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Dito&Feito - 17 de Janeiro 2009

Publicação: 17 Janeiro 09 12:00

«AS REFORMAS estruturais feitas pelo Governo de José Sócrates na economia e nas finanças públicas provaram ser insuficientes». Consequência disso é que «o ritmo da consolidação orçamental já começou a abrandar» e que «a reforma da Administração Pública mostrou ser menos bem sucedida do que o esperado». Tão severo diagnóstico da acção do Executivo de maioria socialista virá de Paulo Rangel, líder parlamentar do PSD, num dos debates quinzenais que tanto irritam o primeiro-ministro? Ou de Francisco Louçã, cuja «insuportável superioridade moral» deixa Sócrates com os nervos em franja? Ou de Jerónimo de Sousa, cujo «feroz sectarismo» põe o elegante chefe do Governo com os cabelos em pé? Ou de Paulo Portas, que enerva particularmente o líder do PS com as suas tiradas e soundbytes?

Não, a implacável análise sobre os resultados da governação socialista nos últimos anos não vem de nenhum adversário político ou partidário de Sócrates. Foi divulgada esta semana por uma entidade totalmente insuspeita de querer combater o Governo ou o PS, a agência de rating Standard & Poor’s, uma das três maiores a nível mundial. Verá Sócrates, também na opinião descomprometida e respeitada da Standard & Poor’s, a influência malévola da Oposição ou de Belém?

 

A AGÊNCIA internacional de rating diz mais. E mais preocupante. Que o crescimento do PIB em Portugal «vai ficar abaixo de 1% nos próximos cinco ou mesmo dez anos» e que as projecções de subida do défice português são de «3,6% em 2009 e de 4% em 2010».

O ministro Teixeira dos Santos, que teimou num défice para 2009 de 2,2% até há poucos dias, o reviu a contragosto para 3% e vai anunciar, na segunda-feira, que, afinal, ainda será mais elevado, já veio descartar as culpas dos seus ombros e dos ombros de Sócrates: «Se algum agravamento do défice decorrer, isso será uma situação temporária e só enquanto durar a crise económica». Fiquemos, pois, descansados.

O que vale é que ainda nos chegam análises isentas de entidades internacionais que nos dão o verdadeiro retrato da economia portuguesa. E do Governo de José Sócrates.

jal@sol.pt

por JAL

Comentários

# Berluzconilingus said on Janeiro 17, 2009 12:28:

O Ministro ?Alcochete Jamais? sentenciou esta semana, com a legitimidade que na matéria lhe é sobejamente reconhecida, que quem tiver estudos que revelem que o TGV não é rentável que os mostre.

Não querendo mandar o Ministro à? Internet, como faz o Governo com a oposição, pasmo.

Então o Ministro, que governa, não mostra os estudos das obras que pretende fazer, e quem discorda da realização de obras sem discussão pública dos estudos é que tem de mostrar primeiro ao Ministro os estudos em que fundamenta a discordância?

Num segundo momento, esvai-se-me a admiração: na verdade, é este o cunho da actuação governativa, ou seja, citar à lide as oposições para que, vindas estas a terreiro, se passe a discutir e criticar as propostas da oposição e não a má actuação do governo, ou, para cúmulo, a acabar por governar  plasmando o conteúdo das propostas da oposição sem citação do autor.

A tão falada oposição à oposição, e o enjeitar de responsabilidades negativas.

Caiu neve pelo país, com temperaturas negativas e necessidade de intervenção da coordenação da protecção civil e do Ministério da tutela?

De quem é a culpa do desnorte e descoordenação verificados?

Da neve e dos media que empolaram a situação, pois então!

Queriam o quê? Que fosse do Governo? Primeiro seria de anteriores governos, da crise internacional, do diabo a quatro?

Mas há uma paternidade que o Governo assume e reclama: A baixa do deficit!

E diz isto tonitroante quando pretende demonstrar que, por isso, temos folga orçamental e estamos agora em melhores condições para distribuir à grande até às eleições.

Perante isto algumas questões se colocam:

- Não terão sido os portugueses os verdadeiros artífices da proeza, a classe média e as PME que durante cerca de quatro anos comeram o pão que o Diabo amassou para que agora o Governo, guardada a carne extraída dos voluntários forçados, exiba ufano os ossos dos contribuintes líquidos como trunfo de uma excelente governação?

Se a excelência da governação se resumiu a um controlo orçamental por via do aumentos da receita que não do controle da despesa, ou seja pelo aumento da carga fiscal e da matéria colectável, que moral existe agora para se desbaratar o sacrifício dos poucos que pagam para, em nome de uma campanha eleitoral mascarada de ataque à crise, a sua entrega aos muitos que, ávidos e naturalmente agradecidos ao Governo, votantes úteis, já se postam de mão estendida às portas da casa da caridade estatal?

