
ESTA DEMOCRACIA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II)
LAGOS 1/3
No post sobre esta Democracia Portuguesa (v. link
) em que tão penosamente sobrevivemos e que já tantos, embora tão
tardiamente, vão reconhecendo estar podre, falida e conter das maiores
impunidades que se possam imaginar, prometi escrever sobre o que me
preocupa mais de perto: Lagos, a cidade onde nasci e resido e o
Algarve, a minha região e de tantas gerações de antepassados, de quase
todos os concelhos desta região de Portugal.
Como esta minha promessa tem algumas
semanas, tomo a iniciativa de compensar os prezados leitores com esta
prosa dividida em várias partes por ser algo extensa, dirão, mas que
terá múltiplas utilidades tanto para quem aprecia o humilde escriba
como para quem gosta de extensões. Nomeadamente quando estiverem à
espera por alguma coisa, como por exemplo que a Onda passe a
bio-diesel, que o comboio parta ou chegue a iTunes – que bom já
chegámos – ou que a competente auto-estrada vá de Bensafrim até Sines,
ou que se inaugurem três pólos da Universidade de Faro em Lagos,
Aljezur e Sagres ou então para um sempre útil ‘3 em 1′ alternativo como
será:
1) o de esperar por vez no wc do centro comercial Marina, logo seguido pela
2) sua utilização como cinzeiro, enrolando o papel em cone e
3) se ainda por cima o papel já tiver
acabado nesse momento sublime para qualquer opositor do que quer que
seja, fazer então esse exercício de aproveitar a foto do topo do texto,
que já vai preparada para tal, fazer uma tatuagem do Talefe por baixo,
com a adequada compressão sem tremer, ao mesmo tempo que
3.1) põe a si mesmo a hipótese séria de
se opôr a si próprio, coisa adequada para cada vez mais gente que, de
repente, se vai vendo a falar sòzinha e
3.2) fazer um exercício libertador
dizendo em voz alta: “Não, não, agora não posso que não tenho papel,
não tenho papel, não tenho papel…”.
Não esquecer que, antes de sair, será
imperativo pensar porque é que não tinha papel. Das duas três: ou é
porque gastaram o papel todo, ou porque o levaram para limpar as mãos
ou, então, é porque se esqueceram de pôr mais papel, logo quando lhe
era mais necessário. Este insignificante passo reflexivo é deveras
importante para perceber completamente o texto e para que o mesmo não
lhe volte a acontecer no futuro…
Não esqueça que, após sair, é
imperativo escolher interiorizar a opção “ver se há papel” antes de
entrar. Havendo papel entre pela porta que tem papel. Se não o fizer,
pode acontecer-lhe exactamente o mesmo que antes. Depois de entrar, se
já não se tiver borrado entretanto, tente perceber porque é que já lhe
passou a vontade. Se não lhe passou a vontade é porque o Talefe não
provoca prisão de ventre. Já o contrário não me atrevo a afirmar.
Alivie-se, que já vai sendo tempo.
Não é simples nem fácil pensar ou
ignorar o que se passa em Lagos. Para mais, nos tempos que correm. Mais
que esquecer as inúmeras memórias que todos temos e devemos ter
presentes independentemente das origens de cada um – porque se a Terra
é só uma, então a nossa terra é onde temos os pés a cada momento – pior
é esquecer a memória dos sucessivos sonhos colectivos e pessoais, por
serem ainda em maior número que a dos factos que possamos
individualmente recordar. Do mais subido piorio é a sua traição.
É que se a diversidade é riqueza, como
está abundantemente demostrado, afrontar ou esquecer as matrizes
sociológicas intrínsecas pode ter consequências imprevisíveis para quem
quer que seja que o faça. Ou deixe fazer.
AVISO À NAVEGAÇÃO
Antes de mais, quero esclarecer que não
gosto de brincar nem com as palavras, nem com o tempo, nem com os
direitos ou com o dinheiro dos outros. Coisa que constato mais
frequentemente do que seria admissível acontecer nesta nossa terra
portuguesa. O tempo não é de ironias vãs, e seria uma extultícia da
minha parte explicar aqui o que é um weblog (abrev. blog). Nunca fui
nem vou em grupos e a última coisa que quero é confundir as pessoas,
coitadinhas, com a emissão com boatos, lamúrias ou falsidades, como
algures se pode ler numa espécie de blog impresso da nossa terra. Não,
não, este é um texto de opinião livre e genuína de um cidadão do mundo,
europeu, português, algarvio, lacobrigense e tudo! Nascido na Travessa
do Penhasco…
Posto isto, acredito que os tempos são,
e serão crescentemente, potenciadores dos maiores perigos e das maiores
confusões – ninguém disso tenha dúvidas – das aborgadens mais
demagógicas assumidas sob a capa de uma repetição discursiva de lugares
comuns, já demonstradamente ultrapassadas pelos acontecimentos, mas
sempre ao serviço aparentemente inconsciente de males maiores. Sem
falsas ingenuidades, não creio que sejam estes os momentos de inventar
problemas onde eles não existem. E muito menos de condicionar a opinião
divergente, venha ela de onde vier. Era só o que faltava. Todos somos
poucos.
Mas, sobretudo, estes também não são
mais os tempos de ignorar a realidade e olhar para o lado como se ela
não existisse. Por outras palavras, é importante valorizar e
rentabilizar tudo o que de positivo existe, e é muito, mas não é menos
imperativo olhar e ver as causas de tudo o que de negativo existe, o
que também não é pouco. Seja qual fôr o veículo. Identificar as causas,
as origens, dessas realidades negativas e resolvê-las consistentemente
e pela positiva em união de esforços, em vez de inventar falsas
questões e separatismos pessoais ou (pseudo)grupais a partir das
consequências – as quais, por serem infelizmente já reais, se prestam a
esse exercício da mais pura desonestidade intelectual – isso é que é
por demais contraproducente face aos legítimos interesses da
generalidade das pessoas.
A situação é claramente de emergência
nacional e, como tal, também regional e local. Como a conta-gotas vai
sendo reconhecido pelos mais variados opinion leaders de todas as (in)sensibilidades.
Escrevo agora sobre Lagos porque quero
exercer este meu direito de cidadania e porque é a minha terra. Como
antes escrevi de Portugal e como escreverei oportunamente de uma
perspectiva evolutiva que transmitirei e que vem sendo desenvolvida por
alguns cidadãos para o Algarve, tema que se imporá este ano, mais que
nunca, introduzir no debate autárquico da região. Sem tibiezas nem
rodeios, porque neste conservadorismo estrutural em que vegetamos há
décadas… reside uma das origens recorrentes que vêm sedimentando as
falsas soluções, com os consequentes problemas com que todos nos
debatemos. Ninguém tenha ilusões porque ninguém o fará por nós. Muito
menos as tenham os que pensaram que podiam lucrar eternamente com a
chamada “situação” e que, dramaticamente para todos, parece ainda não
terem percebido que tudo perderão nada fôr alterado. Como aliás já
aconteceu antes…
Conheço e tenho estima pessoal por
alguns dos que local e regionalmente têm vindo a desempenhar cargos
públicos a todos os níveis e em todos os quadrantes. Não me move
qualquer tipo de parcialidade própria destes tempos eleitorais. O que
seria até reforçadamente legítimo, dado que estamos perante um Abismo e
como eu nasci na Travessa do Penhasco tenho experiência naturalmente
destas coisas. Como tantos outros concidadãos. Mas não é o caso, fiquem
descansados.
De resto, apenas acrescento aqui hoje
que, quer no país ou no estrangeiro, em todos os locais por onde passei
em muito trabalho e pouco lazer nos últimos 30 anos, tenho poucos mas
bons amigos e amigas em praticamente todas as áreas profissionais ou
políticas, e acrescento que jamais fui acusado de incompetência ou de
deslealdade.
Como alguém disse um dia «não vos posso dar a receita do meus bons sucessos, mas a dos fracassos é querer agradar a todos».
Por isso, e por muito alta que possa vir a ser a discórdia, desde já
reitero que, da minha parte, a consideração pessoal será a de sempre,
independentemente de todas as divergências.
O que é imperativo, o que nos interessa
a todos, é o exercício prático da Liberdade por Todos, a salvação da
Democracia como regime e a positivação urgente da dificílima realidade
em que estamos a navegar colectivamente, embora a maioria possa ainda
não ter dela a devida consciência. Ou não queiram ou não possam
expressá-la. Como lapidarmente referiu A. Barreto recentemente «A falta de capacidade de respirar livremente, sem recordar os fantasmas, é a vontade de viver amarrado ao passado».
Isto é válido em Portugal e em Lagos, como no resto do Algarve. Porque, repito, todos somos poucos.
A INICIAL MEMÓRIA DA MÚSICA E DA CARPINTARIA DO MEU AVÔ
Numa breve viagem por aquelas memórias
pessoais mais ou menos fortes, apesar deste lacobrigense ter nascido
apenas em 1960, esse “ano da avenida” e das “comemorações henriquinas”,
a memória mais inicial que transporto é a de ter saído de casa numa
bela tarde apenas com dois anos. Relataram-me anos depois o desespero
dos meus pais e dos amigos a correr pela avenida até que por fim me
encontraram tranquilamente, já noite dentro, a ouvir um ensaio na
Filarmónica. No mesmo local onde anos atrás o meu avô Pedro Martins,
que tinha uma carpintaria na Rua de São Sebastião, tinha tocado…
Coincidências.
Deve-se aliás à Filarmónica a minha
existência, porque foi numa arruada da banda que esse pai do meu pai
conheceu a minha avó Maria do Carmo Borba! Embora esse episódio deva
ter ocorrido com uma das bandas filarmónicas que precedeu a “1º de
Maio”, essa mesma que no Dia do Trabalhador de 2009 comemorou os seus
78 anos. Aqui ficam os meus mais sinceros parabéns e votos de longa
vida para esta nossa tão genuinamente pioneira e profícua academia de
música e a todas as outras que fizeram e asseguram a continuidade do
ensino da Música..
A MEMÓRIA DO CINEMA IMPÉRIO, DOS AMENDOINS E DO BANCO, DO PEDREIRO E DO PAPAGAIO
Quero relembrar hoje aqui esse quase
poético desfile semanal do “homem do cinema” que ia buscar, uma vez por
semana a pé e de carro-de-mão, as bobines dos filmes novos à Estação
C.F. ou o bom e quase sempre “inexplicavelmente” triste Sr. Salazar,
que vendia amendoins à porta do banco a informar, com ar grave os que
lhe pediam ali mesmo dinheiro emprestado, do acordo que ele tinha com o
BPA e que o impedia de o fazer: «Ó homem, então vocemecê não vê que eu
tenho que respeitar o acordo que tenho aqui com o banco. Sabe, é que a
gente tem um acordo, eles não vendem amendoins e eu não empresto
dinheiro, ‘tá percebendo?». Se fosse hoje… até empresas de cafés e
sumos os bancos têm. Dinheiro é outra conversa… Mas adiante.
Recordo-me ainda muito vivamente
daquele mágico espectáculo do sábio pedreiro-maestro do papagaio
Loureco das antiguidades pondo-o a cantar como um tenor “Goooooolll..do
Benfica” ao fim da tarde quando diariamente por ali passava pela Rua
Direita. Só visto. Simplesmente mágico.
OUTRAS MEMÓRIAS E O GIGANTESCO DR. TELLO
E que dizer do insupeitadamente
cultíssimo e poliglota Mestre Despachadinho, em cuja loja funcionou a
sede local da campanha do General Humberto Delgado?…Genial aquela sua
resposta a um tipo do Norte que queria comprar chumbadas e lhe
perguntou se tinha “tomates de chumbo” (com ‘c’) ao que o Mestre, com
aquele seu andar característico e nada apressado lhe respondeu,
mirando-o de soslaio por cima do ombro e levando a mão à anca: “Não,
não, isto é só uma dôrzinha aqui nas costas”…
Muito viva é também a memória do
Coronel Rocha de Abreu, que integrou a S. P. Teosofia, outro superior
espírito que empreendeu entre nós a notável “Casa de S. Gonçalo”, assim
como é essencial relembrar – hoje mais que nunca – essas tranquilas
lições cívicas de vida do enorme Dr. António Guerreiro Tello, com
consultório um pouco mais abaixo, inestimável para tantos
lacobrigenses. Conta quem assistiu, que proferiu um discurso
inolvidável na Praça da Música, nos anos 50, em que explicou à Cidade
porque decidiu não aceitar o convite que o regime do Estado Novo lhe
fazia para ir para Lisboa como deputado. No final, tardaram os aplausos
unânimes porque todos os que o ouviram, ou seja a totalidade da praça
(a cidade de então em peso…), ficaram literalmente em lágrimas, com
alguns em pranto convulsivo…
Aqui fica uma única sugestão para quem
a possa concretizar: já tarda homenagear, mais do que em nome de rua,
com uma estátua ainda maior que a do tamanho real desse gigante de
humanidade e altruísmo que escolheu viver na nossa Grande Cidade. O
nosso Tolentino de Lagos certamente aceitará materializar esse
imperativo de tão vivo traço da consciência colectiva com desconto
especial.
Por mim, antevejo que a estátua seja
colocada em pé e sem pedestal nessa mesma praça de tão indescritível
discurso. Em pé em homenagem à sua verticalidade e ao lado dos seus
iguais, como tão sabiamente soube estar e ser sempre tão essencialmente
útil.
LAGOS: ÀS PORTAS DE UM PORTUGAL DO FATALISMO, DA INJUSTIÇA E DA IMPUNIDADE
Se todos nós nascemos originais e
morremos cópias, como alguém disse um dia, são estas – como inúmeras
outras – as pequenas coisas que nos dinamizam os espíritos e não se
limitam apenas a habitar-nos a memória. São antes uma fonte de
inspiração e motivação acrescidas para continuar a manter viva uma
lúcida capacidade de indignação perante as sucessivas situações reais
que, embora diferentes no tempo, espaço e qualidade, afinal por vezes
contiveram e contêm idênticos e tão comuns atributos negativos: da
INJUSTIÇA à IMPUNIDADE passando pelas vitórias sobre todos os
FATALISMOS.
São aqueles traços vivos, diferentes
consoante a percepção pessoal de cada um, que nos podem fazer ser aqui
cada vez menos cópias de nós mesmos e cada vez mais originais, seja
face à nossa essencial matriz sociológica, seja nas concretizações para
que estamos permanentemente convocados pela MATERIALIZAR, como outros o
fizeram no passado. Uns mais outros menos, não importa.Cada um à sua
medida e na sua dimensão, o que importa é NÃO DESISTIR e OUSAR AGIR
SEMPRE !
Porque é perante a necessidade de saber
escolher as saídas para a desgraça colectiva em nos tentam
objectivamente encurralar que todos estamos confrontados neste raro ano
de quase todas as escolhas.
LAGOS, O BARLAVENTO E A HISTÓRIA: SOMOS DOS QUE ESCOLHERAM IR DESCOBRIR
Não é preciso recuar ao Califa
Abderrahman e ao seu trabalho na organização desta Zawia, Cidade do
Lago… ou do Poço, poço sem fundo em que o despótico centralismo vem de
tempos a tempos insistir em nos manter afogados, largando migalhita
aqui e ali, para reverente gáudio provinciano das afanosas tribos
políticas, como antes aconteceu com as tribos corporativas.
Comecemos antes pela Vela, porque fomos
nós, os Portugueses, que inventámos a primeira capaz de navegar contra
o vento…E daqui fomos, nessa atitude inspiradora de interiorização bem
necessária hoje para quem quiser sobreviver ao autêntico tsunami
financeiro que está, apenas e ainda em crescimento descontrolado, a
alastrar a todas as áreas e a todo o mundo, com excepção da Antárctida,
essa espécie de Atlântida de que muito pouco se fala…
É que podem ter tido origem no pinhal
de Leiria as madeiras para os barcos, ou a carne do Norte para
mantimentos, na razão original das tão famosas tripas, mas aqui, nesta
nossa região do Barlavento do Algarve não ficámos, naquele tempo
refundador, ao abrigo confortável de qualquer restelo mental a ver a
barcaria partir e a falar – erradamente, como a História constatou – da
impossibilidade dessa tão gigantesca empresa que foram os
Descobrimentos Portugueses.
Não, aqui se escolheu fixar a produção
da empresa, mobilizando a necessária Inteligência disponível, e daqui
eram as Pessoas, as conhecidas mas sobretudo as incógnitas, que
partiram e voltaram materializando essa inovação de confiar e querer
ligar pelo Mar as separadas Terras. Porque raio estatemos condenados a
ficar agora parados a lamentar o “Deixa Mamar” televisivo à espera que
outros resolvam o que só nós podemos resolver?
LAGOS E O TERRAMOTO DE 1755 DIARIAMENTE RECORDADO POR…UM SINO
Que fique desde já muito clarinho que
não há marreco mental nenhum que nos consiga retirar o nosso grandioso
e factual contributo histórico. Seja quem fôr e onde possa estar
instalado em nosso nome. Nem que seja em Odemira. Por maiores que sejam
a estrutural vénia ou o vivaz poderoso. Desse contributo não se podem
apenas conservar cartas forais ou fazer desfiles históricos por mais
belos que sejam. E são, mas é preciso mais.
Mais do que encenar participadamente
esta encruzilhada de tantas culturas distantes no tempo e no espaço, é
muito importante fixar documentalmente a memória do dificílimo trânsito
de tantas comunidades do/pelo nosso Barlavento junto dos mais jovens,
designadamente desde o período em que o terramoto de 1755 nos levou o
estatuto e toda uma vida própria de Capital do Algarve e uma das
cidades mais importantes da Europa… para Faro, onde qualquer dia até
para ir aos mictórios lá teremos que nos fazer à via.
Para aliviar a carga, ainda um dia
destes, pensando eu que cada estabelecimento aberto ao público tinha
que ter um, perguntei por lá num balcão de café onde eram e obtive a
seguinte resposta de uma solícita empregada de cachucho no dedo e no
melhor português do Brasil: “Mictóriósss não temosss, só pástèuzinhosss
de bácálhauu e tão bein chamuçasss…”. Faro no seu melhor. Aguentei-me,
lá pedi uma chamuça e… “oberei”. Que me perdoem a recorrente alusão,
mas não é este um dos já raros exercícios espirituais que nos restam
hoje? Recomendo-o pelo menos uma vez por dia, e quanto mais cedo
melhor, como treino para este tão igualmente raro e inoportuno ano
eleitoral. Depois duma dentada inicial, lembrei-me da tribo canibal dos
Costas, uns 10 000, que apenas permitiram a miscigenação de um Costa
português que a liderou e foram essenciais para correr com os
holandeses do Brasil, que fugiram – poucos – aterrorizados, porque os
valentes Costas, depois de ganharem as suas batalhas, assavam e comiam
os inimigos. Restou aos holandeses vir cá ao nosso Tejo de dois em dois
anos com uma frotita ameaçante receber a sua acordada tençazinha de
ouro…
Ainda tentei meter conversa com ela
elogiando-lhe o anel, perguntei-lhe se era diamante, mas ela deixou-me
estarrecido: “Não sinhor, é dji marido mesmo…”. É de momentos destes
que um qualquer dia precisa. Reflexão e rara riqueza cultural. Acabei
de comer, paguei e lá fui eu à procura da casa-de-banho do centro
comercial. Tanto mar…
Estou também a gostar muito de
recomendar a quem conheço outro invulgar exercício enriquecedor de
qualquer cidadania: a audição dessa espantosa média diária de 607
badaladas do autárquico sino da Igreja de São Sebastião, em Lagos. Ele
estar várias vezes acima do máximo legal está, mas faz muito bem ao
espírito de tolerância democrática tão necessário nestes dias. E não é
que está a virar atracção turística?
