SOL

Conivência ou encobrimento?

Publicação: 05 Março 10 10:00

 

Na comissão Parlamentar de Ética afirmei que todos os dados disponíveis apontam para que existe actualmente em Portugal não apenas «conivência» mas «encobrimento» do poder político por parte do poder judicial.

E quando digo poder judicial refiro-me à cúpula da Justiça e não aos tribunais, aos juízes ou aos magistrados.

Quais são esses sinais?

Vou enumerá-los um a um, para que não haja dúvidas.

Quando o SOL publicou a primeira notícia sobre o caso Freeport, o procurador-geral da República veio a público, no próprio dia, desmentir o jornal.

O título da notícia, como o leitor se recordará, era Ingleses apontam o dedo a ministro português.

Não dizíamos quem era o ministro e muito menos falávamos em José Sócrates.

Mas o PS tocou a rebate – e Pinto Monteiro veio dizer que não havia qualquer carta das autoridades inglesas, nem qualquer suspeita sobre um membro «deste ou doutro Governo».

Só que a notícia era totalmente verdadeira – e Pinto Monteiro teve depois de dar o dito por não dito.

 

Quando rebentou o caso Face Oculta, Pinto Monteiro disse ao semanário Expresso, em jeito de desabafo, que se fosse preciso punha as escutas cá fora, e assim dissipavam-se de uma vez por todas as suspeitas.

É claro que Pinto Monteiro sabia muito bem que isso não era possível.

E apenas o disse para transmitir a ideia de que, naquelas escutas, não havia nada de menos claro.

Recorde-se que, uns dias depois, Armando Vara viria dizer mais ou menos a mesma coisa – solicitando autorização para divulgar as escutas em que ele intervinha, o que também não era legalmente exequível, como Vara estava farto de saber.

 

A divulgação das escutas, feita pelo SOL, teve o mérito de fazer cair as máscaras e pôr tudo em pratos limpos.

Ficou claro que as conversas contêm dados muitíssimo comprometedores, não só sobre a existência de um plano para condicionar alguns órgãos de comunicação social mas sobre a enorme promiscuidade entre o Governo e empresas onde o Estado tem interesses.

O negócio com Luís Figo é disso um lamentável exemplo.

 

Quando se viu desmentido pela publicação das primeiras escutas – que não eram irrelevantes, como afirmara –, Pinto Monteiro mudou de agulha e passou a dizer que não havia nelas indício de «nenhum crime».

Dando de barato que o PGR tenha deliberado sobre isso sozinho, sem mandar abrir um inquérito, a sua opinião era tudo menos consensual.

Ainda na semana passada, Diogo Freitas do Amaral escrevia: «O caso das escutas só é ‘meramente político’, como diz o PGR, porque este optou por uma concepção muito restritiva do conceito de ‘atentado ao Estado de Direito’».

 

Esta actuação do PGR veio recordar outro caso, que já estava meio esquecido: o problema do diploma.

Também aí foi Pinto Monteiro a concluir, acedendo a uma solicitação de José Sócrates, que não houve qualquer irregularidade no modo como o primeiro-ministro obteve o diploma na Universidade Independente.

Na altura, toda a gente aceitou como boa a conclusão de Pinto Monteiro.

Mas agora, tendo conta a protecção que o PGR tem dado a Sócrates, também isso é passível de dúvidas.

 

A suspeita mais grave de todas não é, porém, nenhuma destas.

A suspeita mais grave, que é muito difícil o procurador explicar, é a seguinte: ele sabe há muito tempo que os suspeitos foram avisados de que estavam sob escuta – e que, a partir de 24 de Junho de 2009, as conversas não merecem credibilidade.

Pois bem: Pinto Monteiro, no despacho que fez sobre o caso, enfatiza especialmente uma escuta de 25 de Junho que ‘iliba’ o primeiro-ministro no caso da TVI – escuta essa em que se diz, pela boca de um boy (o impagável, embora bem pago, Rui Pedro Soares), que Sócrates não foi avisado do negócio e está contra ele.