Então nós os contribuintes líquidos não temos voto na matéria na cobrança e na redistribuição do que foi cobrado e, depois, no que nos espera de mais e acrescido contributo para a reposição do stock APÓS AS ELEIÇÕES?

A nós pagadores cuja retenção mensal na fonte sequer nos é aligeirada, ou, ao menos, encurtados os prazos de reembolso (eles sabem que não podemos fugir, somos pagadores certos e em cash), quando vemos aos não pagadores serem perdoados os juros das execuções fiscais, que temos necessidade de trabalhar para além dos 65 anos se queremos reformas de miséria (e não apenas alguns dias para subirmos de escalão com efeitos nas reformas como acontece com alguns?), que vemos que quem não paga os empréstimos à habitação tem moratórias e paga quando puder e quiser, se puder e quiser!

Mas esta sanha consumista e eleitoralista à custa do pagador de sempre já se arreigou de tal forma, tornando-se regra, que o Ministro ?Alcochete Jamais? até veio dizer que o Governo pondera benefícios fiscais ou subsídios para quem comprar televisões digitais terrestres e TIVER DIFICULDADES ECONÓMICAS.

É o cúmulo!

Para quem tem dificuldades económicas? Televisões digitais?

Somos obrigados a suportar isto para a maioria absoluta do PS em nome da crise e, DEPOIS DAS ELEIÇÕES, o novo aperto de cinto?

Enquanto isto, veja-se o esforço titânico para a manutenção do poder (que vai muito para além do esbanjamento do que poucos pouparam e contribuíram, como se verá).

O Ministro das Obras Públicas tem, subitamente em ano de eleições, uma preocupação crucial: quer ser permanentemente informado acerca de todos os eventos públicos organizados pelos organismos tutelados pelo MOPT, tais como inaugurações, lançamentos de obras, adjudicações de contratos, apresentação de projectos à comunicação social, etc.

Disse depois aos jornalistas, visivelmente constrangido, que é para organizar a agenda, preocupação que até se compreende não vá o Povo organizar a agenda de modo dissonante à de SEXA e acabarem por se desencontrar.

É que o tempo urge!

E neste afã, escancara-se a muitas vezes denunciada incapacidade de previsão e adaptação à realidade deste governo, Governando de forma reactiva porque apanhado pelos acontecimentos: veja-se, a título de exemplo mais recente, a notícia segundo a qual Manuel Pinho foi apanhado de surpresa com despedimento de 400 trabalhadores de fábrica.

E como reagiu ?Não tenho essa informação. Acabam de me referir o facto mas eu tenho que me informar melhor como deve compreender?.

Claro que compreendemos, Senhor Ministro, há muito?!

E as agências de rating também, ao que parece?

Mas depois, célere veio logo a desvalorização do negativo (desvalorização que, segundo alguns, tem efeitos psicológicos positivos na razão directa da negação da crise e das dificuldades e do incutir da ilusão necessária de bem estar colectivo): se a notícia se confirmar, o despedimento de 400 trabalhadores ?significa uma parte pequena, significa um terço da fábrica de Mangualde?.

Enquanto isto, o presidente da Câmara Municipal de Mangualde, que é quem está no terreno, considerou que a não renovação de contrato a 400 trabalhadores da Peugeot-Citroën de Mangualde "é uma machadada muito forte na economia local e nacional"!

Elucidativo!

Difere este pequeno momento demonstrativo do que tem sido a imagem de marca deste governo?

Mas sabem que esta mistificação não pode continuar, e que já não são suficientes, compreendidas e aceites pelo Povo a repetição inconsequente do ?oásis? e a realidade do aumento das dificuldades, a negação da crise/recessão e dificuldades, o mero anúncio, a distribuição de milhões, amplificadas pelo efeito mediático.

Em suma, a propaganda (segundo a última originalidade do governo a crise é evolutiva, e assim o anúncio de medidas tem de se ir adaptando à respectiva evolução ? ou seja, está justificada a miríade sucessiva e constante, paulatinamente calendarizada, de anúncios até à véspera das eleições, como forma da excepcional governação ir dando ?em tempo assim sempre oportuno? resposta a cada episódio da evolução da crise, tipo telenovela em função das audiências/sondagens!).

Agora até já nem ridicularizam as propostas da oposição, dizendo, sim, que, mais tarde, se necessário (leia-se até às eleições, e mais próximo possível destas), aplicarão tais medidas propostas, assim pretendendo subtrair ao ridículo o mais que provável mero plágio sem citação de autor (vamos ver o que vai acontecer com a descida de impostos, talvez em tempo mais oportuno, mais próximo da data das eleições?)!

Mas sabem que, mesmo assim, tudo isto não chega por si só para a pretendida vitória eleitoral, pelo tempo que falta (e que desesperadamente agora querem encurtar) e pelo desenvolvimento da situação real (e até deixam de ser fiáveis as tão veneradas sondagens, que variam para o PSD, em escassos dias, entre 23% e 30%, e entre a descida e a subida!).