Conheço mesmo um casal que já veio de
Lisboa, ela prima de uma outra célebre balconista, da Damaia lisbia, só
para ouvir o tão celestial chimfrim. Vejam bem que eles costumam ir a
Mafra aos concertos de carrilhão, mas quando eu lhes falei que as
melhores badaladas nacionais eram as de Lagos ao domingo de manhã,
puseram-se à estrada. E gostaram os dois muito. Não foi de carrilhão
mas foi de badalo. Eles não ouvem muito bem, mas conseguiram afinar os
aparelhos antes do segundo chorrilho e adoraram.
Aliás, também sei de fonte segura que o
ministro M. GAGO apreciou devidamente aquela que se está a tornar,
conjuntamente com o nosso novo e bom pároco (haja Deus…), numa nóvel
atracção turístico-religiosa que apresenta sinergias por demais
evidentes com o inaugurado Centro Ciência Viva. Mais concretamente no
âmbito da Acústica, esse ramo da Física que estuda os Sons. Se ainda
ontem até um gajo que é SURDO que nem uma porta sorriu para mim olhando
para o sino, a descer a rua. Como estavam a dar as badaladas do
meio-dia só pode ter sido de alegria…
Mas ainda sobre o sino da igreja onde
fui baptizado, de resto, de que me serviria ir eu agora incomodar o
Ministério Público com as badaladas de um sino se nem um qualquer
suporte vídeo pode ser admitido como prova no sistema processual penal
em que os nossos insignes magistrados estão obrigados a trabalhar? O
que ainda não percebi, e ainda me irão explicar um dia, é para é que
servem os sistemas de vigilância electrónica pagos a peso de ouro pelo
erário público que se vão instalando por todo o país…como no centro
histórico do Porto, por exemplo. Será apenas para se conseguir atingir
esse inconcebível objectivo que diz ser o de aumentar a “sensação de
segurança”? Será esta assim como, digamos que, eventualmente, uma
espécie de segurança? Não há pachorra…
Posto isto, claro que ficamos, como
todos os portugueses, ansiosamente à espera de mais medidas para
aumentar outras sensações muito importantes, em vez desta espécie de
sensação de absorção que quase todos sentem no bolso. Assim de repente,
lembro-me de algumas outras espécies de sensações: a sensação de
vivermos em democracia e liberdade, a sensação de termos procura
turística, a sensação de termos comida à mesa duas vezes por dia, a
sensação de estarmos a ser governados por gente competente, rigorosa e
desapegada do poder, a sensação de ter trabalho – que emprego é outra
conversa – a sensação de termos um aparelho de Estado pequeno, dinâmico
e efectivamente controlador, a sensação de termos uma comunicação
social livre, a sensação de crescimento económico ou essa basilar
sensação de Justiça…
LAGOS E O BARLAVENTO DO ALGARVE
Estava eu a pensar que me faltava um
MUDO para este breve apontamento de frutuosa ironia e eis senão quando,
ao folhear o CM de segunda-feira 4, me deparo com a surpreendente
visita de S. Exª. o Ministro do Ambiente à Vila do Bispo – num
domingo…onde é que eu já vi isto? – para anunciar o 4º Polis Litoral, a
começar já já já em 2010 e com a duração de 3 anos, 8 a 10 milhões de
contos, «para valorizar as áreas balneares, proteger as arribas,
criar percursos de visitação, ecovias e ciclovias e ainda melhorar os
núcleos populacionais». O homem pode falar pouco, mas lá que
anuncia bem anuncia. E como também tem interesses pessoais na nossa
sub-região ficamos mais descansados. Ou tudo isto vai mudar para
melhor, ou então é mais um episódio do “agora-é-que-é-ismo” cíclico, mesmo em cima das eleições.
Ainda para mais, como «o anúncio de
Nunes Correia agradou ao presidente da Câmara de Vila do Bispo,
Gilberto Viegas, que reclamara precisamente a necessidade de um Polis
para a Costa Vicentina» ou até porque «O ministro não resistiu a comentar que o referido autarca tem “um dedo que adivinha”», nós, os Cidadãos do Triângulo Vicentino ficamos todos ainda mais reforçadamente descansados…
Embora também tenha aproveitado a
oportunidade para logo falar sobre “turismo de qualidade” e não tenha
falado nadinha nadinha nadinha sobre eólicas. Mas o mais assustador é
que nem uma palavrinha saiu sobre os já célebres PIN’s, essa aberração
do Direito Administrativo com que o centralismo da capital e dos
felizes provincianos que o garantem brindam repetidamente todos os
Cidadãos e todo o País.
Sast’fet’ ia eu virar a página quando me chama a atenção mais peixe: «Segundo
o governante, o objectivo “é trazer desenvolvimento a uma região cujas
populações se sentem muitas vezes abandonadas”. Mas alertou para o
facto de as actividades económicas a implementar terem de ser
“compatíveis com as exigências do Parque Natural do Sudoeste Alentejano
e Costa Vicentina”, dado que “não se pode matar a galinha dos ovos de
ouro”. A aposta passa, por isso, pelo “turismo de qualidade”.» e «Nunes
Correia disse ainda que esta semana será revista a portaria sobre a
pesca lúdica no Parque Natural, sendo aliviadas as restrições em vigor
desde Fevereiro». Na mesma ocasião o ministro informou ainda que «O
Governo vai apresentar no dia 18 de Maio uma nova proposta para a
revisão do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste
Alentejano e Costa Vicentina.»…
Uma região cujas populações se sentem
muitas vezes abandonadas? Coitadinhas? Quantas vezes? A que horas? E é
quem as abandona ou abandonou que lhes pretende vir agora ensinar a
viver na sua própria terra? Não será isto um claro caso que integra o
extenso rol do que designa geralmente por demagogia eleitoralista? Quem
pensa esta gente que ainda pode enganar? Só se fôr quem, uma vez mais,
pensa que lucra com a presença nos poderes públicos ao serviço da “situação“… e de parques naturais então nem vale a pena falar muito.
Continuem a espalhar-se ao comprido que
cá estaremos todos um dia para fazer as contas. Se não desaparecerem os
registos das pseudo-legalidades…
Nunes Correia realmente empolgou-se com
a encomenda. Mas a realidade dos “seus” anúncios é que contêm
demasiadas coincidências em mais um episódio “3 em 1″ definitivamente
esclarecedor:
1) o anúncio de um Plano de Investimento, simultâneo à
2) alteração do Plano de Ordenamento que o condiciona… e
3) a pouco tempo de mais umas eleições autárquicas e legislativas.
Para já, uma coisa é certa: como o pior
CEGO é o que não quer ver, cegos seremos todos os que ainda queiramos
insistir em não querer ver a realidade do mais despudorado saque
patrimonial, cultural e eleitoral nesta democracia triste, podre,
corrupta, falida e ainda impune em que ainda têm a suprema lata de nos
vir portas adentro tentar forçar a que nela vegetemos reverencialmente
agradecidos.
Como diria um antigo mecânico sobre um
velho modelo que não cumpria a sua função, parece-me que as “polis” já
estão um poucachinho gastas.
E, já agora, uma sugestão para o Sr.
Ministro: é para pedir-lhe o favor de informar S. Exª. o Senhor
Presidente do Conselho que tão silenciosamente integra que a Costa
Vicentina não é no Sudoeste Alentejano, é no Barlavento do Algarve. Já
sei que dirão que sempre assim foi, que a sede sempre foi em Odemira,
mas olhe que esta ainda é uma boa oportunidade para desfazer mais um
erro organizacional não sufragado pelos titulares do Poder Democrático:
os Cidadãos. Ah, e para mandar rever os sistemas anti-fogo e
anti-intrusão desse escritóriozeco inútil. Seria uma pena que se
perdessem os registos e os documentos de tão cansativo e profícuo
trabalho de defesa do nosso património natural que, certamente por
fatal coincidência, só começou a ser desgraçadamente delapidado depois
dessas invenções que são mais uma espécie de besilhões organizacionais
com poderes especiais.
E, olhe, senhor ministro do ambiente,
já agora, que abra ou mande abrir as portas do que sempre esteve aberto
a todos, há mais de 500 anos… Nem o Salazar, que era danadinho para as
contas – apesar de ser de Direito… – se lembrou de cobrar entradas na
Fortaleza de Sagres. Certamente as entradas pagas são para implementar
o turismo de qualidade…
Outra vergonha que qualquer Cidadão
Português sente é o Farol do Cabo de S. Vicente estar fechado. Há
gente que vem do outro lado do mundo e fica à porta a olhar por entre
as grades… Um verdadeiro nojo que envergonha qualquer pessoa que tenha
vergonha na cara. Se calhar ainda é para abrir lá algum wellness resort PINote ou um restaurante chinês, não? A bem de um turismo de qualidade?…
De regresso à História das Gentes,
acredito que continua a ser pertinente fazer um levantamento
sistemático das pessoas, contextos e das vidas que fizeram a História
da nossa Cidade e da nossa Região. Há ainda algumas pessoas vivas que
tem essas memórias, que urge fixar para o futuro. E existem tantas
iniciativas dispersas de muito mérito que urge reunir e divulgar.
Na minha opinião, esse trabalho de
restauro da memória deve focar com especial incidência esse nada
inocente vazio no ensino escolar português com que, durante tanto
tempo, foi esquecida a História do séc. XX no Algarve até aos anos 70.
Sem esquecer os mais recuados anos da Revolução Liberal do séc. XIX,
com muita memória oral viva ainda no eixo Lagoa/Silves, importa
conhecer melhor o que foram os anos da Implantação da República, do
Estado Novo, da Guerra Colonial e os anos vizinhos do 25 de Abril de
1974 entre nós. Tal como inventariar e registar os espólios dispersos
e, evidentemente, conservar os documentos registados. Estes e todos os
outros, mais recentes. Não vá acontecer-lhes o mesmo que aos azulejos e
a tantas outras peças patrimoniais por este país fora, ou qualquer
outro imprevisto mais quente ou poderoso…
LAGOS HOJE: AMAR A CIDADE É RESPEITAR OS DIREITOS DOS CONCIDADÃOS
Há mais de 2 anos tive a dolorosa
oportunidade de mandar gravar na campa de minha Mãe uma citação que me
apareceu naqueles momentos tão difíceis: «O Amor é o único sonho que não se sonha».
Porque foi a grande lição de vida que dela pude receber e que aqui
partilho com todos. Recebi-a eu como tantas outras pessoas que com ela
conviveram diariamente no exercício da sua tão generosa profissão de
Professora. “Os seus outros filhos e filhas” – como ela dizia sempre
com indisfarçável orgulho.
Bem me parece que este raro sentido do
Amor realmente faz-se, constrói-se, pratica-se. No seu sentido maior
pode fazer-se todos os dias, no respeito completo pelo outro, na
palavra amiga, na ajuda ao que menos sabe ou menos pode, ajudando-o a
progredir pessoal e profissionalmente mesmo em contextos complicados,
como era frequente e nestes tempos está a voltar a ser. Assim como se
faz ajudando a levantar-se quem tropeça e cai. Ou avisando, prevenindo
sem sobrancerias mas com clareza. Embora o que mais vemos em todo o
lado seja o abandono, o abuso do saber em relação ao que menos sabe ou
os mais brutais e silenciosos abusos de confiança que desaguam na
subversão de tantas realidades e potenciais pessoais sacrificados a tão
tristes quão temporários oportunismos pessoais e políticos…
Mas esse Amor também se faz na defesa
do que é nosso, sejam postos de trabalho ou patrimónios, pessoais ou
colectivos, materiais e imateriais, desempenhados e conquistados
honestamente e com continuado esforço ao longo de tantas vidas de luta
e trabalho tantas vezes oculto na espuma dos dias mais ou menos negros
da nossa vida colectiva. Os quais, ninguém disto tenha dúvidas, estão
de novo no horizonte temporal de Portugal, como nos de Lagos e do
Algarve.
É em nome desse AMOR e desse RESPEITO
pela MEMÓRIA e pelo TRABALHO de todos quantos por cá andaram antes de
nós que escrevo estas linhas. A mim, em concreto, possibilitou a este
neto de dois honestos carpinteiros não ter que “vender a alma ao
diabo”. Sem entrar noutros detalhes, que existem, viabilizou-me um
dificílimo regresso às origens (v. link
) recusando-me à incluir-me no extensíssimo rol dos reféns da
componente empresarial privada de um sistema corrupto e ainda impune,
cujos respectivos “rabos de palha” irão mais cedo ou mais tarde arder,
acesos de uma forma ou de outra, mas sempre de modo perigosamente
imprevisivel… Porque tudo tem limites.
É que pode enganar-se uma pessoa uma
vez, duas pessoas duas vezes, mas não se pode enganar toda a gente o
tempo todo! Nem em Portugal, nem no Algarve, nem em Lagos.
(…/…)
José Borba Martins, Lagos
ESTA DEMOCRACIA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II):
LAGOS 2/3
(.../...)
É impossível separar a análise do que
se passa em Lagos ou no Algarve com o que se passa em Portugal. O
trabalho imperativo hoje é o de transformar mentalidades a partir da
realidade, reconquistar vontades adormecidas para mudar a nossa
realidade colectiva, independentemente das cores dos minoritários
clubes políticos com que cada um legitimamente se possa ter
identificado no passado mais ou menos recente.
Se os actores políticos não mudarem a realidade com a verdade toda, será a realidade a mudar os agentes políticos.
Por 3 motivos principais:
1) porque há valores essenciais que têm
que fazer parte de um denominador comum a todos os cidadãos em
democracia e que estão gritantemente em perigo.
2) porque sendo o regime democrático
indiscutível, este sistema político, este modo de organizar a
democracia, esta democracia, portanto e claramente, não funciona, está
demonstradamente podre e terá que mudar. Quanto mais tarde pior, pelos
riscos acrescidos que o mero decurso do tempo introduz na realidade.
3) porque, cf. publicado num jornal do
dia 25 de Abril de 2009, 35 anos depois de 1974, quase 80% dos cidadãos
portugueses não se revêem nos partidos políticos…
Mas é também em nome da INDIGNAÇÃO face
à insustentabilidade económica resultante de um autêntico roubo
sistemático, continuado e ainda impune que se instalou em Portugal que
escrevo estas linhas. Indignação que quase todos pressentem e tantos já
sentem, dentro e fora do Estado, mas de que ainda poucos terão uma
percepção que lhes permita fazer a diferença na sua realidade diária
específica. Ou então ainda se pensa – erro crasso – que estaremos
impedidos de o expressar… o que remete para as teses da “não-inscrição”
dos factos e do “medo de existir” dos portugueses como muito bem
caracteriza o filósofo José Gil a realidade da nossa terra (v. link ) .
Invocando uma vez mais Pessoa, creio
que já todos devíamos ter percebido que nada é a preto e branco ou,
como ele bem escreveu, «o dualismo como teoria das coisas é um produto
(infante) da idiotia filosófica (infância)». Tal é válido agora e
também no futuro próximo. Mais do que nunca na nossa História. Não
sejamos ingénuos e, de uma vez por todas, não se pense mais que os
portugueses são todos parvos.
Saibamos não esquecer nem Pessoa, nem
Agostinho da Silva na sua deliciosa explicação de base etimológica
sobre o significado de ‘discutir’ que, nas palavras desse nosso Grande
Mestre, quer dizer «abanar uma caixa, para ver o que está lá dentro…».
É urgente saber respeitar e saber aplicar na prática estes pensamentos
despertadores, válidos para qualquer realidade micro ou macro humana.
Nomeadamente quanto à conservação de todos os registos patrimoniais e
de fluxos financeiros…
Aqui chegados, as perguntas que se
impõem fazer a quem tem a obrigação de as responder – e não o faz
porque insiste em não querer ver a realidade dos pressupostos – são as
seguintes:
1) como poderemos no Algarve, em Lagos
e no Barlavento, escapar a esta verdadeira Regra Negra em que se
tornou, impune e progressivamente, a esta pseudo-democracia que ainda
nos rege e cujas consequências sentimos como poucos? Por outras
palavras: como e quando saberemos escapar colectivamente a este
verdadeiramente descomunal e continuado Caso de Polícia e de
Desorganização em que Portugal se tornou visto sob que prisma fôr
(tempo de duração, espaços, montantes, custos sociais, nº. de pessoas…)?
Que falem sem medo os especialistas e que os Cidadãos, todos os
Cidadãos, independentemente das suas opções, saibam de uma vez por
todas o que têm pela frente sempre que votarem.
2) quem tem ainda dúvidas sobre a
necessidade da mudança do sistema político? Se até já assistimos
recentemente, por parte de um ex-conselheiro presidencial, a uma sua
tão inesperada quanto pertinente e oportuna comparação do actual PR
Cavaco Silva com o último PM da ditadura, Marcelo Caetano…
Que mais faltará acontecer? Serão estes apenas “problemas de Lisboa”? Podem parecer, mas não são.
O que se passa a nível nacional,
regional ou local está simultaneamente na origem e no resultado dos
mais impressionantes níveis de desorganização e de impunidade,
desenvolvidos por uma tão trágica quanto provinciana imitação
replicadora ao abrigo de ‘frames’ lakoffianos de “ir para a Cidade”,
“tirar um Curso” e “trabalhar para o Estado ou num Banco”, como única
via escapatória para a “situação” de então, igualmente obscura e
perfeitamente datada que a convulsão de Abril não resolveu e ainda
agravou, o que descambou no incrível estado de emergência nacional em
que estamos em 2009, 35 anos depois…
Os resultados estão à vista de todos.
Não só Lisboa está a rebentar pelas costuras, com os centros históricos
desertos, como o exemplo macrocéfalo da capital se replicou rapidamente
pelo país sob pretexto de uma falsa modernidade e de um falso
desenvolvimento, os Cursos “superiores” de pouco servem face à
Oclocracia instalada, do Estado depende já quase 60% da população do
país e o sistema financeiro está como se sente que ainda não se sabe…
controlado por esse garante financeiro oclocrático que é o conhecido
“Banco do Estado”.
Do estado a que chegámos, como esse recente e grande “soldado que quis ser desconhecido” uma vez disse…
É por tudo isto que tanto a
responsabilização das origens materiais recorrentes e a implementação
das soluções estruturais não podem ser feitas nem de forma avulsa nem
mudando estruturalmente apenas uma das dimensões ignorando que a
realidade, embora composta pelas três dimensões diferentes, é só uma.
Como se demonstra por sucessivos
episódios graves – os que se conhecem – acompanhados pelas derivadas
revisões “unânimes” das bases legais, e como se demonstrará cabalmente
em breve – ou então ainda tentará mais um ilusionismo por mais algum
tempo, o que será potencialmente fatal não somente para o Sistema
Político, mas para o próprio Regime assim como para a Independência de
Portugal (pela via financeira)… – o problema maior é que essa
responsabilidade não é meramente sistémica ou apenas política. Antes
fosse.
Lagos, o Algarve e Portugal são,
portanto, uma mesma realidade que integra essas três realidades apenas
aparentemente diferentes. Como a estruturação dos problemas é comum, as
soluções podem ser aplicadas transdimensionalmente a qualquer sector da
realidade, independentemente do nível de detecção original. Como os
diagnósticos estão todos feitos, o trabalho até pode ser rápido. Se
houver Vontade…
Embora o cenário desejável fosse outro,
o importante agora é que o trabalho das transformações estruturais se
faça, tanto quanto possível coordenadamente, a partir do nível local.
Uma vez que da capital do reino já nada de bom virá, como a realidade
remota e recente demonstram e como o futuro demonstrará se nada de
estrutural mudar.
LAGOS: SABER NAVEGAR NAS DUAS CRISES
Lagos tem uma longuíssima experiência
de crises. Da escassez dos fornecimentos mais elementares e das graves
situações de subsistência e habitacionais do passado, é paradigmática e
ainda actual a crise anual, sentida e conhecida por todos, que vem em
todos os Outubros e vai até aos Maios de cada ano. É esse o nosso
inimigo comum: A SAZONALIDADE da actividade económica.
Apesar de se ter sabido e conseguido ser, como hoje somos, o concelho do país com maior taxa de residentes estrangeiros,
roçando por baixo os 5%, este é um activo que deve ser trabalhado para
subir diversificadamente e não para descer. Urge debater o ‘modelo de
desenvolvimento’ seguido. Rever, corrigir e diversificar os seus
vectores principais. O que existe é sustentável ou carece de correcção?
