SOL

Uma cultura da morte

Publicação: 14 Outubro 06 09:59

A atracção pela morte é um dos sinais da decadência.
Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê?
Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população.
Um país velho é um país  mais doente.
Um país mais pessimista.
Um país menos alegre.
Um país menos produtivo.
Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.
Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater.

E a tentar resolver. Como?   
Obviamente, promovendo os nascimentos.
Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas.
Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários.
Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas.
Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.
Um sinal de saúde.
Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.
Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis).
Debate-se a eutanásia.
Promove-se uma cultura da morte.

Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado.
Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim.
Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.

O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto.
Tal como há uma parada do ‘orgulho gay’, os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar.
Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?

Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má.
Que deixa traumas para toda a vida.
E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo.

A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a
oposta.
Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta.
O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.

Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente.
Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte?
Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?

No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro?

Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?

por JAS

Comentários

# Poemas said on Outubro 16, 2006 10:51:

Caro Senhor JAS, Muito Bom Dia!

Não posso estar mais em sintonia consigo do que estou!

Para o provar, aqui deixo da forma sintética que é um soneto a minha forma de responder à pergunta do referendo sobre o aborto e que poderá ser lida aqui nos blogues do SOL in Poemas:

Não! Porque não me compete a mim decidir se foi crime ou não!

Ao referendo do Aborto direi NÃO!

Porque não sou eu que devo decidir

Há Bons Juizes nesta Nação

Com atenuantes para discernir

A Mulher que está em dificuldade

A promíscua que cópula à toa

Ou violação ou por sanidade

Darão por certo ao Juiz a razão Boa!

Deve. Deve ser presente a tribunal

Quem aborta é o que eu pretendo

Pois há que distinguir o bem e o mal

Por isso direi Não neste referendo

Pois para mim nenhum aborto é igual

Pelo menos é isso que eu entendo!

16 de Outubro de 2006

Sinta-se Muito Bem!

# CDF said on Outubro 16, 2006 11:22:

Caro JAS,

Comecei a ler o seu artigo "Uma cultura de morte" com bastante interesse, mas foi acompanhada de outro sentimento que cheguei ao final.

Acima de tudo, respeito a sua opinião.

No entanto, não posso deixar de me surpreender pelo facto de ver tratados da mesma forma, num só artigo, assuntos tão diferentes entre si.

Concordo a 100% com o que diz no 1º parágrafo.

Concordo a 100% com a primeira metade do 2º parágrafo. Sou mulher, tenho quase 30 anos, e sei que se quiser ser Mãe nos próximos anos a minha carreira profissional se vai ressentir. Como tal, e por mais contraditório que possa parecer, vejo-me obrigada a adiar o meu "relógio biológico" para tentar garantir um futuro melhor aos meus filhos (que ainda não nasceram...).

Quanto à segunda metade do 2º parágrafo...

Por que razão não se podem discutir todos estes assuntos (os da primeira metade e os da segunda metade do mesmo parágrafo) numa perspectiva de "andar para a frente", de modernizar a sociedade? Porquê contrapô-los?

Não se trata de preto e branco, de coisas opostas, de antónimos. Podemos falar de zonas cinzentas, isso sim. Mas contrapor o aborto, a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo aos incentivos à natalidade?

Do meu ponto de vista, não faz qualquer sentido.

Porquê comparar a parada do "orgulho gay" aos militantes pró-aborto? Se é que se pode falar num "orgulho" em dizer "Eu abortei"...

Qual é a semelhança entre uma pessoa que luta para ser aceite tal como é em sociedade e outra pessoa que luta para que sejam concedidas condições dignas a mulheres que fazem uma opção que só a elas lhes diz respeito?

É que apesar de tudo, eu concordo consigo quando diz que o aborto é uma coisa má, que deve ser evitada e que deixa marcas para toda a vida. Por isso não entendo, como pode escrever "Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?" Será que estas mulheres consideram um triunfo terem abortado, ou será que, apesar da mágoa e da dor, dão a cara por uma causa que consideram justa?

É verdade que não se podem ignorar os números (quantidade de abortos realizados por ano), nem as notícias que nos chegam das condições em que são realizados abortos em "clínicas" de vão de escada. Mas não acha que a consciencialização deve passar pela prevenção e não pela repressão? Que se deve apostar mais na educação sexual, numa maior abertura de diálogo entre pais e filhos, professores e alunos?  

Quanto ao último parágrafo, e para não me alongar muito mais, também foi com grande espanto que vi incluída no rol de coisas "más" a adopção por homossexuais. O lado mais obscuro da vida?! A adopção por um casal, seja qual for a sua orientação sexual, de uma criança que está numa instituição com o objectivo de lhe dar uma família é "o lado mais obscuro da vida"?

Que diga que a liberalização das drogas, a eutanásia e até mesmo a despenalização do aborto são temas difíceis uma vez que tornam a linha entre a vida e a morte muito ténue, eu percebo. Agora que aí se incluam o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adopção de crianças por estes casais já me parece sair um pouco de contexto, ainda mais quando os qualifica de "o lado mais obscuro da vida".

Corrija-me, por favor, se compreendi mal a mensagem que quis passar. Da interpretação que fiz do seu artigo, exceptuando as partes em que discordo totalmente, retirei a seguinte mensagem: este Governo, que vê o País cair num pessimismo e num envelhecimento sem retorno, preocupa-se mais em debater temas polémicos, e que a curto prazo não têm efeitos benéficos para o bem-estar geral, do que em promover condições e apoios à natalidade, ao optimismo, à confiança e ao crescimento sustentado.

Se era esta a mensagem, então é com grande satisfação que lhe digo que concordo plenamente com a sua opinião.

Só não consigo compreender porquê é que para passar esta mensagem contrapõe assuntos tão distintos entre si e os considera "andar para trás".

CDF

# Amonium said on Outubro 16, 2006 13:53:

Ao ler este artigo no jornal, lembrei-me daquele que escrevi há dois meses e está publicado no Amonium, " Entrevista". Duas formas diferentes de dizer o mesmo.

# 91xx said on Outubro 16, 2006 15:46:

Ninguem pede para nascer mas muitos pedem para morrer. O que significa estar vivo nem sempre é um desejo de quem não pedio para nascer.

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Por isso ninguem pode falar por aqueles que nascem porque não se sabe se  o seu real desejo não seria abordar... isto é? Nunca ter vivido para não pedir para morrer. (ou até se suicidar)

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As mulheres deve-se-lhe dar alternativas ao abordo como por exemplo o nascimento anónimo da criança. Mas já mais impor por lei regras  a sua liberdade sexual. Para isso já basta a Sida e outras doenças.

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Resumindo a discussão deve-se centrar nas alternativas ao abordo e não o puro e simples proibição de abordar.

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# Solum said on Outubro 16, 2006 20:27:

JAS

É verdade que estamos num tempo de cultura de morte:

São as mortes das empresas e consequentemente,  morte dos empregos.

É a velhice , que pronuncia a morte, que esta mais perto, quanto mais duras as condições de vida se vão deteriorando para os nossos idosos.

São o fecho de escolas em vários locais, alguns deles onde vão pairando apenas saudades do viço que possuíam quando eram povoados por jovens.Locais sem crianças, são pois lugares de ciprestes.

São :a falta de creches que desincentiva a vontade de ter filhos;a carestia da vida com aumentos sucessivos nos impostos / taxas . E a interrogação sobre o futuro dos que nos sucedem,é outra razão para que a natalidade  seja ainda visto com receio .

Mas , JAS, misturou, como já CDF referiu,muitos problemas.

Por exemplo, o orgulho gay  e o aborto , aqui? Neste tema tão sério sobre a obsessão pela morte?

O aborto?

Deveria deixar  a discussão do mesmo  para post próprio, pois que há muitas e variadas razões para que a mulher decida abortar.

