SOL

DITO&FEITO 23/07/2010

Publicação: 23 Julho 10 10:00

«Cortar na despesa do Estado é inexorável» para Portugal conseguir libertar-se do endividamento crónico em que tem vivido – avisava, há dias, Ernâni Lopes com a sabedoria de quem conhece bem os vícios do aparelho governativo e da administração pública; e com a lucidez de quem tem um pensamento livre aliado a uma reflexão profunda sobre a sociedade portuguesa e os constrangimentos da sua economia. Ora, soube-se agora, pelo balanço da execução orçamental no 1.º semestre, que a despesa do Estado continua – apesar de todas as promessas de contenção – a aumentar. Alegremente. Irresponsavelmente. No meio deste cenário, não deixa de ser perplexizante ouvir o ministro Jorge Lacão protestar contra a redução de 5% nos vencimentos dos assessores políticos que enxameiam os gabinetes. José Sócrates, aliás, já se opusera, na mesma linha, a igual diminuição nos salários dos políticos, classificando tal medida de demagógica e populista.

 

Quando se sabe que, neste e nos próximos anos, Portugal vai estar obrigado a uma cura radical de emagrecimento do Estado e do seu incomportável despesismo (que passará pela extinção de organismos, pela redução de clientelas, de pessoal e de salários), demagogia é escamotear-se esta inevitabilidade com um enganador optimismo embrulhado em discursos cor-de-rosa. Quando esta dura política de redução do nível de vida deveria ser acompanhada por um visível e efectivo combate às desigualdades sociais (onde Portugal é recordista na Europa e, a demonstrá-lo, o país onde cresceu mais, nestes primeiros meses de 2010, a venda de carros e, em especial, de carros de luxo), populismo é continuar a fazer de conta que há dinheiro para tudo e para todos, dos políticos aos assessores e demais clientelas.

 

Ernâni Lopes, com inexorável realismo analítico, não deixa dúvidas sobre o que nos espera: «Eu seguiria a lógica irlandesa e diminuiria os vencimentos dos funcionários públicos, incluindo os ministros, em15% sem dúvida, em 20% provavelmente». Em contraponto, a ministra Helena André veio prometer aumentos de 1,4% em 2011 e, no momento seguinte, dizer que, afinal, pode não ser bem assim. Este Governo e estes governantes ainda não perceberam de todo o filme em que estão metidos. Teme-se o pior.

por JAL

Comentários

# Liberdade said on Julho 23, 2010 11:50:

A despesa cresceu 4,3% não obstante o congelamento nominal dos salários do funcionalismo.

Imagine-se se tivessem sido concedidos os aumentos que os delirantes e autistas sindicalistas da nossa praça constantemente exigem!

Neste contexto de emergência económica-financeira-social, a revisão constitucional é tão oportuna quanto inevitável.

Mais urgente ainda é a extinção de organismos e serviços inúteis, bem como a redução nominal de salários e pensões. A dívida total de Portugal aproxima-se rapidamente de uns impensáveis 500.000.000.000?!

Mas como é hábito, os nossos (ir)responsáveis políticos só vão acordar no mês em que já não for possível colocar mais títulos da dívida pública (em média, são 1.000.000.000? por mês). E, nessa altura, nem salários nem pensões. Para ninguém?

# Portucalem said on Julho 24, 2010 0:39:

O problema reside no que entende Hernâni por "tocar na despesa pública".

Isto porque todos estamos de acordo em que é no lado da despesa que deve incidir o esforço para combater o endividamento estrutural que perigosamente nos assola.

E o espantoso é que se constata que o economista em causa, criticando que as medidas implementadas venham incidindo sobre o lado da receita, acaba por pugnar pelo aumento da receita à custa do corte nos salários de quem TRABALHA e já PAGA impostos religiosamente.

Considerando os salários dos TRABALHADORES do Estado como despesa que urge reduzir no imediato.

Pena é que, neste país, quando se trata de discutir soluções para o combate ao endividamento resultante do regabofe a que vimos assistindo há décadas, os crâneos deste país se reduzam no pensamento tido por brilhante a olharem para o autêntico maná que são os salários de quem TRABALHA e já paga impostos no limite do despudor sem poder fugir ao esbulho, centrando-se no facilitismo das soluções conjunturais.

Esquecendo sempre o lado estrutural das soluções e a justiça social que se impõe, nunca preconizando primacialmente o combate às mordomias das classes dirigentes e dos que gravitam na sua órbita e, ainda, dos que optaram por viver do erário público rejeitando trabalho por falta de vocação.