Existem inúmeras questões por resolver e opções inovadoras que têm que
ser avaliadas de modo desapaixonado e objectivo.
Não é simples pensar Lagos nos tempos
que correm, dizia. Nem fácil. Essa dificuldade é também válida para
todas as dimensões da realidade: a regional, a nacional ou até mesmo a
mundial. Pelo que vamos conhecendo, resultado da pouca ou informação
que nos é servida. Somos muitas partes de muitos todos, sistemicamente,
qualquer que seja a sua dimensão, consciente ou inconscientemente
percepcionada por todos e cada um de nós. Quase tudo será cada vez mais
difícil no futuro se tudo continuar como dantes, se nada mudar nas
nossas mentalidades e decisões.
Vivemos tempos raríssimos, unanimemente
reconhecidos como sendo de mudança de paradigmas a todos os níveis. Da
dimensão mais ampla, a global, à dimensão mais pequena, a pessoal ou
familiar. É nesta perspectiva factual que estamos, quer queiramos e
gostemos ou não. É nela que urge posicionarmos a nossa acção, qualquer
se seja o nível em que estejamos a operar. Neste caso o local.
Apesar de quase tudo já ter sido dito
sobre esse manto em que tudo se pretende abrigar chamado “crise”, é já
claro que pouco ou nada será como dantes após terminadas, não se sabe
quando, não uma mas as duas tremendas “Crises” actuais:
1) uma “crise” portuguesa específica, continuada e estrutural, em que navegamos há demasiado tempo (v. links A, B e C)
sobre a qual alguns – nos quais me incluo – vêm alertando com ignorados
contributos há anos, na imprensa escrita e online ou em blogs, e
2) uma “crise” internacional (v. links D, E e F)
evidenciada pela mais incrível irresponsabilidade na gestão de empresas
financeiras (fenómeno exclusivo a elas?), mas que não teria sido
possível se as leis que permitiram nos USA em 1999 juntar
operacionalmente a banca comercial com a banca de investimento não
tivessem sido imitadas por governos de todo o mundo, com os da
República Portuguesa incluídos !
Essa falsa modernidade, contra a qual
já A. Lincoln tinha avisado tanto tempo antes, apareceu sob a capa de
uma pretensa “modernização dos mercados financeiros”, mas mais não fez
do que tratar de utilizar tanto de modo consciente quanto criminoso a
tecnologia disponível – e o dinheiro dos depositantes – não para
instrumento de detecção e controlo de uma aberração financeira, mas
para disseminar a invenção de produtos inexistentes por todo o planeta.
Tudo apenas aparentemente temperado com
uma manifestamente impossível iliteracia tecnológica de tantas
autoridades de controlo a quem todas as evidências escaparam ou, o que
é a realidade factual materialmente comprovável, que quiseram decidir
conscientemente o embarque nessa casca de noz financeira virtual,
motivados pela mais vil ganância material, subindo para um carrocel de
cargos alternados ainda em andamento… o que é ainda hoje bem visível na
promiscuidade entre cargos na Política e na Economia garantindo a
continuidade no Poder de todos os que, por acção ou omissão, estiveram
na origem do problema e, por isso mesmo, jamais serão capazes de
antever as soluções urgentes, quanto mais de fazer a sua implementação.
Terá sido diferente na República
Portuguesa? Não, definitivamente não, a crise internacional não foi uma
espécie de fenómeno meteorológico aleatório que se abateu sobre
Portugal e que veio ampliar a recorrente crise portuguesa. Tem
responsáveis materiais, seja nos USA, onde ao menos existe Informação
independente e Justiça a sério, seja em Portugal ou em qualquer outro
país que tenha entrado na ilusão da criação de riqueza sem bases
económicas ou financeiras reais.
Antecipar e formular as soluções
estruturais para as duas crises passará agora por termos que assistir
entre nós às mais aviltantes inércias políticas, pedidos de
confidencialidade operacional ou à simulação de falsas unidades
nacionais e internacionais, mudando apenas os actores principais, como
tragicamente parece estar a ocorrer no caso do novo presidente
americano, apenas para salvar a face de um sistema financeiro
descontrolado, disfuncional e falido, assim como da vácua e
ilusoriamente rica corte que o vem sugando impunemente a partir do
aparelho do Estado? Definitivamente: Não!
Alguém acredita honestamente que quem
esteve na origem e desenvolvimento continuado do problema possa estar
agora na identificação e implementação das soluções? Que existem, falta
é coragem para as implementar.
Antecipar e formular soluções passará
agora por andar a arregimentar criminosamente gentes e polémicas
políticas ultrapassadíssimas, aos mesmo tempo que se pedem ideias e
soluções aos pobres dos roubados Cidadãos, quando quem conhece de facto
as origens das questões e é pago para ter as soluções não as tem.
Andando ainda por cima a argumentar-se
errada e dramaticamente com o fim do capitalismo, quando de facto já
aconteceu coisa diferente: “o fim do capitalismo tal como o
conhecíamos”. Só se fôr para andar com um saleiro no bolso em vez de
dinheiro. Ressuscitando e encenando dualismos do passado para clips
televisivos manipuladores da consciência colectiva como nesse episódio
Vital (v. post de 3.Maio.2009 neste link)?
Ou pretendendo-se reforçar o papel do Estado na Economia? Está tudo
doido? Mais ainda? Só se fôr para em vez de 60% passarmos a ter 90% dos
portugueses a depender do Estado, não?
Definitivamente não, nem uma coisa nem
outra. Como, ou muito me engano ou será visível a muito curto prazo, no
último trimestre de 2009. Talvez antes, se houver a coragem para
divulgar os dados reais do primeiro semestre.
É neste contexto que a Lagos e o
Barlavento vivem e viverão no futuro próximo, desconhecendo-se ainda,
nunca é demais repeti-lo, por quanto tempo viveremos nele…
COMO FAZER A DIFERENÇA?
É pacífico reconhecer que é
materialmente impossível atravessar um abismo com pequenos passos,
quero aqui hoje afirmar não só que é perante um abismo que nos
encontramos como também, sem pretender ensinar o pai-nosso ao cura,
relembrar que qualquer navegação possível variará inelutavelmente entre
duas abordagens-limites:
- a abordagem PÉSSIMA,
que se caracteriza por ser meramente IMITATÓRIA, melhor tipificada na
psico-sociologia infantil, socialmente imberbe ou naturalmente
irresponsável, que se limita a replicar todos os inputs que vêm de fora
– da realidade de dimensão superior, quando não da inferior – sejam
positivos ou negativos do ponto de vista evolutivo, mas que parecem
desenvolver-se sempre de uma forma subserviente e seguidista, meramente
replicadora dos modelos e das lutas alheias, que até podem conter de
tempos a tempos actores materiais ou humanos apenas aparentemente
novos, quando não simplesmente enganados, mas que não dizem respeito à
realidade em que nos posicionamos para as necessárias análises e
tomadas de decisão, podendo mesmo imputar problemáticas – quando não
modelos ilegítimos e ilícitos – que nos são totalmente alheias. Neste
concreto contexto, à nossa Cidade.
Nesta perspectiva, a que chamo “ACÇÃO A
PARTIR DA SUBSERVIÊNCIA” seja ela resultante de falta de vontade,
situacionismo manipulador ou mera incompetência política, podem até
recorrer-se a capas pessoais de aparência científica – geralmente
contributos fátuos, que logo desaparecem após constatados os primeiros
logros – mas tende a não existir criatividade alguma, nem genuinidade
ou contributo pessoal possíveis, para além das aparências arquetípicas
ultrapassadas mais ou menos (dis)simuladas e do grave (des)conhecimento
da realidade… por parte das cabeças por detrás dos olhos que a olham
mas não a podem ver, quanto mais agir sobre ela. Mesmo que vejam…
Eventualmente, podem até aplaudir e participar nessa realidade de um
modo tão grosseiro quanto interesseiro, mas sempre com absoluto
desprezo intelectual e material pelos outros e, mais grave ainda, pelos
que, presumivelmente, menos sabem e menos podem. Inconsciência
sociológica e falta de humildade intelectuais? Bem parece. Afinal,
presunção e água benta cada um toma a que quer…
A realidade, contudo, é que é já claro
há demasiado tempo que nenhuma entidade exterior à nossa realidade
resolverá os nossos problemas estruturais por nós. Pessoa identificaria
decerto esta perspectiva com a sua definição de Provincianismo que,
segundo ele «consiste em pertencer a uma civilização sem tomar
parte do desenvolvimento superior dela, em segui-la, pois,
mimeticamente, com uma insubordinação inconsciente e feliz».
- A abordagem ÓPTIMA
é caracterizada por ser genuinamente LIVRE, culturalmente rica e
cientificamente esclarecida, é frequentemente evidenciada actores
ignorados e/ou trucidados pelos agentes das acções cercanas ao outro
género e é socialmente responsável. Funciona de modo simultâneo,
integrado e integrante, em acções geradoras e selectivas das melhores
práticas no âmbito dos processos de conhecimento existentes. Tem provas
dadas, em áreas multi-disciplinares de reconhecida complexidade. Ou
seja, caso-a-caso e tanto quanto possível de forma integrada, trata-se
aqui de conhecer toda a oferta disponível, seleccionando e adoptando o
que é comprovadamente não só útil à procura como principalmente
exequível para a oferta, rejeitando sem posicionamentos dúbios tudo o
que não fôr compatível com a realidade presente e potencial específicas
da dimensão em que nos posicionamos para analisar e facilitar as
apropriadas tomadas de decisão. Ou tudo o que não seja exequível, o que
pressupõe o conhecimento da velha questão dos limites, tanto materiais
financeiros como legais.
Difícil, muito mais difícil em breve,
será testar os limites da ELASTICIDADE e da PACIÊNCIA dessa mesma
oferta. E também no caso concreto da nossa Cidade, num qualquer
primeiro dia…
Esta perspectiva, que pressupõe a
mobilização das vontades de conhecer e de resolver os problemas e os
anseios progressivos de qualquer maioria orgânica de qualquer dimensão
com “ACÇÃO A PARTIR DA LIBERDADE” (ou da VERDADE que ela pressupõe) não
ignora nem manipula o conhecimento da realidade e pode até conter o
anterior enfoque tipicamente imitatório, mas apenas se ele resultar de
uma objectiva e atempada adopção selectiva, com prioridades e
integrações bem definidas, das melhores opções e práticas que resultem
de processos de tomada de decisão claros e transparentes, recorrendo ao
melhor nível do conhecimento existente a cada momento e com o mínimo
custo possível.Cá estaremos para ver se este será um mero idealismo
impossível.
O que não é possível é tudo continuar como dantes perante os mais impressionantes e diferentes dados da realidade portuguesa.
LAGOS E “OS DONOS DA DEMOCRACIA” PORTUGUESA
Regra geral, não nos deveria interessar
a paternalidade das Ideias, mas sim a sua concretização ao serviço da
generalidade dos Cidadãos, independentemente da nacionalidade, côr da
pele, tempo de residência no local em que têm os pés ou qualquer outro
tipo de fonte de discriminação. Estejam onde estiverem há 2 meses, 20
ou 200 anos… Desde que esse exercício de direitos das minorias, ricas
ou pobres, não colida ou agrida o exercício dos direitos dos outros.
Mas não sejamos ingénuos, é tão velha
como os tempos a actividade dos profissionais da rapina das inovações
alheias. Quando não de patrimónios transparentemente conseguidos. Por
isso não faço quaisquer sugestões ou apresentações das soluções que, na
minha óptica, entendo serem extremamente urgentes nas várias dimensões
da realidade. Fica para momento oportuno…
De momento, apenas direi que que menos
interessa é ver candidaturas a cargos públicos – como temos visto
abundantemente em Portugal – como se de prémios de carreira se
tratassem, quando não para servir não de garantes do normal
funcionamento das instituições democráticas na dimensão específica de
cada um ou da manutenção dos interesses ocultos mais inconfessáveis,
ainda por cima em nome da Democracia. Ou até mesmo tendo como simples
objectivo a garantia de múltiplos rendimentos futuros, geralmente à
conta do erário público. Tudo sempre ao abrigo da Lei…
Esquecem-se os que se escondem nas
meras legalidades formais que, como se aprende nas primeiras lições de
Direito, o âmbito social precede o legal. E não o contrário. Ou seja,
que não basta apregoar o indiscutível Primado da Lei, há que garantir
que essa Lei é socialmente justa, adaptada à realidade social – sem
esquecer a evolução tecnológica – o que não aconteceu nem acontece em
Portugal. Assim não sendo estaremos perante a constatação, como em
qualquer lugar do mundo, de que “a ocasião faz o ladrão”. É que o
regime nazi alemão e o comunista russo também tinham Leis… Como o da
Coreia do Norte.
A nossa realidade já mostra, e mostrará
ainda mais evidentemente no futuro, que a situação a que chegámos é
totalmente insustentável e carece de alteração urgente. Tanto pior para
quem não quiser tomar disto consciência a tempo. Tanto em Portugal,
como também na nossa Cidade e no resto do Algarve.
Os diagnósticos já estão todos feitos,
importando distinguir os genuínos dos pagos “à façon”, e o que menos
interessa é perdermos todos mais tempo com pontos de situação,
esgrimindo falsas dialécticas, diletantes ou interesseiras por tudo e
por nada, como se fosse possível continuar a transformar em falso
debate político a mais vulgar certeza factual ou científica elementares.
Nem interessa perder mais um minuto que
seja com servilismos inúteis, passadistas e suicidários, tanto para a
cortes servis como para os servidos. Isto tem que ser assumido por
todos. Como nação, estamos no ridículo quase soviético de ter 60% da
população a depender directa ou indirectamente do Estado.
É impossível que Portugal sobreviva
como Estado económica e politicamente independente se esta aberração
estrutural não mudar. Provavelmente é já nessa situação que nos
encontramos e não sabemos, porque escasseiam dados fiáveis, no detalhe
e no tempo. Daí a urgência, porque será pior e totalmente imprevisível
se esta aberração política, sistémica e organizacional, fôr ainda mais
ampliada. Se isso acontecer, não será esse o sinal mais claro de que os
Portugueses terão já perdido a sua independência económica e política?
Os Portugueses e também os
Lacobrigenses e demais Algarvios não estão já a viver os impactos
pessoais e empresariais desta comatosa e trágica realidade estrutural?
PORTUGAL 2009: O ANO DAS 3 ELEIÇÕES
2009 é um ano de eleições. Constato
que, mesmo perante a 2 crises que atingem Portugal, foi decidido por
quem de direito que as 3 eleições ocorram em 3 datas diferentes. Das
duas uma: ou não há ainda consciência da realidade na sua total
extensão, ou conscientemente preferiu-se o “quanto pior melhor”…
prolongando o extertor de um sistema demonstradamente disfuncional,
optando-se pelo vácuo na acção política que se preferiu induzir com
essa surreal decisão. Ou então ainda se continua a presumir ali pelas
Lisboas que os Portugueses são todos estúpidos, ao ponto de não
conseguirem votar simultaneamente em três actos diferentes…
Pior ainda, como já alguém muito bem
observou, se das próximas legislativas resultar uma qualquer maioria
relativa, o que com toda a probabilidade acontecerá, e com a mais que
certa turbulência acrescida que a ela estará associada no presente e
nada breve contexto dificílimo, teremos adicionalmente – graças ao
calendário eleitoral específico da sua função e ao imperativo
constitucional que lhe retira um dos seus raros poderes, senão o único…
– teremos, dizia, o actual PR em fim de mandato a não poder utilizar a
totalidade dos seus poderes. Ou seja, já nem o PR poderá demitir o
Governo, nem dissolver o Parlamento, nem convocar novas eleições.
Bonito serviço a bem da rapidez na reacção a uma tão grave realidade tão tardiamente identificada…
É nestes impressionantes e potencialmente dramáticos contextos nacional e internacional que as eleições locais terão lugar.
(…/…)
José Borba Martins, Lagos
ESTA DEMOCRACIA MORREU. QUEREMOS OUTRA. EM LIBERDADE (II)
LAGOS 3/3
(…/…)
É inegável que Lagos apresenta uma evolução assinalável nos últimos 30 anos, todos estaremos de acordo neste ponto.
Uma análise desse período de tempo na
comunicação social impressa e televisiva, mas também nessa
imprescindível vertente que é a comunicação online que, apesar de
muitos ainda a pretenderem erradamente ignorar (ou então os jornais de
referência nacional não teriam presença online), é um dos poucos meios
totalmente livres que, embora com riscos associados, continuamente
estão ao dispôr da Cidadania para manifestar a sua livre opinião,
mostra que nem tudo evoluiu no melhor sentido. O que sendo normal em
qualquer realidade tem limites naturais, nem que sejam os do mero
bom-senso.
O que interessa saber e querer saber,
por um lado, assim como esclarecer e querer esclarecer, por outro, é se
as opções e as prioridades decididas são as mais convenientes para o
desenvolvimento sustentável da Cidade e do Barlavento a médio-longo
prazo ou se apenas foram assumidas tendo como horizontes temporais os
do exercício transitório de cargos políticos. Realidade que não será
exclusiva ao nosso concelho e sub-região mas, como alguém diria, com o
mal dos outros podemos nós bem… O problema é quando esse mal é
replicado e imitado entre nós e, consequentemente, nos passa a ir ao
bolso.
Perante o que vejo no presente e no
passado recente, tenho imensas dúvidas sobre o que se está a passar e
vem passando nos últimos anos, nomeadamente nos dois mandatos do actual
presidente Júlio Barroso. Sou insuspeito de pretender manipular
politicamente a nossa realidade local, por quem sou e também porque lhe
manifestei livremente a minha solidariedade pessoal quando foi alvo de
polémica recente no âmbito do seu mandato na S. C. Misericórdia de
Lagos. Por escrito no CanalLagos, em comentário ao artigo de N. Duarte
com o título “Antes de julgado, já é condenado e enxovalhado” com o seguinte comentário de Nov.2006 «…Quero
também prestar a minha total solidariedade pessoal ao Senhor Dr. Júlio
Barroso – que dela nem necessita, nem a pediu – e dizer ainda que não
acredito que este episódio tenha origem numa luta política local, que
se pressupõe seja sempre leal. Quem não deve não teme!».
O actual presidente da CM Lagos não
precisa de quem lhe destaque a obra positiva. Porque está naturalmente
à vista de todos, mas também porque tem gente, meios e imprensa de
sobra para o efeito.
O que aqui quero expressar agora,
também livre e genuinamente, é que reitero o escrito há já quase 3 anos
e, designadamente, que continuarei a disponibilizar a minha mais ampla
solidariedade pessoal ao Senhor Dr. Júlio Barroso. Que até poderá vir a
precisar desta tão pura e irrelevante solidariedade como de outras no
futuro, certamente menos puras, mas mais fortes.
Mas o que aqui e também hoje não posso
deixar de manifestar é a minha frontal discordância, sem qualquer
ambiguidade ou negativismo, em relação a várias das opções seguidas e
subjacentes ao seu exercício, não perdendo de vista que não fazer é
também decidir, das quais destacaria, para já e sem pretender esgotar o
tema, as que refiro nos seguintes pontos:
1) ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA DA AUTARQUIA
Bem sei que esta será uma opinião
“politicamente incorrecta”, mas creio que toda a gente sabe ou percebe
que em nenhum âmbito das finalidades, objectivos e valores de uma
qualquer autarquia se pode incluir “Dar Emprego aos Munícipes”.
Aliás neste ponto caberão também todas
as ainda poucas considerações expressas a seguir quanto às empresas
municipais. Perceber este ponto sem ambiguidades, porque é uma questão
de que não se fala nem muito nem abertamente – e bem se percebe porquê
– é fundamental para entender o ponto em estamos como País, como Região
e como Cidade.
De uma vez por todas, é urgente que se
perceba que a organização científica do trabalho não é filosófica, é
científica. Por definição, não deve ser objecto de dialéctica política.
