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A inflexão à esquerda

Publicação: 09 Julho 10 10:00

José Sócrates apareceu, no caso PT-Telefónica, como o paladino do nacionalismo de esquerda. Chamando a si os galões de «não se envergonhar de defender os interesses nacionais», Sócrates disparou em todas as direcções.

Acusou Durão Barroso e a Comissão Europeia de terem, «de há muitos anos, posições ideológicas ultraliberais», desconsiderou o patrão do BES e seu apoiante desde que é primeiro-ministro, Ricardo Salgado, dizendo «compreender muito bem os interesses financeiros dos accionistas da PT em obterem ganhos a curto prazo» e fustigou, de caminho, o PSD, publicamente dividido sobre esta questão, ao incriminá-lo de «agir como Pilatos, lavando as mãos» e «querendo agradar a todos os sectores». Para concluir, acalorado: «Isso connosco nunca: ou sim ou sopas!».

 

Este acrisolado e súbito patriotismo de esquerda permitiu ao líder do PS receber um raro apoio, público e conjunto, do PCP e do Bloco de Esquerda. Mas Sócrates corre o risco de estar a combater moinhos de vento espanhóis e de ver a lança da sua golden share«anacrónica e em breve obsoleta», nas palavras do conceituado Financial Times – transformada num instrumento inútil por decisão inexorável de Bruxelas. Segundo Ricardo Salgado, Sócrates estará mesmo a brincar com o fogo, ao extremar condições para uma eventual OPA da Telefónica sobre a PT.

 

Mas esta viragem à esquerda da estratégia socialista não é acidental nem politicamente inocente. José Sócrates já percebeu, pelos bem ilustrativos resultados das últimas sondagens, que o PSD  o ultrapassou eleitoralmente e ameaça alargar a distância entre os dois partidos a cada mês que passa.

 

A inflexão à esquerda, nacionalista ou em tons de campanha presidencial, visa segurar eleitorado contra esse crescimento inevitável do PSD e esvaziar as inflacionadas intenções de voto do BE e do PCP.

 

Mas essa é mais uma quadratura do círculo para Sócrates: não se vê como conciliar um discurso de esquerda com constantes pacotes de austeridade e medidas típicas de direita. Ele lá saberá. 

jal@sol.pt

por JAL

Comentários

# Liberdade said on Julho 9, 2010 12:54:

O Chefe Pinóquio não se limita a brincar com o fogo. Brinca connosco e usa a PT para satisfazer os seus interesses eleitorais (ainda que inutilmente). Contra os espanhóis marchar, marchar!

Assinam-se tratados que depois não são para cumprir. Porreiro pá!

Só os idiotas úteis do costume não querem ver.

Eis precisamente como não se defende o interesse nacional.

Com os Xuxas é sempre ?sopas??

# Justus said on Julho 9, 2010 18:33:

Esquerda, direita! Direita, esquerda!

Parece que voltamos ao tempo dos "soldadinhos de chumbo".

Apesar da queda do muro de Berlim e do colapso do capitalismo ainda há mentes com ideias e teorias retrógradas, passadiças e totalmente desfocadas da realidade.

Ideias pré-concebidas para justificarem o domínio e a supremacia de certas classes (com dinheiro e/ou cultura) sobre a maioria da população trabalhadora.

E que políticos de vários quadrantes, apoiados por sistemas de comunicação social que controlavam, tentaram e conseguiram impingir aos povos, durante décadas e décadas.

Hoje, porém, e apesar de ainda existirem alguns saudosistas para quem tais teorias deram muito jeito no passado, ninguém liga nem perde tempo com teorias e ideias completamente ultrapassadas.

Qual direita, qual esquerda, JAL! Hoje, há a verdade e a mentira; o bem e o mal; a solidariedade e o egoísmo oportunista; o respeito pelos outros e o salve-se quem puder à mistura com o ódio, inveja, vingança e maledicência.

O que é bom e deve ser feito não é apanágio da esquerda nem da direita. E os bons políticos são aqueles que procuram governar de forma a que as populações se sintam satisfeitas e felizes. Querem lá saber de direita ou de esquerda.

Por isso, alguns jornalistas, como JAL, não compreendem porque é que certos políticos, a quem gostam de rotular de esquerdistas, ao fim ao cabo executam políticas que dizem ser de direita. E verão também que aqueles a quem rotulam de direitistas executam políticas que dizem ser de esquerda.

Estes jornalistas ainda não aprenderam que nos nossos dias a política é seriedade e trabalho, não é direita nem esquerda. Há o bem e o mal e os políticos têm que prosseguir aquele e só aquele.

Já passou à história a época em que os jornais e jornalistas se entretinham a tecer comentários e a fabricar ideias sem nexo sobre "direita" e "esquerda" na tentativa de dividir os povos em "bons" e "maus" consoante a perspectiva ideológica que lhes servia de base- o capitalismo ou o comunismo/socialismo.

Tudo isto, é claro, com o propósito, nítido e bem orquestrado, de dividir para reinar.

Esquerda, direita! Direita, esquerda! Que coisa mais ultrapassada, JAL!!! Já não há "pachorra" para tanto saudosismo!

# antoniopestana said on Julho 9, 2010 23:28:

Para mal dos pecados da direita,Sócrates não está inflectindo à esquerda,apenas se encontra em stand-by no seu limbo, aguardando que a verdade cumpra o seu desígnio de vir ao de cima.

