Vigarista, desonesto, aldrabão e execrável
«VIGARISTA, desonesto, aldrabão e
execrável», foi com esta inusitada violência
verbal que Carlos Queiroz qualificou o
jornalista do SOL que reproduziu duas afirmações
suas. A primeira sobre a manutenção,
ou não, da sua equipa técnica: «Só será decidida
quando eu regressar de férias». A segunda
sobre o balanço da Selecção no Mundial
da África do Sul: «Tendo em conta a estrutura
amadora da Federação, as coisas correram
muito bem».
Num primeiro momento, Queiroz garantiu que
as declarações a si atribuídas eram «falsas e
mentirosas». Num segundo momento, já na
6.ª-feira à noite, admitiu ter dito ao jornalista que
a questão da equipa técnica «só seria abordada
depois das férias».E, num terceiro momento, já
na tarde de sábado, confirmou a verdade: «Na
conversa, até admito ter usado a expressão
que deu toda a polémica, da estrutura amadora,
mas nunca o podia ter feito de forma
pejorativa». Queria, então, dizer que era amadora,
mas de modo muito profissional?!
O que é chocante neste episódio e na conduta
de Carlos Queiroz é a desfaçatez com que se atreve
a desmentir afirmações suas reproduzidas de
forma integralmente correcta (como o próprio
acabou por reconhecer). E a ligeireza com que
recorre ao insulto mais soez para disfarçar ou
encobrir as suas próprias fraquezas e irresponsabilidades.
Carlos Queiroz mente com facilidade, como fica
ilustrativamente comprovado. Foge a assumir o
que pensa ou, pior ainda, o que diz, ao ver-se metido
em encrencas. Ofende gratuitamente para
desviar as atenções dos seus erros. Não é procedimento
de gente séria e bem formada. Vigarista?!
Desonesto?! Aldrabão?! Execrável?! Apetece
dizer que Queiroz devia estar a ver-se ao espelho.
Queiroz tem, seguramente, qualidades
como profissional de futebol, ou não conseguiria
manter-se longos anos como adjunto de
Alex Ferguson no Manchester United. Mas faltam-
lhe características de líder, de quem é exemplo
e merece o respeito dos que o seguem. Como
se viu nos vários clubes por onde passou sem sucesso.
Como se viu no triste Mundial português
da África do Sul. E como se viu, sobretudo, neste
lamentável e inqualificável episódio.
jal@sol.pt