deixar de fumar! Desejo-lhe toda a sorte e coragem do mundo para pôr em prática essa decisão sempre adiada e, se for crente ou acreditar na extraordinária força que a nossa mente detém , tente fazer uma promessa, repita ao espelho, todos os dias, o quanto o tabaco lhe faz mal, visione a deterioração do seu organismo sempre que pegar num cigarro, pense no seu envelhecimento precoce numa era que privilegia a juventude como máxima primordial, vai ver como o poder da mente o conduzirá a uma rejeição orgânica do tabaco.

Da nova lei anti-tabágica: considerações de uma ex-fumadora I

Hoje, fui almoçar com duas amigas de infância, para dizer a verdade, duas das pessoas que mais admiro- são do signo Leão e, desde pequenita, encarei-as como um modelo de vida a seguir, dado que sempre preferiram "quebrar que torcer". Bem, o facto é que são fumadoras e, hoje, o assunto não poderia deixar de ser a nova lei anti-tabágica, uma vez que estavam as duas nervosíssimas para se levantarem da mesa e irem fumar o seu cigarrito e o meu hábito de beber o chá quase à gota estava a pô-las à beira de um verdadeiro ataque de nervos . Bem, não era só o chá, era mais uma vez a minha campanha anti-tabágica- quando vejo alguém a fazer mal a si mesmo fico muito angustiada, o que é reforçado se  a pessoa em questão for uma das que, sempre, estarão no meu coração!

Eu sou uma ex-fumadora, já não fumo há quase uma década- deixei de fumar alguns meses antes de engravidar! E, dizem, geralmente as pessoas, quando lhes conto esta peripécia: "grande coragem, hein? como é que conseguiste?" E eu lá adianto sinceramente: "não foi coragem, tive a sorte de o meu organismo começar a rejeitar o tabaco." "O quê?", perguntam-me, não raro, como se eu tivesse entrado por instantes na twilight zone. "E como é que esse milagre aconteceu?" Bem, primeiro tenho de esclarecer que fumava perto de 10 cigarros por dia, não era portanto uma fumadora compulsiva! Todavia, tinha já tentado, por diversas vezes, deixar de fumar, mas ao 3º dia, pumba, lá voltava eu a queimar os pulmões! Até que um dia fiz uma promessa à Nossa Senhora e não a cumpri durante bastante tempo- voltava, invariavelmente, a pegar no cigarro, sempre com a desculpa que era só aquele, que passaria só a fumar socialmente e patati, patátá, patátá, patati, (as mentiras que, por vezes, pregamos a nós próprios são de bradar aos céus!). Acontece que, como sou crente e gosto de cumprir o que prometo, quer a humanos quer a Seres Divinos, comecei a sentir-me bastante mal comigo mesma...Sentia-me desleal, que estava a trair a palavra dada a um dos Meus Protectores Celestes e lembrava-me, sempre, de um dos primordiais testemunhos que os meus Pais me legaram como herança simbólica, mais por actos do que pelo verbo- o de que a nossa palavra é o espelho da nossa honra (é verdade, ainda acredito na noção de honra, como dimensão salvaguardada pelo respeito por princípios que se me revelam como sagrados! Enfim, manias!).

Bem, ia eu a contar que, apesar da promessa, caía sempre na armadilha da tentação desse objecto inflamável e potencialmente cancerígeno....Todavia, um dia, quando levei o cigarro à boca, senti um enjoo terrível, não liguei, mas aquela sensação prolongou-se sempre que repetia o gesto. Moral da história: deixei de fumar, não por qualquer tipo de coragem, mas porque o meu subconsciente me fez o favor de associar o acto de fumar ao de não cumprir a palavra dada!

