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A insensatez de Cunhal

Publicação: 30 Julho 10 12:31

Apesar da trapalhada que é a proposta de alteração dos poderes presidenciais, contraditórios entre si e incongruentes na prática, o PSD soube assumir a iniciativa política numa matéria – a revisão da Constituição – da qual retirará dividendos políticos a prazo. E para a qual levou a reboque todos os outros partidos, a começar pelo PS que já só questiona o calendário da revisão. Todos os partidos? Todos, não. O PCP, como é da tradição, já fez saber que «não quer que se abra o processo de revisão nem agora, nem depois das presidenciais»... nem nunca.

 

E a propósito dos métodos de decisão e de formulação das orientações políticas do PCP, vale a pena ler, neste tempo de férias, o livro que Carlos Brito publicou recentemente sobre Álvaro Cunhal e os mais de 30 anos que passou ao seu lado na direcção do PCP. Brito dá-nos a conhecer melhor a sempre reservada e encoberta figura de Cunhal.

 

Constata-se, por um lado, que o histórico líder do PCP ao longo de meio século cometeu erros políticos de palmatória. Como o de levar a Comissão Executiva do PCP a qualificar o golpe militar de 16 de Março de 1974 de manobra «putschista» e a profetizar que o fascismo «não cairá por si próprio, nem tão-pouco pela acção de umas dezenas de oficiais do Exército». Isto a menos de um mês do 25 de Abril. Ou como o de ter imposto ao X Congresso, gratuita e precipitadamente, a exclusão de «qualquer apoio do PCP a uma candidatura de Mário Soares a PR».

 

O que o obrigou a convocar à pressa, após a passagem de Soares à 2.ª volta, um Congresso Extraordinário apenas para o partido voltar com a palavra atrás.

 

Confirma-se, por outro lado, que era Cunhal quem tudo antevia, decidia e levava à prática na direcção do PCP. Desde as viragens na linha do partido, como o recuo no Verão Quente de 1975, às teses dos Congressos, às entrevistas de fundo, aos principais comunicados, etc., Cunhal dirigia tudo. Mesmo tudo. Qual prevalência do colectivo partidário, qual centralismo democrático, qual quê. O PCP viveu mais de 50 anos em hipercentralismo autocrático. O livro de Carlos Brito é bem elucidativo a esse propósito.

 

Entratanto, esta semana, o membro da Comissão Política do PCP, Jorge Pires, veio propor «a nacionalização da banca». A sensatez de Cunhal continua, apesar de tudo, a fazer falta na Soeiro Pereira Gomes.

 

jal@sol.pt

por JAL

Comentários

# Liberdade said on Julho 30, 2010 15:46:

O facto de o PS ir sempre a reboque deste ou daquele partido configura uma marca identitária da maneira de fazer política dos Xuxas. E não tem acontecido apenas nas várias revisões constitucionais.

Têm um discurso político para as massas de tontos, jurando defender este e aquele ?direito?, ou prometendo mais esta ou aquela benesse, ao mesmo tempo que, por trás, negoceiam acordos, mais ou menos tácitos, que desmentem todas essas declarações.

Veja-se o caso do SNS, cuja gratuitidade e universalidade o Pinocchio jurou defender a todo o custo (os contribuintes que sejam esfolados?), ao mesmo tempo que vai fechando serviços públicos e abrindo caminho para os privados, impondo taxas (até para os internamentos!), privatizando ou concessionando a gestão de hospitais, pactuando com a indústria farmacêutica, com as farmácias e com a Ordem dos Médicos no mega negócio dos medicamentos, etc.

Quanto ao PCP, a História já disse tudo?

# HUMBERT1820 said on Agosto 2, 2010 8:44:

Não só o PCP de Jorge Pires Joe Berardo propôs também que o Estado devia nacionalizar tudo e começar tudo outra vez

# HUMBERT1820 said on Agosto 2, 2010 8:46:

Nós também defendemos que o governo PS deveria nacionalizar a economia era uma forma do país ter projectos políticos diferentes e que o PS tem saudade de ter a capacidade de mandar nas empresas, de lei

# HUMBERT1820 said on Agosto 2, 2010 8:46:

Nós também defendemos que o governo PS deveria nacionalizar a economia era uma forma do país ter projectos políticos diferentes e que o PS tem saudade de ter a capacidade de mandar nas empresas, de lei

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