Como já afirmei noutro local,por questão religiosa,a ideia do aborto mexe comigo, mas a haver referendo  irei votar pela despenalização. Porque é uma questão do fórum íntimo de cada um e eu não quero armar-me em Deus ou Juiz para condenar quem pensa diferente de mim?

O orgulho gay em nada promove a natalidade , é certo. Mas o que se pode pedir a um homossexual para contribuir para ao aumento da população?

E o casamento deles?

Nesta aspecto, acho um disparate que numa época de grandes dificuldades que o país atravessa, se coloquem  como  questões prioritárias ,o casamento entre gays e a adopção de crianças por pares homossexuais.Aí estou de acordo. Consigo.

# JoseLuis said on Outubro 16, 2006 21:16:

 - Ena pah!Que mistura esta de alhos com bogalhos!...

Também quero misturar. Assim: prezado JAS,

*Os acidentes mortais, todos os dias, nas nossas estradas?... (os mais altos da Europa)

*A tabacomania e as suas consequências?... (as mais altas da Europa)

*O alcoolismo?...(altamente representados na  Europa)

*Pobreza - Tuberculose - Sida - Cirroses -  a situação dos Presos?... (somos,senão;os mais atingidos da Europa)

- Estou de acordo, JAS. Será realmente a questão mais relevante em termos éticos e morais de se estar a discutir uma questão que já devia de estar discutida e sobretudo resolvida à ANOS - a liberação do aborto ?...

- Também concordo com o JAS,quando diz que temos uma certa predestinação para o "fado" para a morte,para os milagres,para esconder e até para fingir.

- Bem! Vamos ao primaz. Eu vejo esta discussão quase bizantina,entre nós,como que uma tradição *à portuguesa*. Somos, dos poucos na Europa que pomos em causa o direito da mulher a sua emancipação e a sua inteligência.

Quando é que a nossa sociedade,deixa de a discriminar a mulher, neste seu conflito quando decide o aborto? Quando será que deixaremos a luta pelos últimos redutos do patriarcado? Os outros, a maioria dos nossos irmãos europeus, já há muito,que deixaram para trás,estas questões do aborto e da homossexualidade e não parecem estar mais atrazados e infelizes do que nós.

- Eu estou em dizer... que, talvez seja, somente, nas regiões onde a religião e a Igreja Católica tem mais predomínio  que estas questões, têm sido objectos de contestação.

- E isso! JAS, quando diz que ao fazer-se um aborto,fica-se com um trauma para toda a vida!?...Em que dados científicos,assenta essa sua afirmação? Ou será uma teoria, empiricamente sua? j/l

# ArnaldoMAG said on Outubro 17, 2006 6:07:

Talvez a lógica de inclusão do aborto na agenda política da esquerda responda mais à vacuidade das outras bandeiras alternativas que a uma questão fracturante como soi dizer-se. É aquela que tem mais impacto mediático (e uma leitura imediatista). Faz bem a direita (o caso do CDS) em não o polemizar, dando liberdade de voto aos seus correlegionários. A campanha do não deve caber às forças socias que professam argumentos filosóficos contrátrios (a Igreja, as seitas evangélicas e organizações conexas). Devolve-se, por essa forma, o debate ao devido plano.  

# unroyal said on Outubro 17, 2006 11:15:

Realmente é incompreensível o que se passa, anda tudo preocupado com a penalização do aborto e ninguém toma atenção para o que se passa no país. Num país com baixa natalidade, o fecho de maternidades acaba por ser "natural", nesse mesmo país, que também está envelhecido, fecham-se serviços de urgência hospitalar, o que é, de todo, esquisito!

Senhores deputados preocupem-se antes com a baixa natalidade que ameaça o país no curto prazo, aliás já produziu efeitos negativos! Menos jovens, menos estudantes universitários, menos contribuintes e claro, menos trbalhadores, ao menos que abram-se as portas para os emigrantes.

# Jornada said on Outubro 17, 2006 11:53:

Quando o Correio da Manhã fez publicar no seu estatuto que "apoiará de forma livre

# Mussorgsky said on Outubro 17, 2006 15:46:

Excelente tema para um ensaio. Antes de mais , quais as ideias e canais adequados para esta promoção ? Um conceito inovador : Marketing de Natalidade, "faça filhos, se fizer dois, recebe um de adopção ! ". O que é preciso é criatividade :  Impedir os abortos - "por cada um que se impeça é um gestor de topo que é preservado !". O fundamental é fomentar a cultura da vida. "Está deprimido , não acredita no país, é pessimista por natureza ? Então faça  como nós : procrie, copule , faça filhos !".

A qualidade paupérrima do ensino superior, a fuga generalizada aos impostos, a fraca produtividade do trabalhador português, os anos sucessivos de políticas económicas despesistas, tudo isto é de simples solução ! Basta impedir a "legalização do aborto". Aliás, somente um profissional da comunicação social tão brilhante e genial do calibre de JAS poderia sugir com conceito tão arrasador. Quais espanhóis, italianos, franceses, holandeses, alemães, escandinavos, enfim europeus civilizados se lembrariam de tamanho conceito revolucionário !

Conceito aliás extensivo à eutanásia . Imaginem a revitalização da economia que implicaria o prolongamento da vida de todos os doentes terminais de todos os hospitais ! Incrivel !! Tão simples, tão eficaz , enfim trata-se de mais um conceito com a chancela de JAS, "o melhor comentador político, de temas da actualidade, e de conversas privadas português" , palavras para quê.

Imaginemos uma grande multinacional, confrontada com a possibilidade de instalar uma fábrica no Leste Europeu ou na Ásia, quando souber que em Portugal existe o direito à vida !! Óbvio que vai optar por Portugal. Porquê ? " Porque "Portugal será um país alegre,divertido, cheio de crianças !"

Em jeito de conclusão, apetece dizer que apesar da temática do aborto ser um tema de uma complexidade extrema, que divide filosofos, politicos, artistas de todas as correntes, ideologias ou religiões, sabe bem ler um artigo tão redutor e básico, que acima de tudo tem o mérito de simplificar em termos económicos uma questão que é transcendental e metafísica.

# LMG said on Outubro 17, 2006 19:58:

Caro JAS,

Sigo atentamente as suas reflexões, confissões e o seu novo projecto: o Sol. Tenho apreciado muito o seu bom senso, e nesta matéria em concreto não poderia ter mais razão: temos mais assuntos com que nos preocupar do que com o aborto e seu referendo.

Lamentavelmente quis associar à questão do aborto, outros temas, dando-lhes contornos grotescos?e obscuros!

A questão do aborto, sempre polémica, está fortemente associada a uma cultura de morte. Aquele que era para nascer e não nasce, tem de facto essa associação directa.

Se falarmos do referendo, a questão tem ainda uma nova faceta?Numa altura em que se discute o OE do próximo ano e em que todos sabemos que vamos ficar mais pobres, estar a acenar com um referendo e uma campanha, indicia uma esquizofrenia grave, na cabeça de quem insiste neste modo de proceder! A maioria que decida, nos órgãos próprios!

Facilitar o acesso às drogas, contribuindo para que mais pessoas possam experimentar substâncias perigosas, potenciando casos clínicos graves, está de facto relacionado com uma ?cultura de morte?.

Permitir a Eutanásia, relegando a escolha da vida e da morte a terceiros ou ao próprio, é inerente a uma ?cultura de morte?.

Por outro lado, e neste ponto discordo em absoluto consigo, associar à ?cultura de morte, formas diferentes de organização da Vida, é completamente diferente. O casamento (ou a união) entre pessoas; ou a adopção de crianças por pessoas dispostas a amar, é ?uma cultura de morte?? Diga-me, JAS, onde encontra algum indício de morte quando pessoas do mesmo género se juntam para dessa forma serem mais felizes, contribuindo para o enriquecimento social da nossa sociedade? Diga-me, JAS, onde encontra obscuridade quando duas pessoas do mesmo género se predispõem a amar uma criança abandonada?