Ah, but last but not least, tenho, igualmente, de acrescentar: o facto de o meu companheiro de vida, desde há 16 anos, não fumar ajudou-me imenso! Isto é, mais do que a mim própria, tenho de agradecer Aos Meus Potectores Divinos, ao meu organismo, ao meu marido e à acérrima campanha anti-tabágica encabeçada pelos meus progenitores durante anos (o meu Pai fumou durante 40 anos e deixou de fumar sem qualquer tipo de ajuda externa- no caso dele, foi mesmo coragem!), que instituíram uma lei doméstica - quem quisesse fumar iria para a varanda ou então para o exterior.

Por falar nisso, gostaria, também, de reforçar um agradecimento a estes dois seres maravilhosos que tenho a sorte de ter como Pais: desde sempre, me deram toda a liberdade do mundo para tomar as minhas opções de vida, apenas me informavam dos riscos que sempre circundaram épocas mais vulneráveis da vida de um ser humano, nomeadamente, a adolescência. Tento, agora, passar o testemunho à minha descendência: só se vive a responsabilidade com liberdade, apesar de a autoridade (e não o autoritarismo) ser essencial para que limites salutares sejam estabelecidos . A bem do protagonista!  

A tortura como a arte dos cobardes

Volto, aqui, a postar uma história macabra, depois de receber um email relativo a uma petição, que não posso nem devo ignorar.

"Cão morre numa exposição
Uma estranha forma de arte

O artista Habacuc deixou um cão morrer à fome durante uma exposição. Os defensores dos direitos do animais já lançaram uma petição online para que o artista seja banido da Bienal Centroamericana Honduras 2008.

O cão foi capturado num bairro pobre de Manágua.

O artista Guillermo Vargas, mais conhecido por Habacuc, está a dar que falar em todo mundo. O motivo desta atenção não são as suas obras de arte, mas sim o facto de ter deixado propositadamente um cão morrer à fome durante a sua última exposição.
A "Exposição nº1" teve lugar em Agosto, em Manágua, na Nicarágua. À entrada, os visitantes podiam ler a frase "És o que lês", seguindo-se um cenário pouco comum: entre as obras do artista estava um cão, faminto e doente, amarrado por uma corda a um canto da sala.
Mesmo após alguns apelos dos visitantes para que o animal fosse libertado, o artista recusou-se a fazê-lo justificando que se tratava de uma homenagem a Natividad Canda, um nicaraguense que morreu depois de ter sido atacado por um rotweiller. Ironicamente, o cão acabou por morrer à fome em plena exposição quando o título da amostra estava escrito numa parede através de uma colagem feita à base de comida canina.
Os motivos do artista
"O importante para mim é constatar a hipocrisia alheia: um animal torna-se o centro das atenções quando o ponho num local onde toda a gente espera ver arte, mas deixa de o ser quando está na rua", justificou o artista ao jornal costa-riquenho La Nación. "O cão está mais vivo do que nunca porque continua a dar que falar".
O caso chocou os defensores dos direitos dos animais, que se juntaram numa petição online para que Habacuc seja excluído da Bienal Centroamericana Honduras 2008, onde deverá ser um dos representantes da Costa Rica. Mais de setenta mil pessoas já assinaram o documento, repudiando o trabalho de Vargas."

Texto retirado do Expresso online: Paula Cosme Pinto

Outros links onde esta história pode ser lida é:
blocked::http://www.pluginamp.com/network/node/3575; http://www.pluginamp.com/network/node/3575

Pede o referido email: se quer impedir este ser abjecto de receber um prémio na Bienal Centroamericana Honduras 2008, por favor, assine a seguinte petição, preenchendo os campos do nome, e-mail, localidade e país em: blocked::http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html>
http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html

