LAGOS: A CIDADE, A REGIÃO E O PAÍS SERÃO 3 REALIDADES DIFERENTES ?
ESTA DEMOCRACIA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II):
LAGOS 2/3
(.../...)
É impossível separar a análise do que
se passa em Lagos ou no Algarve com o que se passa em Portugal. O
trabalho imperativo hoje é o de transformar mentalidades a partir da
realidade, reconquistar vontades adormecidas para mudar a nossa
realidade colectiva, independentemente das cores dos minoritários
clubes políticos com que cada um legitimamente se possa ter
identificado no passado mais ou menos recente.
Se os actores políticos não mudarem a realidade com a verdade toda, será a realidade a mudar os agentes políticos.
Por 3 motivos principais:
1) porque há valores essenciais que têm
que fazer parte de um denominador comum a todos os cidadãos em
democracia e que estão gritantemente em perigo.
2) porque sendo o regime democrático
indiscutível, este sistema político, este modo de organizar a
democracia, esta democracia, portanto e claramente, não funciona, está
demonstradamente podre e terá que mudar. Quanto mais tarde pior, pelos
riscos acrescidos que o mero decurso do tempo introduz na realidade.
3) porque, cf. publicado num jornal do
dia 25 de Abril de 2009, 35 anos depois de 1974, quase 80% dos cidadãos
portugueses não se revêem nos partidos políticos…
Mas é também em nome da INDIGNAÇÃO face
à insustentabilidade económica resultante de um autêntico roubo
sistemático, continuado e ainda impune que se instalou em Portugal que
escrevo estas linhas. Indignação que quase todos pressentem e tantos já
sentem, dentro e fora do Estado, mas de que ainda poucos terão uma
percepção que lhes permita fazer a diferença na sua realidade diária
específica. Ou então ainda se pensa – erro crasso – que estaremos
impedidos de o expressar… o que remete para as teses da “não-inscrição”
dos factos e do “medo de existir” dos portugueses como muito bem
caracteriza o filósofo José Gil a realidade da nossa terra (v. link ) .
Invocando uma vez mais Pessoa, creio
que já todos devíamos ter percebido que nada é a preto e branco ou,
como ele bem escreveu, «o dualismo como teoria das coisas é um produto
(infante) da idiotia filosófica (infância)». Tal é válido agora e
também no futuro próximo. Mais do que nunca na nossa História. Não
sejamos ingénuos e, de uma vez por todas, não se pense mais que os
portugueses são todos parvos.
Saibamos não esquecer nem Pessoa, nem
Agostinho da Silva na sua deliciosa explicação de base etimológica
sobre o significado de ‘discutir’ que, nas palavras desse nosso Grande
Mestre, quer dizer «abanar uma caixa, para ver o que está lá dentro…».
É urgente saber respeitar e saber aplicar na prática estes pensamentos
despertadores, válidos para qualquer realidade micro ou macro humana.
Nomeadamente quanto à conservação de todos os registos patrimoniais e
de fluxos financeiros…
Aqui chegados, as perguntas que se
impõem fazer a quem tem a obrigação de as responder – e não o faz
porque insiste em não querer ver a realidade dos pressupostos – são as
seguintes:
1) como poderemos no Algarve, em Lagos
e no Barlavento, escapar a esta verdadeira Regra Negra em que se
tornou, impune e progressivamente, a esta pseudo-democracia que ainda
nos rege e cujas consequências sentimos como poucos? Por outras
palavras: como e quando saberemos escapar colectivamente a este
verdadeiramente descomunal e continuado Caso de Polícia e de
Desorganização em que Portugal se tornou visto sob que prisma fôr
(tempo de duração, espaços, montantes, custos sociais, nº. de pessoas…)?
Que falem sem medo os especialistas e que os Cidadãos, todos os
Cidadãos, independentemente das suas opções, saibam de uma vez por
todas o que têm pela frente sempre que votarem.
