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NÃO é fácil perceber o que terá levado José Sócrates e Passos Coelho a fazerem da questão das deduções fiscais em Saúde e Educação a pedra basilar do Orçamento para 2011. E muito menos se afigura de fácil compreensão o que, verdadeiramente, cada um pensa e defende nesta matéria.
O líder do PSD começou por colocar, como uma das duas «condições minimalistas» para viabilizar o OE, não haver «mais aumentos de impostos», de forma directa ou indirecta. Incluindo nesta última a redução das deduções fiscais. Face à inflexibilidade de Sócrates, o secretário-_-geral do PSD, Miguel Relvas, veio abrir a porta a uma cedência, dizendo que o problema não é nos escalões das classes mais altas: «O que é inaceitável é o Executivo querer mexer a partir do 3.º escalão». No dia seguinte, o conselheiro económico de Passos, Nogueira Leite, mostrou a sua discordância: «O PSD não deve transigir nas deduções fiscais. Não deve haver transigência em relação a nada». Face à barafunda instalada, o próprio Passos Coelho esclareceu no SOL que «não deve haver aumento de impostos em nenhum escalão». Para, um dia depois, adiantar ao Expresso outra versão: «Se o Governo tivesse dito que cortava as deduções a partir do 6.º ou 7.º escalão, ainda era compreensível». Confusos? O próprio Passos Coelho parece estar.
Sócrates, por seu lado, afirma a pés juntos que o recurso dos contribuintes às deduções «é, sem dúvida, uma injustiça do nosso sistema fiscal que o PS quer legitimamente corrigir». Por sinal, este é o mesmo Sócrates que se indignava, há menos de um ano, clamando que os cortes nas deduções fiscais conduziriam a «um brutal aumento para a classe média». Agora, passou a ser «uma injustiça» não aumentar a carga fiscal da classe média. Contraditório? Não, é apenas Sócrates no seu melhor.
COM UM Orçamento que terá de baixar o défice público em 4 mil milhões de euros (de 7,3% para 4,6% do PIB), 600 mil desempregados e o risco de incumprimento da dívida portuguesa a bater recordes negativos nos mercados internacionais, Sócrates e Passos só podem andar a brincar com a falsa querela das deduções ficais. A brincar com o fogo.
jal@sol.pt
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Durão barroso
Deu um passo importante para uma política europeia mais unificada e coesa, a nível económico e financeiro, com a aprovação da coordenação prévia obrigatória, em Bruxelas, das grandes linhas orçamentais de cada um dos países da UE. E o seu primeiro ‘discurso do estado da União’, ao estilo dos presidentes norte-americanos, não deixou de abordar a necessidade de regulação e fiscalização do sector financeiro, responsável pela recente crise, ou os problemas da imi- gração legal e ilegal na Europa – alertando para os perigos do racismo e da xenofobia, em paralelo com os direitos das minorias. As reacções e críticas que suscitou de vários sectores demonstram que foi mais do que um discurso de circunstância.

Marinho Pinto
Frequentador assíduo das tribunas mediáticas, o bastonário da Ordem dos Advogados aproveitou a sentença do processo Casa Pia para prosseguir a sua cruzada pessoal contra o poder judicial e, em particular, contra as magistraturas. Acusa e denigre tudo e todos com uma ligeireza de pasmar. E despeja declarações incendiárias com a regularidade de um pirómano compulsivo. Tão preocupado com os seus ódios de estimação e cada vez mais encostado ao poder político em funções, quase se esqueceu das vítimas da Casa Pia. Pois é: houve vítimas, jovens abusados e violentados anos a fio. É bom não esquecer.
Carlos Cruz
Compreende-se a sua reacção e o desespero face à sentença que o condenou. Mas não é por aparecer todos os dias em todas as televisões que altera os factos apurados em tribunal ou a futura apreciação dos recursos. Só cansa quem já ouviu e tornou a ouvir as suas alegações. E divulgar centenas de nomes referidos a eito no processo, sem fundamentos que os levassem a tribunal, em nada melhora a sua situação ou a sua imagem. Só contribui para espalhar, gratuita e irresponsavelmente, a lama que envolve este processo.