Para proteger o primeiro-ministro, o PGR valorizou, pois, uma conversa que sabe não merecer crédito (e que, com toda a probabilidade, foi forjada).

É a história do gato escondido com o rabo de fora.

Como irá Pinto Monteiro explicar isto – que parece constituir a prova definitiva de que agiu conscientemente para encobrir o chefe do Governo?

 

Ao ‘abafar' o caso do diploma, ao desmentir notícias do Freeport que depois se confirmaram, ao arquivar certidões do caso Face Oculta sem abrir inquérito, ao desvalorizar escutas que se provou serem relevantes, ao não encontrar quaisquer indícios de crime onde outros encontram, e sobretudo ao valorizar escutas que ele sabia não serem dignas de crédito, o procurador mostrou completa falta de independência.

Pretendeu esconder, iludir, baralhar, desmentir informações, sempre com o mesmo objectivo: ilibar José Sócrates.

Nestas condições, creio que o Presidente da República não tem já alternativa que não seja retirar a sua confiança ao procurador-geral da República.

Pinto Monteiro deixou de ter junto dos portugueses a imagem de isenção e credibilidade necessárias ao exercício da sua elevada função.

 

Não quero acabar esta crónica sem uma nota sobre o presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Numa mesma noite – e num acto absolutamente inédito em termos nacionais e talvez mundiais, pelo menos em países democráticos –, Noronha Nascimento deu três entrevistas a três televisões.

No essenciaI, o presidente do Supremo disse que, nas escutas a José Sócrates que ouviu, não havia nada de criminalmente relevante.

Aquelas três entrevistas transmitidas quase em simultâneo, como se algo de muito grave tivesse sucedido em Portugal, tiveram como principal consequência a defesa do primeiro-ministro.

E, dado o momento de tensão que se vivia, assumiram um inquestionável significado político.

Ora, Noronha Nascimento tinha obrigação de ter pensado nisso.

Se o fizesse, evitaria envolver-se na luta político-partidária que se vivia e vive.

por JAS

Comentários

# mofadeira said on Março 5, 2010 15:03:

Tenho muitas dúvidas quanto à questão colocada:

-Conivência ou encobrimento?

Posso escolher as duas?????

# ZIBREIRA said on Março 5, 2010 15:41:

O JAS, DEVE SER INTERNADO QUANTO ANTES, ESTÁ EM ESTADO DELIRANTE, ENQUANTO O SENHOR PROCURADOR NÃO DISSER O QUE ELE QUER, ESTÁ A ENCOBRIR O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO, ELEITO PELOS PORTUGUESES ATÉ VER POR DUAS VEZES, E A AGUARDAR A PROXIMA ELEIÇÃO.

É UMA QUESTÃO DE SÚDE PÚBLICA INTERNAR ESTE DOIDO.

# ladossul said on Março 5, 2010 16:03:

O esquema que foi montado existe praticamente há três décadas, mas só agora atingiu o seu zénite. Até 95 sub-repticiamente o esquema ia-se enraizando, qual erva daninha da qual nem dávamos conta, mas foi em 2005 que o polvo surgiu em toda a sua pujança. É óbvio que um polvo destes não vive sem grandes e largos apoios, leia-se o comentário do zibreira, tal como em Cuba, na Coreia do norte, na ex URSS e em tantos outros países, enquanto tais regimes não caírem os seus beneficiários vão apregoando a bondade do regime, que tudo está bem, que se vive na melhor das democracias e que só os loucos ou marginais levantam a voz contra o sistema, aos beneficiários directos do regime temos de juntar  ainda uma vasta maioria que não se exprime por medo pois o sistema, tal como foi gizado, sabe punir sem  prender ou matar, o receio é tanto que quando há eleições a estratégia consiste na abstenção.

Até quando iremos nós viver neste pântano que já fede?