E logo, antes, divisando a silhueta esfíngica do acossado contribuinte líquido do costume, sempre à mão da voragem do fisco, mais fácil de sacar e com menos custos, garantindo cobrança e colecta certas com uma eficácia sem limites para que conste (em abono da excelência do funcionamento da máquina fiscal).

É a figura do Estado imoral e injusto, que não combate a economia paralela, a corrupção e o despesismo improdutivo, supérfluo e ostensivo (ainda há dias a notícia das dezenas de viaturas adquiridas para conforto de alguns nababos, que assim dão o exemplo...), mas é sempre célere a distribuir pelos mesmos de sempre o que vai sacando até ao tutano aos tais TRABALHADORES contribuintes de cócoras e bolsas permanentemente à disposição da colecta cega e dita eficaz.

Esta, sim, a despesa fundamental do Estado:

- Com quem TRABALHA e já paga religiosamente o regabofe instalado.

Sacando, desde logo, sobre os "chorudos" vencimentos dos funcionários públicos, a quem o Estado já desconta mensalmente à cabeça no salário e depois devolve sem juros quando quer e como quer.

Em chegando a coisa a bater no fundo por via de regabofes vários e incompetências múltiplas, em nome da ética republicana vai-se aos mesmos de sempre para tapar os buracos - os que estão à mão e não podem fugir.

Desde logo os funcionários públicos, lembrados com estima e gula apenas nas sazonais épocas venatórias fiscais para sustento do sistema e desgoverno do Bloco Central na prática instalado.

Até se dá aqui uma achega para o festim.

Caiam logo sobre os mais qualificados, os tais que mais ganham porque não se renderam às delícias do subsídio e apoio estatal, e não tiveram os amigos certos nos lugares certos, que se limitaram a estudar, trabalhar, investir na formação e no mérito, e que por isso já auferem o "prémio" de pagarem 45% de impostos.

Segundo o referido crâneo, devem também, agora, ver-se legalmente esbulhados até 30% do seu "lauto" ordenado.

Em nome, naturalmente, da meritocracia e do prémio a quem luta pela excelência e salário a condizer.

Ficarão a receber o equivalente a um profissional desqualificado que na economia paralela ganha e não paga impostos, e menos de 1/1000 do que auferem mensalmente os galifões, limpo de impostos, na corrupção facilitada pelos amigos certos nos lugares certos.

Chama-se a isto nivelamento social por baixo, que até faria corar de vergonha a igualdade preconizada por Carl Marx porque isenta do mínimo laivo de ideologia consistente e fundada nas necessidades merceeiras dos cofres do Estado.

Caro JAS, não me parece que o exemplo que dá dos carros de luxo cuja venda exponencial se vem verificando nestes primeiros meses de 2010 se aplique numa relação causal aos tais TRABALHADORES da função pública.

Será que inclui no rol alguma das dezenas de viaturas topo de gama adquiridas em plena crise financeira pelo Executivo, que autorizou a renovação da frota do Estado?

É que, segundo rezam as crónicas (cfr. CM), 608 viaturas novas terão custado 7,7 milhões de euros, e o Governo autorizou nos últimos dois anos, período correspondente à maior crise financeira mundial nas últimas sete décadas, a compra de 922 veículos para a frota dos ministérios e dos institutos públicos.

Vergonha sentirá um funcionário público de topo, que desconta já 45% do seu salário, ao vêr preconizar-se uma redução deste até 30% e ao sentir uma drástica diminuição do nível de vida já não correspondente ao investimento de uma vida no mérito e excelência de uma carreira.

E como exemplo do nível de vida que alguns teimam em conservar e outros apenas se vêm obrigados a sustentar, e pegando no exemplo do crescimento das vendas de carros de luxo (que se adapta aos imóveis de luxo, aos bens consumíveis de luxo, etc., sempre em alta e apanágio do paradigma de justiça social de algumas mais ou menos preconceituosas mentes hodiernas... sempre preocupadas com as "elevadas mordomias" dos funcionários públicos e seu potencial fiscal), o tal funcionário público não troca de carro com a frequência que o exemplo exige, por não dispor de possibilidades económicas para o efeito por via de inúmeras despesas com o agregado familiar, desde logo a formação dos filhos (isto, nauralmente, para quem ainda olhe para a família e valores inerentes como o último bem a preservar).

Funcionário que, vendo ser desprezado o mérito que alcançou, e sentindo-se visto como mero objecto preferencial do fisco para manutenção forçada do status quo de alguns privilegiados do sistema, limita-se a, ensanduichado,  presenciar o regabofe dos que podem tudo, de cima e de baixo.

Dos ministérios e dos institutos públicos, que vão tendo pópó novo à conta dos mesmos (adivinhem quem...) à ostentação em certos Stands de desportivos topo de gama onde diariamente pululam hordas de jovens bronzeados, com corpos moldados pelo culturismo e tatuagens várias, ao volante de espampanantes mercedes e BMW de milhares de Euros.