Gilberto Madaíl
Após uma década em que marcou presença ininterrupta em seis fases finais de Europeus e mundiais, Portugal está praticamente afastado do apuramento para o Campeonato da Europa de 2012. Com o ridículo de um seleccionador suspenso e de uma Federação que deixou instalar o caos na Selecção nacional. Termina o seu consulado na FPP de forma lastimável e desprestigiante.
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No passado sábado, ao mesmo tempo que aproveitava uma oportuna visita a Ourique para desdramatizar a eventualidade próxima de qualquer crise política e avisar PS e PSD que não lhe parece «difícil» um entendimento em relação ao Orçamento do Estado para 2011, o Presidente da República aparecia em grande destaque numa reportagem intimista sobre as suas férias. Um dia em cheio para Cavaco Silva.
Não por acaso, certamente, o jornal escolhido para revelar, ao longo de seis coloridas páginas, os ‘segredos das férias’ do Presidente foi o Correio da Manhã, por sinal aquele que actualmente mais exemplares vende em Portugal. E, ainda que Cavaco Silva sublinhe que «toda» a sua «actividade está concentrada» no exercício das funções presidenciais, lá conseguiu disponibilizar umas dilatadas horas para mostrar a sua casa de praia e as arribas sobranceiras ao mar, a ‘quintinha’ onde preserva o seu recanto rural e a sua ligação às raízes, com as oliveiras e as anonas de que tanto se orgulha, e até para um passeio paisagístico coroado com a contemplação de flamingos numa lagoa.
Já se tornaram habituais estas promoções de imagem dos líderes políticos, metodicamente planeadas e protagonizadas com assinalável profissionalismo. Nas quais abrem as portas da sua privacidade e da sua vida familiar para mostrarem uma faceta mais informal, simples e descontraída, mais afectiva e próxima dos cidadãos eleitores. Qualquer Presidente da República ou primeiro-ministro a elas recorre, ocasionalmente. Tornaram-se indispensáveis, no marketing político, para alargar simpatias e melhorar a popularidade.
E, acrescente-se, dão um jeitão a candidatos presidenciais em vésperas de eleições. Mesmo quando asseguram que «há tempo para tudo e este não é o tempo de tratar da questão» da recandidatura. Se não é o tempo, imita muito bem.
jal@sol.pt
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Cavaco Silva
Decidiu marcar a sua rentrée política para o último sábado de Agosto. E fê-la com mensagens certeiras. Esvaziando as previsões de uma crise política a propósito do Orçamento para 2011, manifestou-se seguro de que «haverá, com certeza, um diálogo que permitirá um compromisso» e sublinhou que nem admite a ideia de qualquer «instabilidade política». E remeteu para o médio prazo o incómodo tema, em véspera de eleições presidenciais, da revisão constitucional lançada pelo PSD. Assim balizou e condicionou a margem de manobra do Governo e da Oposição para os próximos meses. Como, aliás, já se esperava.
Valter Lemos
Nas últimas semanas, já ouvíramos o secretário de Estado do Orçamento a fazer malabarismo com os números da despesa pública e da preocupante execução orçamental. Já escutáramos o secretário de Estado das Obras Públicas a fazer afirmações delirantes sobre o enorme endividamento da Estradas de Portugal e o adiamento das portagens das SCUT. Agora, foi a vez do secretário de Estado do Emprego pôr em causa a credibilidade do Eurostat, por este anunciar uma taxa de desemprego de 11% que não agradou ao marketing de S. Bento. Estamos, pois, entregues a um Governo de secretários de Estado lunáticos... e sem ninguém que os controle.
Carlos Queiroz
Depois da suspensão por um mês decidida pelo CD da Federação, mais uma punição de seis meses aplicada pela Associação Antidopagem. E mais uma entrevista do ainda seleccionador a tentar corrigir e desdizer o que disse. Com outro processo disciplinar em curso, só falta saber quando é que sai de vez. E termina este calvário.
Gilberto Madaíl
O Presidente da Federação está a arrastar uma situação insustentável, por falta de capacidade de decisão, que coloca a Selecção portuguesa – a jogar, durante meses, com um treinador suspenso... – numa posição ridícula a nível internacional. As renúncias de Deco, Simão e Paulo Ferreira são o espelho da desagregação a que se deixou chegar a Selecção. Está à espera de quê? Que todo o edifício do futebol português desabe – em piloto-automático, como se atreveu a dizer?