21 de Janeiro : : Dia Mundial da Religião

Hoje, celebra-se o Dia Mundial da Religião.
O étimo latino religo, as, are, avi, atum remete-nos para a noção de ligação entre o homem e a transcendência de Deus ou de deuses. Como tal, o conceito de religião, embora pleno de complexidade, pode ser, simplisticamente, definido como a crença n´ Uma ou várias Entidade(s) Sobrenatural (is), Associada(s) à criação do universo, assim como na vida espiritual para além da morte física.
Pode-se, igualmente, definir este complexo conceito como um corpo de regras e doutrinas, com base em princípios filosóficos, éticos e metafísicos que modelam o modus vivendi e a forma mentis de uma comunidade, de um conjunto de indivíduos mais ou menos extenso ou, até, de um indivíduo isolado.
Assim, a fé numa dimensão ou dimensões meta-terrenas, metafísicas, e em divindades mais ou menos naturais acompanha o Homem desde tempos imemoriais.
E. B. Tylor considera mesmo que a evolução da dimensão religiosa da vida humana foi paralela ao desenvolvimento tecnológico e sócio-cultural da humanidade- a “religião inicial”, o animismo, que se baseia na crença da presença da transcendência em determinados seres, fenómenos ou elementos naturais, deu lugar, segundo este antropólogo, ao politeísmo (crença em diversas entidades divinas), quando o homem se sedentarizou, abandonando um modus vivendi mómada; o qual, por sua vez, evoluiu (aqui o vocábulo evolução é utilizado na sua acepção científica, significando apenas mudança e não melhoria) em direcção ao monoteísmo (crença numa Entidade Divina Una), quando as comunidades humanas se começaram a organizar em grupos sociais. Como se constata, esta tese é contestável, uma vez que são várias as comunidades humanas que, estando socialmente organizadas, se mantiveram politeístas, durante séculos, como a grega, a romana, a hindu, etc.
Já a entronização da Razão setecentista como dogma substituto da Religião enquanto instituição e ideologia dominante conduziu muito boas almas ao ateísmo, que, na sua larga maioria, consideravam e/ou consideram uma ideologia própria de iluminados que detêm e/ou detinham o privilégio de conduzir as suas vidas de acordo com uma racionalidade dita objectiva, embora propulsionada por um subjectivismo individualista laico.
Acontece que a própria ciência evolui pelo critério da falsicabilidade, segundo Popper, i.e, uma teoria é válida até que outra a deponha e é a própria ciência que tem provado que nem só de razão vive a mente humana, nomeadamente, no que concerne, por exemplo, às emoções, ainda que estas sejam, alegadamente, imputadas à biologia e à genética. De qualquer das formas, se ninguém pode provar, cientificamente, a Existência de Deus, o facto é que, também, ninguém o pode fazer quanto à Sua não Existência. E não nos esqueçamos que grandes cientistas como Einstein detinham uma crença profunda em Deus. Como tal, a associação de senso comum da religiosidade à ignorância resulta totalmente apócrifa, contraproducente e até contraditória, pois uma total negação de Algo assume-se como uma posição tão dogmática, arrogante e fechada como a sua afirmação impositiva.
Einstein defendia: “ciência sem religião é coxa; religião sem ciência é cega”. Numa declaração por si proferida quando interpelava por via televisiva o povo americano, que o acolheu na sua fuga ao despotismo nazi (filmagem disponibilizada ao público na exposição À Luz de Einstein, promovida pela FCG) afirmava igualmente: “A nossa era está orgulhosa do desenvolvimento intelectual humano (...) Procurar a verdade é uma das actividades humanas mais nobres (...) [porém], não devemos transformar o intelecto no nosso deus, ele tem músculos poderosos, mas não tem personalidade, pode conduzir, não pode servir (...)[deveras], o intelecto tem um olho afiado para métodos e para a verdade, mas é cego para valores e fins”.