Sob pena de estarmos a entrar, como creio já termos entrado, no domínio
da mais pura irracionalidade. Existem as certificações ISO, mas alguma
vez foi feita essa coisa essencial e diferente que é uma Auditoria
Funcional a sério?
Concretizando com um exemplo prático,
se quem quer que seja tiver uma fábrica com uma única linha de
produção, que prevê a operação com 10 pessoas, alguém que seja
minimamente responsável vai pôr a trabalhar nesse local 40 pessoas?
Naturalmente que se o fizer, então a natureza da organização será
diversa, não será certamente a da produção de bens ou serviços ao
mínimo custo racionalmente possível. Muito menos, no caso vertente de
uma autarquia quando, ao longo do tempo, foram decididas
externalizações de serviços básicos…
Ou seja, recorrendo à informação
disponível, a estrutura da C.M. Lagos terá evoluído de cerca de ~300
funcionários em finais dos anos 80, em que se incluíam os chamados
serviços municipalizados (de água e saneamento, electricidade,
manutenção e limpeza, etc.) para mais de 1000 aos quais, para uma
correcta análise evolutiva dos recursos humanos afectados, se devem
somar os funcionários não só das empresas municipais, mas também de
todos os serviços externalizados, para a fiabilidade da comparação. Não
sei se alguém já terá feito estas contas, mas creio que estaremos
perante um número surpreendente.
Será este tema um coisa de somenos
importância? O tempo o dirá mas o que posso comentar é que me parece,
no mínimo, imprudente e arriscado para qualquer conta de exploração
cobrir custos fixos, ainda por cima exponenciais, com proveitos
variáveis, por muita externalização que se faça e por muitas empresas
municipais que se criem.
Claro que a Cidade aumentou de tamanho
– e duvido que exista racionalidade directa neste argumento – mas,
mesmo assim sendo, terá a Cidade aumentado 10 vezes de dimensão? Por
outro lado a tecnologia disponível, as comparticipações da
administração central e comunitária ou meios disponíveis, nomeadamente
para gerar receitas estruturais, são os mesmos que há 20 anos? Claro
que não.
Afinal, qual é o limite para o nº de
funcionários autárquicos? Central ou localmente quem o determina e como
é validado? Quantos são e onde estão publicados os pertinentes balanços
sociais? Procurei e não os encontro no site camarário – que continua a
não ter versão em inglês – nem as contas reais, com o apuramento de
desvios vs. orçamentado, apenas encontro os orçamentos anuais,
publicados no site nos termos da Lei.
Possivelmente é por a Lei não obrigar a
que os números reais sejam publicados, mas apenas os orçamentos anuais.
Mas o facto é que também não impede que sejam publicadas. Não será esta
uma boa prática do interesse da generalidade dos munícipes?
Para terminar este ponto, considero que
é evidente que o principal risco associado a esta realidade explosiva
que é o nº de funcionários camarários, para não falar noutros, é
claramente o da potencial ruptura financeira, seja ela a da autarquia,
a dos munícipes, ou desta duas realidades em simultâneo.
2) LAGOS E AS EMPRESAS MUNICIPAIS: A MULTIPLICAÇÃO DE ESTRUTURAS EM “RODA LIVRE”?
Não é este um problema específico do nosso concelho, mas o facto é que já existe também em Lagos.
Considero que é profundamente errado e
inaceitável o argumento subjacente de “falta de vocação de um autarca
ou autarquia para gerir determinadas áreas de actividade municipal”. É
um contrasenso claríssimo. Senão, um dia destes, ainda assistiremos a
esse paradoxal absurdo de ver um qualquer presidente de câmara em
Portugal criar uma empresa municipal para gerir a própria Câmara, sob
esse fantástico argumento de não sentir vocação para fazer o trabalho
para que foi eleito…
Não posso e não quero subscrever o
argumento da criação de empresas municipais seja feita à medida para os
amigos, coisa que se ouve muito frequentemente dizer por esse país
fora. E também em Lagos. Não quero acreditar que seja esse o caso, por
muito que possa parecer – e parece – sem querer entrar nos detalhes das
mais variadas migrações transpartidárias ou na análise dos tempos
efectivos de trabalho. Nada disso.
Mas o que não posso deixar de referir é
que a criação de empresas municipais é uma aberração organizacional,
seja em Viseu, em Lisboa ou em Leiria ou …em Lagos. Porquê?
Primeiro, porque é um expediente pseudo-pragmático para se retirar do âmbito do défice público custos fixos autárquicos.
E depois, porque das duas uma:
- ou a actividade de uma EM visa suprir
uma necessidade básica das populações e então é no âmbito da autarquia
que deve ser criada a estrutura. É para isso mesmo que as câmaras
municipais existem.
- ou então a actividade de uma EM não
visa suprir necessidades públicas básicas, antes estando no domínio das
opções estratégicas de desenvolvimento da autarquia, sufragadas antes
e, nesse caso, a autarquia, constatada a inexistência de oferta
empresarial nessa área específica, pode e deve criar uma EM mas apenas
na condição imperativa de – após determinadas no tempo quer a fase de
arranque quer um aceitável período para retorno do investimento
municipal – prever a transferência da sua propriedade e da gestão,
p.ex. via MBO, para os administradores nomeados nesses pressupostos ou,
alternativamente, para qualquer empresa entretanto criada pela dinâmica
económica multisectorial criada pela acção governativa autárquica.
De resto, estes princípios também podem
aplicar-se, e já deveriam tê-lo sido, a quaisquer empresas públicas
nacionais, em vez de se ter andado a privatizar a carninha – para a
dança promíscua das cadeiras – ficando os ossos para o erário público.
É que o Estado, como a crise externa veio evidenciar, não é um poço sem
fundo. Tem limites. Assim como a paciência e o dinheiro dos Cidadãos
que, como facilmente se demonstra, já perceberam que esta Democracia
Oclocrática em que vivemos tem fortíssimas componentes dignas de uma
qualquer Cleptocracia.
A não ser que os administradores das EM
só sejam competentes para gerir empresas públicas, ou seja, que só
saibam administrar o que é dos outros… Sinceramente, não quero
acreditar que seja esse o caso no nosso concelho. Ou região. Quaisquer
que sejam as empresas municipais.
Será que para se construir um edifício
em vez de se contratar uma empresa para o efeito em prazo determinado
cria-se uma empresa municipal que durará para sempre polvilhando-se o
seu objecto social com mais umas tarefas de gestão que deveriam estar
no âmbito da actividade corrente de uma autarquia?
Uma vez mais, o principal risco
associado a esta realidade, para não falar noutros, é claramente o da
potencial ruptura financeira, seja ela a da autarquia, a dos munícipes,
ou das duas realidades em simultâneo.
3) LAGOS E A NOVA ESQUADRA DA PSP: A ÚNICA NO PAÍS PAGA PELOS MUNÍCIPES…
Claro que o problema das incríveis
condições operacionais da PSP em Lagos já existe há décadas, mas é
totalmente inaceitável quer a cegueira na falta de integração da função
“Segurança”, quer o facto de se ter anunciado que o custo das novas
instalações vai ser suportado pelos munícipes de Lagos…
Aliás, um anúncio feito com pompa e
circunstância por ocasião de uma visita do então ministro António
Costa, actual presidente da C.M. Lisboa. Sem me alongar muito sobre
este tema, que também se relaciona com a questão do “centro histórico”,
não entendo nem a forma de financiamento nem a localização prevista.
Concretizando, não seria muito mais
conveniente, do ponto de vista operacional mas também do ponto de vista
da racionalidade financeira que, quer para a PSP, para a GNR ou para os
Bombeiros fossem implantados os três quartéis, integradamente, nos
espaços actualmente ocupados pelos BVL e áreas adjacentes, ampliando-se
adequadamente o que já está edificado e aproveitando de caminho para
resolver igualmente a inaceitável situação do “quartel” da GNR em
Lagos? Bem me parece que sim…
As consequências desta falta de visão
integrada das soluções serão incorrer-se em mais custos para a
autarquia e não se optimizar os recursos num domínio tão sensivel como
é o da segurança pública.
4) LAGOS E OS PÓLOS UNIVERSITÁRIOS: UNIVERSIDADE DE FARO VS. UNIVERSIDADE DO ALGARVE
Todos nos lembramos de a comissão
instaladora da Universidade do Algarve ter funcionado ali para os lados
da Avenida do Liceu, com uns orçamentos anuais de 20 mil contos durante
alguns anos. De esperança…
Estamos em 2009 e constatamos que a
Universidade do Algarve poderia com mais propriedade chamar-se
Universidade de Faro, apesar do que é leccionado em Portimão.
De facto, não se percebe porque é num
contexto continuado de crise portuguesa, da forte sazonalidade sentida
por todos no Algarve e em Lagos – esse sim o inimigo comum de Todos –
não se apostou já no desdobramento da Universidade do Algarve em pólos
locais, potenciantes do desenvolvimento integrado das actividades a
partir das vocações naturais e humanas existentes, o que teria de
imediato dois efeitos claros e simultâneos: 1) a atenuação/eliminação
da sazonalidade; 2) o desenvolvimento de uma actividade económica
diversificada e, portanto, não exclusivamente dependente do turismo ou
dos empregadores autárquicos…
No caso concreto de Lagos, e sei que
até haverá esforços nesse sentido – mas sem resultados – não entendo
como chegamos a 2009 sem ter no concelho um pólo da Universidade do
Algarve a funcionar na antiga Messe de Oficiais e no antigo CICA 5. É
esta a homenagem dos Centralismos da capital à Cidade dos
Descobrimentos?
O mesmo modelo descentralizador deveria
já ter sido aplicado, só para falar no nosso Barlavento do Algarve, a
Sagres, no âmbito da Biologia Marítima, Pescas ou
Histórico-Filosóficas, e também ao fundamental e abandonado eixo
interior Aljezur/Monchique, designadamente no âmbito da Agronomia e
Medicina Veterinária. Quais são os contra-argumentos?
Lá teremos que andar mais umas décadas
a assistir às promessas das visitas pré-eleitorais aos abandonados que
somos…de nós próprios, afinal. Só pergunto: Porquê, por quem e por
quanto mais tempo?
As consequências deste vazio são
evidentes: mais centralismo regional, menos qualificação, mais custos
para a autarquia, menos população jovem, menos facturação, menos
desenvolvimento sustentável.
5) LAGOS E AS OBRAS NA AVENIDA: PORQUE SÃO NECESSÁRIAS OU… PORQUE HÁ DINHEIRO?
Estou particularmente à-vontade para opinar sobre estas tão discutidas obras porque defendi num já distante post de Agosto de 2003 no Expresso Online de boa-memória «a
construção de dois pisos para estacionamento, apenas um subterrâneo, e
outro a partir da superfície até ao nível zero da messe, abrindo-se a
partir desta um espaço tipo CCB (p/estudo, esplanada, restauração
univ.) a esse nível zero e sobre o piso superior do estacionamento».
Embora o pressuposto fosse o de integrar esta iniciativa com a
transformação da ex-Messe em pólo universitário, o que não sucedeu.
Ainda…
Conhecendo as diferentes propostas e
sem querer “chorar sobre o leite derramado”, até porque a obra está
decidida e será concluída em breve, direi sobre a mesma apenas o
seguinte:
5.1) é claramente uma obra de risco,
mas não tenho dúvidas que com recurso às mais modernas – e caras –
técnicas construtivas será possível fazer a obra. Por outro lado não
conheço informação sobre quais serão as tarifas previstas para os
residentes no centro histórico.
5.2) será apenas um pormenor, mas
lamento muito a eliminação dessa marca que é calçada portuguesa da
Praça do Infante. Recordo até que na inauguração da Avenida e da Praça,
o presidente brasileiro de então, Joscelino Kubischek, apreciou tanto
esse pormenor da obra que mandou de fazer igual lá pelo Brasil.
5.3) lamento que o pólo universitário
não tenha sido ainda conseguido integradamente com o projecto, mas
creio que ainda se estará a tempo de não inviabilizar estruturalmente,
nas obras correntes, uma ligação à lateral do edifício da ex-messe que,
na minha humilde opinião, tal como o antigo quartel Cica 5, devem
urgentemente regressar à posse plena da autarquia sem, portanto, sair
do domínio público estatal. Sei que há esforços nesse sentido.
5.4) discordo totalmente da opção pelos
restaurantes à superfície, não creio que seja o mais conveniente nem
para o local nem para os estabelecimentos de restauração existentes no
centro histórico.
5.5) não entendo porque se foi alterar
o que da “frente ribeirinha” estava feito, deixando de fora a
reabilitação de todo o restante percurso dessa frente, designadamente
toda a área interior que vai da Rodoviária até aos conjunto de novos
edificios onde se integrará o novo da C.M. Lagos ou todo o percurso
ribeirinho, em ambas as margens, que vai da rotunda do antigo Hotel S.
Cristóvão até ao Aeródromo.
6) LAGOS E A ONDA: UMA BOA IDEIA COM A ENERGIA ERRADA
Mais uma empresa municipal. Que, neste
caso, respondeu a uma necessidade básica – Mobilidade – mas que, na
minha opinião, contém dois erros claros:
6.1) o erro de não se ter optado por um
tipo de combustível diferente: o bio-diesel. Esta área, a da produção
dos combustíveis alternativos, cuja necessidade já ninguém hoje
contesta, poderia muito bem ter tido um arranque simultâneo ao do
sistema de transportes da cidade;
6.2) o erro de não se ter previsto a
saída da empresa do âmbito municipal. A não ser que não existam nem
venham a existir empresas de transportes em Portugal interessadas na
operação dos sistemas municipais e inter-municipais de transportes…
De resto, também neste ponto considero
plenamente aplicável o mencionado no ponto referente às empresas
municipais. E mais se poderia dizer relativamente à multiplicação de
valências comuns a este tipo de serviços municipais em cada concelho,
em vez de se desenvolverem sinergias operacionais – logísticas,
manutenção, fornecedores, etc. – tanto quanto possível numa óptica
inter-municipal, por evidente razão de racionalidade.
As consequências: mais custos para a autarquia, mais dependência energética, menos desenvolvimento sustentável.
7) A BAÍA DE LAGOS: QUANDO A SUBVERSÃO DO INTERESSE MUNICIPAL VEM DE LISBOA.
Por muito discutíveis que as opções do
PUMP – Plano de Urbanização da Meia-Praia aprovado no Verão 2008 sejam,
e sempre são num plano deste tipo, considero genericamente que é um
passo positivo em termos de ordenamento dessa riqueza maior do concelho
que é a Baía de Lagos, que dos planos anteriores existentes que a
tiveram por objecto, apenas viu concretizar-se o já demolido Hotel da
Meia Praia (onde, por exemplo, esteve escondido Eusébio, quando da sua
vinda para Portugal e da rocambolesca situação que então viveu antes de
ingressar definitivamente no Benfica).
É sempre de louvar a existência de
novos investimentos de qualidade. Desde que não ponham em causa os
direitos públicos e privados. Tenho algumas dúvidas neste ponto, que
não cabem num apontamento desta natureza. Já o modelo de
desenvolvimento baseado unicamente no Turismo parece-me muito
arriscado, facto para o qual têm alertado vozes provenientes de todas
as sensibilidades políticas, até do actual presidente da A.M. Lagos.
Contudo, e não subscrevendo eu
processos de intenções, acho no mínimo estranho que sendo Lagos, ao que
julgo saber, a única autarquia de Portugal que não tem PDM, tenha
produzido tão importante Plano como é o PUMP.
Não duvido que sejam prioridades
assumidas conscientemente. Esperemos que sim, mas o planeado é
paradigmático quanto ao relacionamento autárquico em geral com mais uma
aberração organizacional que são os Projectos de Interesse Nacional
(PIN), inventados pelo Centralismo do Terreiro do Paço e da Gomes
Teixeira.
Este tipo de abordagem só têm paralelo
nessa invenção peregrina dos Institutos Públicos, criados no tempo em
que o actual PR era PM, como forma de acelerar a concretização das
então prioritárias obras públicas. Compreendeu-se então a ideia com
controlo rigoroso mas, uma vez mais sem termo certo, o que provocou as
conhecidas as consequências factuais, nomeadamente quanto à subsequente
multiplicação desse tipo de Institutos “em roda livre” no tempo dos
governos posteriores, com os episódios e as consequências financeiras
registadas mas nunca assumidas por quem quer que seja.
A realidade mostra que tudo parece
passar-se como se, perante a mais evidente constatação da desadequação
organizacional administrativa do Estado Português, da fase colonial não
reformada à actual, em vez de se assumir de uma vez por todas a
necessidade de uma Reforma Total da estrutura do Estado,
concretizando-a, se prefira – por tão falso como caríssimo
pseudo-pragmatismo – inventar modelos sectoriais de funcionamento mais
adequados à realidade sem, contudo, se eliminar a estruturação
organizativa e legislativa manifestamente disfuncional e obsoleta
anterior. Por esse motivo, os custos que lhes estão associados
permanecem, com as gritantes consequências financeiras negativas para a
generalidade dos Cidadãos mas altamente positivas para alguns e alguns
grupos…
Esta realidade, pelos vistos, faz
escola ainda impunemente e, agora, para além dos institutos públicos,
temos as empresas municipais de toda a ordem, as empresas de direito
privado mas de capitais públicos, os parques naturais, etc. etc. em
quase todas as áreas de actividade económica. E também, pelo exemplo
vertente, temos agora os planos de urbanização parciais articulados com
os projectos de interesse nacional. Um regabofe, uma espécie de festim
financeiro à conta do erário público, manifestamente subversivo dos
valores de uma democracia digna desse nome e de que, mais cedo ou mais
tarde, serão pedidas responsabilidades.
Será alheia a esta realidade a questão
do financiamento dos partidos políticos, tema tão recorrente e com as
regras do jogo alteradas sempre tão oportunamente em períodos
pré-eleitorais? Pode ser, mas não parece.
Mas afinal o que é que esta realidade tem a ver com Lagos ou com o PUMP?
Tem tudo a ver muito claramente devido
a, pelo menos, duas ordens de razões, aliás paradoxais e suicidárias a
prazo, do ponto de vista dos seus actores, quer empresariais quer
autárquicos:
7.1) Primeiro, ao nível da tão
pretendida responsabilidade social dos empresários, que como se sabe é
um argumento de marketing de importância crescente, ao se aproveitarem
da generalizada aberração organizacional administrativa de Portugal
para, em clara posição de concorrência desleal, tirarem vantagens –
legalmente – dessa rara espécie de abuso de posição dominante
determinada e organizada em coordenação com os “Poderes de Lisboa”.
7.2) Por outro lado, ao nível da
responsabilidade política dos autarcas que ou tendem a conformar-se
como vítimas reais do sistema ou, alternativamente, tendem a aproveitar
a onda dessa mesma rara espécie de abuso de posição dominante
determinada e organizada por um qualquer Centralismo sectorial. Como?
Embarcando numa recorrente aventura financeira, social e politicamente
irresponsável, de modo a apresentar obra feita o mais rapidamente
possível – porque o que importa é fazer… – de modo a perpetuarem a sua
presença no poder, espalhando profusamente benesses e emprego pelos
apoiantes, que tendem a ser cada vez em maior número.
Adiante. A situação é tanto ou tão
pouco grave que, até eclodir a alastrante crise financeira americana,
quase ninguém se atrevia a contestar a “bondade” de tão perverso
sistema de vida política, tendo-se chegado ao cúmulo de laudar a
inteligência de tão preclaros políticos e assistido às mais
impressionantes migrações políticas a todos os níveis.
Tudo se passou tão rapidamente, que o
histórico Partido Socialista se viu rapidamente refém de uma perversão
salvífica dos descalabros anteriores, o empresariado decidiu embarcar à
pressa na ’situação’, deliciado com a perspectivas financeiras únicas
(e com o marketing…), e os restantes partidos passaram timidamente a
testar um silêncio espantado que evoluiu para uma série de actos de um
“teatro trágico” cujo resultado está à vista:
A República Portuguesa está falida,
desorganizada, desmobilizada e o P.S. transformou-se numa espécie de
União Nacional, o partido único do Estado Novo, com votações unânimes e
tudo, uma espécie de rotunda por onde circulam carros de todas as
cores. Para espanto e medo por parte de quem os vê passar…
Quem se opõe a esta realidade é logo catalogado de ‘ressabiado’, de ‘invejoso’ e de outros elevados epítetos.
