SOL

Cavaco e Sarkozy

Publicação: 17 Janeiro 09 12:00

      

O recente confronto institucional entre o Governo e o Presidente da República, que teve o seu clímax com a aprovação do Estatuto dos Açores, colocou de novo em cima da mesa a questão do sistema político.

Indo directamente ao assunto, pergunto: é ou não o nosso sistema político potenciador de conflitos entre o Presidente e o Governo?

Creio que a resposta não oferece dúvidas a ninguém.

Os atritos entre Soares e Eanes, entre Sá Carneiro e Eanes, entre Balsemão e Eanes, entre Cavaco e Soares, entre Santana Lopes e Sampaio, entre Sócrates e Cavaco, mostram que o sistema favorece o conflito institucional.

 

Na sua página aqui no SOL, Pedro Santana Lopes dizia recentemente que só um país no mundo tem um sistema semelhante ao nosso: a França.

E teoricamente tem razão: as Constituições portuguesa e francesa consagram ambas sistemas semi-presidencialistas, em que o Presidente e a maioria parlamentar resultam de eleições directas, tendo por isso legitimidades semelhantes.

Aliás, a Constituição portuguesa é de inspiração francesa – tendo estado em Portugal na altura, com funções de consultoria, o constitucionalista francês Maurice Duverger.

Só que os dois sistemas, sendo iguais na origem, evoluíram em sentidos opostos.

 

O sistema francês evoluiu no sentido presidencialista.

O Presidente é quem define as grandes opções em matéria de política interna e externa.

O Governo depende politicamente dele, que o pode demitir e tem margem de manobra, dentro de certos limites, para nomear o novo primeiro-ministro.

O sistema português, pelo contrário, evoluiu no sentido parlamentar.

O Governo é quem detém em exclusivo o poder executivo, quem conduz a política interna e a política externa, tendo o Presidente da República apenas poderes pela negativa: pode vetar leis mas não pode propor leis.

Pode obstaculizar mas não pode construir.

 

Estas diferenças entre os sistemas francês e português são hoje claras a todos os níveis.

Nas cimeiras internacionais, por exemplo, quem representa Portugal é José Sócrates – mas quem representa a França não é François Fillon mas Nicolas Sarkozy.

O presidente da União Europeia, quando a presidência cabe a Portugal, é o primeiro-ministro: já foi Cavaco, já foi Guterres e foi recentemente Sócrates.

Mas quando a presidência cabe à França, não é o primeiro-ministro mas o Presidente da República.

E assim sucessivamente: em França quem tem as rédeas do poder é o Presidente, em Portugal é o Governo.

 

Comparando os dois sistemas, julgo que o francês funciona melhor; aliás, considero que o semi-_-presidencialismo francês é hoje um dos sistemas mais perfeitos do mundo.

Porque o facto de as grandes linhas da política interna e externa serem definidas e conduzidas pelo chefe do Estado dá grande estabilidade à governação.

E a circunstância de existir um Governo que gere os assuntos correntes e executa as políticas definidas pelo Presidente funciona como uma válvula de escape do sistema.

Quando se acumula uma grande tensão política interna, o Presidente da República tem a possibilidade de demitir o primeiro-ministro, aliviando a pressão, mas sem alterar no essencial as grandes linhas de rumo.

Tudo se passa como num clube de futebol em que, perante os maus resultados, o presidente do clube demite o treinador.

 

Creio que também seria este o sistema que mais conviria a Portugal.

Daria maior eficácia à acção política, promoveria melhor a estabilidade e evitaria os conflitos institucionais.

Só que, como já escrevi por mais de uma vez, esta evolução é praticamente impossível – porque são os partidos que fazem as leis e não estão dispostos a abdicar do seu poder.

A menos que houvesse uma crise de tal modo grave que tornasse o país ingovernável e o poder caísse nas mãos do Presidente.

Aí, todos os equilíbrios se alterariam – e tudo seria possível.

No actual quadro, porém, a guerrilha institucional até pode dar jeito.

Ninguém ignora que, neste momento, o conflito com Belém tem sido útil a Sócrates para manter unido o PS.

por JAS

Comentários

# Berluzconilingus said on Janeiro 17, 2009 12:13:

Conclusão oportuna de JAS: No actual quadro, porém, a guerrilha institucional até pode dar jeito, ninguém ignorando que, neste momento, o conflito com Belém tem sido útil a Sócrates para manter unido o PS.

Já soa o anúncio da disponibilidade de Sócrates para apoiar Alegre na candidatura às presidenciais de 2011.

Assim mete Alegre no bolso.

