SOL

J. B. DLEGS

A OPINÃO DE UM PORTUGUÊS LIVRE ou A IRONIA LOCAL CONTRA A ANESTESIA GERAL

1ª DEPRESSÃO MUNDIAL: CONTRIBUTO PARA UMA SOLUÇÃO.

 

Nesta noite do festim dos Óscares de 2009, abstraiamo-nos por um momento da gravíssima realidade portuguesa, agravada e evidenciada crescentemente pela crise económica mundial resultante da crise financeira americana, e revisitemos Lord Keynes que, relembremos para além de tudo o mais, considerava a Teoria útil se, e só se, pudesse ter reflexo real na Prática, ou seja, ao nível do dia-a-dia das pessoas…

Teoricamente, a Depressão só aparece quando a Poupança excede o Investimento. Dizendo doutra maneira, quando uma parte significativa da Poupança Total permanece parada, não investida reprodutivamente, ficando sob a forma de Poupança Inactiva.

Voltando à realidade presente parece, no entanto, estar a laborar-se num erro grave, tão grave quanto a trágica alocação continuada do dinheiro dos depositantes americanos para alimentar a espiral da valorização dos Fundos de Investimento.

E qual é esse erro grave? O da não-inclusão nos cálculos de 3 realidades nada negligenciáveis que têm que estar quantificadas com precisão e publicadas. Tais realidades só se podem quantificar e ser objecto da sequência de políticas adequadas através de uma decisiva Vontade Política por parte de todos os governos.

Nomeadamente na decisão global urgente sobre off-shores, plataformas financeiras onde estão desempregadas ou mal-empregadas, porque não reprodutivas, neste momento e por defeito, cerca de 1/3 das disponibilidades mundiais de divisas….

Essas três realidades, por muito difícil que pareça ver quantificadas, são as seguintes :

1) o dinheiro utilizado nas diversas actividades especulativas, mais os dois tipos de “black money” seguintes, i.e.

2) o chamado “dinheiro sujo exportado” e

3) o chamado “dinheiro sujo” bloqueado resultante das actividades de “law enforcement” (das três realidades será a de menos difícil quantificação).

Parece, pois, extremamente urgente e recomendável a constituição temporária de uma ‘Aliança’ do tipo “Anti-Depression World Mission” em que, após uma quantificação objectiva daquelas variáveis, essa ‘Aliança’ tome medidas para converter o mais rapidamente possível essas três realidades em Investimento efectivo e não em políticas defensivas de “damage control” como se estivéssemos perante um fenómeno meteorológico…

Deverá, na minha opinião, resistir-se à tentação de gerir os meios provenientes dessa conversão da “Poupança” Inactiva em formatações organizacionais públicas tradicionais. No caso de Portugal, deve configurar-se uma estrutura operacional de emergência, com absoluta unidade de comando, reportando directamente ao PR, que escolherá uma equipa multidisciplinar adequada a esta inegável situação de excepção que integrará, para além do PM, do PGR e do presidente da APB, os cidadãos independentes de inquestionável competência técnico-científica para o efeito que o PR entenda como adequados à missão.

Acresce ainda que, para a determinação de défices orçamentais, parece aconselhável ter em conta os montantes residuais ‘teimosos’, ‘renitentes’ e ‘abandonados’ após a ‘colheita’ - voluntária num primeiro tempo não superior a 60 dias e coerciva após esse prazo - na qualidade de “Poupança” Inactiva à medida a que forem sendo revistos os défices orçamentais.

Quanto mais rapidamente os governos nacionais, as instituições europeias e os outros países e grupos de países a nível regional e mundial, souberem agir activamente sobre a realidade em vez de reagirem repetidamente a uma situação que, vitimisticamente, vão tendendo a apresentar como se de uma espécie de ‘fatalismo meteorológico-financeiro’ se tratasse, mais depressa poderá a Humanidade, tal como a minha terra, sair desta incrível situação em que se encontra e da qual tão poucos têm ainda consciência da duração que poderá ter se nada fôr feito no sentido do sugerido.

Em conclusão, e é impossível estar sòzinho nesta opinião, parece claro que quanto mais rapidamente se começarem a assumir e manter os níveis dos défices orçamentais ‘por cima’ da ‘Poupança’ Inactiva Total, decidida, enquadrada e calculada urgentemente como sugerido antes, mais cedo se iniciará um processo  seguro de Reflacção e, em consequência, a Economia sairá da 1ª Depressão Mundial em que se encontra.

Sem esquecer a adequação tecnológica imperativa no sentido da transparência e não da opacidade…

Porque mais do que defender o Emprego e lutar contra o Desemprego, por muitos votos que os vários episódios positivos mediatizados possam dar, o importante é, também e evidentemente,

DAR EMPREGO AO DINHEIRO DESEMPREGADO

(OU MAL-EMPREGADO)

Espero sinceramente que o Senhor Primeiro-Ministro da República Portuguesa tenha gostado desta “descrição” indiscreta.

E o senhor das bandas magnéticas também…

 

 

José Borba Martins, Lagos

23.Fev.2009 in http://talefe.wordpress.com

Publicação: sábado, 7 de Março de 2009 8:50 por JBDlegs

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