Daí ser necessário, ainda, intercalar tais ?medidas de fundo? com polémica desviante do essencial (como no Parlamento):

Agora, mais uma: a polémica à volta do calendário eleitoral, em que até já se pretende envolver o PR, o qual veio a público afirmar, para cortar cerce a pretendida chicana desviante, ?Eu tenho muito pouca vocação para a intriga político-partidária, para não dizer que a minha vocação é nula?.

E disse mais o PR, que no fundo é o essencial do seu discurso recorrente de há uns tempos a esta parte face ao rumo dos acontecimentos e à forma como o Governo fala ao país:

?Quando eu quero dizer alguma coisa, digo-o com toda a transparência. Por isso, há uma palavra-chave na minha mensagem ao país, e essa palavra-chave é falar verdade?.

E nós a vermos os hipócritas do costume e de serviço a assobiarem para o lado, que o recado é para toda a gente e não é para alguém - e até será para quem não parece que é, ou não será para quem parece que é - e, para cúmulo, até falaciosamente a concordarem em pleno ?com Sua Excelência o PR?, em cínica pose solene que reclamam o momento e o alijar da sua má consciência perante o colectivo de cidadãos que os têm de ouvir e aturar.

Que democracia esta, e que pântano este, em que até o Presidente da República tem que amiúde vier a terreiro vincar a palavra ?VERDADE?!

# Loxyr said on Janeiro 18, 2009 18:03:

Sem para trás e para a frente.

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}

Se o estado investir agora pagam as novas gerações, se o estado não investir, as novas gerações vão receber infra-estruras destruídas e desactualizas, as quais tem que ser todas refeitas  de novo, e que pode custar muito mais e nem dinheiro para tal haver.

Fazer ou não fazer todos os argumentos são validos.

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}

Qual será a nota risco  de Portugal internacionalmente?

Spreade com classificação  AAA é o melhor.

A Irlanda já paga 7,57 de spread a cabeça.

Quem, pede dinheiro aos fundo monetário internacional quem passa a mandar no país são eles.

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}

Em vez de baixarem os preços dos produtos, aumenta-se a subvenção.

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}

As soluções actuais para a crise têm que ser tão diferentes como o dia para a noite.

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}

O novo New Deal do século 21 tem que ser o Green New Deal.

keynesianismo ecológicos, ao invés do keynesianismo da guerra dos anos 30.

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}

USA actual:

50 Milhões sem segurança social.

Numero 42 na lista de esperança de vida.

As universidades de Elite. (havard, Mit, Yale, Prince Ton, sem dinheiro para investigação.

Alguns estados gastam mais com as Prisões do que com o sistema escolar.

Auto Estradas vs caminhos de cabras.

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}

# Justus said on Janeiro 18, 2009 18:34:

Muitos dos nossos políticos e jornalistas parece não saberem fazer mais nada que não seja analisar e criticar previsões e mais previsões sobre a evolução da economia. Como se isso tivesse alguma relevância para o bem estar dos portugueses ou fosse capaz de alterar ou influenciar o rumo económico e a descida ou subida dos gráficos precentuais!

Os portugueses não querem saber de previsões nem de quem acertou em quê. Querem ver a sua vida a melhorar, querem medidas económicas rápidas e certas, querem acção e não propaganda política e demagógica.

E nestes últimos tempos os tais políticos e jornalistas com eles alinhados transformaram-se em aprendizes de malabaristas e adivinhos do futuro. Só que nunca revelam o que vai acontecer. Já alguém viu ou ouviu estes pseudo adivinhos apresentar as suas previsões nesta e naquela matéria? Sobretudo agora quando as condicionantes económicas mudam quase diariamente? Ninguém, porque são autênticos ignorantes e só sabem criticar os que trabalham e que, por força desse trabalho, têm que fazer as suas previsões económicas.

Quem não for demagógico nem mentiroso tem que concordar que nestes últimos anos foi sempre o Governo quem mais acertou nas previsões. Praticamente manteve sempre o que previu no Orçamento do Estado, enquanto que os outros Organismos, nacionais (Banco de Portugal, INE) e internaciomais (FMI, OCDE, Comissão Europeia) modificaram as suas previsões quatro e cinco vezes por ano. E o caricato é que as previsões destes Organismos aproximaram-se sempre, no final do ano, da previsão do Governo.

Se alguns políticos e jornalistas deixassem de analisar e criticar as previsões dos outros e fizessem as suas próprias previsões, se trabalhassem em vez de utilizar o trabalho dos outros, talvez aprendessem a valorizar o que tem valor e a deixar de lado o acessório e contingente que só serve para estatísticas.

Será que ainda não repararam que os portugueses não são ignorantes? É tempo de abrirem os olhos.

# nunogil said on Janeiro 19, 2009 14:21:

Sócrates já passou à história.

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