"Água" de Deepa Mehta: Um Hino ao Amor, à Dignidade Humana e à Vida

Não foi com muito assombro que visionei a mais recente obra cinematográfica da realizadora indiana Deepa Mehta (nomeada para os Óscares 2007 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro), dado que, desde sempre, os filmes indianos me deslumbraram pela sua magia imagética. Das minhas raízes muito mais inter do que multiculturais, fazem parte as cores, os sons e os sabores fortes da cultura iconográfica, musical, filosófica e gastronómica deste povo que comigo partilha o Oceano Índico como berço.
Todavia, este filme tangeu-me a alma pela sábia junção, no seu fabuloso argumento, desse exotismo, sempre presente nas minhas mais recônditas memórias, que me moldou as minhas percepção e expressão estéticas e filosóficas, a uma sensível abordagem de dois temas tabu.  Com efeito, o leitmotiv desta película é o destino inexorável e dramático das viúvas hindus que, de acordo com a tradição, ou são queimadas vivas na pira em que arde o cadáver de seu marido, ou dever-se-ão isolar como párias (do Tamul pareyar, tangedor de bombo, os intocáveis, a casta mais baixa entre os hindus, alvo do desprezo das demais), estando-lhes reservado um inelutável ostracismo social até ao final das suas desafortunadas, trágicas, existências.
Esta película relata como a mendicidade e, tantas vezes, a prostituição das mais novinhas são a única forma de sustento de quem a sociedade rejeitou para todo o sempre; como uma dessas casas de abrigo acolhe Chuyia, uma criança que, com apenas 8 anos, já é viúva e Kalyani, uma bela jovem que, também, face ao mesmo estado, vê-se obrigada, desde tenra idade, a vender o corpo, em troca de umas míseras e malditas moedas, acabando por se libertar dessa tortura imposta ao apaixonar-se por um jovem culto e de casta elevada, admirador confesso dos ensinamentos de Gandhi, nomeadamente, da "resistência passiva" contra o regime colonial inglês. E é exactamente neste momento, em que a ideologia deste sábio homem começa a alastrar-se pela Índia, pondo em questão muitas das tradições religiosas e sociais cristalizadas, que estas duas jovens mártires poderão almejar a liberdade, ou não.
É, assim,um filme que relata, igualmente, um flagelo global - o da prostituição infantil, do abuso de menores por "predadores sexuais" que, aproveitando-se da miséria alheia, lhes amputam a infância, em prol das suas mais pérfidas e desumanas perversões.
Um filme a não perder, como acto de resistência cívica, ética, estética e filosófica !

"Água" de Deepa Mehta (Canadá/Índia), com Seema Biswas, Lisa Ray e John Abraham, nomeado para os Óscares 2007 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Alerta: vítima em coma há dez anos devido aos sistemas de sucção de piscinas

Visite o blog: http://flaviavivendoemcoma.blogspot.com/

“O OBJETIVO E O FOCO DESTE BLOG.

Este blog tem por objetivo ALERTAR aos leitores sobre os riscos oferecidos pelos RALOS DE PISCINAS, denunciando os fatos que levaram Flavia ao coma no qual se encontra até hoje, bem como EXIGIR A PUNIÇÃO EXEMPLAR DOS RESPONSÁVEIS. Por esta razão, NÃO ACEITAMOS DOAÇÕES DE QUALQUER ESPÉCIE, vez que este não é o objetivo deste blog. Se puder, colabore DIVULGANDO os fatos que afetaram e afetam a vida de Flavia, isto sim, será de grande valia para nós. Obrigada.

 