José António Lima
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AÍ ESTÁ o tradicional candidato às presidenciais do PCP, depois de, à esquerda, já terem aparecido Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor Moura. É mais um candidato comunista para marcar terreno, aproveitar os tempos de antena para propaganda partidária e desistir a favor de outro – como Jerónimo de Sousa em 96, Ângelo Veloso em 86 ou Carlos Brito em 80? Ou é um candidato que o PCP arrisca levar à contagem de votos – como Jerónimo em 2006, António Abreu em 2001, Carvalhas em 91 ou Octávio Pato em 76?
Jerónimo de Sousa garante que o quase desconhecido a nível do país (mas bem conhecido no pequeno mundo da Soeiro Pereira Gomes) Francisco Lopes vai «assumir plenamente o exercício dos seus direitos, desde a apresentação até ao voto». Mas a verdade é que o PCP já disse o mesmo noutras candidaturas que se finaram em inevitáveis desistências.
O líder do PCP, no entanto, vai mais longe e teoriza: «É um equívoco pensar que, neste quadro, numa 1.ª volta, é um mal a existência de várias candidaturas». Até porque «ou o candidato da direita, Cavaco Silva, ganha com mais de 50% perante uma ou 10 candidaturas, ou não ganha e a questão da 2.ª volta coloca-se». É um argumento que se reduz a uma falácia. Há cinco anos, recorde-se, Cavaco Silva ganhou à 1.ª volta com mais de 50%. Mais precisamente com 50,5%... graças à pulverização da esquerda por quatro candidatos: Alegre, Soares, Jerónimo e Louçã.
Francisco Lopes, com o seu perfil apagado e aparelhístico, é obviamente um candidato para desistir. Por duas razões simples.
Porque o PCP não quer arcar aos ombros com a responsabilidade de impedir Manuel Alegre de chegar à 2.ª volta. E porque levar um candidato como Francisco Lopes a votos poderia revelar-se eleitoralmente suicidário para o PCP: Lopes corria o risco de fazer pior que os humilhantes 5,2% alcançados há dez anos pelo candidato comunista António Abreu.
jal@sol.pt
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Domingos Paciência
Continua a deixar a sua marca na história do Sp. Braga. Depois do 2.º lugar no Campeonato, aí está a categórica vitória sobre o Sevilha e a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões. Com os milhões garantidos na Champions e nas vendas de jogadores (Eduardo, Evaldo, entre outros), já obteve receitas que duplicam o orçamento do futebol bracarense para toda a época 2010/11. E uma equipa que elimina, de seguida, o Celtic e o Sevilha pode ter a legítima aspiração de chegar longe nos grandes palcos do futebol europeu.
Francisco Lopes
O PCP escolheu-o para candidato presidencial, proporcionando-lhe, assim, quatro meses de grande exposição mediática. O que pode ser um pau de dois bicos: se é, há muitos anos, um dirigente com funções de topo nos organismos do PCP_(e esta nomeação partidária para a corrida a Belém é o reconhecimento desse estatuto interno), nunca revelou, por outro lado, aptidões, nas lides parlamentares e afins, para as exigências oratórias, de imagem e de raciocínio rápido inerentes a esta intensa intervenção mediática e aos debates políticos. Antes pelo contrário: o seu perfil de reservado ortodoxo da velha guarda do PCP não ajuda muito. Mas vai ter, nos próximos meses, o seu momento de celebridade pública.
Jorge Jesus
Se o guarda-redes Roberto se converteu no pesadelo dos adeptos benfiquistas, foi do treinador a aposta e a insistência no quase desconhecido guardião espanhol (bem como a dispensa de Quim...). Depois do festejado título de campeão da época passada, ainda tem capital de confiança dos associados do Benfica. Mas a sua margem de tolerância começa a reduzir-se perigosamente: novas derrotas, a somar à série negra das últimas semanas, colocá-lo-ão a ele como alvo principal das críticas.