# antoniopestana said on Julho 9, 2010 23:29:

Para mal dos pecados da direita,Sócrates não está inflectindo à esquerda,apenas se encontra em stand-by no seu limbo, aguardando que a verdade cumpra o seu desígnio de vir ao de cima.

# Portucalem said on Julho 13, 2010 21:37:

Caro JAS, é certo que José Sócrates já percebeu, pelos bem ilustrativos resultados das últimas sondagens, que o PSD  o ultrapassou eleitoralmente. Resta saber, desde logo pelo percurso político do PSD e do seu líder nos próximos tempos, se existe real ameaça de este alargar a distância entre os dois partidos a cada mês que passa.

Pelo que vimos vendo, assiste-se a um PSD empolgado com as sondagens e a vaticinar a queda próxima do Governo e a sua subida ao poder.

Mas convém que os Portugueses se mantenham alerta e atentos aos ainda ténues sinais do que poderá vir a ser uma governação deste PSD.

Para melhor está bem, para pior já basta assim.

Senão, veja-se.

Numa intervenção nas jornadas parlamentares do PSD, que decorreram no Parlamento, Ernâni Lopes considerou ?quase absurda esta solução coxa de, na incapacidade de tocar na despesa pública, aumentar a receita?.

E o que entende esta Excelência, recorrendo naturalmente aos seus imensos atributos, por "tocar na despesa pública"?

Acaso cortar nos gastos supérfluos, carros para SEXAS, etc.?

Cortar nas mordomias dos gestores púbblicos com ordenados milionários?

Apertar os corruptos que diariamente açambarcam milhões do erário público?

Combater a economia paralela que floresce a olhos vistos, enchendo o papo e gozando com o otário asfixiado pelos impostos?

Não!

Isso era estrutural mas mais trabalhoso meus caros!

E, para mais, reclama competência na acção, algo que pelo rectângulo não abunda!

E convém ainda ter presente que as meninges das nossa elites não estão preparadas para ir mais longe no raciocínio e na acção.

Daí o estado do país...

Qual, então, a receita mágica dos sábios do costume?

Cortar, naturalmente, onde é mais fácil.

Em quem está à mão e trabalha por conta de outrém, e não pode fugir à voragem do fisco, pois então!

Tão vastos conhecimentos para tão brilhante conclusão!

Esta, sim, a despesa fundamental do Estado: com quem trabalha e já paga o regabofe instalado.

Pois a receita fácil obtém-se sacando sobre os vencimentos de quem trabalha e já paga impostos pela medida grande, que quem foge ao fisco sempre fugiu e sempre fugirá.

Sacando, desde logo, sobre os "chorudos" vencimentos dos "malandros" dos funcionários públicos, a quem o Estado já desconta mensalmente à cabeça no salário e depois repõe sem juros quando quer e como quer.

Este homem, Ernâni Lopes, deve ir para Ministro de um Governo do PSD, sem falta.

E a coragem e determinação com que defendeu a brilhante e original medida que preconizou?

É que Ernâni Lopes acrescentou que diminuiria, ?seguramente, os vencimentos de funcionários públicos, incluindo os ministros?, com ?um corte na banda dos 15, 20, 30 por cento -- 15 sem dúvida, 20 provavelmente?.

E, cereja em cima do bolo: ?A cru. Sem explicar nada. Ou melhor, explicando que ou é assim ou não é. Não querem, então não se faz".

É de Homem!

Choremos então pela alma do que resta da República nascida do 25 de Abril de 1974!

Em chegando a coisa a bater no fundo por via de regabofes vários e incompetências múltiplas, em nome da ética republicana vai-se aos mesmos de sempre para tapar os buracos - os que estão à mão e não podem fugir.

Desde logo os funcionários públicos, lembrados com estima e gula apenas nas sazonais épocas venatórias fiscais para sustento do sistema e desgoverno do Bloco Central na prática instalado.

Até se dá aqui uma achega para o festim.

Caiam logo sobre os mais qualificados, os tais que mais ganham porque não se renderam às delícias do subsídio e apoio estatal, e não tiveram os amigos certos nos lugares certos, que se limitaram a estudar, trabalhar, investir na formação e no mérito, e que por isso já auferem o "prémio" de pagarem 45% de impostos.

Segundo o referido crâneo, devem também, agora, ver-se legalmente esbulhados até 30% do seu "lauto" ordenado.

Em nome, naturalmente, da meritocracia e do prémio a quem luta pela excelência e salário a condizer.

Ficarão a receber o equivalente a um profissional desqualificado que na economia paralela ganha e não paga impostos, e menos de 1/100 do que auferem mensalmente os galifões, limpo de impostos, na corrupção facilitada pelos amigos certos nos lugares certos.

Não se sabe é se SEXA se inclui no rol de tais funcionários públicos, quanto ganha actualmente e se irá aplicar a si próprio a receita que recomenda para os outros. que nunca foram convidados para ministros, decerto por falta da qualidade que lhe sobra a si como se está a vêr.

Porque tais personagens surgem agora ouvidos atentamente pelo PSD e por Passos Coelho, temo que a troca com Sócrates, apesar das evidentes coincidências de estilo, não nos venham a ser favoráveis.

Cuidado Casimiro, cuidado com as imitações...cantava Sérgio Godinho.

Em letra agora muito actual e bem a propósito.

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