E parece até que Alegre não se importa nada, pelo contrário atento o seu recente percurso.

Assim começam muitos casamentos...

# antimaconaria said on Janeiro 17, 2009 15:53:

PREPAREM-SE PARA O NOVO 11 DE SETEMBRO QUE IRÁ OCORRER DURANTE OS PRÓXIMOS MESES DE PRESIDÊNCIA DE BARAK OBAMA.

E OS POLÍTICOS/GOVERNOS DE TODOS OS PAÍSES, JUNTAMENTE COM A COMUNICAÇÃO SOCIAL DE TODOS OS PAÍSES VÃO-SE ENCARREGAR DE VENDER A NOTÍCIA À MANEIRA DELES, MANIPULANDO E CONTROLANDO AS POPULAÇÕES.

NÃO SE DEIXE ENGANAR NOVAMENTE COMO NOS ATENTADOS DE NOVA IORQUE, MADRID E LONDRES. TODOS OS GOVERNOS, REPITO, TODOS OS GOVERNOS DE TODOS OS PAÍSES ESTÃO MANIPULADOS, ESTÃO CONTROLADOS, É HORA DE ACORDAR, NÃO PODEMOS MAIS CONTINUAR A SER ILUDIDOS, ENFIANDO A CABEÇA NA AREIA, ESTA DEMÊNCIA TEM DE SER CONFRONTADA.

ACORDEM, INVESTIGUEM, LEIAM LIVROS, QUESTIONEM-SE, DESLIGUEM A TELEVISÃO QUE NÃO PASSA DE UMA ARMA MASSIÇA DE HIPNOTISMO, PASSEM A PALAVRA. TEMOS DE APROVEITAR AGORA ENQUANTO A INTERNET AINDA É LIVRE PARA INVESTIGAR E PROCURAR A VERDADE, PORQUE DENTRO DE DOIS/TRÊS ANOS SERÁ COMPLETAMENTE MANIPULADA, E TEXTOS COMO ESTE NÃO MAIS SERÃO POSSÍVEIS.

ESTAS ELITES CAUSARAM A HECATOMBE FINANCEIRA A QUE ESTAMOS ASSISTINDO, COM O PRETEXTO DE INTRODUZIREM UM BANCO MUNDIAL E UM NOVO SISTEMA FINANCEIRO, E OS PRÓXIMOS ATENTADOS VÃO SERVIR DE DESCULPA PARA ORIGINAR UMA NOVA GUERRA MUNDIAL, A QUAL SERVIRÁ DE PRETEXTO PARA UNIR TODOS OS PAÍSES DO MUNDO EM TORNO DE UM GOVERNO MUNDIAL, TUDO ISTO A CUSTO DE MILHÕES DE VIDAS HUMANAS.

TEMOS TODOS DE NOS UNIR, POR TODOS OS PAÍSES DITOS DEMOCRÁTICOS E ACABAR COM ESTE SISTEMA CORRUPTO QUE APRISIONA A HUMANIDADE.

# ChuvadeSol said on Janeiro 17, 2009 15:53:

Isto de governar bem ou mal depende mais das circunstâncias e da capacidade individual do que dos sistemas políticos

Obama tem a oportunidade única de remodelar toda a América coisa que os últimos presidentes não tiveram.

Quem pegar no país no final de 2009 pode fazer muitas mais reformas no país do que actualmente. A crise tudo permite O que nem sempre é possível em circunstâncias normais.

Se França é bem governada? Num estado altamente centralista como o sistema francês o é tenho dívidas dessa qualidade de sistema.

Quem conhece a frança profunda sabe  muito bem que não é o mesmo que a frança de paris.

# JBDlegs said on Janeiro 18, 2009 2:17:

Não quero escrever de novo sobre o nosso modelo de organização política. Escrevi repetidamente no saudoso Expresso OL há já alguns anos. E creio poder dizer que estou a sofrer as consequências. Pessoal e profissionalmente.

É que este sistema político que toda a gente sente não funcionar há tanto tempo mas que, por confusionismo induzido entre Sistema e Regime, ninguém se atreve a pôr em causa (exceptua-se agora JA Saraiva, director do Sol), este sistema político, dizia eu, pior do que demonstrada e repetidamente desadequado, potenciou um extensíssimo e variado rol de ilegitimidades completamente em roda livre, mas que conseguiram impôr-se e reinar legalmente de modo impune.

E frutificar ao ponto de ser tido como uma espécie de fatalismo. Para já não falar na gritante ausência de legislação sobre o exercício da actividade de "lobby" e da repetida "queima profissional e pessoal" de tanta competente e lúcida gente em tantas áreas de actividade públicas e privadas, situação que exige correcção urgente do funcionamento do Estado Português, principalmente nas áreas da Justiça, da Educação e da Saúde.