José Sócrates
No momento em que os juros da enorme dívida pública portuguesa continuam a subir, em que as agências internacionais traçam cenários ainda mais preocupantes sobre a evolução da economia nacional, em que a subida da despesa vem pôr em causa a execução orçamental, o primeiro-ministro rejubila em público com vírgulas ilusórias de um crescimento económico mínimo. Vive, decididamente, noutro planeta. Teme-se o pior.
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Vitalino Canas, que ficou a assegurar os serviços mínimos do PS na época balnear, apareceu ao país, nas televisões, com ar escandalizado, por Passos Coelho ter sido «tão claro no seu discurso» do Pontal ao «abrir a possibilidade de uma crise política, associada com a não aprovação do Orçamento para 2011». Com voz contristada, Canas lamentou ainda que o líder do PSD tivesse lançado tal heresia «em pleno mês de Agosto», mês que, no entender de Canas, deve estar reservado aos incêndios e às retemperadoras férias dos políticos – excepto alguns desventurados como ele, obrigados a ficar de serviço para responderem com frases ocas e de circunstância a qualquer iniciativa imprevista dos partidos adversários.
Ora, é certo que o discurso de Passos Coelho, no ressuscitado Pontal, foi muito contundente na forma – fez uma espécie de ultimato a Sócrates e ao PS «até ao dia 9 de Setembro» para assumirem se querem ou não governar o país e até sublinhou: «O aviso está feito e é muito claro». Mas não é menos verdade que a intervenção e as exigências do líder do PSD não podiam ser mais brandas no conteúdo – apenas impôs, para deixar passar o OE de 2011, que o Governo «aperte na despesa pública» e «não aumente os impostos, por exemplo através da forte redução das deduções fiscais na área da Saúde e da Educação».
Cabe a Sócrates, que não tem maioria de apoio suficiente no Parlamento, tomar a iniciativa de abrir o diálogo com os partidos da Oposição para viabilizar o OE de 2011. E as suaves condições de Passos Coelho não parecem difíceis de negociar. Aceitando mesmo uma redução fraca – forte não, claro – das deduções fiscais. Não valia a pena o pobre Vitalino Canas ter-se escandalizado tanto.
Se o Pontal correu, política e mediaticamente, bem a Passos Coelho, há pormenores que são reveladores para o futuro. O seu desmedido elogio público a Menezes, a sua bênção a Mendes Bota e o regresso à cena de figuras como Arlindo Carvalho (só lá faltava o seu amigo Isaltino) revelam que Passos Coelho não é um líder liberto de compromissos. Que está em alto grau dependente do velho aparelho do PSD. E do pior que esse aparelho tem. Preocupante…
jal@sol.pt
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David Blanco
Venceu pela 4.ª vez em cinco anos a Volta a Portugal em Bicicleta, igualando o recorde de Marco Chagas. O ciclista da equipa Palmeiras, de Tavira, foi o vencedor incontestado, triunfando também nas etapas mais exigentes: as subidas da Sra. da Graça e da Serra da Estrela. E junta o seu nome aos dos grandes ciclistas da história da Volta a Portugal: Alfredo Trindade e José Maria Nicolau, Alves Barbosa e Ribeiro da Silva, Joaquim Agostinho e Marco Chagas. Em 2011, poderá tornar-se o único com cinco vitórias.
Jorge Costa
Vencer o Benfica na Luz, com a Académica jogando quase toda a 2.ª parte com 10 contra 11, é o melhor início de Campeonato que o treinador da equipa coimbrã poderia desejar. Depois de uma carreira recheada de títulos como jogador do FC Porto, iniciou há menos de quatro anos o percurso como técnico. Primeiro, colocou o Olhanense, 34 anos depois, de volta à I Liga. Agora, ao derrotar o actual campeão nacional no seu estádio, estreou-se de forma prometedora no comando da Académica.

Carlos Queiroz
Afirmou, em mais uma das suas tiradas de arrogância egocêntrica, que só morto sairia da Selecção. Depois do seu comportamento insultuoso neste caso e das entrevistas desresponsabilizadoras que se precipitou a dar (comprometendo Nani, desmerecendo Cristiano Ronaldo e atacando dirigentes da Federação), pode dizer-se que não sai morto mas fica moribundo. Com a sua imagem de liderança irremediavelmente afectada pelo castigo de suspensão. E com a confiança e o respeito que lhe restavam dos jogadores definitivamente minados pelo que andou a dizer. Quanto tempo mais sobreviverá?
