SOL

Os jornalistas relatam a verdade?

Publicação: 08 Novembro 08 12:00

Podemos ou não acreditar nos jornais? Podemos ou não confiar nos jornalistas? O que os jornais dizem reflecte ou não reflecte fielmente a realidade?
Nunca haverá consenso sobre estas questões.
Os políticos dizem-se invariavelmente prejudicados pelo que os jornais, as rádios e as televisões escrevem ou dizem. E, em geral, quem é objecto de notícias ou comentários na imprensa considera-se injustiçado. É muito raro ouvir alguém concordar com uma notícia ou um comentário a seu respeito. Há sempre uma correcção a fazer, uma objecção a colocar, qualquer coisa que está a mais ou a menos.

Uma vez tomei a iniciativa de mandar fazer um trabalho sobre Margarida Marante – que, no essencial, saiu bastante elogioso. Uns dias depois da publicação recebi um telefonema seu e pareceu-me perceber na sua voz algum melindre. Não se referiu imediatamente ao assunto. Mas, conversa puxa conversa, lá acabou por falar do texto em termos menos apreciativos. Estranhei.
– Mas o artigo era tão simpático para ti… – argumentei.
A percepção que ela tinha, porém, era bastante diferente. E recordou-me uma frase do texto que, a seu ver, era injusta.
– Mas o resto são elogios! – rebati.
Absolutamente convicta, ela retorquiu, em tom definitivo:
– Pois… Mas os elogios eram justos e a crítica era injusta!
Existe necessariamente uma diferença entre o modo como nos vemos a nós próprios e o modo como os outros nos vêem. Quando falam de nós, achamos invariavelmente que os elogios são justos. Tudo o que se diga a nosso favor é merecido. Somos dignos de todos os encómios. Mas as críticas são regra geral injustas…

Entretanto, este é ainda o aspecto menos importante na relação dos media com a sociedade.
O que verdadeiramente importa – e sobre isso fala-se estranhamente muito pouco – é o seguinte: os meios de comunicação social, pela sua própria natureza, darão sempre uma imagem errada, distorcida, da realidade.
A realidade e o modo como os media a reflectem serão sempre duas coisas distintas.
Porquê?
Porque aos media não interessa a regra – interessa a excepção. Aquilo que é banal, que é rotineiro, não é notícia: a notícia é o que surpreende, o que escapa à rotina.
Ora a realidade faz-se da regra e não da excepção, do que é comum e não do que é incomum.

A ‘REALIDADE’ da Avenida Marginal que liga Lisboa a Cascais é passarem lá carros. A toda a hora lá transitam carros num sentido e noutro. Isso não é notícia. Mas se um dia um elefante fugido de um circo for passear para a Marginal isso encherá os telejornais, os noticiários das rádios e as páginas dos jornais. E essa imagem perdurará na memória, ficando para sempre associada àquela avenida.
Este é um caso extremo.
Mas quantas ‘realidades’ muito longe da realidade, feitas de excepções, de situações incomuns, os jornais, as rádios e os canais de televisão não constroem a toda a hora?

Consideremos outro exemplo, mais banal.
Em vésperas de eleições, um político de determinado partido faz um brilhante dia de campanha: os discursos saem-lhe incisivos e fluentes, recebe banhos de multidão, em todos os locais por onde passa soma sucessos.
Acontece que, numa visita a um mercado, uma peixeira mais atrevida lhe atira um linguado à cara.
Ora, nos jornais televisivos da hora do jantar desse dia, o que se irá ver nos ecrãs? Os discursos brilhantes? Os banhos de multidão? Certamente que não: o que todos os canais porão no ar serão as imagens da peixeira a bater com o linguado na cara do político.
E não apenas nesse dia. Nas habituais selecções de imagens que as televisões fazem das campanhas eleitorais, transmitidas todos os dias várias vezes por dia, lá aparecerá o episódio do linguado. E será isso que marcará, nessas eleições, a campanha desse político.
Um episódio desgarrado, fortuito, destituído de substância, com a duração de um fósforo, sobrepor-se-á a horas e horas de campanha, a discursos preparados com cuidado, a manifestações de apoio, a comícios bem organizados.

Será que, em nome da ‘verdade jornalística’, da deontologia, do rigor, os jornalistas deveriam ignorar este tipo de episódios? Deveriam valorizar a substância pondo de lado o fait-divers?
Mesmo que isso fosse correcto, seria uma ingenuidade pretendê-lo. Com a concorrência que existe nos media, com a elevação da informação à categoria de espectáculo, não há um único jornalista capaz de resistir à tentação de transmitir a imagem do linguado atirado à cara do político. E, mesmo que o jornalista quisesse diminuir o impacto dessa imagem, ‘equilibrando-a’ com outras, o linguado impor-se-ia pela sua força – ocupando a memória do telespectador.