2) quem tem ainda dúvidas sobre a
necessidade da mudança do sistema político? Se até já assistimos
recentemente, por parte de um ex-conselheiro presidencial, a uma sua
tão inesperada quanto pertinente e oportuna comparação do actual PR
Cavaco Silva com o último PM da ditadura, Marcelo Caetano…
Que mais faltará acontecer? Serão estes apenas “problemas de Lisboa”? Podem parecer, mas não são.
O que se passa a nível nacional,
regional ou local está simultaneamente na origem e no resultado dos
mais impressionantes níveis de desorganização e de impunidade,
desenvolvidos por uma tão trágica quanto provinciana imitação
replicadora ao abrigo de ‘frames’ lakoffianos de “ir para a Cidade”,
“tirar um Curso” e “trabalhar para o Estado ou num Banco”, como única
via escapatória para a “situação” de então, igualmente obscura e
perfeitamente datada que a convulsão de Abril não resolveu e ainda
agravou, o que descambou no incrível estado de emergência nacional em
que estamos em 2009, 35 anos depois…
Os resultados estão à vista de todos.
Não só Lisboa está a rebentar pelas costuras, com os centros históricos
desertos, como o exemplo macrocéfalo da capital se replicou rapidamente
pelo país sob pretexto de uma falsa modernidade e de um falso
desenvolvimento, os Cursos “superiores” de pouco servem face à
Oclocracia instalada, do Estado depende já quase 60% da população do
país e o sistema financeiro está como se sente que ainda não se sabe…
controlado por esse garante financeiro oclocrático que é o conhecido
“Banco do Estado”.
Do estado a que chegámos, como esse recente e grande “soldado que quis ser desconhecido” uma vez disse…
É por tudo isto que tanto a
responsabilização das origens materiais recorrentes e a implementação
das soluções estruturais não podem ser feitas nem de forma avulsa nem
mudando estruturalmente apenas uma das dimensões ignorando que a
realidade, embora composta pelas três dimensões diferentes, é só uma.
Como se demonstra por sucessivos
episódios graves – os que se conhecem – acompanhados pelas derivadas
revisões “unânimes” das bases legais, e como se demonstrará cabalmente
em breve – ou então ainda tentará mais um ilusionismo por mais algum
tempo, o que será potencialmente fatal não somente para o Sistema
Político, mas para o próprio Regime assim como para a Independência de
Portugal (pela via financeira)… – o problema maior é que essa
responsabilidade não é meramente sistémica ou apenas política. Antes
fosse.
Lagos, o Algarve e Portugal são,
portanto, uma mesma realidade que integra essas três realidades apenas
aparentemente diferentes. Como a estruturação dos problemas é comum, as
soluções podem ser aplicadas transdimensionalmente a qualquer sector da
realidade, independentemente do nível de detecção original. Como os
diagnósticos estão todos feitos, o trabalho até pode ser rápido. Se
houver Vontade…
Embora o cenário desejável fosse outro,
o importante agora é que o trabalho das transformações estruturais se
faça, tanto quanto possível coordenadamente, a partir do nível local.
Uma vez que da capital do reino já nada de bom virá, como a realidade
remota e recente demonstram e como o futuro demonstrará se nada de
estrutural mudar.
LAGOS: SABER NAVEGAR NAS DUAS CRISES
Lagos tem uma longuíssima experiência
de crises. Da escassez dos fornecimentos mais elementares e das graves
situações de subsistência e habitacionais do passado, é paradigmática e
ainda actual a crise anual, sentida e conhecida por todos, que vem em
todos os Outubros e vai até aos Maios de cada ano. É esse o nosso
inimigo comum: A SAZONALIDADE da actividade económica.
Apesar de se ter sabido e conseguido ser, como hoje somos, o concelho do país com maior taxa de residentes estrangeiros,
roçando por baixo os 5%, este é um activo que deve ser trabalhado para
subir diversificadamente e não para descer. Urge debater o ‘modelo de
desenvolvimento’ seguido. Rever, corrigir e diversificar os seus
vectores principais. O que existe é sustentável ou carece de correcção?
Existem inúmeras questões por resolver e opções inovadoras que têm que
ser avaliadas de modo desapaixonado e objectivo.