Ana Jorge
Há três semanas que a ministra da Saúde mantém um silêncio inexplicável sobre o caso dos doentes que cegaram numa clínica de Lagoa não licenciada... mas a funcionar há sete anos. É esta a fiscalização, a prevenção e a preocupação que os portugueses podem esperar do Estado na área da Saúde? É normal e aceitável que um responsável dos serviços de Saúde venha afirmar, com ligeireza e a maior das naturalidades, que há muitas clínicas, de várias áreas, sem alvará? A ministra nada tem a dizer. Ainda deve estar, algures, de férias.
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SOL...
Nuno Amado
O PRESIDENTE do Santander Totta viu o seu banco ser classificado, após os testes de resistência divulgados pelo Banco de Portugal, como o mais sólido e mais preparado de todos os bancos portugueses para enfrentar situações adversas. Cotando-se à frente do BPI, CGD, BCP e BES, o Santander Totta consegue um excelente marketing para a sua imagem. E, no momento em que ainda se arrastam as polémicas do BPN e do BPP, são boas notícias as que apontam a solidez da generalidade da banca portuguesa para resistir a um eventual agravamento da crise económica e financeira.
ANDRÉ VILLAS BOAS
A APOSTA do FC Porto no ex-adjunto de José Mourinho foi uma espécie de ‘tiro no escuro’, dada a sua curta carreira de treinador, com uma breve passagem pelo comando da Académica. Mas a aposta começa a dar resultados, com a conquista da Supertaça no jogo contra o Benfica, em que a equipa portista esteve muitos furos acima dos seus pálidos opositores. É o primeiro troféu deste jovem treinador de apenas 32 anos, a quem os adeptos do FC Porto exigem mais: a conquista do título de campeão. Veremos se lá chega.
...e SOMBRA
Narciso MIRANDA
TOMOU conhecimento de que lhe vai ser aplicada, pelos órgãos jurisdicionais do PS, a pena de expulsão do partido. E reagiu indignadamente, fazendo um enorme charivari em tudo o que é comunicação social. Estava à espera de quê depois de ter encabeçado uma lista contra o PS nas últimas autárquicas? Que o partido aceitasse um acto desses, que configuraria a sua própria negação? Que pudesse concorrer um dia pelo partido e, no dia seguinte, contra ele? Não por acaso, é em Matosinhos que Sócrates e o PS vão fazer a sua rentrée política...
CÂNDIDA ALMEIDA
TODO o seu comportamento ao longo destes últimos anos da investigação do caso Freeport levanta as maiores perplexidades, origina um rol de perguntas sem respostas cabais e suscita fundadas suspeições. O resultado final é desastroso para o Ministério Público e para a imagem da Justiça. E irremediavelmente fatal para a credibilidade da directora do DCIAP. Já devia ter retirado as devidas e inevitáveis consequências.
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À esquerda, multiplicam-se as minicandidaturas às presidenciais. E com um argumento singular: o de que a profusão de candidatos, ao invés de enfraquecer – como parece óbvio – a campanha unitária de Manuel Alegre, vem, sim, dificultar a eleição de Cavaco Silva. O picaresco Defensor Moura, que se assume como «o candidato amigo dos animais» e cuja «primeira aposta será a regionalização» (para criar mais uns milhares de cargos políticos entregues às clientelas partidárias), garante: «Quanto mais candidatos, melhor». E o não menos pitoresco Fernando Nobre, que assegura ser «o único candidato independente e suprapartidário» (à falta de qualquer partido que o queira apoiar), não lhe fica atrás: «Quanto mais candidaturas houver, mais se discutirão propostas e ideias. Venham elas, são todas positivas». Aguardemos, pois, mais candidatos à procura de palco mediático para as suas ideias originais e vaidades pessoais. A coisa ameaça não ficar por aqui.
À direita, também há quem não desista de lançar mais candidaturas na corrida a Belém. Ribeiro e Castro e Bagão Félix aparecem todas as semanas a falar do tema e a empurrarem-se um ao outro, sem que nenhum se decida.