O que repugna no meio disto tudo é o valor hoje atribuído ao estudo, formação, TRABALHO e mérito, reduzindo-se a dignidade  do TRABALHO e de quem TRABALHA, e já contribui avultada e religiosamente para a sociedade em que vive, à mera capacidade de produção fiscal de cada um face às necessidades vorazes da vasta clientela que importa manter à babugem das mesas de voto!

Quo vadis lusitania!

# HUMBERT1820 said on Agosto 2, 2010 9:08:

O problema é que o país não tem crescimento económico quando tiver taxas de 3 ou 4% de crescimento económico, vão reduzir a despesa porquê se o crescimento económico compensa as despesas?

O importante nesta questão da "crise" é saber de tudo quanto se disse de crise de despesa quais as medidas de para cortar o déficite para reduzir as despesas vão realmente ser aprovadas O jornal Sol pode fazer essa investigação de tudo quanto se disse desde 2005 até ao fim da "crise" foram feitos cortes se" o que foi feito em termos de cortes de despesa onde  etcetecetecetecetecetece e outra questão ainda Portugal onde mais telemóveis se vendem mais carros de luxo mais pessoas vão de férias  etcetcetcetcetcetcetc tem um problema económico onde, que economia é a economia portuguesa? O mundo está diferente a economia do mundo está diferente está partida no mundo e em Portugal uma grande economia que produz grande riqueza e faz mais milionários e uma pequena economia que vai andando o problema é que a grande economia puxa os preços para cima porque os pode pagar fazendo com que o mundo da pequena economia que produz uma riqueza de baixo valor de baixos preços e salários não pode comprar os mesmos produtos ao preço que a economia de grande valor os paga no mercado. Isto num mundo em que cada vez mais pessoas passam para o mundo do consumo.

# HUMBERT1820 said on Agosto 2, 2010 9:18:

A questão importante neste momento é que  a economia não produz produtos novos que substituam os produtos que estão no mercado e que está esgotada a procura só as sociedades onde agora se começa a procurar os primeiros bens não essenciais é que ainda há procura para os produtos existentes: exemplo é a produção Apple que tem trazido para o mercado produtos novos e que criam mercado

# leaodaselva said on Agosto 9, 2010 17:31:

O diagonóstico está feito, o remédio também se sabe qual é, o pior é fazer o tratamento, porque os doentes provávelmente recusam-se a tomar o remédio.

Que Portugal tem que reduzir a despesa pública, é mais que conhecido, é velho e relho. Agora haver um primeiro-ministro e um governo com coragem e tomates para pôr essas medidas em prática, é que é o diabo. Este governo e em especial o anterior, já tomou muitas medidas nesse sentido, e deram os seus frutos. Agora veja-se o que é que lhe chamaram.

De tudo, o pior e emaginário. Só lhe não chamaram foi pai, e se chamassem seria pai tirano.

Porque o governo seja este ou outro tem que dar tudo e fazer tudo à medida do que todos querem.

É certo que há muitos organismos do Estado que deviam ser extintos, porque muitos deles nada produzem. As Câmaras Municipais são uns autenticos cancros que deviam ser postas na linha. As desigualdades sociais deviam ser corrigidas porque são gritantes etc. Agora haja um primeiro-ministro com a tal coragem para fazer isso tudo, e depois vejam o alarme social que isso provoca.

Extingue organismo públicos, não é necessário estar a citá-los, sabe-se quais são, e depois o que é que fazem aos funcionários-trabalhadores? Vão para o  desemprego, não lhe pagam, isso é que era bom, põe-se logo tudo a gritar e a barafustar.

Reduzir funcionários do Estado? Dizem que há funcionários a mais, a mesma coisa, se os despedirem querem que lhe coninuem a pagar.

Depois a comunicação social tem neste aspecto um papel deplorável. Está com gregos e troianos.

Por um lado diz que o governo não reduz a depesa, não reduz o défice, o desemprego aumenta, o endividamento aumenta, etc. Mas se o governo tiver a coragem de extinguir um desses organismo de que fala e o seus funcinários irem para o desemprego, logo se põe tudo a gritar e a barafustar, porque o governo tem a obrigação de manter os empregos, etc. E isto são as notícias que a populaça gosta, trágicas, quanto mais melhor, dizer mal do Sócrates para ver se ele cai já, para vir um governo que dê tudo. O governo é preso por ter cão e preso por não ter. E a comunicação social que temos não ajudda nada a tarefa do governo, que é hérculea, só o que faz bem é atirar achas para a fogueira, que é o que vende.

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