Tenho de lhe dizer com toda a frontalidade. A sua reflexão pecou na intenção com que junta todos os temas ditos ?fracturantes? no mesmo contexto, associando aqueles que representam formas de estar alternativas, mas que são vida e fluem vida, a contextos anti-vida?esses sim, bastante obscuros.

# garridos said on Outubro 17, 2006 20:16:

É que os humanos estão "programados" para nem sequer admitirem sequer pensar em aborto.É caso para dizer estes tipos tem cada uma..

que caminhos

# UNIVERSALEX said on Outubro 18, 2006 11:07:

poe-te ao fresco plagiante...

# UNIVERSALEX said on Outubro 18, 2006 11:10:

poe-te ao fresco plagiante...

como diz garridos:

É que os humanos estão "programados" para nem sequer admitirem sequer pensar em aborto.É caso para dizer estes tipos tem cada uma..

que caminhos

e como diz LMG

A questão do aborto, sempre polémica, está fortemente associada a uma cultura de morte. Aquele que era para nascer e não nasce, tem de facto essa associação directa.

# accord said on Outubro 18, 2006 12:42:

Um artigo impertinente e ignorante.Quem é JAS ,eu, ou o Papa para julgarmos as mulheres que abortam?Confundir os muitos milhares que o fazem com as "bichas" provocadoras dos gays é de um primarismo gritante(nem os homossexuais se vêem neles representados).Abortar é sempre uma opção dolorosa para qualquer mulher , nem que seja pelo custo monetário e das condições,quase sempre abjectas.Mas, o problema ,JAS,é que uma queca acidental obrigue levar o embrião até aos 20 anos:alimentá-lo,tratá-lo ,vesti-lo ,educa´-lo.Coisas "menores" que os atacantes do aborto pretendem ignorar(para evitar o envelhecimento da população ,é mesmo uma ideia para rir!...)E depois ,há a prisão,tambem para eles coisa menor.Por que será que na Europa ,apenas a Irlanda e Portugal proibem o aborto(resposta óbvia:a Igeja..)Alguma vez conheceu mulheres que abortaram?Comece por aí,pela informação,que é a primeira obrigação de um jornalista ,antes de opinar.

# LMG said on Outubro 18, 2006 15:48:

Atenção UNIVERSALEX. Quando digo que o aborto está fortemente associado a uma cultura de morte, quero dizer apenas isso, ou seja, não condeno que as mulheres e os homens deste país possam decidir não ter um filho/a, recorrendo à IVG.

E concordo com JAS quando associa esta matéria a essa cultura da morte que a "esquerda" pretende discutir uma vez mais, propondo novo referendo, para dessa forma "lavar as suas mãos", não tendo de decidir sobre esta questão!

- Primeiro Ministro, se está a ler estas palavras, decida de uma vez por todas esta questão e legisle em conformidade! Não se esconda atrás do referendo.

# PUlrich said on Outubro 18, 2006 16:25:

Já escrevi isto num forum deste site, mas volto a repetir porque o tema é importante e vai voltar ao AgendaSetting deste país, pela milionésima vez...

1º: Provavelmente, devo ser de limitada compreensão, mas continuo, hoje, sem compreender o que é ser-se contra o aborto mas aceitar que se liberalize o mesmo. A diferença para mim entre ser-se contra e defender a despenalização, e ser-se contra e defender os icentivos à vida é meramente retórica. Não me venham com argumentos desses porque, objectivamente, defender uma posição é aceitar que se deixem morrer pessoas que não o chegaram a ser, e outra posição é lutar para que prevaleça uma cultura de vida e não de morte. Tudo o resto é retórica. É intelectualmente desonesto uma pessoa assumir-se contra algo e depois pouco fazer para o evitar. Conhecem o ditado, "Sol na eira e chuva no nabal"? A vossa lógica é um pouco esta, uma no cravo e outra na ferradura. "Somos contra mas achamos que não se deve impedir". Expliquem-me lá isto com argumentos racionais, porque está dificil a minha parca inteligência atingir a superioridade dessa posição...Enfim, mas, mais uma vez, se fica tudo mais sossegado, eu reformulo. A esmagadora maioria dos médicos não será "contra o aborto" mas são objectores de consciência, o que significa que não assumem o papel de fazer abortar uma mulher. É uma questão prática. Já agora, fico, muito sinceramente, com bastante pena ter de ouvir da boca do nosso ministro da saúde que "infelizmente, em portugal se praticam poucos abortos relativamente à nossa vizinha Espanha". Numa das poucas coisas coisas que teríamos de positivo na comparação com os Espanhois, parece que os nossos governantes, e não só, ficam insatisfeitos com o facto.

2ª: Obviamente, a educação sexual (seja lá o que isso for, mas parece que está tudo nessa onda) passará por uma formação na utilização dos mesmos. Aliás, como diria um amigo meu com a sua piada, não será nada de mais quando o lema de uma das principais empresas nacionais tem como slogan "segue o que sentes". Não é o que fazemos todos os dias. Já que fazemos tudo o que nos dá na telha, ao menos que o façamos com "segurança"... Já agora, caros amigos, vamos lá a apresentar argumentos válidos, contrariamente às baboseiras, de um lado e do outro, que por estes foruns se leem. Peço que não tentem deviar a conversa para argumentos tipicos das Odetes Santos deste país. Porque é que tem sempre de se resvalar para a conversa de hipotetica hipocrisia de quem defende uma coisa em público e depois faz outra no privado? Daqui a um pouco vem falar-me das "tias" que marcham na Avenida da Liberdade em defesa da vida e depois vão a Espanha abortar. Obviamente, essas também as há, mas não me parecem o cerne da questão. Deixe-se lá dessas coisas porque são presunções de comportamento que nada acrescentam à discussão, porque hipocrisia na retorica, neste como noutros assuntos, existirá sempre...

3º: Para mim, e volto a frizar, para mim, a questão não é de facto a despenalização do aborto. Compreendo que a pergunta do referendo terá de ser essa, mas para mim, o que me interessa saber é que modelo de cultura humanista queremos nós? Se vivessemos num mundo mais responsável e menos laxista, mais solidário e menos egoista, mais vivido e menos imediatista, a questão que tanto preocupa as mentes deste país nunca se colocaria. A questão para mim é mesmo essa. Que mundo queremos deixar aos nossos filhos. Eu sei que isto lhe pode parecer conversa de "miss mundo", mas eu acredito numa educação por modelos, acredito, até porque a ciência humana assim o determina, que os nossos filhos crescem a olhar para o exemplo dos pais, e esse exemplo é para levar a sério, até porque esse filho só existe porque nasceu... Não me interessa minimamente saber qual é a pena que uma mulher obtem por abortar, se é "encarcerada", se faz trabalho comunitário ou se fica com pena suspensa. O que me interessa é que isso só acontecerá se, realmente, prevalecer uma cultura de morte. Eu sei que o referendo será sobre o que tanto apoquenta o país moralista e das liberadeds de pacotilha, por isso mesmo, eu não votarei, caso o haja, nem a favor, nem contra, precisamente porque não acredito que isso faça qualquer diferença. A verdadeira batalha, a batalha que eu travo diariamente, é a de tentar criar à minha volta um ambiente de defesa da vida. Se lhe quer chamar conservadorismo, força, pouco importa. Não me posso é render a esta falácia de se considerar que este referendo é a salvação de alguma coisa,seja de um lado seja do outro. Este referendo será sempre um "lavar de mãos" (por algum motivo é das cenas mais conhecidas da história de Cristo) por parte desta geração relativamente às gerações vindouras. O poder político acobardou-se e deixou nas nossas mãos a decisão. Esssa decisão aparentemente não serviu, então voltemos a decidir outra vez. No entanto, são sempre eles a definir os moldes através dos quais teremos de decidir. Ninguem pergunta se o Estado deve ter responsabilidades para com uma mulher na dúvida, ninguem pergunta se essa mulher deve ter condições, caso não tenha possibilidades financeiras, de poder gerar e criar uma criança. Não sei, deve soar a "salazarismo. O que eu sei é que o Estado coloca as coisas nestes termos: "aceita ou não que se despenalize quem aborta". Ou seja, ataca nas consequencias, não nas causas e muito menos nos principios. Enfim, é o mundo em que vivemos. Da minha parte, lutarei sempre para que prevaleça a cultura da vida, a cultura de solidariedade e preocupação com o próximo.

