A MIM NÃO ME ENGANAS TU !!!
O XVI CONGRESSO NACIONAL PS
1- José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos «propôs
que o Congresso PS faça “uma reflexão política séria” sobre a crise,
defendendo que o papel do PS é também ajudar a que a Europa “se bata
por uma regulação mais forte, uma globalização mais justa e pela
eliminação dos off shores”»
O tema já tinha sido incluído na sua
moção de candidatura a SG do PS… Mas e as decisões concretas? Quais
foram, são ou serão? A Prática Política decisiva? Para quando? Por
quem? Ajudar a Europa? Lá estamos a falar sobre os outros países quando
temos que nos concentrar no nosso… E a nós quem nos ajuda?
Concretizando:
- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta, que é o patrão do maior banco português (CGD) e que ‘tem’ no Banco de Portugal um ex-SG do PS, de promover uma plataforma informática centralizada no BP que, em tempo real, permita designadamente:
a) a rastreabilidade / traçabilidade automática de todas as operações bancárias…, e
b) reduza de um modo sistemático o
calvário da “escavação da verdade” aos Investigadores que se vêem
confrontados com todo o tipo de manobras dilatórias quando querem
aceder aos movimentos de uma qualquer conta bancária, mesmo munidos
da competente ordem judicial para o efeito? Está implementado noutros
mercados a nível mundial em relação aos quais, comparativamente, o
movimento bancário português é…uma ínfima migalha. Ou não sabemos fazer
interfaces entre os sistemas informáticos dos bancos e a plataforma
sugerida?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta de determinar
legislativamente o regresso dos meios financeiros ‘escondidos’ e
‘parqueados’ em off-shores dando um prazo aos seus titulares para o fazer,
reinjectando na Economia Portuguesa essa ‘poupança inactiva’? Dir-se-à
que não pode ser uma medida de um país só, senão os capitais ‘fogem’ ,
embora não entenda como podem fugir se já fugiram… Mas então porque é
que esse trabalho não foi já feito ao nível europeu e mundial? Estamos
à espera de quê? Da desintegração do Euro? Que a Depressão impacte na
Europa mais fortemente do que nos USA? Afinal de contas, que interesses
se pretendem ocultar ao abrigo dessa omissão factual, porque apenas
existente nesta tão tardia quanto eleitoralista retórica?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
2- José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos disse que «há um combate decisivo a travar pela decência da Democracia». Pois há, e há muitos anos. Grande novidade…
Mas como e onde o fazer se quem tem o
poder de o fazer acorda tardiamente para essa necessidade (e para
outras nem acordando…) no final de uma legislatura, com a 1ª Depressão
Mundial em evolução vertiginosa?
Realmente…a necessidade desse combate
existe mas não se pode jogar com dois equipamentos diferentes ao mesmo
tempo!!! É que o camaleonismo político tem limites… e é
bom que se tenha consciência que é já dramaticamente visível que quem
acompanha e aplaude as teses retóricas que contradizem o que afinal faz
Frei Tomás, o faz por necessidade de subsistência económica e,
definitivamente, não por convicção política.
É gritantemente visível!
Ao contrário do que vai argumentando, sempre muito oportunamente, o nóvel ‘malhão’ de serviço, um ministro do governo Sócrates - aliás com um percurso notável - afirmou, durante a última campanha presidencial, que «uma vitória de Cavaco Silva seria um golpe de estado constitucional» e que é, de facto, a mesma pessoa que afirma a propósito do movimento de Professores, que «se
fôr preciso defender outra vez, como defendemos em 75 a Liberdade em
Portugal, o PS estará na linha da frente da defesa das liberdades
públicas». Quando, na realidade de 1975, o senhor
ministro posicionou-se exactamente no lado contrário àquele onde então
se alojavam os que agora se propõe elogiar: Manuel Alegre, Salgado
Zenha e Mário Soares ?…
Este tipo de ‘afirmações
camaleónicas’ mais as das ‘campanhas negras’ parecem ser mais dignas de
‘aprendizes de feiticeiro’ desta tão vasta área - em que historicamente
se incluem as famosas ‘false flag operations’ - que de um Doutor em
Sociologia.
Na minha humilde opinião de
‘cidadão irrelevante’ deveria, em vez de dar uso às técnicas
neuro-linguísticas que parece tão bem conhecer e com que repetidamente
vem manipular a activação das estruturas mentais inconscientes que
motivam os nossos comportamentos (sem prestar atenção à racionalidade
dos nossos interesses ou aos múltiplos dados da realidade) deveria,
dizia eu, utililizá-las não em função de interesses pessoais,
mini-grupais ou partidários conjunturais sucessivos, mas sim no sentido
estruturado e permanente no âmbito da Mobilização Positiva e da Defesa
da Verdade ao serviço de um Portugal Todo.
É claramente disso que todos precisamos há demasiado tempo!
Então esse ‘combate decisivo a travar pela decência da Democracia‘
faz-se pedindo mais tempo, um nova maioria absoluta, impossível de
obter na actual configuração inalterada do sistema eleitoral e depois
de se terem promovido as estranhíssimas alterações que se promoveram ao
nível do sistema judicial, concretamente no âmbito processual? Mais
tempo para quê? Para continuar a assar o peixe que já está queimado e
que somos todos nós, Cidadãos Portugueses?
Concretizando:
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta, após ter tomado uma
decisão no bom sentido, se bem que inacabada, ao fazer uma alteração ao
nível do sistema eleitoral autárquico - quem ganha governa, quem perde
vai para a oposição, mantendo-se a representatividade ao nível das
assembleias municipais - de ter decidido o mesmo ao nível do sistema
eleitoral legislativo nacional onde, como se tem visto
recorrentemente no passado e se verá no futuro imediato, o actual
design eleitoral é totalmente impeditivo de uma governabilidade sem
maioria absoluta, como se pode confirmar pelo factual ‘tempo médio de
duração dos governos’ desde a Constituição de 1976?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
Onde nem sequer se conhecem os governos
propostos antes das eleições? Levando essa ‘meia decisão’, ainda por
cima e em consequência, a ter-se posto a generalidade dos portugueses a
falar contra uma pretensa ‘ditadura das maiorias’?
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta de ouvir e dar
sequência ao que dizem os especialistas de tantas áreas como, por
exemplo, a da Justiça, em que um ex-ministro socialista e
ex-comissário europeu quando, traçando um diagnóstico negro na área da
Justiça, apela a uma “revisão e alteração profundas” no sector e refere que “na
justiça temos um problema de ineficácia e de inadequação do sistema
perante as necessidades da vida actual, social e económica”?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
Como escreveu numa Visão deste mês de Fevereiro um rapaz que nasceu três dias depois da revolução dos cravos: «É
tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos
que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os
portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise
desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que
está mais bem preparado para fazer face à crise.»
Por mim, limito-me a repetir que pode
enganar-se uma pessoa uma vez, duas pessoas duas vezes, mas não se pode
enganar toda a gente o tempo todo! E que o pior dos cegos é o que,
podendo ver, tendo a obrigação de ver e realmente vendo, insiste em não
querer ver Portugal a saque, um país que se tornou insuportavelmente
num descomunal e dramático caso de desorganização e de polícia em que
Já não é só o Rei que vai nu. É o Povo que tem Fome de Justiça !!! (arrepiante e imprevisível).
Quase toda a gente sente que esta Democracia já nem é sequer Formal, já está em Formol…
Quanto tempo mais para passarmos deste ‘cadáver adiado que procria‘ para os versos seguintes da nossa Mensagem, senhores?
José Borba Martins, Lagos
in http://talefe.wordpress.com
28.2.2009,12:11