Não é simples pensar Lagos nos tempos
que correm, dizia. Nem fácil. Essa dificuldade é também válida para
todas as dimensões da realidade: a regional, a nacional ou até mesmo a
mundial. Pelo que vamos conhecendo, resultado da pouca ou informação
que nos é servida. Somos muitas partes de muitos todos, sistemicamente,
qualquer que seja a sua dimensão, consciente ou inconscientemente
percepcionada por todos e cada um de nós. Quase tudo será cada vez mais
difícil no futuro se tudo continuar como dantes, se nada mudar nas
nossas mentalidades e decisões.
Vivemos tempos raríssimos, unanimemente
reconhecidos como sendo de mudança de paradigmas a todos os níveis. Da
dimensão mais ampla, a global, à dimensão mais pequena, a pessoal ou
familiar. É nesta perspectiva factual que estamos, quer queiramos e
gostemos ou não. É nela que urge posicionarmos a nossa acção, qualquer
se seja o nível em que estejamos a operar. Neste caso o local.
Apesar de quase tudo já ter sido dito
sobre esse manto em que tudo se pretende abrigar chamado “crise”, é já
claro que pouco ou nada será como dantes após terminadas, não se sabe
quando, não uma mas as duas tremendas “Crises” actuais:
1) uma “crise” portuguesa específica, continuada e estrutural, em que navegamos há demasiado tempo (v. links A, B e C)
sobre a qual alguns – nos quais me incluo – vêm alertando com ignorados
contributos há anos, na imprensa escrita e online ou em blogs, e
2) uma “crise” internacional (v. links D, E e F)
evidenciada pela mais incrível irresponsabilidade na gestão de empresas
financeiras (fenómeno exclusivo a elas?), mas que não teria sido
possível se as leis que permitiram nos USA em 1999 juntar
operacionalmente a banca comercial com a banca de investimento não
tivessem sido imitadas por governos de todo o mundo, com os da
República Portuguesa incluídos !
Essa falsa modernidade, contra a qual
já A. Lincoln tinha avisado tanto tempo antes, apareceu sob a capa de
uma pretensa “modernização dos mercados financeiros”, mas mais não fez
do que tratar de utilizar tanto de modo consciente quanto criminoso a
tecnologia disponível – e o dinheiro dos depositantes – não para
instrumento de detecção e controlo de uma aberração financeira, mas
para disseminar a invenção de produtos inexistentes por todo o planeta.
Tudo apenas aparentemente temperado com
uma manifestamente impossível iliteracia tecnológica de tantas
autoridades de controlo a quem todas as evidências escaparam ou, o que
é a realidade factual materialmente comprovável, que quiseram decidir
conscientemente o embarque nessa casca de noz financeira virtual,
motivados pela mais vil ganância material, subindo para um carrocel de
cargos alternados ainda em andamento… o que é ainda hoje bem visível na
promiscuidade entre cargos na Política e na Economia garantindo a
continuidade no Poder de todos os que, por acção ou omissão, estiveram
na origem do problema e, por isso mesmo, jamais serão capazes de
antever as soluções urgentes, quanto mais de fazer a sua implementação.
Terá sido diferente na República
Portuguesa? Não, definitivamente não, a crise internacional não foi uma
espécie de fenómeno meteorológico aleatório que se abateu sobre
Portugal e que veio ampliar a recorrente crise portuguesa. Tem
responsáveis materiais, seja nos USA, onde ao menos existe Informação
independente e Justiça a sério, seja em Portugal ou em qualquer outro
país que tenha entrado na ilusão da criação de riqueza sem bases
económicas ou financeiras reais.
Antecipar e formular as soluções
estruturais para as duas crises passará agora por termos que assistir
entre nós às mais aviltantes inércias políticas, pedidos de
confidencialidade operacional ou à simulação de falsas unidades
nacionais e internacionais, mudando apenas os actores principais, como
tragicamente parece estar a ocorrer no caso do novo presidente
americano, apenas para salvar a face de um sistema financeiro
descontrolado, disfuncional e falido, assim como da vácua e
ilusoriamente rica corte que o vem sugando impunemente a partir do
aparelho do Estado? Definitivamente: Não!