# PUlrich said on Outubro 18, 2006 16:28:

Esqueci-me de referir algo que me parece relevante para a discussão, fundamentalmente para aqueles (a esmagadora maioria, de um lado e do outro) que acham que abortar deixa traumas e marcas em todas as mulheres que o fazem. Tretas. Convivo de muito perto com esta realidade e posso afirmar, com toda a legitimidade e certeza, que a história do trauma eterno da mulher que aborta é um mito. Só quem não vive situações destas de perto é que o pode afirmar de boca cheia como veja regularmente os adeptos do IVG fazer. Infelizmente, nós gostaríamos de acreditar que não há mulher no mundo que não fique traumatizada com isso. Mas, devido á minha actividade profissional, já assisti a um pouco de tudo: "tou a acbar a faculdade e não me dá jeito nenhum" (este caso já vão em 3 abortos), "já tenho um e não precisava de mais nenhum", "o meu marido não pode saber porque vai perceber que não é dele". Bons, estes entre muitos exemplos denotam o que disse anteriormente: facilitismo e "tudo quer, tudo pode".

# OliveiraAoCarmo said on Outubro 18, 2006 18:10:

Caro JAS, se não me dessem o jornal todos os fins-de-semana, nunca mais o comprava. O seu editorial é um tiro de canhão no pé para alguém que quer cativar um público jovem, moderno e feminino.

Posto isto, digo que não concordo com um referendo ao aborto, exactamente por causa da campanha nojenta que se adivinha. O Governo que tenha coragem, assuma as suas posições e as materialize.

Finalmente, concordo com PUlrich num aspecto. Não há «trauma» nenhum e há quem aborte regularmente pelos motivos mais fúteis. O aborto devia ser uma última opção. Mas esgotadas outras alternativas (invista-se na contracepção e educação sexual), o aborto não deve ser penalizado.

É esta a minha opinião e tenho muita pena que JAS me considere a mim e à minha geração defensores de uma «cultura de morte», quando simplesmente lutamos pela dignidade em vida.

# JoseLuis said on Outubro 18, 2006 21:19:

-  !...A Nitidez do Pessamento!...

PUlrich , A propósito de provérbios :

"Dar uma no cravo e outra na ferradura ". Mas, não está  a cometer o erro que está a querer condenar outros?  Estou-me a referir ao seu comentário das 16:25 de 18/10.

- Redigir e enviar uma opinião/comenário, é o expor, por escrito, uma ideia. Mas, quando não estamos,  verdadeiramente, cientes e convictos  das nossas ideias, elas soam falsas, confusas e desordenadas; correspondem - sem a mínima dúvida  - ao estado tumultuário em que uma pessoa  se encontra  com a dúvida  e a ambivalência de uma questão  muito delicada e que não se domina  mentalmente - por esta, razão - ou efeito doutras causas  -  pode ser por circunstâncias alheias e superiores à  nossa  própria vontade.

- Não basta  possuir uma crença  religiosa, para que todos os nossos problemas de consciência fiquem resolvidos  ou mesmo apaziguados, disso também poucas dúvidas tenho . Dos problemas reais, ainda, muito menos. Julgo que não devem poderem  serem resolvidos com "milagres".  Desta problemática já a maioria das pessoas têm a experiência.

- Com isto, pretendo, humildemente , dizer que não basta ir ao confessor e declarar os seus pecados e erros, tomar a ostia e,  pronto. Com o tempo vai descobrir que a vida é mais qualquer coisa e até chegar à conclusão que : " O único escudo, contra os golpes da morte, é a inocência da vida" . j/l

# PUlrich said on Outubro 19, 2006 11:05:

Caro José Luís,

Agradeço as suas palavras. No entanto, muito honestamente, não vejo em que situação estarei eu a cair no erro que censuro, de "dar uma no cravo, outra na ferradura".

Quanto às "ideias falsas, confusas e desordenadas", lamento imenso se não me consigo exprimir com a clareza necessária. Mas tento, tanto exprimir (mal ou bem) o que penso, bem como tentar lançar argumentos para debate. Seja como fôr, posso sintetizar em poucas palavras:

1º Este referendo, nos termos em que vai a votos, não vai resolver coisa nenhuma.

2º Na sequência do primeiro ponto, obviamente, não me vou deslocar à mesa de voto.

3º Quanto à essência do tema si, coisa que vai ficar alheada do debate político, sou frontalmente contra tudo o que nos encaminhe para a tal "cultura de morte".

Quanto às suas restantes observações, acredito que não fossem para mim porque, como já afirmei noutros foruns deste site, não sou Católico nem acredito no conceito do pecado nos termos em que o referiu, muito menos na redenção atrvés da confissão. E que eu saiba, nunca trouxe para a discussão o contexto religioso, ou sustentei as minhas posições com argumentos relacionados com a "santidade" da vida humana, ou algo que se pareça. Inviolabilidade,sim. "Santidade", não.

Já agora, num debate que ouvi ontem na Rádio Renascença, creio eu, a Dra. Maria José Nogueira Pinto (sei que vão logo dizer que é católica, de direita, etc., mas a questão continua a ser pertinente) colocou a seguinte questão: O que acontece à mulher se abortar à 11º semana?

# surpreso said on Outubro 19, 2006 11:58:

Um Convite às Leitoras:Não há quem queira vir aqui desmascar a desfaçatez deste PUlrich?Ele

há cada impertinente...

# PUlrich said on Outubro 19, 2006 12:35:

Cara surpreso, ou surpresa. Não sei porque parte do princípio que sou homem. Parece-lhe assim tão absurdo "ouvir" o que eu disse da "boca" de uma mulher. Olhe que as mais veementes defensoras do "Não" neste caso são precisamente as mulheres. Isto porque aqueles homens ditos compreensivos e anti-machismos tem tido aquela atitude paternalista do "o corpo é da mulher e é ela que tem de decidir".

Contudo, obrigada pelo "impertinente". Apesar de não compreender porque me chama isso, pelo menos o desmascarar dos argumentos mais utilizados na defesa da "cultura de morte" não cai em saco roto.

Caras leitoras. Subscrevo o convito da "surpresa". Apareçam e debatam. Seja para que lado fôr.

Outra provocação: Quem gosta tanto de falar nas clínicas ilegais pode ficar descansado. Parece que várias redes de clínicas abortivas já se colocaram na linha da frente para abrir sucursais em Portugal. O governo não se preocupa tanto em trazer investimento estrangeiro para o nosso "cantinho"? Ora aqui têm...

# surpreso said on Outubro 19, 2006 15:00:

P.Ulrich:julguei que fôsse um misógeno,mas sendo mulher tenho pena.Nunca experimentou aquela relação impulsiva , a queimar calendários,ou sem

protecção.Ou ,como nas camadas mais pobres:

"quando é preciso satisfazer o meu homem,de aflitos!"Coisas das pessoas,percebe?Bem longe

das tias que não têm agenda ou querem esconder

r infidelidades,como relata.Muitos milhares ,em vãos de escada de 30 a 80 ou 100 contos ,em Espanha.Portugal na cauda da Europa ,como em

tudo.Ainda bem que as clinicas espanholas vêm

para cá,onde estão 20% da sua clientela.Talvezz seja possivel alargar os métodos adequados.Contrariando os médicos ,que parece

preferirem as abortadeiras(sabe-se lá porquê?..).Já agora , a resposta para Zézinha

:tal como no teror de alcool ,na estrada,mais

uma semana ,será ilegal.Simples...