Com o que ninguém contava, nem dentro
nem fora do sistema, era com uma realidade que, apesar de estar
publicada recorrentemente desde o 1º trimestre de 2007 nos USA, começou
apenas no último trimestre de 2008 a ser reconhecida em Portugal como
‘Crise’ quando já era ‘Recessão’ – espantosamente, já com a recessão a
decorrer, foi afirmado que a crise já tinha passado… quem se recorda? –
passando-se depois a chamar-lhe ‘Recessão’ quando já é evidente
estarmos perante a ‘1ª Grande Depressão Global’, para a qual vários
países e regiões não-europeias terão já planos de contingência…
Espantosamente, ainda hoje se anuncia
entre nós com satisfação a baixa das taxas de juro de referência, ou um
aparente controlo da inflação verificada a sua descida quando, de
facto, os dados mostram já os mais claros sinais de estarmos em período
pré-deflacionista a que, se nada fôr feito, se seguirá um período de
hiper-inflação, mista sector a sector conforme alguns alertam mas que,
de facto, ninguém pode saber ao certo como e com que tipificação de
poder político terminará.
É que se os USA poderão substituir a
sua moeda por outra, regional, na Europa é praticamente impossível que
tal possa fazer-se. Daí a oposição única da Alemanha ao seguidismo
unanimemente pretendido para a Europa em relação à política monetária
americana que consiste em… imprimir notas. É que a Alemanha tem ainda
memória fresca do que lhe aconteceu nos anos 20 do século passado, e o
que aconteceu ao mundo até meados do séc. XX…
Voltando à nossa terra, quem não quiser perceber esta “big picture”
não perceberá nem poderá agir de todo sobre as realidades que se
avizinham. Por mim, parafraseando essa expressão de há uns anos atrás,
recomendo muito simplesmente que “o último a sair desta rotunda que
apague a luz…”
Estamos precisamente no momento em que
cada um terá que optar entre estar integrado num de 3 grupos: os que
fazem acontecer, os que vêem acontecer ou os que perguntam o que é que
aconteceu…
Explicitado que está o conteúdo
subjacente à minha afirmação em epígrafe “Lagos: quando a subversão do
interesse municipal vem de Lisboa”, complemento-o dizendo que me parece
bastante claro que, embora tudo o que de positivo possam representar de per si
os investimentos previstos em 8 novos hotéis na Baía de Lagos, é de
lamentar, mais uma vez e até no ponto de vista dos investidores
hoteleiros, a falta de integração destas iniciativas numa perspectiva e
obra previamente executadas, estruturantes e mais abrangentes, que
teriam claramente que conter as seguintes perspectivas articulares que
não contêm:
7.3) a articulação do PUMP com o
projecto Polis de reordenamento da “frente ribeirinha”, nomeadamente
com a articulação em pontes ou túnel, com estacionamentos subterrâneos
nessa grande área de terras fronteira aos dois primeiros restaurantes
no início da Meia Praia a leste do molhe, aí se podendo ter previsto o
início de uma avenida marginal, com calçadão pedonal razoavelmente – do
ponto de vista ambiental – fronteiro à praia e com ligações às
variantes agora previstas no programa “Algarve Litoral”. Um pouco como
o que muito bem fez o município de Barcelona, sabiamente liderado por
P. Maragall com o espaço da Vila Olímpica e do Passeio Marítimo que se
estende a partir da primordial Barceloneta.
7.4) a articulação do PUMP com uma
relocalização no concelho dessa aberração que é o transporte
ferroviário no Algarve, no caso concreto, com o ramal de Lagos e, mais
concretamente, com a transferência da Estação C.F., e também do
terminal da Rodoviária, para o local onde já esteve previsto há mais de
30 anos… Não é preciso nenhum TGV, mas não deixa de ser curioso que é
sempre em período pré-eleitoral que se vêm anunciar obras
estruturantes, como desta vez a renovação da EN 125 – certamente para
cumprir a lei que não permite colocar portagens onde não existem
alternativas adequadas em tempo de percurso – esquecendo-se que o
transporte ferroviário é a alternativa mais barata e de execução mais
rápida. Muito curioso mesmo.
7.5) a articulação do PUMP com a
ligação rodoviária a Alvor e Portimão. Nem uma palavra se ouve sobre
esta ligação. Tanta vénia ao ruinoso betão portimonense…e nada de
estruturante quanto a isto. A visão que o terreno e os dados
proporcionam é que Portimão está para Lisboa como Lagos para Cascais. E
até Sagres tem mais visitantes por ano que Sintra… Sem perceber isto
nada de positivo acontecerá a Lagos e ao Barlavento no futuro.
7.6) a articulação do PUMP com a
questão do Bairro SAAL da Meia-Praia, sem mais comentários dadas as
recentes notícias da vontade de resolução positiva e adequada da
situação como, creio sinceramente, irá rapidamente acontecer.
Termino este ponto formulando, sem
ironia, os meus sinceros votos de que jamais seja necessário qualquer
Cidadão pagar portagem para aceder à Meia-Praia. Digo isto porque a
ideia que ressalta das múltiplas proibições que o PUMP contém é a de
que se está a pretender transformar a Meia-Praia numa espécie rara de
condomínio privado. Posso estar a perceber mal, mas cabe aqui relembrar
que, segundo a Lei e como toda a gente sabe, a partir do momento em que
se aprova um qualquer loteamento, ninguém pode impedir a passagem de
qualquer Cidadão pelos acessos que o servem, independentemente de quem
os construiu.
A não ser que se pretendam potenciar
situações como a que viveu um autarca de Sintra em finais dos anos 90,
que se exaltou com a proibição de passagem numa estrada de um conhecido
condomínio de Belas ao ponto de ter chegado a puxar de uma arma
ameaçando o segurança do momento…Estou certo de que na Meia-Praia ou em
qualquer outro local do concelho e da região jamais tal irá acontecer.
8 ) LAGOS E AS SUAS QUATRO FREGUESIAS EXTRA-MUROS
Aqui ficam uma breves palavras sobre as
freguesias extra-muros do concelho de Lagos, com tanto trabalho
positivo já feito por tanta gente diferente mas que, na minha opinião,
continuam a carecer de perspectivas e opções mais dinamizadoras do
elevadísimo potencial que sempre apresentaram. Neste texto, como referi
antes, não quero sublinhar os aspectos positivos, que naturalmente
estão à vista de todos, mas também porque há gente, meios e imprensa de
sobra para esse efeito.
Em primeiro lugar, lamento que o há
tantos anos prometido Parque dos Descobrimentos tenha dado lugar a uma
espécie de Parque das Ventoinhas, certamente relevante para a produção
de energia, mas não para a Mata de Barão, esse pulmão com tantos
potenciais alternativos e respeitadores do ambiente nos quais, ao que
se vê, não se pôde – ou não se soube – integrar o valor paisagístico.
Os potenciais tanto agrícolas como
outros não-turísticos relacionados com esta freguesia, assim como com a
freguesia de Bensafrim e com parte da freguesia da Luz permanecem por
rentabilizar ao serviço das populações porque não estão ainda a ser
estruturalmente enquadrados e apoiados integradamente como deviam.
A “mono-cultura” Turismo exige diversificação nestas três freguesias assim como em parte da freguesia do Odiáxere.
De resto a Via do Infante continua
parada em Bensafrim. Acresce que, também nestes tempos pré-eleitorais
em que se fala de TGV e da 3ª ligação Lisboa-Porto por auto-estrada
Lagos e o Barlavento continuam sem ligação a norte com Sines e o
caminho-de-ferro pura e simplesmente não existe !…
Deve ser este o abandono a que se
referia o governo de Lisboa, na pessoa do Ministro do Ambiente aquando
sua visita recente ao município de Vila do Bispo. Para não dizer mais,
refiro que é objectivamente diferente e por demais irrelevante andarmos
100 kms para norte a partir da Guia e estarmos no meio do Alentejo
interior do que andarmos os mesmos 100 kms para norte a partir de
Bensafrim e estarmos no Porto de Sines.
De facto, Bensafrim é o local com maior
potencial logístico do Barlavento e quase nada está feito no sentido de
concretizar racionalmente o extraordinário potencial económico desta
freguesia, essencial para o desenvolvimento desta nossa sub-região e do
próprio Algarve. A não ser que esse desenvolvimento racional não
interesse a Portugal ou à perspectiva operacional dos Pin’s…
Acerca da freguesia da Luz muito mais
haveria a comentar mas, neste momento, apenas me limito a constatar que
falta luz è Luz… Concretizando, na iluminação das rochas desda a
Fortaleza até à praia, assim como nas rochas a leste e por cima do
areal até ao Talefe da Luz, ou no próprio areal, o que seriam
certamente factores adicionais relevantes quanto à indiscutível
atractibilidade turística e também quanto à segurança da Praia da Luz…
As obras realizadas são positivas,
embora eu tenha dúvidas sobre o destino do Miradouro da Luz e não
entendo porque não se aproveitaram as obras realizadas para fazer um
parque de estacionamento subterrâneo a sul da Igreja fazendo-se a
necessária requalificação do actual “parque” em terra batida, entre a
fortaleza e a linha de restaurantes existente. Desconhece-se ainda
quando será ligado o “nó do Modelo” ao das “Quatro Estradas”.
De resto, não consigo expressar por
palavras o que sinto sobre as construções feitas no Talefe da Luz, com
uma já terminada, já visíveis de baixo, do lado da praia. Mais uma
memória de passeio de tantos lacobrigenses ao longo de séculos que
desaparece, dependendo agora de um desaconselhável acesso pedonal de
menos de um metro de largo, espalmado entre duas propriedades privadas.
Provavelmente, o Talefe esteve desde
sempre dentro de uma propriedade privada, cujo proprietário gentilmente
a cedeu parcialmente para nela colocar o marco geodésico. Isso
explicaria a situação, pelo menos em parte. Não sei se será o caso, nem
quero obviamente subscrever processos de intenções a quem quer que seja.
Sei apenas, por ter visto a placa
respectiva, que o licenciamento de uma das construções – Eagles Eye -
foi feita por despacho directo do actual presidente da autarquia, salvo
erro em Março de 2007 e gostaria sinceramente que se pudessem conhecer
os termos da evolução da titularidade das propriedades de toda a área
do chamado Talefe da Luz, seja pública ou privada, ao longo não deste
mandato, mas dos últimos 35 anos.
Como os registos são públicos e o
Presidente da C.M. Lagos é um Ilustre Notário tal demanda não será
difícil nem morosa. Sei que o assunto terá a devida atenção, pois não
sou o único a gostar de olhar o céu a partir daquele local único de
tantas e tão boas memórias.
Sobre o nosso Odiáxere, a freguesia
mais impressionante de todas porque, para além de gente muito singular
com uma história única, dolorosa e aparentemente esquecida no contexto
da produção de arroz, dispõe de todos os tipos de recursos que o facto
de dispôr de barragem e de praia, passando pelo potencial agrícola e de
produção piscícola, verifica-se o exposto antes quanto à Meia-Praia, a
que se acrescenta o marasmo absoluto quanto ao aproveitamento turístico
da barragem e de toda a sua belíssima envolvente. Assim como a ainda
incipiente estruturação no domínio da produção energética alternativa.
Acrescento ainda que se desconhece
neste momento qual foi e tem sido a acção autárquica na Urbanização das
Colinas Verdes, na área da Barragem do Odiáxere, assim como creio que
seria útil saber qual é o ponto de situação quanto ao chamado “Projecto
Erikson”.
9) TERRAS DO INFANTE: UMA ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS COM POUCOS RESULTADOS PRÁTICOS
«A Prevenção Florestal no Algarve vai ser um sucesso com a inovadora destroçadora de mato Galotrax 200.» É este o primeiro resultado que se obtém para “Terras do Infante” no motor de busca Google, com 3700 resultados diversos.
Se refinarmos a busca para “Terras do
Infante – Associação de Municípios” encontramos 119 resultados, o
primeiro dos quais data de 16 de Outubro de 2001…
Como pode ler-se no Região Sul (o 1º resultado) «A
proximidade geográfica, as similitudes do seu passado
histórico-cultural, a par das potencialidades e carências comuns, foram
alguns dos factores que motivaram esta ligação.»
A “Terras do Infante – Associação de
Municípios” foi criada em 20 de Outubro de 2000. e integra, como se
sabe, os municípios de Lagos, Aljezur e Vila do Bispo. Ou seja, o
chamado triângulo vicentino do Barlavento. Tem sede em Lagos.
Como se pode ler num post de 2008 num site local «Uma
Associação que reunisse os municípios do triângulo vicentino, para que
estes pudessem colaborar em projectos comuns, potenciando sinergias
deveria ser uma mais-valia para as suas populações. Os anos passaram e
os propósitos desta Associação foram caindo no esquecimento. Hoje, a
“Terras do Infante-Associação de Municípios”, não é mais do que uma
associação fantasma.»
Nem auto-estrada ou via rápida de
Bensafrim para norte até Sines/Grândola, nem o mais pequeno dos
aeroportos no Barlavento, nem Caminho de Ferro nem Hospital em Vila do
Bispo nem em Aljezur (onde o médico falta no Centro de Saúde), nem
Pólos Universitários no Barlavento vicentino… Nem, pelos vistos,
vontade de concretizar as potencialidades e as carências comuns. Porquê?
Será este o abandono a que se referia o
Governo Centralista na pessoa do Ministro do Ambiente Nunes Correia
durante a sua recente visita à autarquia de Vila do Bispo para debitar
mais anúncios pré-eleitorais? Sem mais comentários.
10) LAGOS E O SEU CENTRO HISTÓRICO (CH)
Ao que julgo saber, a política da
autarquia de Lagos para o CH tem assentado em 4 pilares: 1) a
mobilidade, 2) a qualificação, requalificação e renovação urbana, 3) a
revitalização do comércio tradicional e 4) a definição de pólos
aglutinadores de actividade. Por outro lado, uma das preocupações
principais da autarquia é a de, na área do CH, compatibilizar
harmoniosamente as actividades de lazer e residencial.
Recordo que não estou aqui para me
juntar à corte de meios, imprensa e pessoas que tecem laudas, algumas
até por defeito, à obra positiva da Autarquia de Lagos. Não é
necessário porque está à vista de todos.
Apenas ficam aqui umas breves
considerações para dizer que gostei muito da promessa de elaboração do
Plano de Pormenor do Centro Histórico. Contudo, procurei e não encontro
o Plano e a última notícia que dele está disponível é de Abril de 2004,
por ocasião abertura do concurso público respectivo e da inauguração em
Lagos da nova sede da Delegação do Algarve da Associação de Municípios
com Centros Históricos.
Para já não falar do Porto de Mós, nem
da Ponta da Piedade, nem do Campo do Rossio da Trindade, nem do apetite
pelo IMI que a generalidade dos autarcas portugueses demonstram. Seria
extenso demais…
Quanto ao nosso Centro Histórico de
Lagos gostaria apenas de afirmar o princípio de que não é politicamente
legítimo nem uma boa ideia por parte de qualquer autarquia decidir
desvitalizar quaisquer centros históricos pela deslocalização dos
núcleos vitais essenciais que sempre os caracterizaram. Se quanto à
actividade comercial privada tal até possa ser considerado legítimo,
quanto a serviços básicos de utilidade pública é totalmente
inadmissível e politicamente ilegítimo.
Vejo esse tipo de decisões à luz dos
princípios mencionados e subjacentes aos pontos 1) 2) e 3) deste
apontamento e creio que serão por demais evidentes para todos. Aliás o
princípio foi seguido quando se decidiu fazer o Mercado de Santo Amaro,
sem contudo eliminar o Mercado da Avenida. Mas o mesmo princípio não
foi seguido noutros casos, como o dos os Serviços Camarários, os
Serviços de Finanças ou os Correios. Claro que nem tudo depende da
autarquia, mas o seu legitimado poder de influência poderia ter sido
decisivo não do sentido do imobilismo retrógrado de nada fazer, mas no
de manter as mesmas valências, eventualmente com redução de dimensão,
no Centro Histórico. Socorrendo-me de um exemplo claro, seria aceitável
e politicamente legítimo que, pelo facto de se abrir uma estação de
correios em Entrecampos, se fosse fechar a dos Restauradores?
É que pode parecer um pormenor sem
importância, mas não creio que a maioria da população, designadamente a
mais idosa com maiores dificuldades ao nível da mobilidade – de resto,
uma definida prioridade autárquica – veja esta situação como um mero
detalhe insignificante. A não ser que seja para rentabilizar os
“Transportes Vá na Onda”… o que não me parece ser o caso, mas se assim
fôr, então é levar o Tribunal e o Hospital para os edifícios anexos ao
do belíssimo novo edifício camarário, para melhor rentabilizar os novos
negócios que se instalarão nesse novo centro autárquico da cidade.
Mas então porque é que afirmo que pode ser politicamente ilegítimo uma mera decisão administrativa de relocalizar serviços?
Para além de não se cumprir a promessa
eleitoral porque, ao induzir-se a desvitalização do CH, nomeadamente ao
nível do nº de pessoas, diminui a procura e, ao fazê-lo, se influenciam
de modo automático e negativo tanto os direitos adquiridos como os
rendimentos potenciais. Em resumo, o Valor real de negócios,
patrimónios e tantos outros activos de menos evidente inventariação e
quantificação. Mas, pior do que isso, induz-se na razão proporcional
inversa (positiva), pela via administrativa, a valorização do mesmo
tipo de direitos e rendimentos em locais que, sem esse tipo de
valências operacionais, teriam certamente interesse e valor
objectivamente inferiores, menores.
Como se sabe este é um tema que, por
este Portugal fora, tem sido crescentemente abordado em variados casos
de abuso de poder, abuso de posição dominante ou de favorecimento
pessoal no exercício de cargos públicos um pouco por todo o país. Foi
até explicitado recentemente numa peça televisiva da RTP, embora com o
carácter sintético que esse meio impõe.
Ou seja, e resumindo, considero que se
uma deslocalização de serviços básicos de interesse público se decide
abrindo noutro local ou locais mas mantendo, mesmo que reduzindo, os
serviços existentes é uma opção politicamente legítima.
Se, pelo contrário, isso se faz
anulando pura e simplesmente o serviço existente no CH, considero tais
tipos de decisões totalmente ilegítimas e, porventura, enquadráveis em
âmbitos diferentes que me excusarei a designar porque não quero crer,
sinceramente, que seja esse o caso em Lagos.
Termino com as mais breves palavras
sobre a “Lagos para Sempre – Associação para a Promoção e
Desenvolvimento da Cidade de Lagos”, aliás com uma citação das que
enviei ao seu promotor em 16 de Março deste ano, que acompanharam o meu
pedido de adesão e que, pelo menos até agora, não tiveram qualquer
resposta:
«Li a proposta de estatutos, que subscrevo apenas com uma ressalva,
em relação à qual quero manifestar uma breve nota prática sobre o meu
total desacordo de princípio em relação à possibilidade estatutária de
os titulares de quaisquer cargos públicos municipais, sejam quem forem
e em que tempo o forem, poderem inscrever-se como associados. Não pode
ser.
Quando muito, na minha humilde opinião, poderão e deverão inscrever-se,
mas estatuindo-se logo desde a fundação da associação que o exercício
de cargos públicos municipais terá efeito suspensivo automático.
O mesmo princípio deverá, na minha opinião, aplicar-se às direcções locais de todos os partidos políticos.
É que os interesses podem ser aparentemente solidários, mas a realidade
prática mostra-nos abundantemente que são conflituantes, e de modo
recorrente e crescente. Por actos e por omissões.