Alguém acredita honestamente que quem
esteve na origem e desenvolvimento continuado do problema possa estar
agora na identificação e implementação das soluções? Que existem, falta
é coragem para as implementar.
Antecipar e formular soluções passará
agora por andar a arregimentar criminosamente gentes e polémicas
políticas ultrapassadíssimas, aos mesmo tempo que se pedem ideias e
soluções aos pobres dos roubados Cidadãos, quando quem conhece de facto
as origens das questões e é pago para ter as soluções não as tem.
Andando ainda por cima a argumentar-se
errada e dramaticamente com o fim do capitalismo, quando de facto já
aconteceu coisa diferente: “o fim do capitalismo tal como o
conhecíamos”. Só se fôr para andar com um saleiro no bolso em vez de
dinheiro. Ressuscitando e encenando dualismos do passado para clips
televisivos manipuladores da consciência colectiva como nesse episódio
Vital (v. post de 3.Maio.2009 neste link)?
Ou pretendendo-se reforçar o papel do Estado na Economia? Está tudo
doido? Mais ainda? Só se fôr para em vez de 60% passarmos a ter 90% dos
portugueses a depender do Estado, não?
Definitivamente não, nem uma coisa nem
outra. Como, ou muito me engano ou será visível a muito curto prazo, no
último trimestre de 2009. Talvez antes, se houver a coragem para
divulgar os dados reais do primeiro semestre.
É neste contexto que a Lagos e o
Barlavento vivem e viverão no futuro próximo, desconhecendo-se ainda,
nunca é demais repeti-lo, por quanto tempo viveremos nele…
COMO FAZER A DIFERENÇA?
É pacífico reconhecer que é
materialmente impossível atravessar um abismo com pequenos passos,
quero aqui hoje afirmar não só que é perante um abismo que nos
encontramos como também, sem pretender ensinar o pai-nosso ao cura,
relembrar que qualquer navegação possível variará inelutavelmente entre
duas abordagens-limites:
- a abordagem PÉSSIMA,
que se caracteriza por ser meramente IMITATÓRIA, melhor tipificada na
psico-sociologia infantil, socialmente imberbe ou naturalmente
irresponsável, que se limita a replicar todos os inputs que vêm de fora
– da realidade de dimensão superior, quando não da inferior – sejam
positivos ou negativos do ponto de vista evolutivo, mas que parecem
desenvolver-se sempre de uma forma subserviente e seguidista, meramente
replicadora dos modelos e das lutas alheias, que até podem conter de
tempos a tempos actores materiais ou humanos apenas aparentemente
novos, quando não simplesmente enganados, mas que não dizem respeito à
realidade em que nos posicionamos para as necessárias análises e
tomadas de decisão, podendo mesmo imputar problemáticas – quando não
modelos ilegítimos e ilícitos – que nos são totalmente alheias. Neste
concreto contexto, à nossa Cidade.
Nesta perspectiva, a que chamo “ACÇÃO A
PARTIR DA SUBSERVIÊNCIA” seja ela resultante de falta de vontade,
situacionismo manipulador ou mera incompetência política, podem até
recorrer-se a capas pessoais de aparência científica – geralmente
contributos fátuos, que logo desaparecem após constatados os primeiros
logros – mas tende a não existir criatividade alguma, nem genuinidade
ou contributo pessoal possíveis, para além das aparências arquetípicas
ultrapassadas mais ou menos (dis)simuladas e do grave (des)conhecimento
da realidade… por parte das cabeças por detrás dos olhos que a olham
mas não a podem ver, quanto mais agir sobre ela. Mesmo que vejam…
Eventualmente, podem até aplaudir e participar nessa realidade de um
modo tão grosseiro quanto interesseiro, mas sempre com absoluto
desprezo intelectual e material pelos outros e, mais grave ainda, pelos
que, presumivelmente, menos sabem e menos podem. Inconsciência
sociológica e falta de humildade intelectuais? Bem parece. Afinal,
presunção e água benta cada um toma a que quer…
A realidade, contudo, é que é já claro
há demasiado tempo que nenhuma entidade exterior à nossa realidade
resolverá os nossos problemas estruturais por nós. Pessoa identificaria
decerto esta perspectiva com a sua definição de Provincianismo que,
segundo ele «consiste em pertencer a uma civilização sem tomar
parte do desenvolvimento superior dela, em segui-la, pois,
mimeticamente, com uma insubordinação inconsciente e feliz».