Curiosamente, por detrás destes ensaios de candidaturas mais ou menos folclóricas estão dois vultos bem conhecidos da política portuguesa. Fernando Nobre e Defensor Moura reconhecem ter falado com Mário Soares antes de anunciarem a intenção de recolher as necessárias assinaturas. Bagão Félix e Ribeiro e Castro, por seu lado, não escondem que têm discutido amplamente as várias hipóteses de candidatura com Santana Lopes. Terá Soares alguma coisa contra Alegre? E Santana contra Cavaco?
A verdade é que Santana Lopes, que havia dado um prazo impreterível até ao final de Julho para surgir um qualquer candidato alternativo a Cavaco, voltou esta semana a insistir: «É mesmo necessária esta candidatura». Quem será o Defensor Moura da direita que Santana tem em mente? Pelo andar da carruagem, arrisca-se a ser ele próprio.
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É ridículo, é quase anedótico, que um processo judicial com a importância social e política do caso Freeport, envolvendo o próprio primeiro-ministro, chegue ao fim sem nada apurar de relevante. E com listas de perguntas, 27 a José Sócrates e 10 a Pedro Silva Pereira, não efectuadas por falta de tempo (!) ou por obrigação, imposta pela directora do DCIAP, Cândida Almeida, de se encerrar apressadamente o caso. Este episódio é o espelho do imenso descrédito em que se atolou a Justiça portuguesa.
Ainda mais ridículo, se possível, é o espectáculo dado por um procurador-geral da República que só ao fim de quatro anos no cargo descobre que tem «os poderes da Rainha de Inglaterra». Pinto Monteiro é um PGR que sacode sempre as responsabilidades de cima do seu casaco: ou as tenta disfarçar com inquéritos de averiguações que nunca dão em nada, ou atira as culpas para quem estiver mais à mão, neste caso o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. É um PGR que impõe o ineditismo legal de manter em funções o seu vice-PGR já incompatível para o cargo. É um PGR que se permite a prática insólita de rasurar despachos por si exarados, como aconteceu com as escutas do processo Face Oculta. É um PGR capaz de desdizer com um sorriso tudo o que antes dissera, como o que agora veio afirmar, ao contrário do que garantira em Março, sobre a autonomia do Ministério Público. Pior ainda e mais grave: é um PGR que esteve sempre, por acções e omissões, alinhado e protegendo o poder político em funções.
Pinto Monteiro deixou de ter as condições mínimas necessárias para exercer o cargo de PGR com dignidade e com o respeito dos portugueses. E a procuradora Cândida Almeida deveria ter-se reformado há dois ou três anos, por forma a evitar a série de infelizes e desprestigiantes episódios que tem protagonizado neste seu final de carreira. Alguém da confiança de ambos, algum responsável do PS por exemplo, deveria aconselhá-los a procurar a porta de saída.
P. S. – Mário Bettencout Resendes tinha um pensamento aberto e sem amarras, o gosto da notícia e o saber de a comunicar, princípios sólidos, seriedade e isenção – características essenciais à prática do bom jornalismo. Em Portugal, nesta como nas outras profissões, não há muitos que reúnam tantas qualidades. Vai fazer falta.
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Apesar da trapalhada que é a proposta de alteração dos poderes presidenciais, contraditórios entre si e incongruentes na prática, o PSD soube assumir a iniciativa política numa matéria – a revisão da Constituição – da qual retirará dividendos políticos a prazo. E para a qual levou a reboque todos os outros partidos, a começar pelo PS que já só questiona o calendário da revisão. Todos os partidos? Todos, não. O PCP, como é da tradição, já fez saber que «não quer que se abra o processo de revisão nem agora, nem depois das presidenciais»... nem nunca.
E a propósito dos métodos de decisão e de formulação das orientações políticas do PCP, vale a pena ler, neste tempo de férias, o livro que Carlos Brito publicou recentemente sobre Álvaro Cunhal e os mais de 30 anos que passou ao seu lado na direcção do PCP. Brito dá-nos a conhecer melhor a sempre reservada e encoberta figura de Cunhal.