JAS não desista, lute, está na linha da frente para o fazer, é seu dever como Homem sério, justo e amante de Portugal, Bem Haja, o meu obrigado, a minha solidariedade e estou convicto de que muitos milhares de portugueses já se  perceberam da teia com que os envolveram, temos de ser corajosos para que o aparelho de estado seja restituído ao seu legítimo dono: o povo português.

# fragon said on Março 5, 2010 16:32:

in Jornal de Negócios, on line, hoje:

"Jornalistas do "Sol" constituídas arguidas por alegada violação do segredo de justiça

As jornalistas do Sol Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo foram hoje constituídas arguidas no inquérito instaurado pelo procurador geral da República à divulgação de notícias sobre escutas telefónicas efectuadas no caso Face Oculta.

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Lusa

As jornalistas do Sol Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo foram hoje constituídas arguidas no inquérito instaurado pelo procurador geral da República à divulgação de notícias sobre escutas telefónicas efectuadas no caso Face Oculta.

Em declarações à Lusa, a jornalista Felícia Cabrita explicou que foram chamadas ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) onde foram constituídas arguidas, não tendo nenhuma delas prestado declarações, usando uma prerrogativa prevista na lei.

No âmbito do mesmo inquérito foram já chamados ao DIAP o subdiretor do Sol Vítor Raínho e a advogada do semanário.(...)"

# fragon said on Março 5, 2010 16:39:

in Jornal de Negócios, on line, hoje:

"(...). A tentativa de golpe de estado em curso tem seguido a cartilha com denodo. Tudo tem servido para descredibilizar o primeiro-ministro e gerar uma sensação de grande instabilidade política. Desde coisas claramente insignificantes, como a licenciatura de José Sócrates, até insinuações graves de corrupção, abuso de poder e até essa pérola que é o atentado ao Estado de Direito por via telefónica. Os meios são também conhecidos. Cirúrgicas fugas de informação; quebra constante do segredo de justiça; devassa da vida privada; agentes da justiça prontos a infringirem a lei que deviam defender; jornalistas dispostos a ampliarem a mais irrisória intriga ou mesmo a se tornarem agentes diretos da manipulação; intensa promiscuidade entre políticos, jornalistas, polícia e magistratura.

É igualmente clara a origem do golpe. A direção do PSD não se conformou, nem conforma, com o resultado das últimas eleições e procura, por todos os meios, subverter o voto popular. Mesmo se nesse processo se provoca a demolição sistemática do edifício constitucional - veja-se a exigência descarada da demissão do Procurador e do Presidente do Supremo -, e um prejuízo efetivo, social e económico, do país.

Acresce que numa fase de disputa interna, vai imperando no PSD a tendência de radicalização das posições mais extremistas. Quando ontem se falava da necessidade de garantir a estabilidade governativa, hoje fala-se já abertamente de derrube do Governo.(.)"

# FGOS said on Março 5, 2010 18:26:

Já comentei em tempos que V. Exa. não tem uma postura isenta, nem respeita a ética jornalistica.

E pelas minhas fontes sei que mente.

# surpreso said on Março 5, 2010 18:41:

Bao JAS ! E ver que o palerma do Bastonário acha que o poder judicial quer arruinar Sócrates.Nem no tempo do Salazar os tipos eram tão nojentos!..

# pynokada said on Março 5, 2010 21:21:

Snr. Arquitecto,

O dr.  Balsemão deu-lhe carta de aforria para o expresso não fechar.

Ou o Snr muda a linha editorial do SOL está condenado a fechar a curto prazo.

A Face Oculta garante-lhe, de momento, a sobrevivência.

O Pinto da Costa inventou o Apito Encarnado para calar os adeptos por que o Porto não estava em 1º.

O SOL berra contra o Sócrates para esconder o falhanço do seu projecto.

Homem reconheça que falhou. Ninguém khe leva a mal.