Afinal, se assim não fosse, que necessidade haveria de fundar esta associação?
Considero, pois, essencial e pertinente esta separação das águas,
porque não creio que seja adequado pensar sequer na hipótese de
instrumentalização de uma tão nobre e necessária iniciativa que, julgo
eu, se pretende despoluída de quaisquer interesses
político-partidários. Sob pena de, se assim não fôr, a associação poder
vir a servir no futuro como mais um mero emblema ‘politicamente
correcto’, em círculo vicioso, sem conteúdos nem resultados práticos,
mas apenas para se virem a simular consensos silenciosos e a dificultar
ou tirar força aos pertinentes posicionamentos futuros da associação.»
CONCLUSÃO
Que me perdoem a extensão, mas não
quero concluir estes trípticos textos sem relembrar ainda um oportuno e
fantástico episódio daquele Dr. Juiz em Lagos que se deixava sempre
dormir a jogar “à carta” com um grupo de amigos: um belo dia,
combinados, os malandrins, com o Juiz já dormitando a sono solto –
coitado, era narcoléptico – apagam-lhe as luzes da sala e…continuam a
jogar. Paus e Ouros, Copas e Espadas, mãos a bater na mesa com o
estrilho normal, o Juiz abre os olhos e…”ai moç’s que na veij nada”,
“ai qu’è ‘tou cèg”, “ai mè Deuj, ai que grand desgrâça”. E os outros
três continuam a jogar, como se nada fosse, às escuras…Levaram naquilo
uma boa meia hora, e o homem a desesperar, até que um deles lá acendeu
a luz… O homem ia morrendo de susto! “Tragam-m áuga, grand’s malandr’s,
filh’s de p…”. Levaram anos sem se falar.
Não serão, afinal, tantas as
recorrentes situações nesta vida portuguesa cuja resolução depende não
dos olhos de quem querendo e podendo ver não o pode fazer tão-somente
porque, por insondável e suicidária crueldade estrutural, lhes vão
mantendo apagada a fundamentais luzes da Verdade e da Justiça?
Concluo valendo-me de uma das memórias
mais vivas que me habitam, a daquele atirar sistemático e sem falhas
dos cabazes do peixe dos barcos cá para cima no cais e aqueloutra do
primeiro Herói do Mar me lembro de ter visto, que Nobre Povo vejo todos
os dias. Espantava-me sempre que o via, aquele homem grande que já lá
não ia (a idade…) mas que em terra, sempre descalço e com um tronco às
costas, ia conseguindo equilibrando dois enormes cabazes nas pontas,
sempre a andar, com poucos sargos, salemas, robalinhos e robaletes, mas
mais faneca, carapau e sardinha, que ia vendendo porta-a-porta para
cima e para baixo, calcorreando toda a cidade a manhã toda… o ar do
mar, do peixe, da VERDADE… Era como o vento, menos quando estava norte,
que levava o perfume do mar pr’a baixo. Pouco falava e não sabia ler
nem escrever, como aliás a minha tão sábia avó, mas permanece cada vez
mais vivo como referência essencial de GENUINIDADE e CORAGEM perante
tudo o que me vai espantando, como à maioria dos portugueses, nestes
tristes dias negros.
Nunca falámos, mas tenho saudades dele.
Para mim aquilo era uma missão impossível, que durante anos não soube
interpretar totalmente. Não, não era só levar descalço o peixe às
pessoas até cair p’ró lado…
Estarei errado ao afirmar que é como
ele que a maioria dos portugueses, algarvios e lacobrigenses se sentem,
embora carregando outro peixe às costas todos os dias? Não creio, e
também não erro se disser que esse peixe (ou a falta dele) consiste
hoje na exigência inadiável de uma Justiça Livre e de uma Democracia
Responsável, sem fantasmas do passado distante, mas também sem
branqueamentos criminosos dos passados recentes.
José Borba Martins, Lagos
(in http://tinyurl.com/cmpmgo)
Schopenhauer
dizia o que andamos a ver relembrado por muita gente nestes tempos
únicos. Dizia ele que a toda a Verdade passa por três fases: Começa por
ser ridicularizada, passa a ser violentamente atacada antes de ser
aceite como evidente.
Na
sequência dos dois posts anteriores acerca da 1ª Grande Depressão
Global, ou a 1ª Depressão do séc. XXI, que tantos aqui onde a Terra
acaba e o Mar começa ainda insistem já não em negar, mas a lidar com o
facto como se de um fenómeno aleatório ou meteorológico se tratasse, e
dispondo eu de não mais do que a informação a que qualquer Cidadão pode
aceder via internet, venho humildemente chamar a atenção de TODOS, onde
se devem urgentemente incluir aqueles que têm responsabilidades
objectivas pela gestão política de Portugal, de alto a baixo e da
"esquerda" à "direita", para o facto de estarmos a atingir o Ponto
Inicial do Absurdo ou a Barreira do Impossível, as designações que
Martin Weiss, um reputado analista norte-americano, utilizou num webinar
há menos de 48 horas. Não é o primeiro a pronunciar-se contra a
corrente de um estranho optimismo segundo o qual "isto vai passar",
"tudo voltará a ser como dantes" ou que "dentro de um ano ou dois isto
melhora, basta esperar e ter paciência", etc.
O
intuito desta linhas é o de facultar reflexões sobre este tipo de
informação, irrefutável, credível e de difusão urgente, que a quase
totalidade da comunicação social portuguesa, com raríssimas excepções,
vem omitindo ou tarda em transmitir.
Estranhamente
parece preferir-se, em vez desse trabalho imperativo e sob o pretexto
da comemoração de efemérides importantes, andar a pedir aos
vilipendiados Cidadãos de Portugal para darem o seu contributo apenas
folclórico e aparentemente participativo para a melhoria da qualidade
desta "nossa" democracia...
Quem pode acreditar que uma mesma pessoa ou grupo de pessoas pode à tarde opôr-se ao que faz de manhã?
Haja Seriedade e Vergonha. Porque é tarde para mais uma encenação "genial" !!!
E tudo
isto para quê? Para avalizar uma vez mais a continuidade nos vários
poderes daqueles que "sabiamente" quiseram e souberam voluntariamente
posicionar-se nos lugares que, ainda e apenas há semanas, pensavam
serem impossíveis de ser postos em causa pelos excepcionais
acontecimentos que assistimos? Não! Não é este, definitiva e
evidentemente, o caminho da Verdade e da Acção que interessa é
generalidade dos Portugueses.
Então
afinal, meus senhores, para que é que têm sido pagos e o que têm andado
a fazer de facto os Políticos, os Gestores Públicos e toda a Corte que
os acompanha? Para pensar e agir no interesse geral de Portugal ou para
andarem a perder tempo com questiúnculas, enredos e mascaradas
suicidárias fatais, acompanhadas de um extensíssimo rol de tomadas de
decisão/omissão demonstradamente irresponsáveis e gravíssimas para a
Democracia Portuguesa e para, pasme-se, ainda por cima e como se tudo
isso não bastasse, virem agora pedir Ideias e Participação aos pobres
dos Portugueses que somos todos nós afinal? Ou seja, justamente a quem,
com paciência china - certamente por influência dos 5000 PdV chineses
já existentes - não só lhes vem pagando, como ainda em nome de quem
estes figurões de pacotilha e vácuo altruísta pretendem exercer cargos
públicos? Homessa, que grande calinada! Cada vez que vejo esse bem
feito mas triste anúncio televisivo fico sem palavras... Mas adiante,
que se faz tarde.
O ritmo da evolução negativa da economia portuguesa, europeia e mundial é avassalador, mas continuamos a testar gaps
temporais inadmissíveis no fornecimento de dados objectivos, que apenas
são facultados a conta-gotas ou em alguns artigos de opinião,
exceptuando-se ainda alguns "malditos" e raros blogs nacionais. Ainda
há poucos dias foi o défice final de Dezembro de 2008, corrigido face
ao anunciado anteriormente como bem sucedido, face às circunstâncias...
Em Abril 2009, mais de 3 meses depois??? Esta é mais uma estúpida
realidade que nos condiciona, que vem atravessando todos os governos e
que os excepcionais tempos que vivemos apenas vêm de novo
reforçadamente evidenciar.
Não são
as causas directas e indirectas desta "crise", mais ou menos recentes
que nos devem preocupar no presente, para além das lições que elas
fornecem. Muito menos entrar em debates inúteis, que apenas consomem
Tempo e Energia.
Assisti, e não fui o único a fazê-lo com muita atenção, ao webinar
de M. Weiss, que está a alertar não apenas toda a população dos Estados
Unidos como a de todo o planeta para a realidade actual, para as opções
políticas erradas que estão a ser seguidas e que conduzirão a
Humanidade para longos anos - senão décadas - de Declínio Global.
A quase
totalidade da informação incluída neste post tem como fonte aquele
evento de Martin Weiss, a quem saúdo e agradeço em meu nome e em nome
de todos quantos os que destas informações e links possam
extrair os apropriados posicionamentos pessoais, empresariais ou
políticos conscientes e pró-activos em defesa dos seus patrimónios,
tangíveis ou intangíveis, sejam eles a inestimável Liberdade, o
Emprego, os Rendimentos e todo e qualquer tipo de Direitos Pessoais e
Sociais que estão, de facto e já hoje, ameaçados como nunca antes na
História da Civilização.
Ninguém tem seguro contra os riscos com que a Humanidade está confrontada já hoje. Portugal não é excepção. Nem mais nem menos.
O que é
válido para os USA é por demais claramente aplicável à Europa e a
Portugal. Obviamente, e ainda em maior escala no caso do nosso país,
dadas as enormes diferenças estruturais existentes: competitividade e
estruturação económica, moeda, heterogeneidade sócio-fiscal, etc.
O que
está a acontecer nos mercados financeiros é uma tremenda armadilha. Na
Depressão dos anos 30 do século passado sucedeu o mesmo, com vagas
ilusórias de valorizações de 30%, 48%, 20% nas 3 primeiras vagas...
O Desemprego ainda está a crescer e a crescer cada vez mais rapidamente do que numa recessão típica…
As Falências estão em crescimento.
O Crédito Bancário está verdadeiramente assustador.
Três
organizações mundiais, o FMI-Fundo Monetário Internacional, o BM-Banco
Mundial e OCDE-Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Económico, estão unanimemente a prever que nos próximos meses e durante
todo o ano de 2009 todos testemunharemos o PRIMEIRO DECLÍNIO MUNDIAL DESDE A GRANDE DEPRESSÃO !!!
.
E estão
a prever ainda maiores declínios, precisamente nas mesma área de
actividade que fez com que a Depressão de 1930 fosse tão severa: O
COMÉRCIO MUNDIAL. É como cair de um penhasco abaixo....
Não interessa a frequência com que os rallyes
do mercado financeiro possam suceder, nem como os países do G-20
estimulem ou não estimulem as suas economias, nem os abanões positivos
que possam ocorrer num ou noutro sector de actividade, o que interessa
perceber é que O DECLÍNIO GLOBAL É O CONTEXTO FUTURO IMEDIATO que se apresenta para qualquer continente do planeta, com excepção da Antárctida...
Toda a
gente parece já ter percebido que seriam necessários muitíssimos
estímulos para dar a volta a este monstro que é o declínio económico
global. Seria necessário muito mais do que qualquer governo do mundo
poderia suportar. Não vale a pena iludir ou açucarar a questão, temos
que ser perfeitamente claros:NESTE PRECISO MOMENTO, A ECONOMIA MUNDIAL ESTÁ A DESLIZAR PARA A 1ª GRANDE DEPRESSÃO DO SÉC. XXI !!!
.
E esta
Depressão está já a trazar grandes cortes: na produção industrial,
severos declínios em resultados de grandes grupos, desemprego massivo,
perdas de casas e falências, ou seja, já está em curso O MAIOR CICLO VICIOSO DE TODOS OS TEMPOS: O COLAPSO DO CRÉDITO !
.
Que ninguém tenha dúvidas, estamos todos na maior encruzilhada das nossas vidas e temos que escolher o caminho certo. Esta escolha não é acerca de nós, da nossa geração, é sobre os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.
Se
fizermos a escolha acertada, poderemos providenciar melhores tempos
para eles. Ou, alternativamente, poderemos ir continuando o declínio do
endividamento tornando muito mais difícil a vida de não uma, mas várias
gerações futuras.
EXISTEM
APENAS DOIS CAMINHOS OU TENDÊNCIAS POSSÍVEIS A PARTIR DO CRUZAMENTO
PRESENTE EM QUE TODOS NOS ENCONTRAMOS (PERMANECEREMOS, EM PORTUGAL,
PARADOS, QUIETOS E CALADOS À ESPERA QUE OS TEMPOS MUDEM ?):.
1) DEPRESSÃO ECONÓMICA COM DEFLAÇÃO
O
primeiro dos caminhos conduz à Depressão Económica com Deflação, com
algumas similaridades com a Depressão de 1930. Não vale a pena "doirar
a pílula", serão tempos duros e traumatizantes. Vêm com uma reacção em
cadeia de falências de empresas e grupos económicos, não apenas dos que
já estão a ser intervencionados, mas também de mais bancos,
seguradoras, construtores automóveis, etc.
Re(começará)
nos mercados financeiros com novo pânico financeiro em Wall Street e
vai por aí fora até se atingirem níveis de desemprego record até 25% da
população activa (15,6% hoje nos Usa), até se atingirem níveis de
redução da produção industrial de 50% da capacidade instalada (o que já
começou a acontecer globalmente), até ao dramático e muito doloroso
aumento da população sem abrigo (10 grandes cidades americanas estão já
nesta tendência...).
Neste
cenário a previsão para os mercados accionistas cotados é de uma
redução de 90% (tal como em 1930, também pode acontecer agora).
Mas este cenário contém, por incrível que possa parecer, alguns benefícios.
Podem
ocorrer tempestades financeiras, podem ter que ser feitas ajudas
extraordinárias para salvar posições estratégicas, pessoais, de cidades
inteiras ou de empresas organicamente rentáveis, mas essas medidas
terão carácter de emergência em qualquer que seja o cenário, neste
caminho ou no outro. No caso concreto das Reformas, Pensões e dos
Planos que cada Pessoa ou Família terão previsto, a realidade é que
igualmente não será necessário o mesmo montante que seria na realidade
passada, que já não existe, e que era de inflação controlada,
permanente e contínua.
A
realidade, neste novo cenário de Depressão com Deflação é que será
apenas necessário sensivelmente metade do anteriormente previsto. Desde
que não se perca mais rendimento do que já se perdeu até este momento.
De
facto, a maioria das pessoas - e dos políticos - ainda não pensa assim,
pela simples razão de que não passaram por nenhum período
deflaccionista nas suas vidas. Mas este é um benefício significativo
que decorre deste cenário, o de preços a cair. Em deflação as casas
ficam mais baratas, as despesas com educação ficam mais baratas, um
depósito de gasolina ou gasóleo fica mais fácil de encher. Graças à
deflação as pessoas passam a querer trabalhar mais por menos. Não é
ironia, é mesmo assim. As moedas continuarão fortes e a competitividade
das economias não será comprometida, os bancos centrais poderão
continuar a recorrer a crédito externo em função das necessidades para
as operações correntes e as formas de governo democráticas não serão
comprometidas. Tudo isto com ~25% de desemprego, mas com ~75% da
população activa ainda a trabalhar, a receber em moeda estável e a
poder comprar mais mês após mês (e não menos, como acontece com
inflação). O que é válido para os USA e também para a Europa.
O
problema é que os governos e dos fazedores de políticas parece não
gostarem de Deflação, preferem Inflação, é algo com que se habituaram a
viver e toleram. Não tem a mesma conotação de Mal, um 'frame' que associam à Deflação.
Esperemos até que tomem consciência do 'CENÁRIO NEGRO DA INFLAÇÃO', que é o da
2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO
Este é
o 2º dos caminhos que se nos apresentam no cruzamento em que nos
encontramos. Este 'cenário negro de Inflação' não é o cenário da
inflação "normal" que conhecemos do passado recente. É uma inflacção on the run,
descontrolada, a que se acrescentará a maior parte das características
da Depressão identificadas parcialmente no anterior caminho.
Na sua forma mais extrema, conduzirá a uma realidade similar à que a Alemanha sofreu nos anos 20 do sec.XX.
Foi
quando o governo decidiu imprimir dinheiro sem quaisquer restrições,
quando o dinheiro chegou a ser mais barato do que o papel de parede, o
tempo que os selos do correio tinham como o valor 1 milhão de marcos,
em que as pessoas iam às compras com sacos carregados de notas sem
valor, no tempo em que 3 triliões de marcos (esc. curta) compravam 1 dólar...
O
resultado foi caos político e social, a eleição de A. Hitler, a 2ª
Guerra Mundial... Estes são os factos históricos. Será algo de
semelhante possível de acontecer no contexto actual? Ninguém quer que
aconteça, e quase ninguém acredita que tal venha a acontecer nos USA ou
na Europa, dadas as infra-estruturas de produção instaladas, da
industrial à agro-alimentar mas, como se sabe, o que nós queremos e o
que nós pensamos não é sempre igual ao resultado que obtemos... todos
sabemos isso do nosso dia-a-dia ! E em Portugal como será?
De
facto, neste momento, existe já muita gente respeitável nos USA não só
a falar em caos social como até a prevê-lo. Serão loucos? M. Weiss não
os qualifica assim, vai dizendo que lhes será provado que estão
simplesmente enganados...
Apesar
de, neste preciso momento e numa dezena de cidades dos USA, existirem
migrações significativas de Famílias que perderam as suas casas e
passaram a viver em tendas nos descampados dos subúrbios. Já se chama a
este fenómeno o "Katrina Financeiro"...
Mas a
verdade é que M. Weiss também diz isso apenas para o caso
norte-americano, dada a infra-estrutura de que o país dispõe. Poderá
dizer-se o mesmo quanto a Portugal e a outros países da Europa ou do
Resto do Mundo que não disponham da mesma capacidade de produção
interna, para além de outros diferenciais vs. outras características
positivas da dinâmica económica americana?
Por
outro lado há imensa gente que ainda pensa que pode beneficiar da
Inflação. Isso pode ser válido para algumas pessoas em alguns sectores
de actividade, em estádios iniciais do processo inflaccionista. Têm a
impressão de que ficam mais ricos, por vezes até ficam, têm a impressão
de que os créditos ficam mais fáceis de pagar, por vezes até podem
ficar, as autoridades governativas pensam que com inflação podem
aliviar a dor da Depressão, e até podem por vezes consegui-lo. Mas, no final, tudo isso não funciona. É apenas aparente. Por cá, até já tivémos um Ministro das Finanças que chamava à inflação "um imposto escondido" recordam-se?
A
maioria das pessoas aperceber-se-à rapidamente de que a Inflação é
apenas uma espécie de placebo, que a prosperidade é uma fantasia
temporária, uma miragem... E, o que é mais importante, este cenário
traz com ele todas as mesmas consequências negativas que a Deflacção,
mas sem os efeitos positivos desta.
O
perigo de Depressão com Inflacção - o pior de todos os males - é vir
trazer toda uma série de implicações adicionais potencialmente fatais
tanto para os USA/USD como para a EUROPA e para o EURO tal como os
conhecemos. Porquê?
- porque arrastará a crise para uma duração mais longa no tempo.
-
porque drenará os preciosos recursos do país afunilando-os para apoiar
algumas das grandes empresas mais enfraquecidas e menos produtivas.
-
porque vai corroer o valor do dinheiro e destruir os incentivos aos
esforços colectivos. As pessoas serão induzidas a sentir e pensar uma
coisa muito simples: para quê trabalhar mais se o dinheiro que ganho
pelo meu trabalho vale cada vez menos ?...
- porque a Economia ficará como que congelada.
-
porque retalhistas alimentares e de outro tipo de negócios de bens
tangíveis não poderão stockar mercadorias dado que os preços serão cada
vez mais voláteis.