Assim, quando se diz que os media não reflectem a realidade, tal é inteiramente verdade só que não tem que ver, necessariamente, com a maior ou menor seriedade dos jornalistas. Tem que ver com a própria natureza dos media.
Se o que é notícia é a excepção, é a anormalidade, é o que é invulgar, como podem os media reflectir fielmente a realidade?
Olhemos para a areia da praia. Todos vemos que a areia é branca. Mas, se observarmos com mais atenção, verificamos que nela também existem grãos pretos. Assim, se escolhermos só os grãos de areia pretos e os colocarmos na palma da mão, podemos afirmar – com provas à vista – que a areia é preta.
Com os media passa-se o mesmo. Ao seleccionar só o que é anormal, a imprensa, a rádio e a televisão dão uma imagem falsa da realidade.

Claro que a competição na área mediática, que hoje é brutal, agrava esta tendência.
Hoje os jornalistas procuram as notícias com mais sofreguidão, escrevem--nas com mais colorido, titulam-nas com mais agressividade – porque é essa capacidade de causar surpresa que vai marcar a diferença.
No impacto que as notícias possam causar está hoje muitas vezes o segredo do sucesso ou insucesso de um dado meio de comunicação.
E, portanto, é muito tentador para um jornalista sacrificar a verdade para não perder uma boa história.
Mas, repito: o importante é perceber que a distorção da realidade está na própria natureza dos media.

por JAS

Comentários

# antimaconaria said on Novembro 9, 2008 15:39:

"OS JORNALISTAS RELATAM A VERDADE?"

DESDE QUANDO? SE TUDO É CONTROLADO E MANIETADO? PORQUE NÃO É FALADO NOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL O CRIME DOS ATENTADOS DE NOVA IORQUE, MADRID E LONDRES? PORQUE NÃO SÃO INVESTIGADOS OS VERDADEIROS CRIMINOSOS?

PORQUE NÃO SÃO PRESOS GEORGE BUSH, DICK CHENEY, DONALD RUMSFELD, PAUL WOLFOWITZ, DURÃO BARROSO, TONY BLAIR, AZNAR, E OUTROS TANTOS?

A VERDADE É QUE ESTÁ TUDO MANIPULADO.

PORQUE NÃO É INVESTIGADO TODO ESTE ESCÂNDALO FINANCEIRO, QUE FOI DELIBERADO E CALCULADO, PARA ACONTECER NESTE MOMENTO DA HISTÓRIA?

A VERDADE É QUE OS ATENTADOS EM NOVA IORQUE, MADRID E LONDRES SERVIRAM DE JUSTIFICAÇÃO PARA INVADIR O CONTROLAR A PRODUÇÃO DE HEROINA NO AFEGANISTÃO, E A INVASÃO DO IRAQUE, FOI MAIS DO QUE O PETRÓLEO, FOI PARA RECONQUISTAR O PODER DA PÁTRIA MÃE. SIM, PÁTRIA MÃE, PARA QUEM NÃO PERCEBE, É MELHOR COMEÇAR A INVESTIGAR A VERDADEIRA HISTÓRIA, E DESCOBRIR QUE MAIS DE SETENTA PORCENTO DOS PRESIDENTES DOS ESTADOS UNIDOS FAZEM PARTE DE FAMÍLIAS REAIS EUROPEIAS, E POR SUA VEZ, AS FAMÍLIAS REAIS EUROPEIAS TÊM TODAS ORIGEM NA ANTIGA BABILÓNIA, (IRAQUE E IRÃO). POR ISSO NÃO É DE ADMIRAR QUE O IRÃO SEJA O PRÓXIMO.

E A CRISE ECONÓMICA FOI/É PARA QUÊ?

PARA INTRODUZIR MAIS UMA ETAPA DA AGENDA: UM SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL, QUE IRÁ PRECEDER À ETAPA FINAL: UM GOVERNO MUNDIAL.

É ISTO A NOVA ORDEM MUNDIAL, É ISTO QUE GEORGE BUSH PAI DISCURSOU NO INÍCIO DA PRIMEIRA INVASÃO DO IRAQUE, É A NOVA ORDEM MUNDIAL QUE FOI FALADA POR BILL CLINTON, POR GEORGE BUSH FILHO, POR TONY BLAIR, POR DURÃO BARROSO, POR SARCOZI, POR BERLUSCONI, POR GORDON BROW, ATÉ PELO FANTOCHE SÓCRATES.

É A NOVA ORDEM MUNDIAL QUE IRÁ SER CONTINUADA POR OBAMA, POIS NÃO HÁ NADA QUE ELE OU QUALQUER PESSOA POSSA FAZER.

NÃO ENQUANTO AS PESSOAS CONTINUAREM HIPNOTIZADAS E TEREM APENAS COMO FONTE DE INFORMAÇÃO AS NOTÍCIAS REGURGITADAS PELOS JORNAIS E CANAIS DE TELEVISÃO, AS QUAIS SÃO PRÉ-FILTRADAS.

# silveria89 said on Novembro 12, 2008 15:51:

Antes de eu comentar este texto como efectivamente quero, explique-me só uma coisa: é jornalista? professor de jornalismo? ou apenas um cidadão atento aos meios de comunicação social?

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