Constata-se, por um lado, que o histórico líder do PCP ao longo de meio século cometeu erros políticos de palmatória. Como o de levar a Comissão Executiva do PCP a qualificar o golpe militar de 16 de Março de 1974 de manobra «putschista» e a profetizar que o fascismo «não cairá por si próprio, nem tão-pouco pela acção de umas dezenas de oficiais do Exército». Isto a menos de um mês do 25 de Abril. Ou como o de ter imposto ao X Congresso, gratuita e precipitadamente, a exclusão de «qualquer apoio do PCP a uma candidatura de Mário Soares a PR».
O que o obrigou a convocar à pressa, após a passagem de Soares à 2.ª volta, um Congresso Extraordinário apenas para o partido voltar com a palavra atrás.
Confirma-se, por outro lado, que era Cunhal quem tudo antevia, decidia e levava à prática na direcção do PCP. Desde as viragens na linha do partido, como o recuo no Verão Quente de 1975, às teses dos Congressos, às entrevistas de fundo, aos principais comunicados, etc., Cunhal dirigia tudo. Mesmo tudo. Qual prevalência do colectivo partidário, qual centralismo democrático, qual quê. O PCP viveu mais de 50 anos em hipercentralismo autocrático. O livro de Carlos Brito é bem elucidativo a esse propósito.
Entratanto, esta semana, o membro da Comissão Política do PCP, Jorge Pires, veio propor «a nacionalização da banca». A sensatez de Cunhal continua, apesar de tudo, a fazer falta na Soeiro Pereira Gomes.
jal@sol.pt
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«Cortar na despesa do Estado é inexorável» para Portugal conseguir libertar-se do endividamento crónico em que tem vivido – avisava, há dias, Ernâni Lopes com a sabedoria de quem conhece bem os vícios do aparelho governativo e da administração pública; e com a lucidez de quem tem um pensamento livre aliado a uma reflexão profunda sobre a sociedade portuguesa e os constrangimentos da sua economia. Ora, soube-se agora, pelo balanço da execução orçamental no 1.º semestre, que a despesa do Estado continua – apesar de todas as promessas de contenção – a aumentar. Alegremente. Irresponsavelmente. No meio deste cenário, não deixa de ser perplexizante ouvir o ministro Jorge Lacão protestar contra a redução de 5% nos vencimentos dos assessores políticos que enxameiam os gabinetes. José Sócrates, aliás, já se opusera, na mesma linha, a igual diminuição nos salários dos políticos, classificando tal medida de demagógica e populista.
Quando se sabe que, neste e nos próximos anos, Portugal vai estar obrigado a uma cura radical de emagrecimento do Estado e do seu incomportável despesismo (que passará pela extinção de organismos, pela redução de clientelas, de pessoal e de salários), demagogia é escamotear-se esta inevitabilidade com um enganador optimismo embrulhado em discursos cor-de-rosa. Quando esta dura política de redução do nível de vida deveria ser acompanhada por um visível e efectivo combate às desigualdades sociais (onde Portugal é recordista na Europa e, a demonstrá-lo, o país onde cresceu mais, nestes primeiros meses de 2010, a venda de carros e, em especial, de carros de luxo), populismo é continuar a fazer de conta que há dinheiro para tudo e para todos, dos políticos aos assessores e demais clientelas.
Ernâni Lopes, com inexorável realismo analítico, não deixa dúvidas sobre o que nos espera: «Eu seguiria a lógica irlandesa e diminuiria os vencimentos dos funcionários públicos, incluindo os ministros, em15% sem dúvida, em 20% provavelmente». Em contraponto, a ministra Helena André veio prometer aumentos de 1,4% em 2011 e, no momento seguinte, dizer que, afinal, pode não ser bem assim. Este Governo e estes governantes ainda não perceberam de todo o filme em que estão metidos. Teme-se o pior.
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«VIGARISTA, desonesto, aldrabão e
execrável», foi com esta inusitada violência
verbal que Carlos Queiroz qualificou o
jornalista do SOL que reproduziu duas afirmações
suas. A primeira sobre a manutenção,
ou não, da sua equipa técnica: «Só será decidida
quando eu regressar de férias». A segunda
sobre o balanço da Selecção no Mundial
da África do Sul: «Tendo em conta a estrutura
amadora da Federação, as coisas correram
muito bem».