- porque no caso extremo, o dinheiro poderá deixar de ter valor, como no caso alemão dos anos da década de 1920. Aliás, como no Zimbabwe hoje…
-
porque, no caso USA os 75% da população activa que ainda terão emprego,
"abanados" pela escalada de preços, diminuirão os seus níveis de
produtividade. Será diferente na Europa? E em Portugal?
Neste
cenário, pior do que se sofrer a dôr causada pela Depressão, mas sem os
benefícios da Deflação, pior que isso, como se não bastasse, será
infligir dôr àqueles que possam ser poupados à Crise, ou seja, no caso
americano, aos 75% da população activa que terão ainda emprego.
Neste
Cenário Negro de Depressão com Hiper-Inflação (ou inflação galopante,
descontrolada), quando comparado com o cenário de Depressão com
Deflação teremos que:
- em vez de um dólar (euro) forte existirá um dólar (euro) deslizante e fraco,
- em vez de mais competitivos os USA (a Europa) será ainda menos competitivo/a do que hoje é,
- as despesas com educação e com combustíveis serão quase impossíveis de suportar,
- não haverá partilha de sacrifícios e a situação social poderá dirigir-se para revoltas e protestos massivos, porque não haverá moeda forte para proteger os Cidadãos,
- em
vez de um governo democrático que ajude os Cidadãos penalizados com a
Depressão poderão assistir-se a fenómenos de "Shaker-Democracy" que
poderão ir de hipo-reacção até à hiper-reacção do tipo "punição das
vítimas" - como aliás já aconteceu há dias nos USA - assim como a
derivas de facto anti-democráticas e extremamente injustas face à
realidade.
Uma
ideia-chave: mesmo aqueles que possam sobreviver financeiramente aos
anos iniciais da Depressão, serão inelutavelmente devastados mais tarde
ou mais cedo.
Estes são os dados. Os caminhos "a escolher" são apenas dois, mas sempre com a Depressão como macro-contexto de fundo:
.1) DEPRESSÃO COM DEFLAÇÃO
ou
2) DEPRESSÃO COM HIPER-INFLAÇÃO.
E as questões-chave associadas são, evidentemente, as seguintes:
a) Quanto tempo vai durar a Depressão?
b) Vai
ser curta, ou vão os governos, em função do bombear de "ajudas"
financeiras, assegurar a sua duração da depressão por muito mais tempo?
c) A
Depressão será seguida por uma forte recuperação (que é o melhor
cenário) ou a emissão/impressão acelerada de moeda implicará anos ou
até décadas de declínio? Não poderemos fazer nada?
Esta é
uma escolha monumental que temos que fazer imediatamente. Todos e cada
um de nós, os que vivemos neste tempo da Primeira Depressão Mundial do
séc. XXI, fomos convocados pela História para fazer essa escolha neste
momento.
Este é
o tempo e todos nós somos aqueles para os quais os nossos descendentes
olharão e, das duas uma: ou nos louvarão pela nossa prudente capacidade
de previsão ou nos crucificarão pela nossa cegueira e crueldade. NESTE PRECISO MOMENTO OS GOVERNOS ESTÃO A FAZER AS ESCOLHAS MAIS INSENSATAS, MAIS EGOÍSTAS E DE MAIS ALTO RISCO DA HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO !!!
No
seu zelo para evitar o inevitável ciclo de depressão, os Estados
Unidos, o Reino Unido e agora muitas das nações G-20 (acompanhadas
pelos seus seguidores cegos ou oportunistas por motivos de subsistência
política pessoal ou grupal inconsciente) estão a conduzir-nos para o
padrão da destruição.
A
Reserva Federal abandonou o seu papel tradicional de controlo da
inflação e está, actualmente, a utilizar o seu máximo nível
endividamento possível para... CRIAR INFLAÇÃO !
O
Tesouro americano abandonou qualquer semelhança de restrição de risco e
está agora fora de controlo. Refugiar-se-à J.C.Trichet no mandato
restrito que tem, no âmbito do estatuto actual do BCE, para assistir
como espectador desta excepcional realidade? Ou, pior, verá ser-lhe
imposta pelas circunstâncias uma estratégia meramente seguidista em
relação à norte-americana? Quem tem e quem está de jure e de facto a exercer o controlo democrático do BCE em nome dos Cidadãos da Europa? Existem gaps
operacionais também aqui? Quem pode dar hoje essa informação? O
constrangimento e os conteúdos implícitos recorrentes das declarações
de J. C. Trichet parecem ser esclarecedores.
Nos USA, o Défice explodiu literalmente para valores 4 vezes superiores ao do pior défice em apenas 12 meses...
Nos
USA, só nos últimos 18 meses foram investidos, emprestados, garantidos
ou e alocados pela Reserva Federal 14 triliões de dólares (em escala
curta, 14*10^12=14.000.000.000.000 Usd).
Mais do que o PIB total, mais do que o Défice total acumulado em mais de dois séculos, é dinheiro que os USA não têm.
É dinheiro que não é possível pedir emprestado sem consequências enormes.
E é dinheiro em papel-moeda que já começou a ser impresso: 14 triliões de Usd até este momento.
Pela
primeira vez na História Americana a Reserva Federal está a utilizar a
sua capacidade de impressão de papel-moeda com o propósito de
concretizar os corporate bailouts (ajudas de emergência a
grandes empresas). Isto nunca funcionou no passado e nunca funcionará
no actual contexto. Por isso, teremos todos de encontrar e assumir a
escolha certa no tal cruzamento ou bifurcação neste caminho terrível em
que estamos a ser conduzidos.
Será
demasiado tarde? Martin Weiss pensa ainda que não. Mas pensemos em todo
o mal que esta operação de impressão de mais papel-moeda pode fazer. E
a seguir pensemos quanto de bom apenas uma pequena fracção desse
dinheiro pode fazer às pessoas que estão a ser atingidas por esta
crise. Se a taxa de desemprego atingir os 10%, tal como a Administração
Obama está a dizer que pode acontecer, isso quer dizer que 16 milhões
de famílias passarão a não ter rendimentos. Os números são
desconcertantes.
Pode ser um exercício teórico, mas se considerássemos os tais 14 triliões de dólares para, em vez de se fazerem os salvíficos bailouts
a bancos culposos, corretores, companhias de seguros e construtores
automóveis, serem utilizados esses meios para ajudar os desempregados,
pois bem, isso representaria um cheque de 3,5 milhões de Usd para cada família atingida pelo desemprego...
Está a ser argumentado que o dinheiro para os bailouts está a ser bem empregue para salvar bancos e mercados financeiros, mas isso é absolutamente falso. Tanto nos USA como na Europa. Ou em Portugal !
E acredita-se que quem toma essas decisões sabe perfeitamente que é falso.
Porque sabem que não se pode voltar com o relógio atrás e inverter os
excessos do passado, o endividamento e a especulação que causaram esta
crise. Porque sabem que não se pode repelir a Lei da Gravidade. Ou
pedir aos investidores que parem de vender, ou impedir que os preços
das acções ou do imobilário parem de descer. Os decisores sabem disto!
Mas afinal para onde estamos a ser conduzidos por esta situação? M. Weiss opina que estamos a ser conduzidos para o que chama de
PONTO INICIAL DO ABSURDO ou BARREIRA DO IMPOSSÍVEL..
É o ponto no tempo em que o custo óbvio dos bailouts se torna maior do que os benefícios ilusórios desses bailouts.
Ou seja, quando a cura é pior que a doença, quando a cura causa doença.
Se a doença é o vício do endividamento - todos sabemos isso - como
podem agora estar a dizer-nos que a solução para reconquistar o
bem-estar é uma nova injecção ainda maior de endividamento? Responda
quem tem a obrigação de o fazer, os Políticos investidos e depositários
do mandato de que tem o Poder original em Democracia: os Cidadãos. Porque, desta vez, esse endividamento representa mais Dívida Pública...
Na
prática o que isto significa é que o próximo "tiro e queda" será a
maior e a mais importante de todas: acontecerá nos Títulos do Tesouro
(Government Bonds). Só nos USA?
Sem
mais demoras, e não serão grandes novidades para muitos, aqui vão as
que estão a ser apontadas como medidas urgentes para a generalidade
dos Cidadãos, Empresas e demais Organizações com ou sem fins
lucrativos. Por imperativo de sobrevivência:
- parar para pensar e reflectir seriamente;
- reduzir ao mínimo e controlar efectivamente todos os custos fixos;
-
racionalizar gastos, cortando todos os gastos supérfluos, não
essenciais à actividade, o que não pode ser sinónimo de fazer cortes
cegos onde parece mais fácil fazê-lo: nos custos com mão d'obra ou
salários;
-
declarar "guerra às dívidas bancárias", ou seja, reduzir ao mínimo, ou
eliminar se possível, todos os créditos existentes, implementando uma
estratégia constante de alívio de dividas, nomeadamente utilizando o
resultado da racionalização e cortes em custos para redução desses
créditos bancários;
- para
quem tem aplicações, reseleccionar esses activos minimizando o seu
risco e redireccionando-os por aconselhamento objectivo, especializado,
credível e, de preferência, independente, i.e. não-directamente
interessado.
De resto, é seguir os links que são disponibilizados neste e nos posts
anteriores, analisando tudo o que possa contribuir para a racionalidade
destas medidas urgentes num tempo que todos já terão percebido que é de
forte irracionalidade e imprevisibilidade.
Esperemos
que a VERDADE sobre a 1ª Depressão Global seja reconhecida rapidamente
como evidente em Portugal e que quem de facto pode fazê-lo que trate de
QUERER providenciar as DECISÕES e as ACÇÕES DE EMERGÊNCIA NACIONAL
necessárias pelas quais uma larguíssima maioria de Portugueses
crescentemente anseia, embora não saiba, não possa ou ainda não queira
formulá-las .
Pede-se
CORAGEM PARA MUDAR A ROTA surrealista em que todos nos vemos forçados a
navegar, com TRANSPARÊNCIA, HONESTIDADE, VERDADE e com HUMILDADE
DEMOCRÁTICA sinceras.
Que
se tenha a Consciência de que cada euro de ajudas financeiras
"salvíficas" ou de investimentos surrealistas irresponsáveis representa
não 1 mas 2 euros de Injustiça Social diferencial: 1€ para premiar os
Culposos mais/menos 1€ para castigar as Vítimas das actividades
culposas, sejam elas quais forem e de onde vierem.
Ficou
claro? É que será esta mais uma raiz - quiçá a mais importante e
definitiva - de um Crime Político continuado de que, mais tarde ou mais
cedo e imprevisivelmente, serão pedidas responsabilidades. Por acção e
por omissão.
A menos que desapareçam todos os registos das continuadas Impunidades...
Por quem fomos, somos e seremos sempre: PORTUGAL !!!
Boa Páscoa...
José Borba Martins, Lagos
p.s.
O livro lançado por Martin Weiss alcançou em dois dias apenas o Top de
vendas no Amazon.com com a totalidade das receitas destinadas a apoio
social de emergência.
_______________________
Links para mais informação:
Quem é Martin Weiss?
MartinWeiss.com
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Entendo
ser tanto meu dever como direito plenos enquanto Cidadão de Portugal -
por muito irrelevante que possa ser ou parecer - reproduzir abaixo o
fundamental da carta que, nessa qualidade, enviei no domingo passado ao
Senhor Provedor de Justiça. Embora se trate, à primeira vista, de uma
mera questão pessoal a resolver no local adequado - os Tribunais - terá
a utilidade de dar a conhecer publicamente uma situação verdadeiramente
kafkiana que, injustamente - para não dizer doutra forma - mantém um
cidadão português coarctado do pleno usufruto dos seus direitos de
cidadania ameaçando-o grave e continuamente quanto ao exercício dos
seus elementares direitos, dos quais se destaca apenas, e nesta fase,
os mais latos 'direito ao bom nome' e o 'direito de propriedade'.
Esclareço
que omiti, por motivos óbvios, as partes relativas às referências
pessoais e mais informo que juntei na mensagem enviada as 13 páginas
digitalizadas da carta que o gabinete de Advogados Garcia Pereira &
Associados - a quem manifesto o meu público reconhecimento - teve a
deferência de enviar em 29.Fev.2008 ao Senhor Presidente do Conselho de
Administração da Cgd visando a resolução do assunto.
Carta essa que, por sinal, que não mereceu do mais alto dirigente daquela intituição bancária de referência qualquer resposta...
« MENSAGEM A SUA EXCELÊNCIA
O SENHOR PROVEDOR DE JUSTIÇA
..........................................................
De
José Borba Martins
Lagos, Algarve
...........................................................
Exº. Senhor Provedor de Justiça,
É em situação de grande constrangimento pessoal que venho incomodar
o V. Exa. com esta mensagem, que escrevo em última instância e em
desespero de causa.
A
situação que detalho abaixo e de que venho dar conhecimento a V. Exª.
sendo por demais
kafkiana, poderá ser uma de algumas outras que
permanecem no
silêncio dos aflitos. Foi inclusivamente enviada uma carta expondo e
pedindo a resolução da situação por um conhecido gabinete de advogados
de Lisboa ao Senhor Presidente do Conselho de Administração da Caixa
Geral de Depósitos, que não obteve resposta...
...
A questão, que tem natureza financeira e que me opõe a esse banco
de referência que é a Caixa Geral de Depósitos (CGD), é clara e
inequívoca quanto à distorção induzida na nossa realidade colectiva por
situações deste tipo de que, penso, não terei sido o alvo único. E é
por isso mesmo que, reforçadamente, tomei a liberdade de me dirigir por
este meio ao Senhor Provedor de Justiça.
É que não posso conceber nem suportar a ideia de que o mesmo se
possa estar a passar, ou ter passado, com outros portugueses se, como
penso, ser este apenas um "método" mais para, sob uma capa formal
aparentemente inatacável, se estarem a violentar continuadamente
elementares direitos como, designadamente, o de propriedade e o do bom
nome.
E, muito menos, quero acreditar que esta seja situação tenha origem
numa qualquer espécie de 'campanha' vingativa anti-pessoal apenas por,
no uso normal da minha liberdade de expressão, ter escrito num
conhecido semanário online opiniões políticas contrárias às do governo
de então e no período imediatamente anterior ao destes factos que
venho pela presente mensagem expôr ao Senhor Provedor de Justiça.
...
Para
não me repetir nem alongar excessivamente, apenas refiro que este
conflito me tem "amarrado" financeiramente de modo injusto há mais de 5 anos...
Juridicamente,
o conflito apenas foi parcialmente aberto pela Cgd em 3 de Fevereiro de 2009 junto
do T.J. de Lagos através de uma acção executiva sobre uma livrança que
fui forçado a aceitar. A situação é, para mim, tanto mais grave quanto
contextualizada pelo facto de ter terminado o meu vínculo laboral de 20
anos, por mútuo acordo, no início de 2006,
continuando eu desde então sem poder recorrer ao mercado bancário para
implementar a m/vida profissional, nomeadamente através de dois
projectos de investimento em duas áreas de negócio que continuam parados...
A situação, abreviando e agradecendo o tempo que V. Exª. entenda
por bem poder dispensar a este assunto que, repito, não creio ser caso
único, resume-se ao seguinte:
1. Uma operação anterior de 'troca de casa' decorreu sem quaisquer incidentes.
2. Na sequência do AVC de m/Mãe, a 20.Out.2002, a CGD, por intermédio
do seu Director Regional (DIR),
manifestou-me pessoalmente (a mim, JBM) a mais total disponibilidade
p/financiamento à construção de um imóvel em Lagoa-Algarve e à
transformação da casa da família em Casa de Repouso, em Lagos-Algarve.
3. O DIR comunicou então que serão disponibilizados de 20% a 25% do
custo de construção do prédio de Lagoa contra a apresentação do
ante-projecto de arquitectura respectivo.
4.
Em sequência, são disponibilizados não 20% nem 25%, mas sim 10%
(35.000€) contra a apresentação do ante-projecto, feita em Janeiro.2003.
Esta disponibilização não é formalizada pela CGD, como lhe competia, e
o DIR procede a prorrogações sucessivas de um 'descoberto autorizado',
evidentemente mais penalizador para JBM e mais leoninamente favorável
para a CGD.
5. Perante esta postura de 'facto consumado', JBM utiliza 25.000€ do
montante disponibilizado, reforçando com 2.500€ de poupança pessoal,
pagando 27.500€ do projecto ao Arquitecto xxxx xxxxx xxxxxxxx e
reservando os 10.000€ restantes para apoio à cobertura das prestações
seguintes.
6. Em Maio.2003, o DIR xxxx xxxx convoca telefonicamente JBM para uma
reunião urgente, em que comunica a JBM a não-formalização
(responsabilidade CGD) e as prorrogações sucessivas e, mostrando a JBM
o processo, informa que teve uma auditoria interna e que JBM tem
prestações 'em mora'... e que terá que pagar o mais rapidamente possível.
7. A situação causa evidentemente a JBM o maior transtorno e apenas em
25.Out.2003, após comunicação específica da Cgd, JBM consegue depositar
10.000€ para pagamento das "prestações em atraso".
8.
De seguida, a DIR comunica a JBM que teria havido um erro de cálculo e
que, afinal, o valor era ainda superior...Perante tais factos JBM toma
a decisão radical de pôr o apartamento à venda, de modo a extinguir a
situação, comunicando à CGD essa decisão pessoal.
9. Encontrado Comprador, o CPCV é enviado em 30.Dez.2004 à CGD para
formalizar então uma simples 'troca de casa', operação que permitiria
uma redução de crédito em ~100.000€, pois JBM recebido um sinal do
comprador, sinalizou um apartamento menor.
10.
Quatro meses após o envio do CPCV, a CGD não só não responde ao
solicitado como, incompreensivelmente e por lapso certamente, intenta
uma acção judicial para cobrança coerciva de dívida, facto aliás nunca
notificado a JBM.
11. Vinte e dois meses (i.e. 1 ano e 10 meses) após o envio do CPCV é
finalmente celebrada a escritura de compra-venda (a 27.Out.2006) em que
JBM regulariza a totalidade dos débitos pedidos e impostos
adicionalmente pela CGD, no montante total de 387.470,24€ (336.036,45€
em dinheiro e 51.433,79€ p/livrança que JBM é forçado a assinar, sob
pena de não poder vender o apartamento). Ou seja, a CGD intenta uma
acção 4 meses após a casa estar com CPCV celebrado e comunicado ao
banco, retira a acção
que por lapso intentou, mas não retira os juros forçando JBM a pagar o
que o banco entendeu pedir, de modo arbitrário e abusando da sua
posição dominante.
12. A dívida total à data de Fev.2004 era, segundo documento da própria
CGD de 303.556€ (montante em si mesmo incorrecto e que integrava os
25.000€ utilizados p/projecto de arquitectura, capitalizados,
imagine-se em 32.084€ (ou seja, +28,3% em apenas 9 meses...).
13. O montante totalmente regularizado na escritura de compra-venda de
27.Out.2006, pedido/imposto pela CGD, foi de 387.470,24€, ou seja:
+ 83.914,24€ que o comunicado pela CGD em Fev.2004 e, sob outro ponto de vista,
+
90.998,24€ se descontado o acréscimo indevidamente imputado aos
25.000€ cuja formalização não foi feita por responsabilidade do DIR/CGD, que é o facto original que desencadeia toda esta questão
surreal.
14. Para cúmulo, e melhor percepção do que pode estar em causa, note-se que a CGD:
-
emitiu a devida 'declaração de inexistência de dívidas em mora' em
16.Dez.2006, ou seja somente 6 semanas após a regularização feita na
escritura.
- nunca comunicou ao Banco de Portugal a regularização feita, como legalmente lhe competia.