# PATRIOTA said on Outubro 19, 2006 16:19:

Revejo-me bastante na crítica aberta que faz ao espectáculo em torno desta questão de tão grande importância.

Acho também muito feliz a qualificação que faz do aborto.

Trata-se de um flagelo. Para o filho e para a mãe, e num plano secundário, para a sociedade.

Não existe qualquer dicotomia entre algo nada simpático como "condenação e exclusão" (os do não, i.e., os que condenam e excluem...) e uma apenas "opção" (os do sim, i.e., os que apenas permitem a escolha...).

Nem existirão os falsos moralistas agarrados a argumentos primários sobre o direito à vida, dispensáveis. Aqui sim, teremos uma condenação e exclusão, explícitas.

Até porque não entendo o que sejam "argumentos primários". Será da simplicidade dos argumentos? Simplicidade essa que levou as gerações dos nossos pais, avós e bisavós, etc., a nem sequer questionar este flagelo? Ou será que apenas o podem fazer os elaborados, sofisticados e iluminados do nosso tempo?

Os mistérios da Vida e da sua origem não invalidam que todos nós saibamos duas coisas "primárias":

1) há vida até às dez semanas, como há depois; a não ser assim, não nasci com 9 meses, como toda a gente diz, mas sim com 6 meses e meio!...

2) não conheco, nem pode haver, qualquer interrupção voluntária da gravidez, já que a vida não se interrompe, começa e acaba; não se reinicia, por exemplo, como um jogo de futebol na 2.ª parte.

Não é a "expressão"direito à vida" que pode ser uma "longa discussão". É a própria "Vida".

Mas a discussão apaixonada sobre a Vida não significa postergar os "direitos humanos", nem consagrar o relativismo ético ou moral, que tanto mal causa nos nossos dias, e de que as geraçõe mais novas são e serão as grandes vítimas.  

A questão não é de modernidade, de processualismo judicial, nem de saúde pública. É de ética, primária.

Não queiramos desgraçar ainda mais as gerações mais novas...

# PUlrich said on Outubro 19, 2006 17:21:

Vamos por partes:

Surpreso: Já cá faltavam as tias e os vãos de escada. Já estava atrasada a sua entrada neste debate. Mas como disse anteriormente, misógena ou não, tenho muito orgulho na minha condição e não discuto quando se entra por aí. Um bem haja para si...

Patriota: a questão central é mesma essa. A partir de quando... Ontem ouvi a Dra. Maria de Belém afirmar que seriam as dez semanas porque estará ciêntificamente provado que até este período um feto não tem sistema nervoso central. Pelo menos, este já será um argumento "não primário". É algo que acrescenta valor à discussão e que, na pior das hipóteses, nos coloca no caminho certo da discussão e não nos desvios retóricos que tantos optam por utilizar...

# rebeubeupardal said on Outubro 19, 2006 18:09:

Porque será que quando a contestacao sobe de tom em relação as politicas do governo dito de esquerda aparece logo uma solucao milagrosa chamada " referndo ao aborto"?. Porque enquanto os iluminados andarem nesta campanha do sim o resto fica na penumbra.O que e que os adeptos do sim fizeram em prole das milhares de mulheres que passam ( segundo eles )por esta situação desde o ultimo referendo?. Zero.Onde e que estao as iniciativas parlamentares para uma politica de planificao familiar? uma educacao sexual correcta? e não aquela que infelizmente existe em muitas escolas dadas por pessoas que nao estao minimamemnte preparadas. É muito mais economica e mais fácil para o estado a solução do Aborto. Agora gostava de saber como é que se vai violentar o direito dos médicos que são objectores de consciencia? Será que é por decreto? ou por despedimento?.E gostava que os adeptos do sim ( Os verdadeiros donos da Razão da Inteligencia e da Moral ) que me explicassem cientificamente o que é um feto? É porque falam de uma coisa abstrata como se fosse um objecto qualquer sem qualquer significado.Mas aquilo que deveria ser discutido como o Ensino a Saude etc isso fica lá mais para a frente porque o que é importante nmesmo neste País é o aborto. Já agora não se esquecam dos milhares de idosos abandonados neste Pais que são um estorvo demasiado pesado para as familias e o estado.

# rebeubeupardal said on Outubro 19, 2006 18:20:

O seu texto é fantastico , lucido e Inteligente.Um adepto incondicional como diz das quecas acidentais. Depois tem uma tirada brilhante qual Einstein que é dizer que o JAS deveria primeiro investigar. Mas já agora Vossa Sabedoria gostaria de perguntar quantas milhares dessas Mulheres de que fala é que conhece? e quantas é que estão presas por terem recorrido ao Aborto?

# surpreso said on Outubro 19, 2006 19:02:

Rebeubeu  :argumento inconsistente.Se não há mulheres presas por abortarem,há abortadeiras presas.Ou seja, ,há há um tráfego subterrâneo que esconde muita coisa ,

sobretudo a segurança.Só quem tem dinheiro vai a

Espanha,como as irlandesas vão a Londres.Mas, eu estou-me nas tintas para os vossos problemas

filosóficos.Há milhares de abortos e há milhares de mulheres que até gostariam de ver crescer os embriões até aos 20 anos ,mas não podem.E a vossa filosofia não paga as contas.As quecas acidentais são um fenómeno da vida.

Experimente, "pardal",que clarifica o pensamento.

# AzeitonaAlbina said on Outubro 19, 2006 19:51:

Sr JAS, por uma vez, a sua prosa revela um mérito. Compromete-se.

Garras em riste, pejada de preconceitos, de retrógados considerandos, enfim, um tratado de indignidade.

Mas se as óbvias questões, essas, naturalmente, o Sr. JAS, oblitera com a sua retórica populista, há uma questão, graças à forma furibunda com que ataca os seus fantasmas, que, julgo que involuntariamente, deixou fora do seu controlo.

Ao, implicitamente, assumir que já há obscurantismos a mais; e deveria tê-los enunciado: guerras, desertificações, atentados ecológicos de dimensões planetárias, pobreza extrema, colapsos sociais crónicos; tudo do domínio da dita "direita", quando diz: "Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida?" reclama desta que não invada as competências que não lhe dizem respeito?

# CatarinaMenina said on Outubro 19, 2006 20:48:

Espero que esta "surpreso" ande por aqui muito tempo. Os disparates são tantos que ainda me estou a rir. Tem pelo menos esse mérito.

Mas não se deve condenar quem foi permitido nascer com tão parcos neurónios.

Porventura, terá sido o resultado de uma "quickie" dos pais, que, na altura, ainda não tinham ouvido falar em aborto.

'Tá a ver? Assim não se perdeu uma joia de moça, cara "surpreso".

# AzeitonaAlbina said on Outubro 19, 2006 22:02:

Agora o que está na moda é dizer o que está e o que não está na moda. Por exemplo, está na moda dizer que sempre esteve na moda dizer o que está e o que não está na moda o que, no fundo, não é mais do que a forma de tornear o facto de o arrotar já não estar na moda...

De qualquer maneira e anacronismos aparte, é perene a tendência tanto para confundir argumentos com factos, como adulterar ou omitir factos em prol de um qualquer argumento do momento e aí, o Sr. JAS, não fosse ele um jornalista com provas dadas, é paradigmático.

Quase como um guardião de um qualquer templo, perpetua, com a arrogância inerente do melhor dos sofismas, os dogmas do que é vida e o que é morte como inquestionáveis com a mesma ligeireza com que repudia qualquer vontade de questionar tão "insofismáveis factos". Só pode ser uma questão de moda... Por isso, senhores e, já agora, senhoras (senhora que é senhora nem sequer sabe o que isso de arrotar...), nada de arrotos!