- A abordagem ÓPTIMA
é caracterizada por ser genuinamente LIVRE, culturalmente rica e
cientificamente esclarecida, é frequentemente evidenciada actores
ignorados e/ou trucidados pelos agentes das acções cercanas ao outro
género e é socialmente responsável. Funciona de modo simultâneo,
integrado e integrante, em acções geradoras e selectivas das melhores
práticas no âmbito dos processos de conhecimento existentes. Tem provas
dadas, em áreas multi-disciplinares de reconhecida complexidade. Ou
seja, caso-a-caso e tanto quanto possível de forma integrada, trata-se
aqui de conhecer toda a oferta disponível, seleccionando e adoptando o
que é comprovadamente não só útil à procura como principalmente
exequível para a oferta, rejeitando sem posicionamentos dúbios tudo o
que não fôr compatível com a realidade presente e potencial específicas
da dimensão em que nos posicionamos para analisar e facilitar as
apropriadas tomadas de decisão. Ou tudo o que não seja exequível, o que
pressupõe o conhecimento da velha questão dos limites, tanto materiais
financeiros como legais.
Difícil, muito mais difícil em breve,
será testar os limites da ELASTICIDADE e da PACIÊNCIA dessa mesma
oferta. E também no caso concreto da nossa Cidade, num qualquer
primeiro dia…
Esta perspectiva, que pressupõe a
mobilização das vontades de conhecer e de resolver os problemas e os
anseios progressivos de qualquer maioria orgânica de qualquer dimensão
com “ACÇÃO A PARTIR DA LIBERDADE” (ou da VERDADE que ela pressupõe) não
ignora nem manipula o conhecimento da realidade e pode até conter o
anterior enfoque tipicamente imitatório, mas apenas se ele resultar de
uma objectiva e atempada adopção selectiva, com prioridades e
integrações bem definidas, das melhores opções e práticas que resultem
de processos de tomada de decisão claros e transparentes, recorrendo ao
melhor nível do conhecimento existente a cada momento e com o mínimo
custo possível.Cá estaremos para ver se este será um mero idealismo
impossível.
O que não é possível é tudo continuar como dantes perante os mais impressionantes e diferentes dados da realidade portuguesa.
LAGOS E “OS DONOS DA DEMOCRACIA” PORTUGUESA
Regra geral, não nos deveria interessar
a paternalidade das Ideias, mas sim a sua concretização ao serviço da
generalidade dos Cidadãos, independentemente da nacionalidade, côr da
pele, tempo de residência no local em que têm os pés ou qualquer outro
tipo de fonte de discriminação. Estejam onde estiverem há 2 meses, 20
ou 200 anos… Desde que esse exercício de direitos das minorias, ricas
ou pobres, não colida ou agrida o exercício dos direitos dos outros.
Mas não sejamos ingénuos, é tão velha
como os tempos a actividade dos profissionais da rapina das inovações
alheias. Quando não de patrimónios transparentemente conseguidos. Por
isso não faço quaisquer sugestões ou apresentações das soluções que, na
minha óptica, entendo serem extremamente urgentes nas várias dimensões
da realidade. Fica para momento oportuno…
De momento, apenas direi que que menos
interessa é ver candidaturas a cargos públicos – como temos visto
abundantemente em Portugal – como se de prémios de carreira se
tratassem, quando não para servir não de garantes do normal
funcionamento das instituições democráticas na dimensão específica de
cada um ou da manutenção dos interesses ocultos mais inconfessáveis,
ainda por cima em nome da Democracia. Ou até mesmo tendo como simples
objectivo a garantia de múltiplos rendimentos futuros, geralmente à
conta do erário público. Tudo sempre ao abrigo da Lei…
Esquecem-se os que se escondem nas
meras legalidades formais que, como se aprende nas primeiras lições de
Direito, o âmbito social precede o legal. E não o contrário. Ou seja,
que não basta apregoar o indiscutível Primado da Lei, há que garantir
que essa Lei é socialmente justa, adaptada à realidade social – sem
esquecer a evolução tecnológica – o que não aconteceu nem acontece em
Portugal. Assim não sendo estaremos perante a constatação, como em
qualquer lugar do mundo, de que “a ocasião faz o ladrão”. É que o
regime nazi alemão e o comunista russo também tinham Leis… Como o da
Coreia do Norte.