# pynokada said on Março 6, 2010 10:08:

Snr. Director de o SOL

V.Exa. reformando-se e retirando-se de Direcção do

SOL prestaria um favor não só ao semanário como

à sociedade que o suporta nomeadamente aos seus

amigos angolanos.

Evitaria com essas atitudes privar os leitores do SOL

de verificar degradação intelectual e ética, de cará-

cter degenerativo, daquele que foi durante anos a fio um dos mais reputados directores dos semanários da praça portuguesa.  

# alpino said on Março 6, 2010 11:09:

É natural que políticos disfarçados de jornalistas ou de magistrados não gostem do PGR ou do presidente do STJ, por estes fugirem à combina do POLVO medático e justiceiro encarregado de derrubar Sócrates. Tudo não passa afinal de negócios entre o SOL e a banca. Tivesse o BCP ou a CGD emprestado dinheiro ao projecto de JAS no SOL e hoje teríamos rasgados elogios de JAS a Sócrates e aos seus amigos Armando Vara e outros. É assim a vida. Nada para admirar, porque cada um anda ao seu. É compreensível que JAS ataque Sócrates, como é legítimo que este descubra as carecas dos interesses que movem os outros.

# JorgePaz said on Março 6, 2010 15:14:

Ao ler uma série de comentários anteriores, não posso deixar de verificar como os sicrários do poder são capazes de tudo.

Ainda bem que existem homens e mulheres na informação com coragem como José António Saraiva, Francisco Pinto Balsemão, Mário Crespo, Manuela Moura Guedes, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo, que não se vendem ao poder!

Sem eles ainda agora não saberíamos de nada e estaríamos sujeitos aos incompetentes, não independentes e subservientes Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, que são uma vergonha para a Justiça portuguesa.

Termino reproduzindo dois pequenos poemas que circulam na net e parecem ter sido escritos para os detractores de JAS lerem:

"O governo do PS compõe-se de dois grupos:

um formado por gente totalmente incapaz,

e outro por gente capaz de tudo...

............................................................  

A JUSTIÇA EM PORTUGAL é só para os

POBRES, os PODEROSOS se são

JULGADOS NUNCA SÃO CONDENADOS !"

Continui JAS! Um abraço solidário

Jorge da Paz.  

# PatoFeio said on Março 6, 2010 16:06:

O Jorge da paz tirou-me as "palavras da boca".

E para além de sublinhar a coragem de JAS e dos outros que aponta, eu acrescentaria pelo menos José M. Fernandes, Henrique Monteiro, Octávio Ribeiro, Eduardo Dâmaso e António Ribeiro Ferreira.

Parabens a JAS e aos jornalistas do "Sol".

# Polar said on Março 6, 2010 17:27:

Há sempre quem a ponte aos candidatos a novos lideres partidários de não terem equipe para formar um eventual governo.

Digamos são uns solitários como nos filmes de cowboys que tanto gostávamos de ver.

Solitários mas invencíveis, porque a sua sobrevivência baseava-se na deficiência da rapidez como sacavam da pistola.

Se criticam Sócrates há uma crítica que não lhe podem fazer que seria  por não ter equipe para governar.

Pois, equipe mais complete não poderia ter? É que  são muitos bons e influentes.  

# Polar said on Março 6, 2010 17:42:

&

Seria bom que cada jornalista nos dissesse com que cor partidária escreve os seus textos nos telepontos, e jornais... evitava-nos assim muita ma interpretação dos acontecimentos. É que com uma tal transparência já sabiam-mos que por de trás do seu trabalho existe a defesa de uma tendência.

&

Por exemplo, nos EUA a rede televisão Fox assumidamente  pró-republicana, portanto já sabemos que daquela estação de televisão jamais esperemos ouvir elogios ao trabalho de Obama do partido democrata.    

&

Um Telesexta bem pode ser um Telecatolico ou um Teleoposição.

&

O resto não passa de queixinhas de jardim de infância.  