Num primeiro momento, Queiroz garantiu que
as declarações a si atribuídas eram «falsas e
mentirosas». Num segundo momento, já na
6.ª-feira à noite, admitiu ter dito ao jornalista que
a questão da equipa técnica «só seria abordada
depois das férias».E, num terceiro momento, já
na tarde de sábado, confirmou a verdade: «Na
conversa, até admito ter usado a expressão
que deu toda a polémica, da estrutura amadora,
mas nunca o podia ter feito de forma
pejorativa». Queria, então, dizer que era amadora,
mas de modo muito profissional?!
O que é chocante neste episódio e na conduta
de Carlos Queiroz é a desfaçatez com que se atreve
a desmentir afirmações suas reproduzidas de
forma integralmente correcta (como o próprio
acabou por reconhecer). E a ligeireza com que
recorre ao insulto mais soez para disfarçar ou
encobrir as suas próprias fraquezas e irresponsabilidades.
Carlos Queiroz mente com facilidade, como fica
ilustrativamente comprovado. Foge a assumir o
que pensa ou, pior ainda, o que diz, ao ver-se metido
em encrencas. Ofende gratuitamente para
desviar as atenções dos seus erros. Não é procedimento
de gente séria e bem formada. Vigarista?!
Desonesto?! Aldrabão?! Execrável?! Apetece
dizer que Queiroz devia estar a ver-se ao espelho.
Queiroz tem, seguramente, qualidades
como profissional de futebol, ou não conseguiria
manter-se longos anos como adjunto de
Alex Ferguson no Manchester United. Mas faltam-
lhe características de líder, de quem é exemplo
e merece o respeito dos que o seguem. Como
se viu nos vários clubes por onde passou sem sucesso.
Como se viu no triste Mundial português
da África do Sul. E como se viu, sobretudo, neste
lamentável e inqualificável episódio.
jal@sol.pt
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José Sócrates apareceu, no caso PT-Telefónica, como o paladino do nacionalismo de esquerda. Chamando a si os galões de «não se envergonhar de defender os interesses nacionais», Sócrates disparou em todas as direcções.
Acusou Durão Barroso e a Comissão Europeia de terem, «de há muitos anos, posições ideológicas ultraliberais», desconsiderou o patrão do BES e seu apoiante desde que é primeiro-ministro, Ricardo Salgado, dizendo «compreender muito bem os interesses financeiros dos accionistas da PT em obterem ganhos a curto prazo» e fustigou, de caminho, o PSD, publicamente dividido sobre esta questão, ao incriminá-lo de «agir como Pilatos, lavando as mãos» e «querendo agradar a todos os sectores». Para concluir, acalorado: «Isso connosco nunca: ou sim ou sopas!».
Este acrisolado e súbito patriotismo de esquerda permitiu ao líder do PS receber um raro apoio, público e conjunto, do PCP e do Bloco de Esquerda. Mas Sócrates corre o risco de estar a combater moinhos de vento espanhóis e de ver a lança da sua golden share – «anacrónica e em breve obsoleta», nas palavras do conceituado Financial Times – transformada num instrumento inútil por decisão inexorável de Bruxelas. Segundo Ricardo Salgado, Sócrates estará mesmo a brincar com o fogo, ao extremar condições para uma eventual OPA da Telefónica sobre a PT.
Mas esta viragem à esquerda da estratégia socialista não é acidental nem politicamente inocente. José Sócrates já percebeu, pelos bem ilustrativos resultados das últimas sondagens, que o PSD o ultrapassou eleitoralmente e ameaça alargar a distância entre os dois partidos a cada mês que passa.
A inflexão à esquerda, nacionalista ou em tons de campanha presidencial, visa segurar eleitorado contra esse crescimento inevitável do PSD e esvaziar as inflacionadas intenções de voto do BE e do PCP.
Mas essa é mais uma quadratura do círculo para Sócrates: não se vê como conciliar um discurso de esquerda com constantes pacotes de austeridade e medidas típicas de direita. Ele lá saberá.
jal@sol.pt