A nossa realidade já mostra, e mostrará
ainda mais evidentemente no futuro, que a situação a que chegámos é
totalmente insustentável e carece de alteração urgente. Tanto pior para
quem não quiser tomar disto consciência a tempo. Tanto em Portugal,
como também na nossa Cidade e no resto do Algarve.
Os diagnósticos já estão todos feitos,
importando distinguir os genuínos dos pagos “à façon”, e o que menos
interessa é perdermos todos mais tempo com pontos de situação,
esgrimindo falsas dialécticas, diletantes ou interesseiras por tudo e
por nada, como se fosse possível continuar a transformar em falso
debate político a mais vulgar certeza factual ou científica elementares.
Nem interessa perder mais um minuto que
seja com servilismos inúteis, passadistas e suicidários, tanto para a
cortes servis como para os servidos. Isto tem que ser assumido por
todos. Como nação, estamos no ridículo quase soviético de ter 60% da
população a depender directa ou indirectamente do Estado.
É impossível que Portugal sobreviva
como Estado económica e politicamente independente se esta aberração
estrutural não mudar. Provavelmente é já nessa situação que nos
encontramos e não sabemos, porque escasseiam dados fiáveis, no detalhe
e no tempo. Daí a urgência, porque será pior e totalmente imprevisível
se esta aberração política, sistémica e organizacional, fôr ainda mais
ampliada. Se isso acontecer, não será esse o sinal mais claro de que os
Portugueses terão já perdido a sua independência económica e política?
Os Portugueses e também os
Lacobrigenses e demais Algarvios não estão já a viver os impactos
pessoais e empresariais desta comatosa e trágica realidade estrutural?
PORTUGAL 2009: O ANO DAS 3 ELEIÇÕES
2009 é um ano de eleições. Constato
que, mesmo perante a 2 crises que atingem Portugal, foi decidido por
quem de direito que as 3 eleições ocorram em 3 datas diferentes. Das
duas uma: ou não há ainda consciência da realidade na sua total
extensão, ou conscientemente preferiu-se o “quanto pior melhor”…
prolongando o extertor de um sistema demonstradamente disfuncional,
optando-se pelo vácuo na acção política que se preferiu induzir com
essa surreal decisão. Ou então ainda se continua a presumir ali pelas
Lisboas que os Portugueses são todos estúpidos, ao ponto de não
conseguirem votar simultaneamente em três actos diferentes…
Pior ainda, como já alguém muito bem
observou, se das próximas legislativas resultar uma qualquer maioria
relativa, o que com toda a probabilidade acontecerá, e com a mais que
certa turbulência acrescida que a ela estará associada no presente e
nada breve contexto dificílimo, teremos adicionalmente – graças ao
calendário eleitoral específico da sua função e ao imperativo
constitucional que lhe retira um dos seus raros poderes, senão o único…
– teremos, dizia, o actual PR em fim de mandato a não poder utilizar a
totalidade dos seus poderes. Ou seja, já nem o PR poderá demitir o
Governo, nem dissolver o Parlamento, nem convocar novas eleições.
Bonito serviço a bem da rapidez na reacção a uma tão grave realidade tão tardiamente identificada…
É nestes impressionantes e potencialmente dramáticos contextos nacional e internacional que as eleições locais terão lugar.
(…/…)
José Borba Martins, Lagos