# ramodebarro said on Março 6, 2010 17:59:

Depois de ler isto tudo, assalta-me uma dúvida: será que Pinto Monteiro e Noromnha Nascimento pertencem à Maçonaria?

# pynokada said on Março 6, 2010 18:17:

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO SOL

TAKE ONE ? Da mediocridade à Direcção

E no princípio era o Expresso.

Semanário de longa tradição democrática.

Com banca feita. Vendas garantidas.

Com tudo o que qualquer medíocre jornalista tivesse sucesso como Director.

Só que o medíocre feito director (sem ser ao menos accionista) queria ser dono do Semanário.

Foi nestes termos que recebeu a carta de alforria de director e empregado do jornal.

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO SOL

TAKE TWO ?Da direcção à mediocridade

Com a carta de alforria na mão desata-se, com outros comparsas, a criar um novo semanário com um novo semanário para desbancar um semanário com trinta e tal anos de banca portuguesa.

Conseguiu convencer a COFINA, BCP, CGD e outros a por de  pé o SOL.

Só que não tinha nem tem o ?savoir de Balsemão?? nem a inteligência de Marcelo.

# pynokada said on Março 6, 2010 18:18:

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO SOL

TAKE ONE ? Da mediocridade à Direcção

E no princípio era o Expresso.

Semanário de longa tradição democrática.

Com banca feita. Vendas garantidas.

Com tudo o que qualquer medíocre jornalista tivesse sucesso como Director.

Só que o medíocre feito director (sem ser ao menos accionista) queria ser dono do Semanário.

Foi nestes termos que recebeu a carta de alforria de director e empregado do jornal.

SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO SOL

TAKE TWO ?Da direcção à mediocridade

Com a carta de alforria na mão desata-se, com outros comparsas, a criar um novo semanário com um novo semanário para desbancar um semanário com trinta e tal anos de banca portuguesa.

Conseguiu convencer a COFINA, BCP, CGD e outros a por de  pé o SOL.

Só que não tinha nem tem o ?savoir de Balsemão?? nem a inteligência de Marcelo.

# JorgePaz said on Março 6, 2010 19:01:

Ramo de Barro: posso-lhe responder que não, só se forem do GOL...

Mas pode perguntar ao "pynocada", já que ele demonstra estar muito informado...

E agora escrevendo a sério, um BRAVO ao Director do "Sol" e demais corajosos jornalistas, pois se não fossem eles não sabíamos ainda que o "polvo" tinha tantos tentáculos!

# HelderFraguas said on Março 7, 2010 0:42:

A nota final é o mais importante. Realmente, é um ?acto ABSOLUTAMENTE INÉDITO em termos nacionais e talvez mundiais?.

Nunca se tinha visto o Presidente do Supremo cair num ridículo tão grande  e desacreditar a justiça irremediavelmente.

Noronha do Nascimento é inteligente. Devia saber os danos que causou à imagem dos tribunais.

# surpreso said on Março 7, 2010 12:18:

O "pinokada"sofre de ejaculação precoce.Aguente até ao "varejar" final..

# fragon said on Março 7, 2010 15:39:

Caro e estimado amigo José,

Sou a informá-lo que aquele gajo sobre o qual tem falado está todo f..... consigo.Mas não se preocupe porque nós já estamos (repare no plural) a tratar do caso e o gajo vai ficar "morto".

Com elevada consideração.

Francisco

(fico a aguardar ansiosamente que este mail seja publicado para ver se V. e também eu temos um Processo, pelo menos nos jornais.)

# Portucalem said on Março 7, 2010 23:12:

Segundo o Público, cerca de 63 por cento dos portugueses toleram a corrupção desde que produza efeitos benéficos para a população em geral, revelou no Parlamento o investigador Luís de Sousa.

Riamo-nos em tempos do sentido ético dos políticos brasileiros, ao estilo terceiro-mudista, quando em campanha diziam que prometiam fazer mas não prometiam não roubar.