Este blog existe, porque minha filha Flavia, que em poucos dias completará 20 anos de idade, está em coma vigil há quase 10 anos, desde que um acidente com RALO DE PISCINA lhe interrompeu a infância saudável. Este blog existe porque o acidente acontecido com Flavia já havia acontecido com outras crianças e continuou a acontecer, no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos, Na França, na Rússia... E este blog existe porque apesar da ação devastadora dos acidentes causados por ralos de piscina, locais e empresas responsáveis pela venda, instalação e manutenção desses ralos que compõem os sistemas de sucção de piscinas, continuam indiferentes à sorte das vítimas, continuam na impunidade, mesmo muitos anos depois da ocorrência das tragédias.
É preciso urgência na fiscalização da venda, instalação e manutenção dos sistemas de sucção de piscinas. É preciso punição exemplar para quem cometeu ou venha a cometer negligências com a segurança dos sistemas de sucção de piscinas. É preciso cobrar agilidade da justiça na proteção das vítimas.
Como eu disse no post anterior, sozinhos fica difícil, mas juntos, somos poderosos. Por isso, peço a adesão de vocês na blogagem coletiva que estará acontecendo no próximo dia 17 de Dezembro, para aumentar a visibilidade da história de Flavia que é apenas um exemplo, não só no Brasil mas no mundo, da negligência, da impunidade e do desrespeito aos direitos humanos de todos nós.
Muito obrigada.


EM TEMPO: A empresa fabricante do ralo de piscina que causou o acidente que deixou Flavia em coma irreversível e que até hoje não foi condenada pela justiça brasileira a indenizar Flavia, conforme venho mencionando em posts anteriores, é a JACUZZI DO BRASIL.”

Cadela boxer abandonada, muito meiguinha, necessita de um lar

Pediram-me para divulgar o seguinte apelo:

"A todos os amigos dos animais:

Uma cadelinha boxer, que aparenta ter cerca de sete anos, muito meiga e bem treinada, atravessou-se à frente do meu carro, quando me dirigia para Loures, à saída da CREL, na semana passada, dia 2 de Janeiro, ao fim da tarde. Tive de buzinar para ela sair da frente do carro, pois estava visivelmente desorientada. Tentei afastá-la da estrada, para o campo, mas ela já não saiu de junto de mim e da minha filha, de modo que acabámos por metê-la no carro e ir perguntar a umas casas perto se a conheciam, pois trazia coleira e via-se que era animal habituado a casa. Não consegui saber nada e acabei por levá-la a um veterinário a ver se estaria doente ou ferida de algum acidente. Estava razoavelmente bem, segundo o veterinário, apenas um pouco desnutrida, mas com uns caroços mamários que aconselham cirurgia.Eu não vivo cá em Portugal e estou aqui apenas por uns dias, de modo que contactei logo alguns amigos e conhecidos à procura de quem fique com a cadelinha, mas sem sorte nenhuma até agora.Contactei também várias associações de protecção aos animais e procurei na net se alguém se queixava de ter perdido uma boxer nestas condições, mas nada. Eu tenho mesmo de regressar e não possso levar a cadelinha, que vivo em Macau, de modo que venho apelar a todos os amigos dos animais que me ajudem a encontrar dono para uma cadelinha que se perdeu ou foi abandonada, já não é nova e é uma doçura de meiguice, muito sossegadinha e bem educada.

Obrigada!"

Helena Rodrigues
S. João do Estoril
Tels: 960011303 e 917924423"

Canção do dia: Contaminata de Gianna Nannini

"Contaminata

La tua pelle è la mia pelle
che colore più non ha
sono sangue nel tuo sangue
una sola anima
la tua storia è la mia storia
i miei occhi sono i tuoi
la mia ora è la tua ora
il destino che non hai
vola vola vola vola vola la testa
vola vola vola chi mi porta via
vola vola vola
mi hai dimenticata
tu non mi conosci sono appena nata
contaminata
sono contaminata
ora che sono nata
io non so dove sono
io non so da dove vengo
l'infinito vaga dentro
io non ho nemmeno un segno
vola vola vola vola vola la testa
vola vola vola chi mi porta via
vola vola vola
mi hai dimenticata
tu non mi conosci sono appena nata
non importa più chi sono io
rassomiglio ad una goccia d'acqua
fa che nel deserto piova io
goccia d'acqua che fa traboccare il mare
contaminata
sono contaminata
ora che sono nata
polvere di luna che si perde nel tempo
voce radioattiva della civiltà
fuoco nucleare che respiro nel vento
anima ribelle che si libera
come una canzone che si perde nel tempo
voce radioattiva della civiltà
fuoco nucleare che respiro nel vento
anima ribelle che si libera
non importa più chi sono io
rassomiglio ad una goccia d'acqua
fa che nel deserto
piova io
goccia d'acqua che fa traboccare il mare
contaminata
sono contaminata
ora che sono nata
vola vola vola vola vola la testa
vola vola vola chi mi porta via
vola vola vola
mi hai dimenticata
tu non mi conosci sono appena nata
contaminata"