É tempo de perder o medo e ver do que somos feitos e do que somos capazes. Sem revanchismos, mas também sem falsas inocências e no exercício do meu direitos de opinião livre e independente como Cidadão de Portugal, perante a verdadeira desgraça nacional iminente, que está a ser apenas acelerada e potenciada pela Primeira Depressão Mundial neste momento em fase apenas inicial, entendo que é imperativo concretizar:

- Um Governo de iniciativa presidencial.

- Assumir os Factos, Ciência & Tecnologia, Transparência, Honestidade e Respeito pelos Portugueses como vectores de impacto real da acção política na vida concreta das Pessoas.

- Uma Revisão Constitucional.

É urgente, Presidente !!!

J.B.Dlegs

desenvolvimento no Talefe

http://talefe.wordpress.com

# eccehomo said on Janeiro 18, 2009 15:01:

Exmo.,

O governo "manda" em jornais, TV, Bancos, etc à seu bel-prazer.

Empenha o estado em mega-projectos em que, por vezes, é a agenda política de um partido e os "job for the boys" e suas empresas que são tidas em conta.

Os governantes/autarcas são reeleitos vezes sem conta, tendo tempo para criar uma teia de interesses em que todos se têm de vergar.

Políticos corruptos, ou que empenhem o país em projectos catastróficos nunca são punidos nem presos.

Etc, etc...

E os srs., acham que a prioridade da reforma do sistema político deve recair sobre a questão do semi-presidencialismo?

Esta é, sim, a tese de recuperação da moral política de Santana Lopes.

Quando este assunto se tornar uma discussão nacional, nos moldes apresentados, Santana Lopes poderá reclamar a absolvição de toda a sua arrepiante e degradante governação.

O sr. diz:

"... aliás, considero que o semi-_-presidencialismo francês é hoje um dos sistemas mais perfeitos do mundo. Porque o facto de as grandes linhas da política interna e externa serem definidas e conduzidas pelo chefe do Estado dá grande estabilidade à governação."

Estabilidade ou subserviência?

Será isto bom para o desenvolvimento de um país?

Pelo que temos visto, a França também não vai lá mto bem...

O sr. diz ainda:

"E a circunstância de existir um Governo que gere os assuntos correntes e executa as políticas definidas pelo Presidente funciona como uma válvula de escape do sistema.

Quando se acumula uma grande tensão política interna, o Presidente da República tem a possibilidade de demitir o primeiro-ministro, aliviando a pressão, mas sem alterar no essencial as grandes linhas de rumo.

Tudo se passa como num clube de futebol em que, perante os maus resultados, o presidente do clube demite o treinador."

Ou seja, como aliás concluiu, continua tudo na mesma, e perde a nação. Aliás ao comparar a situação com um clube de futebol, ja disse tudo. É só vermos como vão Porto, Benfica, Sporting, e tantos outros que nem pagam salários aos jogadores.

Recentemente houve uma polémica em França pelo facto de jornais como o "Le Monde" e "Le Figaro" terem "arranjado" fotos de Sarkozy e Dati retirando num os pneus da barrigar (estava a praticar remo) e noutro um anel carríssimo...

Parece que daí tbem não vêm bons ventos, salvo se por complexo de inferioridade.

Por fim diz:

"Daria maior eficácia à acção política, promoveria melhor a estabilidade e evitaria os conflitos institucionais"

Conflitos são muitas vezes esclarecedores e bons e até construtivos.

Infelizmente nem sempre resultam em boas soluções: No caso da demissão do Governo de Santana Lopes, foi claramente uma boa solução. Ja no caso dos estatutos dos Açores, foi, acho eu, lamentável. Aquilo não foi bom para Portugal. Pensando bem, o que se pode esperar de governantes que no meio de uma crise sem precedentes, resolvem propor ao primeiro ministro ir comprar roupas...

# Loxyr said on Janeiro 18, 2009 17:54:

Sem para trás e para a frente.

{

}

Se o estado investir agora pagam as novas gerações, se o estado não investir, as novas gerações vão receber infra-estruras destruídas e desactualizas, as quais tem que ser todas refeitas  de novo, e que pode custar muito mais e nem dinheiro para tal haver.

Fazer ou não fazer todos os argumentos são validos.

{

}

Qual será a nota risco  de Portugal internacionalmente?

Spreade com classificação  AAA é o melhor.

A Irlanda já paga 7,57 de spread a cabeça.