É este agora, também, o nível dos valores que regem a ética de alguns, cada vez mais,  avessos ao trabalho mas sempre de mão estendida aos abonos, subsídios, rendimentos garantidos, não se importando de onde vem o dinheiro desde que lhes caia no bolso.

É essa mole imensa que não sofre com a crise e que exige que o Estdo funcione, da justiça à segurança, mas que não contribui para o bem colectivo, vivendo à grande à custa do suor dos pacóvios que trabalham para lhe sustentarem o ócio.

E, apesar da crise que apenas parece afectar os que trabalham por conta de outrem, aí estão as redes viárias pejadas de automóveis, os hipermercados cheios de multidões, cinemas e teatros a rebentar pelas costuras, os destinos de férias de Verão já reservados no fim de Fevereiro - QUE ALGUÉM PAGARÁ!...

É claro que essa malta idolatra Sócrates, que lhes mantém os níveis de vida sustentada a orgia em balões de oxigénio sacados os mesmos de sempre.

Que interessa, pois, aos donos e sanguessugas do sistema o conteúdo das escutas, o percurso errático do PGR, a crise da justiça correlacionada com a crise da política e da ética, a crise de valores?

Que valores nos são assegurados pelos mais altos dignitários da justiça quando olhamos para o seu desempenho e vemos que a justiça é mesmo cega?

Que valores nos são transmitidos pelos deputados que aprovam leis em função de casos concretos e sem o mínimo de qualidade e adequação à nossa realidadea e que protegem os arguidos e esquecem as vítimas?

E pelos políticos que nos governam em nome do facilitismo e da clientela fiel e da manutenção do poder a todo o custo?

Que valores regem a Presidência da República enquanto instituição, que demite Santana Lopes e mantém Sócrates ao leme?

Que alternativas de escolha de mudança temos nós portugueses que, segundo parece, para saírmos do estado em que nos encontramos apenas nos restará num dia próximo escolher entre Sócrates e Passos Coelho?

Caro JAS: nesta altura co campeonato, ninguém está em condições de retirar a confiança a alguém.

Nem Cavaco a Sócrates.

Nem ambos a Pinto Monteiro.

Nem este a Cândida Almeida.

E por aí fora...

É que se está a esquecer do fundamental: desde logo pela forma como são investidos nos lugares, no fundo SÃO TODOS DA CONFIANÇA UNS DOS OUTROS!

Pelo menos enquanto EM RUPTURA CONSTITUCIONAL E REPUBLICANA não se mudarem as regras de sustentação do REGIME INSTALADO.

Mas pela forma como iniciei este texto, teremos gente suficiente para dar a volta a isto?

# Viriato51 said on Março 8, 2010 0:23:

Prezado José António Saraiva,

Saúdo-o mais uma vez pelo carácter didáctico deste seu editorial, que consegue explicar, com uma clara exposição de factos ocorridos, na sua bem ordenada sequência, o significado que lhes corresponde.

Não admira que, com esta sua determinação, continue a espalhar o pânico nas hostes «socráticas», que em si encontraram uma firme oposição, talvez mais contundente do que a produzida por todos os partidos da oposição em conjunto.

Faço votos de que não se deixe intimidar ou desfalecer

# Viriato51 said on Março 8, 2010 1:19:

Uma pequena perturbação informática impediu-me de concluir o comentário, que, no entanto, no essencial, estava expresso : felicitar o autor do editorial pelo didactismo do mesmo e incentivá-lo, se necessário, no propósito em que se fixou, para nossa merecida esperança, para nosso próprio modelo, num tempo de enorme cobardia e vasta indiferença cívica.

Grato pela minha parte e bom êxito para o seu projecto jornalístico, caro José António Saraiva.

# antoniopestana said on Março 8, 2010 21:16:

Outra coisa não se poderia esperar!

É absolutamente natural,que depois do actual poder político ter feito o poder judicial perder privilégios,este se sinta na obrigação de recompensar o poder político!