# surpreso said on Outubro 19, 2006 22:15:

Catarina Menina: a estupidez dos fundamentalisats militantes já não me impressiona.Por causa de gente estupida ,como vocês, é que o país é o que é

há décadas e há séculos.Porque será que o

resto da Europa pensa diferente? Sois a frente ou ,ou a cauda?...

# 1971 said on Outubro 19, 2006 23:50:

um texto que precisava de ser meditado por muita gente. Defende-se a vida ou a morte.Reformas na Segurança Social? e os nascimentos?a Natalidade?

# CatarinaMenina said on Outubro 20, 2006 0:56:

The show must go on, lá dizia o outro.

Oh Surpreso, não se enerve que não vale a pena.

Mantenha a qualidade dos seus comentários sem recorrer a insultos de cabeça perdida.

Os seus posts anteriores eram divertidos. Este último fica muito aquém, até mesmo dos seus tico e teco (caso não saiba quem são, são os neurónios da saudosa "cala a boca Magda!...)

# surpreso said on Outubro 20, 2006 10:09:

Catrina :essa,só pode ter saido da cauda...

# AzeitonaAlbina said on Outubro 20, 2006 12:13:

Srª Poemas: pim!

# CatarinaMenina said on Outubro 20, 2006 12:21:

Catrina é o furacão... e escreve-se com "K". Fica a observação. De qualquer forma, obrigada pelo elogio. É sempre bom sabermos que nos têm como pessoas dinâmicas e que deixamos a nossa marca por onde passamos.

Quanto à cauda, pois, talvez, mas vindo de alguém que apregoa as relações impulsivas a queimar calendários, tem a sua piada vir falar de "frente", "cauda" ou "trás". Pensei que essa fosse mais a sua vocação. Cada um com os seus fetiches...

Entretive-me a ler posts seus noutros foruns e, mais uma vez, solicito-lhe que mantenha o "ritmo". São dos mais divertidos aqui do "pedaço"...

Até já...

# pkmw said on Outubro 20, 2006 16:24:

Sugiro que consultem todos o site www.violencestudy.org e leiam os resultados para estarem elucidados sobre a realidade sem óculos cor de rosa. Depois façam a sua análise.

Everything in life is connected.  Don't only know this,  understand it.

Children are the only future HUMANITY has.

TEACH THEM WELL.

# AnaCosta said on Outubro 22, 2006 20:37:

Certo dia, a menina de 23 anos que fazia limpezas na casa de um casal amigo, ao ver uma praia com o areal repleto de gaivotas exclamou: ?Ai D. (Maria) tantos pinguins!?

A mesma menina, perguntou-me em altura de referendo, ?aborto é o algodão que se usa em vez dos pensos higiénicos??

Devemos avaliar os níveis de literacia em Portugal antes de nos compararmos com outros países que adoptaram leis semelhantes? mais uma vez não saberei em que votar!

Ana Espada

# pkmw said on Outubro 23, 2006 10:01:

ESTUDO DO SECRETÁRIO-GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

SOBRE VIOLÊNCIA CONTRA AS CRIANÇAS conduzido por Prof. Paulo Sérgio Pinheiro, Perito Independente.

Cito:

"2. AS CONCLUSÕES DO ESTUDO

O Estudo incide sobre a natureza e a amplitude da violência exercida sobre as crianças em cinco contextos:

? A casa e a família

? A escola e os estabelecimentos de ensino

? Quadros institucionais como orfanatos ou estabelecimentos para crianças delinquentes

? O local de trabalho

? A comunidade e a rua

Conclui que a violência contra as crianças está presente em todo o lado, em todos os países, todas as sociedades e todas as categorias sociais. A extrema violência contra as crianças pode ser notícia de primeira página, mas as crianças dizem que também são afectados pela repetição frequente, quotidiana, de pequenos actos de violência que os fazem perder a auto-estima, ameaçam o seu bem-estar e destroem a confiança que têm nos outros.

Se bem a violência possa ser repentina e inesperada, a maioria dos actos violentos contra as crianças é cometida por pessoas que estas conhecem e em quem deveriam poder confiar: pais, namorado ou namorada, cônjuge ou companheiro, colegas de escola, professores e empregadores.

Na maior parte das vezes, a violência contra as crianças permanece oculta; as crianças que são alvo de actos de violência, bem como aquelas que os presenciam, preferem com frequência calar-se com medo de represálias e porque a violência estigmatiza simultaneamente a vítima e o agressor. Muitas pessoas, mesmo crianças, aceitam a violência como um mal inevitável. Muitas vezes, as crianças que foram vítimas de violência ou que sabem da prática de actos violentos não falam disso porque não existe um meio seguro de os denunciar ou pedir ajuda.

A amplitude do problema

À escala mundial, a falta crónica de dados sobre violência contra as crianças prejudica a sua compreensão e a tomada de medidas adequadas. Os números disponíveis subestimam certamente a amplitude do problema:

? Utilizando uma série de estudo e dados sobre população de 2000, a OMS estima que no mundo actual a prevalência de relações sexuais forçadas e outras formas de violência que envolvem contacto físico, entre rapazes e raparigas com menos de 18 anos é de, respectivamente, 73 milhões (7%) e 150 milhões (14%).

? Em 16 países em desenvolvimento estudados por um Inquérito Mundial sobre Saúde realizado nas escolas pela OMS e os Centers for Disease Control and Prevention dos Estados Unidos da America, a percentagem de crianças em idade de frequentar a escola que foram vítimas de intimidação verbal ou física na escola nos 30 dias precedentes ia de 20%, em certos países, a 65%, noutros.

? Estima-se que, todos os anos, cerca de 275 milhões de crianças no mundo presenciem actos de violência doméstico, o que tem consequências negativas a curto e longo prazo no seu desenvolvimento.

? Segundo a OIT, dos 218 milhões de crianças que, segundo as estimativas, trabalhavam em 2004, 126 milhões realizavam trabalhos perigosos. Os últimos dados disponíveis da OIT mostram que, em 2000, 5,7 milhões de crianças eram forçados a trabalhar ou trabalhavam em condições de servidão, 1,8 milhões prostituíam-se ou eram explorados para fins pornográficos e 1,2 milhões foram vítimas do tráfico de pessoas. Um número muito mais elevado de crianças em idade legal de trabalhar é alvo de violência no local de trabalho, perpetrada pelo empregador ou colegas.

? Segundo a OMS, entre 100 e 140 milhões de mulheres e raparigas em todo o mundo foram vítimas de mutilação genital feminina/excisão.

? Os números fornecidos pela OMS mostram que quase 53 000 crianças foram vítimas de homicídio, em 2000.

Crianças em risco

Todas as crianças correm o risco de ser expostas à violência. No entanto:

? Os rapazes correm maior risco de ser alvo de violência física; as raparigas enfrentam um risco mais elevado de ser vítimas de agressões sexuais e de negligência e de serem obrigadas a prostituir-se. Num estudo realizado em vários países, cerca de 21% das mulheres, em certos países, disseram ter sido agredidas sexualmente antes dos 15 anos.

? As crianças dos países de rendimento baixo e médio correm o dobro dos riscos de morrer devido a homicídio do que as crianças dos países de rendimento elevado, segundo a OMS. Os rapazes de 15 a 17 anos e as crianças de 0 a 4 anos são os mais ameaçados.

? Certos grupos de crianças são particularmente vulneráveis, as crianças com deficiências, as crianças que pertencem a minorias, as que vivem na rua, as que estão em conflito com a lei e as crianças refugiadas ou deslocadas.

O que está em jogo

A violência tem um impacto devastador nas crianças e aquelas que lhe sobrevivem podem sofrer, durante toda a vida, de problemas de saúde, de adaptação sociais, e de distúrbios psicológicos e cognitivos. A violência gera violência: mais tarde, as crianças que foram agredidas terão mais probabilidade de se tornarem vítimas ou autores de actos violentos.