Quem, pede dinheiro aos fundo monetário internacional quem passa a mandar no país são eles.

{

}

Em vez de baixarem os preços dos produtos, aumenta-se a subvenção.

{

}

As soluções actuais para a crise têm que ser tão diferentes como o dia para a noite.

{

}

O novo New Deal do século 21 tem que ser o Green New Deal.

keynesianismo ecológicos, ao invés do keynesianismo da guerra dos anos 30.

{

}

USA actual:

50 Milhões sem segurança social.

Numero 42 na lista de esperança de vida.

As universidades de Elite. (havard, Mit, Yale, Prince Ton, sem dinheiro para investigação.

Alguns estados gastam mais com as Prisões do que com o sistema escolar.

Auto Estradas vs caminhos de cabras.

{

}

# patetao said on Janeiro 19, 2009 5:44:

Como é possivel comentar uma coisa que não existe?

# surpreso said on Janeiro 19, 2009 15:05:

O seu amigo Mário Soares reduziu o cargo a nada ,só para lixar o então presidente,Eanes.São esses os "senadores" desta republica das bananas...

# JBDlegs said on Janeiro 20, 2009 14:26:

É preocupante mas, afinal de contas, estará José Sócrates a radicalizar o que pode para que Cavaco Silva o demita, apressando-se a oferecer desde já um presente envenenado a Manuel Alegre e iniciando de imediato uma nova profissão de fé nesse ultrapassado ?frame? de esquerda moderada, para a seguir, já com o novamente enganado candidato a PR amarrado à ?sua? estratégia, vir suavizar o discurso nas legislativas para nova maioria? Se está, está mal. E muito mal aconselhado.

Toda a gente já percebeu que o PS não obterá nova maioria absoluta, que é excepção neste sistema político que desgraçadamente ainda temos e que foi apenas timidamente corrigido ao nível da autarquias (essa sim uma nova oportunidade perdida).

Bem podem Rui Rio e António Costa (pois, que estratégia pessoal brilhante?) ir fazendo exercícios de aquecimento.

( desenv. em http://talefe.wordpress.com )

# jordi24 said on Janeiro 20, 2009 14:35:

E se a Madeira quisesse um estatuto igual ao dos Açores? A coisa mudava de figura. O Vicente J. Silva mandava-se ao ar. De certeza!

# MorgadinhadosCanaviais said on Janeiro 21, 2009 19:34:

Ante dos futuras reuniões e promessas eleitorais - revela-se neste pais uma prioridade imediata  de cambio. Cambio esse, para evitar a ineficácia de certos detentores de poder frente a la crise (evitar que a necessidade de dar resposta a a crise económica ... imprescindíveis para fazer frente ao reto que nos impõe, a todo custo, por vezes ou quase sempre os nossos parceiros e aliados europeus: neste basto mundo de alienados-chamado »Comunidade Europeia«"

Sem música a vida seria um erro- afirmou um dia Nietzsche. Mas (...) e a morte? A morte e a estagnação do nosso sistema politico- necessitaríamos de uma sinfonia para poder ter o suficiente valor de aguentar-mos algo que nos doa e continuar vivendo. Borrar da nossa memoria eleitoral nome de aqueles que se sabe a prior que nunca mais vão estender-nos a mão, num gesto de ajuda. Dou graças por vezes ao  poder balsámo que a música me há dado, para a assimilar que no aceitar [a  injustiça, crueldade, dolorosa e ilógica que pode resultar la vida por vezes, para nos seres humanos e não só].

# antimaconaria said on Janeiro 22, 2009 19:58:

LAMENTO SE OS PODERES INSTALADOS ESTÃO A SENTIR-SE INCOMODADOS, MAS A VERDADE TEM DE CHEGAR AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS POSSÍVEL.

FASCISMO=COMUNISMO=SOCIALISMO=CAPITALISMO=MONARQUIA= DEMOCRACIA=CORRUPÇÃO

QUER SABER ALGUMAS VERDADES QUE NUNCA LHE ENSINARAM NA ESCOLA? E QUE OS POLÍTICOS E A COMUNICAÇÃO SOCIAL NÃO LHE DIZEM?

VISITE ESTE POST E LEIA ATÉ AO FIM, SE TIVER CORAGEM.

http://sol.sapo.pt/blogs/antimaconaria/archive/2008/12/09/A-democracia-que-n_E300_o-lhe-_E900_-dita-pelos-grandes-cr_E200_nios.aspx

VAI VER QUE O MUNDO IRÁ FINALMENTE COMEÇAR A FAZER SENTIDO.

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