# pirespedro said on Março 9, 2010 8:00:

O impressionante - ou não - é ler alguns dos comentários a este post!

O povo, na sua pragmática sabedoria, bem diz que "não se cospe no prato que se come!"

E o "prato" dá para muita gente...

DICA: é fantástico vaticinarem o fim da carreira do José António Saraiva neste blog. Enquanto escreverem...

Podia dissertar prolongadamente sobre muitas temáticas surrelistas da vida portuguesa no século XXI

Prefiro não fazê-lo - e limitar-me a deixar 3 pensamentos:

1 - "CADA PAÍS TEM OS POLÍTICOS QUE MERECE";

2 - (re)Lembrei-me dos motivos pelos quais virei "rato" e emigrei;

3 - Pelo menos o Berlusconi anima a cena política italiana com umas miúdas giras;

# DGGS49 said on Março 9, 2010 10:51:

Felicito a coragem e determinação demonstradas por JAS e o SOL. O Sr. Procurador, e o Sr. Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, revelaram em várias ocasiões o seu sentido de isenção(?).  Ou seja protegeram deliberadamente o Sr. Primeiro Ministro. Continuem a revelar tudo o que houver relacionado com estes assuntos, pois só assim defenderão o direito à liberdade de expressão. Um grande abraço a partir do Funchal.

# APRNS said on Março 9, 2010 22:32:

José António Saraiva, Moniz & Cª, agem desta maneira porque sabem que o crime compensa.

O aumento estrondoso de vendas do Sol (que estava moribundo) e o "saneamento" de Moniz de director da TVI para voltar como Administrador da Ongoing agora dona de 30% da TVI dão-lhe os meios financeiros para fazerem, o que fazem, pois as condenações por difamação custam apenas uns milhares de euros e só ocorrerão daqui a uns anos.

Por outro lado os danos que causam são imediatos e incalculáveis para o país.

Mas isso não é obstáculo para eles.  

# leaodaselva said on Março 22, 2010 12:31:

Aos Sr.s comentadores que mais não fazem do que tecer elogios ao Sr. JAS, para que continue, que faça que diga, etc, eu diria que o que está na forja é tirar de lá o Eng. Sócrates e pôr lá os seus amigos, não interessa a que preço fôr, o que interessa são os fins a atingir. Depois, Portugal fica um paraíso. É a fartança para todos, a liberdade para todos, que agora não existe, e nem é preciso trabalhar, pelo menos é o que se entende pelo que dizem. Deviam também lembrar-se que o Eng. José Sócrates, voltou a ganhar as eleições e tem toda a legitimidade para governar. Mas a oposição e os midia afectos não se conformam com isso e por isso não fazem oposição, fazem obstrução. Mas não têm a coragem de apresentar uma moção de censura ao governo porque isso sair-lhes-ia caro, o querem é que o Primeiro Ministro peça a demissão para depois virem gritar, fugiu, fugiu. Mas não têm essa sorte. Tudo inventam. Basta um qualquer troca tintas dizer uma mentira para depois logo toda à gente vir gritar em coro, que o Primeiro Ministro tem que se explicar, que deve explicações, etc. Então eu pergunto: das mentiras que têm inventado não há tantas que não foram explicadas nem provadas e ninguém fala nelas? Um exemplo: as alegadas escutas a Belém, a maior trapalhada alguma vez vista, sem pés nem cabeça, entre outras, já alguém explicou isso, e alguém fala nisso? Então o Sr. JAS acha-se muito isento nesta guerra contra José Socrates? Se se acha então está tudo dito. Não se livra também da fama de se o BCP e a CGD tivessem aberto os cordões à bolso par o seu, (SOL), o seu discurso teria hoje uma inversão de 180 graus. O que tem a dizer a isto Sr. JAS?  Gostaria também de o brindar com alguns adjectivos com que o Sr. brinda os de que não gosta, mas inibe-se o pudor de o fazer.

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