A violência perpetua a pobreza, o analfabetismo e a mortalidade precoce. As sequelas físicas, emocionais e psicológicas da violência privam as crianças de desenvolver plenamente as suas capacidades. Quando está muito espalhada, a violência reduz a zero o potencial de desenvolvimento de toda a sociedade. É pondo termo à violência que se aumentam as possibilidades de desenvolvimento e de crescimento.

Mas a violência não é inevitável. A investigação recente permitiu identificar factores que permitem que as crianças resistam melhor à violência. Entre eles figuram um laço sólido com um membro adulto da família, o nível elevado de cuidados prestados pelos pais, uma relação afectuosa e protectora com um membro da família e a entreajuda proporcionada por pares.

Lacunas na legislação e na prevenção

As respostas dos governos ao questionário do Estudo mostram que numerosos países fizerem esforços reais para reformar a sua legislação e enfrentar a violência contra as crianças. Ao mesmo tempo, esses esforços contrastam fortemente com os investimentos frequentemente mínimos canalizados para políticas e programas destinados a documentar a prevalência e características dessa violência, para combater as causas subjacentes e para avaliar o impacte das intervenções.

Há um desfasamento importante entre os compromissos assumidos no sentido de prevenir a violência contra as crianças por meio da legislação e os investimentos feitos para apoiar programas positivos que visam pôr-lhe fim. Isto aplica-se especialmente aos casos de homicídio de crianças de 15 a 17 anos, de violência sexual contra as raparigas e de maus tratos a lactentes e crianças pequenas, desde o nascimento aos 14 anos.

Apenas um pequeno número de crianças é protegido por leis que proíbem os castigos corporais nos cinco contextos analisados no Estudo:

? Pelo menos 106 países não proíbem os castigos corporais na escola.

? 145 países não proíbem os castigos corporais nas instituições que prestam cuidados.

? Os castigos corporais são autorizados como medida disciplinar no sistema penal de 78 países e a titulo de sentença, em 31 países.

5. VIOLÊNCIA EM CASA E NA FAMÍLIA

Contexto

Em geral, as crianças sentem-se particularmente felizes e protegidas quando se encontram em sua casa, com a família. A Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece que a família é um meio protector que favorece o crescimento e bem-estar das crianças. Infelizmente, para algumas delas, o lar é uma fonte de violência. E, a maior parte das vezes, essa violência permanece oculta porque é exercida longe dos olhares de terceiros ou porque a criança tem medo ou vergonha de a denunciar.

? Muitas crianças sofrem agressões sob a forma de disciplina: violência física mas também humilhações e insultos. Até à data, apenas 16 países proíbem os castigos corporais em casa.

? Os abusos sexuais de crianças são geralmente infligidos por alguém que conhecem e demasiadas vezes por um membro da família, uma pessoa próxima ou um amigo.

? O abandono e os maus tratos constituem formas indirectas de violência contra as crianças.

Factos e números

? Um inquérito realizado em 21 países (na sua maioria, desenvolvidos) mostra que cerca de 36% das mulheres e 29% dos homens dizem ter sido vítimas de abusos sexuais durante a infância. A maioria dos estudos conclui que as taxas de abuso sexual são mais elevadas entre as raparigas do que entre os rapazes.

? Presenciar cenas de violência doméstica pode ter um sério impacte numa criança, que, por vezes, fica marcada para toda a vida. Estima-se que 275 milhões de crianças assistam por ano a cenas de violência, em todo o mundo.

? Os insultos, os nomes injuriosos, o isolamento forçado, a rejeição, as ameaças, a indiferença emocional e as humilhações representam formas de violência psicológica susceptíveis de prejudicar o desenvolvimento da criança, sobretudo se vierem de um dos pais ou de um ser querido.

? O abandono constitui uma importante causa de mortalidade entre as crianças. Em certas regiões, o rácio rapazes/raparigas é de tal modo desequilibrado que leva a pensar que as raparigas são particularmente descuradas. As crianças com deficiência são particularmente vulneráveis ao abandono e aos maus tratos.

? Em algumas partes do mundo, as crianças sofrem violência sob a forma de práticas tradicionais nocivas, como as mutilações genitais femininas e as excisões, as cicatrizes rituais, os ritos iniciáticos violentos, o engordar à força, o casamento precoce ou forçado, os chamados ?crimes de honra?, a violência relacionada com o dote, o exorcismo e os mitos ligados à ?bruxaria? de que as crianças são, por vezes, vítimas.

? Tentar modificar os costumes sociais que toleram ou normalizam a violência contra as crianças, incluindo os castigos corporais e as práticas tradicionais que prejudicam a sua saúde.

? Elaborar ou melhorar os programas de apoio aos pais e prestadores de cuidados a crianças, incluindo os programas de educação parental sensíveis ao género e insistindo em formas de punição não-violentas.

? Investir em serviços sociais, para incluir nestes programas de qualidade para a infância, visitas domiciliares, serviços pré e pós-natais e programas geradores de receitas para as famílias desfavorecidas.

? Elaborar programas que visem as famílias que vivem em condições particularmente difíceis, como as famílias monoparentais e as famílias das minorias étnicas."

Perante esta informação e "os números disponíveis que subestimam certamente a amplitude do problema" e conhecendo minimamente a nossa condição socio-politico-economica em Portugal e casos pendentes e não resolvidos como Casa Pia,  pergunto:  o estudo reflecte uma "alegre, dinâmica e produtiva"  "cultura de vida?" para propelir uma sociedade local e internacional sã? Qual o vosso posicionamento ao direito humano individual de cada mulher escolher ou não abortar um nascimento indesejado?  

Qual afinal é o pior dos dois males?

# Vida said on Outubro 23, 2006 11:49:

Antes mais... sou jovem mulher!

Caro JAS, parabéns pela lucidez do texto. Sabe bem encontra no meio de uma intelectualidade canhota e primária, uma opinião que se posiciona em defesa da vida (é engraçado que esta expressão  até parece ?démodé?!).

Porquê misturar como chamaram atrás ?alhos e bugalhos?????

Percebo-o perfeitamente...

Todas as reivindicações da tal esquerda canhota derivam de desejos anti?natura, anti-vida e de um facilitismo que a sua perversidade sodomática designa por defesa de direitos:

Senão vejamos:

- Casamento entre homossexuais ? inviabiliza a continuidade da vida.

- Aborto ? inviabiliza a continuidade da vida

- Eutanásia ? inviabiliza a continuidade da vida

Tão primário! Imaginam uma sociedade formada só por estas pessoas? Não existe ... morre. Reprimam mas é os vossos desejos animalescos. Isso faz de nós civilizações avançadas??? Defender a Vida de um Ser Humano por nascer, é DEMOCRACIA AVANÇADA, não o contrário. Deixem de se comparar com o resto de uma Europa, que vagueia moribunda no que toca a valores! Não sejamos ?macaquinhos?.  

Parabéns à Patriota pelo seu comentário.

# Brilhoquim said on Outubro 23, 2006 17:39:

Um bem haja a todos.

Todos nós temos direito às nossas opiniões.É um direito que nos assiste, infelizmente para muitos e felizmente para outros.Li aqui bons textos, bem escritos, convicções formadas e bem alinhavadas.Fala-se do "direito à vida", da "cultura de morte", do penso rápido na escara em vez de atacar a origem do problema, da conjuntura em vez da estrutura.

Começo por dizer que sou a favor da IVG.Sou porque não me acredito que a mulher que o faça esteja a cometer um crime. Sou porque, pelo mesmo principio, não me acredito que se esteja a "matar" alguém, algo.Se assim fosse, então todos aqueles que usam o velhinho látex, são todos uns grandes criminosos.