Dali e Disney unidos por Destino : : o Surrealismo Animado

Em 1946, Salvador Dali e Walt Disney articularam os seus dons e conceberam um projecto de curta metragem de animação, que intitularam profeticamente Destino. Os desenhos originais criados por estes dois génios nunca conheceram as luzes da ribalta até que, pela mão de Roy Disney, 57 anos depois, renasceram das cinzas. O filme animado está repleto de ricas imagens surrealistas, baseadas nos desenhos originais dalinianos, sendo o fruto, segundo o curador da Fundação Gala-Salvador Dalí, da consubstanciação perfeita original entre os dons destes dois consagrados artistas e empreendedores. Daí que não seja de estranhar que, em 2005, tenha sido nomeado para um Prémio da Academia depois de ser projectado no Festival de Cinema de Cannes.

Esta valiosa, mas desconhecida, película foi visionada na galeria nova-iorquina Animazing, no 461 da Broome Street, Soho, Hastings-on-Hudson, Southampton, entre 14 de Outubro e 16 de Novembro de 2004, inserida numa mega exibição patrocinada pela Disney. Nela, o público pôde encantar-se com desenhos originais de Dalí e com algumas recriações dos seus esboços da autoria de Roy Disney. Obras a que se juntou uma inédita colecção vintage de desenhos animados dos Anos Dourados da Disney, adquiridos a um dos famosos designers que integrava a equipa pioneira que trabalhou com o fundador desta máquina de sonhos que tem nutrido o imaginário de várias gerações infantis- Les Clark. Estiveram, também, expostas obras de pintura de vários artistas famosos da equipa Disney, entre os quais Peter e Harrison Ellenshaw, respectivamente, pai e filho, nomeadamente, as ilustrações originais dos livros do Ursinho Winnie the Pooh que, até então, remetidas ao esquecimento, foram publicadas numa edição limitada, colorida in loco por Harrison.
A sessão de abertura, de livre acesso, distinguiu-se pela mostra de uma cena do filme Mary Poppins, pintada por Harrison, nesse mesmo dia, entre as 12 e as 16 horas e pela sua palestra sobre as pinturas originais de Winnie the Pooh e de Peter Pan.
A Animazing Gallery, a “Primeira Galeria de Animação Artística de Nova Iorque” reúne as mais famosas obras de animação vintage e contemporâneas dos maiores e mais poderosos estúdios norte-americanos- a Disney, a Warner Brothers, a Hanna Barbera, a Nickelodeon, a Fox e a Cartoon Network. Para além da galeria física, as seus proprietários e dinamizadores- Heidi Leigh e Nick Leone- criaram um showroom online, onde se pode vislumbrar, igualmente, pinturas do Snoopy e dos Peanuts e da Secreta Arte do Dr. Seuss.
O endereço da Animizing Gallery é www.animazing.com, mas atenção, todas as obras desta exposição estão esgotadas. Não admira- quem não se deslumbra com a junção da obra psicanalítica de Dalí com os desenhos animados que coloriram o nosso imaginário infantil? Esta hibridação entre pintura surrealista e animação só mostra que todas as formas de arte podem conviver e até misturar-se para deleite de espectadores que apreciam a inovação!

Tradução e adaptação: Isabel Metello de http://shopping.animazing.com/gallery/dali.htm

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