Sou a favor porque pelo menos é um passo que este país dá (acredito-me nisso) em direcção à literacia.Nos países onde a IVG é permitida não consta que esta tenha aumentado, muito pelo contrário, diminuiu. E porquê? Porque as mulheres (e homens já agora) ficaram mais conscientes. E porquê, já agora? Porque lhe deram a liberdade de escolha e a partir dessa altura as pessoas deixaram de se sentir como carneiros. Em resumo, podem decidir e não são tratados como criancinhas mentecaptas a quem o pápá (Estado) tem que dizer o que fazer e não fazer.

Um dia destas, ainda corremos o risco de acordarmos e termos uma lei que proibe o uso do preservativo (porque é contra a vida) e sermos obrigados a gramar um sacristão ao nosso lado para controlar o que fazemos na nossa cama...(esta foi um aparte)

Já aqui foi dito que se está a confundir alhos com batatas.Sinceramente, não vejo o que o debate da homossexualidade seja para aqui chamado.Que não conduz à procriação? É certo, claro!Mas, e depois?? É por existir uma lei que vamos todos virar gays e lésbicas?? Pelamordeus!!! Também sou contra estes criarem uma criança, mas daí a afirmar que por causa duma lei vamos todos "pegar de marcha atrás" (com o devido respeito), *** carago??!!!

Eutánasia?? Se eu tenho a liberdade de me mandar duma ponte abaixo, porque tenho perninhas para lá chegar ou espetar um tiro no meio dos olhos porque tenho bracinhos que o permitam, porque raio não há-de uma pessoa, seja ela qual for, não ter a única réstia de humanidade que lhe assiste e decidir do SEU direito à vida ou à morte?? Sim, porque fala-se muito do direito à vida. Mas e o direito à morte?? Será que não o temos também??

De facto o pais enferma de muitos males. Mas, com diacho, temos que começar por algum lado...

Fiquem bem!

# UNIVERSALEX said on Outubro 24, 2006 14:01:

Se o aborto já fosse despenalizado há mais de 40 anos por certo não nascerioam muitos dos que o defendem !!!!

# CatarinaMenina said on Outubro 25, 2006 12:07:

Ainda ninguem respondeu à pergunta da PUlrich, independentemente de concordarem com ela: O que acontece à mulher, partindo do principio que o referendo vai dar "Sim", se abortar à 11ª semana?

# JALxxi said on Outubro 30, 2006 21:46:

Resposta à pergunta do PUlrich:

Segundo o PS, afirmado no debate parlamentar sobre o referendo, as mulheres que abortarem depois da 10ª semana devem ir (e supostamente para a ir) para a prisão.

Também tem sido repetido ad nauseum pelo PS que a sua proposta é "equilibrada, razoável e sensata".

Pergunto eu, é "equilibrada, razoável e sensata" uma Lei que diz que uma mulher, em situação familiar, profissional e económica estáveis e sem qualquer problema de saúde, possa interromper livremente a gravidez às 9 semanas e 6 dias apenas porque sim (p.e. não lhe "dar jeito" estar grávida naquela altura em particular porque se aproximam as férias) ao mesmo tempo que diz que uma mulher, com problemas familiares e em risco de perder o emprego, que interrompa a gravidez às 10 semanas e 1 dia (tendo demorado tanto tempo a tomar a decisão por esta lhe ser tremendamente difícil e ter querido explorar todas as alternativas que lhe permitissem levar a gravidez a termo) vá para a cadeia?

Outras perguntas:

- é razoável que, num país em que se esperam semanas por uma consulta e anos por uma intervenção cirurgica, médicos e meios hospitalares sejam usados prioritariamente para realizar abortos (devido aos prazos), adiando essas consultas e cirurgias?

- sendo o aborto por opção da mulher, faz sentido que seja grátis?

- uma vez que, segundo a pergunta posta a referendo, só será despenalizado o aborto quando realizado dentro dos prazos legais e em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, devem ir para a cadeia as mulheres que, por ignorância ou receio de publicidade, optem por abortar ilegalmente?

Resposta a CDF:

"Qual é a semelhança entre uma pessoa que luta para ser aceite tal como é em sociedade e outra pessoa que luta para que sejam concedidas condições dignas a mulheres que fazem uma opção que só a elas lhes diz respeito?"

A questão reside precisamente no facto de a opção não dizer respeito apenas às mulheres.

Numa gravidez não há apenas uma parte envolvida. Há a mãe, o pai e a criança em desenvolvimento.

O feto não é uma parte do corpo da mulher, podendo esta retirá-la e deitá-la para o lixo, como se fosse um dente cariado ou uma verruga.

O feto é uma vida humana em formação e, portanto e porque não se pode defender, deve ser defendida pela sociedade.

O aborto a pedido é a desvalorização completa da vida humana. É dizer que se deve abortar livremente mesmo que porque a criança vai provavelmente padecer de uma determinada doença, nascer com um determinado sexo ou sob um determinado signo do Zodíaco, ter uma determinada côr de olhos ou altura.

O que vem a seguir?

Os pais poderem decidir livremente matar as crianças deficientes que sejam totalmente dependentes deles? Eliminação dos velhos por opção das famílias?

Mais, quando se coloca unicamente nas mãos da mulher a decisão de levar a gravidez até ao fim ou interrompê-la, está-se a dizer que o homem não tem qualquer direito sobre a criança. E, se não tem qualquer direito, também não tem qualquer responsabilidade.

Com a despenalização do aborto a pedido, podendo-se abortar apenas porque sim, nenhum tribunal terá legitimidade para obrigar um homem a partilhar as despezas da educação de uma criança se argumentar que não a queria e que a decisão de a ter foi exclusiva da mulher.

Resposta a accord:

"Quem é JAS ,eu, ou o Papa para julgarmos as mulheres que abortam?"

Quem é o JAS, eu ou o Papa para julgarmos quem mantém relações sexuais com menores? Ou quem se aproveita da ingenuidade ou vontade fraca de outros para os explorar?

Não é o JAS, eu ou o Papa que julgamos as mulheres que abortam. É a sociedade.

As Leis existem para definir aquilo em que a sociedade entende que deve intervir. Quando estão em causa duas ou mais partes, precisamente porque uma não se deve poder impôr arbitrariamente à outra, a sociedade pode e deve intervir.

# filosorfico said on Dezembro 4, 2006 23:49:

O MEU PRESENTE DE NATAL PARA O SOL

  SEM NOME

Era tão pequeno

que ninguém o via.

Dormia sereno

enquanto crescia.

Sem falar, pedia

- porque era semente -

ver a luz do dia

como toda a gente.

Não tinha usurpado

a sua morada.

Não tinha pecado.

Não fizera nada.

Foi sacrificado

enquanto dormia,

esterilizado

com toda a mestria.

Antes que a tivesse,

taparam-lhe a boca

- tratado, parece,

qual bicho na toca.

Não soltou vagido.

Não teve amanhã.

Não ouviu ?Querido?...  

Não disse ?Mamá?...

Não sentiu um beijo.

Nunca andou ao colo.

Nunca teve o ensejo

de pisar o solo,

pezito descalço,

andar hesitante,

sorrindo no encalço

do abraço distante.

Nunca foi à escola,

de sacola ao ombro,

Nem olhou estrelas

com olhos de assombro.

Crianças iguais

à que ele seria,

Não brincou com elas

nem soube que havia.

Não roubou maçãs,

não ouviu os grilos,

não apanhou rãs

nos charcos tranquilos.

Nunca teve um cão,

vadio que fosse,

a lamber-lhe a mão

à espera do doce.

Não soube que há rios

e ventos e espaços.

E invernos e estios.

E mares e sargaços.

E flores e poentes.

E peixes e feras ?

as hoje viventes

e as de antigas eras.

Não soube do mundo.

Não viu a magia.

Num breve segundo,

foi neutralizado

com toda a mestria.

Com as alvas batas,

máscaras de entrudo,

técnicas exactas,

mãos de especialistas

negaram-lhe tudo

( o destino inteiro...)

- porque os abortistas

nasceram primeiro.

   ( Renato de Azevedo=Filosórfico )

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