NESTA DATA (FINAL DE FEV.2009):
§
4 anos e 2 meses depois do envio do CPCV para celebrar uma simples
escritura de 'troca de casa, que reduziria o 'crédito-habitação' em
cerca de 100.000€,
§ 2 anos e 4 meses depois da escritura finalmente realizada, em que
- foram regularizados 387.470,24€ por uma dívida muito discutível de 303.556,00€ (+83.914,24€),
- tendo essa regularização sido
feita com o pagamento de 336.036,45€ em dinheiro e 51.433,79€ em
livrança forçada a 180 dias e
- apesar de a CGD ter emitido uma 'certidão de inexistência de
dívidas em mora' em 16.Dez.2006 (1 mês e meio após a escritura),
§
A
CGD nunca comunicou ao Banco de Portugal, como lhe competia, a
regularização feira, inviabilizando de forma continuada a actividade
financeira de JBM, nomeadamente o recurso ao crédito, o que
inviabilizou qualquer hipótese de pagamento.
§ A CGD decidiu unilateralmente 'congelar' um montante (~10.000€)
referente a herança p/morte da Mãe de JBM (20.Fev.2007)... libertando-o
muito posteriormente após diversas insistências.
§ O Presidente do Conselho de Administração da CGD não respondeu à
carta enviada em 29.Fev.2008 por Garcia Pereira & Associados,
visando a resolução definitiva do assunto extra-judicialmente (anexa).
§ A CGD decide intentar acção executiva no T.J. de Lagos Vs. JBM,
recebida a 3.Fev.2009 referente à livrança entretanto vencida. A
contestação foi apresentada em 23.Fev.2009.
RESULTADOS
- José Borba Martins (JBM) figura desde Maio.2003 na 'listagem do Banco de Portugal',
- JBM viu-se forçado a ceder com prejuízo a posição contratual do
apartamento que prometeu comprar em CPCV e com que se concretizaria uma simples 'troca de casa'.
- JBM vê-se continuadamente impedido do exercício pleno dos seus direitos financeiros há mais de 5 anos...
DECISÕES JBM
-
Contestar a acção executiva referente à livrança vencida que JBM foi coagido a assinar.
- Enviar exposição ao Senhor Presidente da República, ao Senhor Procurador-Geral da República e ao Senhor Provedor de Justiça.
- ...
Resta-me agradecer a V. Exª., Senhor Provedor de Justiça,
a atenção dispensada e a
melhor sequência que este kafkiano assunto possa merecer, quer sob o
ponto de
vista do meu relevante e evidente interesse pessoal, quer no do
interesse geral da Cidadania de Portugal e apresentar-lhe os meus mais elevados e muito
sinceros
votos pessoais de Bom Sucesso nestes tão raros tempos que todos
vivemos.
Muito Atentamente,
José Borba Martins


Relendo
mails antigos encontrei este de Nov.2008 que não resisto a dar a
conhecer por esta via, porque todos os contributos são poucos para
navegar estes raros tempos.
Pode ser discutível, mas é uma perspectiva que interessa a todos:
«Uma
nova Era já começou! Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e
ainda não percebemos que a Revolução, uma nova Era já começou! As
pessoas andam um bocado distraídas! Não deram conta que há cerca de 3
meses começou a Revolução! Não! Não me refiro a nenhuma figura de
estilo, nem escrevo em sentido figurado! Falo mesmo da Revolução 'a
sério' e em curso, que estamos a viver, mas da qual andamos distraídos
(desprevenidos) e não demos conta do que vai implicar. Mas falo,
seguramente, duma Revolução!
De
facto, há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações
profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que
sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que
resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com
resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses. E que irá mudar as nossas
sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 25 anos!
Tal
como ocorreu noutros períodos da história recente: no status
político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações
induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém
Atlântico), ou na crise do petróleo de 73...
Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas!
Está a acontecer na nossa rua e à nossa volta, e ainda não percebemos que a Revolução já começou!
Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos '10 factores':
1º- A Crise Financeira Mundial:
desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do
colapso (leia-se 'bancarrota') e só se tem aguentado porque os 4
grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o
Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer:
'emprestado virtualmente à taxa zero') montantes astronómicos e
inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria
ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como
irá acabar esta história !... (v. http://tinyurl.com/cmp4f6 )
2º- A Crise do Petróleo:
Desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a
mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras:
primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta
de preço é adquirida e definitiva, devido à visão estratégica da China
e da Índia que o compram e amealham!) e começarão rapidamente a fazer
sentir-se os efeitos dos custos de energia, de transportes, de
serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há
2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de 50% (leu bem: cinquenta
por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste
factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e
turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal
ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12
meses! Acabaram as viagens de avião baratas (e as férias massivas!), a inflação controlada, etc.
3º- A Contracção da Mobilidade:
fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de
mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas
comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima
retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na
interpenetração económica mundial.
4º- A Imigração:
a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes,
que buscam melhores condições de vida e formação, num movimento
incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os
trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de
países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália).
Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos!
A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão
pelo poder e melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em
ascensão e com direitos à custa das matérias-primas e da pobreza
deles)!
5º- A Destruição da Classe Média:
quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que
o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar
apenas a acontecer em Portugal e à custa deste governo) está de facto a
'varrer' o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou
mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e
(descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão
endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade
de intervenção.
6º- A Europa Morreu:
embora ainda estejam a projectar o cerimonial do enterro, todos os
Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto,
já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue
definir quaisquer objectivos num 'caldo' de 27 países com poucos ou
nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na
'Europa', nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu
futuro! O 'Requiem' pela Europa e dos 'seus valores' foi chão que deu
uvas: deu-se há dias na Irlanda!
7º- A China ao assalto!
Contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível
mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer
entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros
navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por
encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora 'atacar' o
coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a joke.).
Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel mundial
os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e
americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses
são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e
vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos
de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia - helás! Estamos a
falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor
económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta
ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! Os chineses
estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo
de produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais. (urgente rever e reler Pedro Nueno).
8º- A Crise do Edifício Social:
As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade
baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias
tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não
querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos,
dificultando a criação de um espírito de estratégias e actuação comum.
9º- O Ressurgir da Rússia e da Índia:
para os menos atentos a Rússia e a Índia estão a evoluir tecnológica,
social e economicamente a uma velocidade estonteante! Com fortes
lideranças e ambições estratégicas, em 5 anos ultrapassarão a Alemanha!
(A Siemens decidiu uma nova e grande fábrica na Rússia, Fev
2009...a notícia não passou em Portugal. Deveremos limitar-nos a ser
apenas uma hospitaleira escala técnica para a procura turística ou de
investimento russa?).
10º- A Revolução Tecnológica:
nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a
biotecnologia, a energia, as comunicações, a nano tecnologia e a
integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um
ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos! Eis pois, a
Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão
ligados por um sinal de 'vezes' e, no fim, têm um sinal de 'igual'. Mas
o resultado é ainda desconhecido e imprevisível. Uma coisa é certa: as
nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças
marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a
ter carreiras profissionais instáveis, com muito menos promoções e
apoios financeiros, a ter estilos de vida mais modestos, recreativos e
ecológicos. Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu
brilho e inteligência eu não acho que o Mundo está 'a entrar num
crepúsculo' . Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!
Um conselho final:
é importante estar aberto e dentro do Novo, visionando e desfrutando
das suas potencialidades! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo!
Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!...»
Algarvio de Portugal, Lagos
5.Fev.2009 in http://talefe.wordpress.com
Nota:
alguns autores estão a opinar que esta Deflação será diferente de todas
as outras na História. Porque será o resultado de hiper-inflações nuns
bens e serviços e hiper-deflações noutros. Quanto a identificar quais,
as opiniões são ainda muito díspares. Por enquanto...

Artigo de Jack Soifer no OJE de 20.Jan.2009
«A TECNOLOGIA do TGV tem anos, não
inova em nada, é só força bruta. Ao contrário do Alfa, que usa a
ciência e é pendular, no TGV o buggy, o chassis e os carris são
tradicionais, mas maiores; só o motor eléctrico substituiu a locomotiva
a vapor.
O LightAlfa usa compósito, ligas de
alumínio e carbono, e HDPVC na carruagem e chapa de aço reforçado, em
vez de ferro fundido no buggy. O fio dos motores é de liga de alumínio
em vez de cobre. Tudo o torna mais leve, flexível nas curvas e exige
muito menos betão nas pontes e retirada de terras nas serras.
O LightAlfa é tecnologia de ponta,
faz km/h de média, quase igual ao TGV e, ao invés deste, não está nas
mãos de só nove empresas de quatro países.
Ao ligar Faro a Braga pelo
interior, o Train Grand Developpement (TGD) com ramais para Badajoz e
Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros, traria emprego a 78 firmas e
18 mil cidadãos portugueses.
Só seis empresas de França, Reino
Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material
eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o TGV. A Espanha tem
três empresas certificadas para as pontes e infra-estrutura. Exige-se
quatro anos e milhões para certificar. Não estarão num cartel?
Estimativas de países que
pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens. Os
três grandes países da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil
milhões, a Espanha uns 20% e a nossas três mega-empresas 8 a 9%. Mas
três gerações teriam que pagar mais 4 mil milhões em juros e
sobre-lucros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados
mais 500€/ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV.
Se o racional e inovador é o
LightAlfa, que lóbi de Bruxelas está a forçar um ministro a nos meter
pela goela abaixo uma dívida irracional e uma velha tecnologia? Por que
estes dados não chegam a José Sócrates?»
Nesta noite do festim dos Óscares de
2009, abstraiamo-nos por um momento da gravíssima realidade portuguesa,
agravada e evidenciada crescentemente pela crise económica mundial
resultante da crise financeira americana, e revisitemos Lord Keynes
que, relembremos para além de tudo o mais, considerava a Teoria útil
se, e só se, pudesse ter reflexo real na Prática, ou seja, ao nível do
dia-a-dia das pessoas…
Teoricamente, a Depressão só aparece
quando a Poupança excede o Investimento. Dizendo doutra maneira, quando
uma parte significativa da Poupança Total permanece parada, não
investida reprodutivamente, ficando sob a forma de Poupança Inactiva.
Voltando à realidade presente parece,
no entanto, estar a laborar-se num erro grave, tão grave quanto a
trágica alocação continuada do dinheiro dos depositantes americanos
para alimentar a espiral da valorização dos Fundos de Investimento.
E qual é esse erro grave? O da
não-inclusão nos cálculos de 3 realidades nada negligenciáveis que têm
que estar quantificadas com precisão e publicadas. Tais realidades só
se podem quantificar e ser objecto da sequência de políticas adequadas
através de uma decisiva Vontade Política por parte de todos os governos.
Nomeadamente na decisão global urgente
sobre off-shores, plataformas financeiras onde estão desempregadas ou
mal-empregadas, porque não reprodutivas, neste momento e por defeito,
cerca de 1/3 das disponibilidades mundiais de divisas….
Essas três realidades, por muito difícil que pareça ver quantificadas, são as seguintes :
1) o dinheiro utilizado nas diversas actividades especulativas, mais os dois tipos de “black money” seguintes, i.e.
2) o chamado “dinheiro sujo exportado” e
3) o chamado “dinheiro sujo” bloqueado
resultante das actividades de “law enforcement” (das três realidades
será a de menos difícil quantificação).
Parece, pois, extremamente urgente e
recomendável a constituição temporária de uma ‘Aliança’ do tipo
“Anti-Depression World Mission” em que, após uma quantificação
objectiva daquelas variáveis, essa ‘Aliança’ tome medidas para
converter o mais rapidamente possível essas três realidades em
Investimento efectivo e não em políticas defensivas de “damage control”
como se estivéssemos perante um fenómeno meteorológico…
Deverá, na minha opinião, resistir-se à
tentação de gerir os meios provenientes dessa conversão da “Poupança”
Inactiva em formatações organizacionais públicas tradicionais. No caso
de Portugal, deve configurar-se uma estrutura operacional de
emergência, com absoluta unidade de comando, reportando directamente ao
PR, que escolherá uma equipa multidisciplinar adequada a esta inegável
situação de excepção que integrará, para além do PM, do PGR e do
presidente da APB, os cidadãos independentes de inquestionável
competência técnico-científica para o efeito que o PR entenda como
adequados à missão.
Acresce ainda que, para a determinação
de défices orçamentais, parece aconselhável ter em conta os montantes
residuais ‘teimosos’, ‘renitentes’ e ‘abandonados’ após a ‘colheita’ -
voluntária num primeiro tempo não superior a 60 dias e coerciva após
esse prazo - na qualidade de “Poupança” Inactiva à medida a que forem
sendo revistos os défices orçamentais.
Quanto mais rapidamente os governos
nacionais, as instituições europeias e os outros países e grupos de
países a nível regional e mundial, souberem agir activamente sobre a
realidade em vez de reagirem repetidamente a uma situação que,
vitimisticamente, vão tendendo a apresentar como se de uma espécie de
‘fatalismo meteorológico-financeiro’ se tratasse, mais depressa poderá
a Humanidade, tal como a minha terra, sair desta incrível situação em
que se encontra e da qual tão poucos têm ainda consciência da duração
que poderá ter se nada fôr feito no sentido do sugerido.
Em conclusão, e é impossível
estar sòzinho nesta opinião, parece claro que quanto mais rapidamente
se começarem a assumir e manter os níveis dos défices orçamentais ‘por
cima’ da ‘Poupança’ Inactiva Total, decidida, enquadrada e calculada
urgentemente como sugerido antes, mais cedo se iniciará um processo
seguro de Reflacção e, em consequência, a Economia sairá da 1ª
Depressão Mundial em que se encontra.
Sem esquecer a adequação tecnológica imperativa no sentido da transparência e não da opacidade…
Porque mais do que defender o
Emprego e lutar contra o Desemprego, por muitos votos que os vários
episódios positivos mediatizados possam dar, o importante é, também e
evidentemente,
DAR EMPREGO AO DINHEIRO DESEMPREGADO
(OU MAL-EMPREGADO)
Espero sinceramente que o Senhor Primeiro-Ministro da República Portuguesa tenha gostado desta “descrição” indiscreta.
E o senhor das bandas magnéticas também…
José Borba Martins, Lagos
23.Fev.2009 in http://talefe.wordpress.com
O XVI CONGRESSO NACIONAL PS
1- José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos «propôs
que o Congresso PS faça “uma reflexão política séria” sobre a crise,
defendendo que o papel do PS é também ajudar a que a Europa “se bata
por uma regulação mais forte, uma globalização mais justa e pela
eliminação dos off shores”»
O tema já tinha sido incluído na sua
moção de candidatura a SG do PS… Mas e as decisões concretas? Quais
foram, são ou serão? A Prática Política decisiva? Para quando? Por
quem? Ajudar a Europa? Lá estamos a falar sobre os outros países quando
temos que nos concentrar no nosso… E a nós quem nos ajuda?
Concretizando:
- o que impediu e impede um Governo com maioria absoluta, que é o patrão do maior banco português (CGD) e que ‘tem’ no Banco de Portugal um ex-SG do PS, de promover uma plataforma informática centralizada no BP que, em tempo real, permita designadamente:
a) a rastreabilidade / traçabilidade automática de todas as operações bancárias…, e
b) reduza de um modo sistemático o
calvário da “escavação da verdade” aos Investigadores que se vêem
confrontados com todo o tipo de manobras dilatórias quando querem
aceder aos movimentos de uma qualquer conta bancária, mesmo munidos
da competente ordem judicial para o efeito? Está implementado noutros
mercados a nível mundial em relação aos quais, comparativamente, o
movimento bancário português é…uma ínfima migalha. Ou não sabemos fazer
interfaces entre os sistemas informáticos dos bancos e a plataforma
sugerida?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta de determinar
legislativamente o regresso dos meios financeiros ‘escondidos’ e
‘parqueados’ em off-shores dando um prazo aos seus titulares para o fazer,
reinjectando na Economia Portuguesa essa ‘poupança inactiva’? Dir-se-à
que não pode ser uma medida de um país só, senão os capitais ‘fogem’ ,
embora não entenda como podem fugir se já fugiram… Mas então porque é
que esse trabalho não foi já feito ao nível europeu e mundial? Estamos
à espera de quê? Da desintegração do Euro? Que a Depressão impacte na
Europa mais fortemente do que nos USA? Afinal de contas, que interesses
se pretendem ocultar ao abrigo dessa omissão factual, porque apenas
existente nesta tão tardia quanto eleitoralista retórica?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
2- José Sócrates, o SG do PS e Primeiro-Ministro da República Portuguesa que vai comemorar 100 anos disse que «há um combate decisivo a travar pela decência da Democracia». Pois há, e há muitos anos. Grande novidade…
Mas como e onde o fazer se quem tem o
poder de o fazer acorda tardiamente para essa necessidade (e para
outras nem acordando…) no final de uma legislatura, com a 1ª Depressão
Mundial em evolução vertiginosa?
Realmente…a necessidade desse combate
existe mas não se pode jogar com dois equipamentos diferentes ao mesmo
tempo!!! É que o camaleonismo político tem limites… e é
bom que se tenha consciência que é já dramaticamente visível que quem
acompanha e aplaude as teses retóricas que contradizem o que afinal faz
Frei Tomás, o faz por necessidade de subsistência económica e,
definitivamente, não por convicção política.
É gritantemente visível!
Ao contrário do que vai argumentando, sempre muito oportunamente, o nóvel ‘malhão’ de serviço, um ministro do governo Sócrates - aliás com um percurso notável - afirmou, durante a última campanha presidencial, que «uma vitória de Cavaco Silva seria um golpe de estado constitucional» e que é, de facto, a mesma pessoa que afirma a propósito do movimento de Professores, que «se
fôr preciso defender outra vez, como defendemos em 75 a Liberdade em
Portugal, o PS estará na linha da frente da defesa das liberdades
públicas». Quando, na realidade de 1975, o senhor
ministro posicionou-se exactamente no lado contrário àquele onde então
se alojavam os que agora se propõe elogiar: Manuel Alegre, Salgado
Zenha e Mário Soares ?…
Este tipo de ‘afirmações
camaleónicas’ mais as das ‘campanhas negras’ parecem ser mais dignas de
‘aprendizes de feiticeiro’ desta tão vasta área - em que historicamente
se incluem as famosas ‘false flag operations’ - que de um Doutor em
Sociologia.
Na minha humilde opinião de
‘cidadão irrelevante’ deveria, em vez de dar uso às técnicas
neuro-linguísticas que parece tão bem conhecer e com que repetidamente
vem manipular a activação das estruturas mentais inconscientes que
motivam os nossos comportamentos (sem prestar atenção à racionalidade
dos nossos interesses ou aos múltiplos dados da realidade) deveria,
dizia eu, utililizá-las não em função de interesses pessoais,
mini-grupais ou partidários conjunturais sucessivos, mas sim no sentido
estruturado e permanente no âmbito da Mobilização Positiva e da Defesa
da Verdade ao serviço de um Portugal Todo.
É claramente disso que todos precisamos há demasiado tempo!
Então esse ‘combate decisivo a travar pela decência da Democracia‘
faz-se pedindo mais tempo, um nova maioria absoluta, impossível de
obter na actual configuração inalterada do sistema eleitoral e depois
de se terem promovido as estranhíssimas alterações que se promoveram ao
nível do sistema judicial, concretamente no âmbito processual? Mais
tempo para quê? Para continuar a assar o peixe que já está queimado e
que somos todos nós, Cidadãos Portugueses?
Concretizando:
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta, após ter tomado uma
decisão no bom sentido, se bem que inacabada, ao fazer uma alteração ao
nível do sistema eleitoral autárquico - quem ganha governa, quem perde
vai para a oposição, mantendo-se a representatividade ao nível das
assembleias municipais - de ter decidido o mesmo ao nível do sistema
eleitoral legislativo nacional onde, como se tem visto
recorrentemente no passado e se verá no futuro imediato, o actual
design eleitoral é totalmente impeditivo de uma governabilidade sem
maioria absoluta, como se pode confirmar pelo factual ‘tempo médio de
duração dos governos’ desde a Constituição de 1976?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
Onde nem sequer se conhecem os governos
propostos antes das eleições? Levando essa ‘meia decisão’, ainda por
cima e em consequência, a ter-se posto a generalidade dos portugueses a
falar contra uma pretensa ‘ditadura das maiorias’?
- o que
impediu e impede um Governo com maioria absoluta de ouvir e dar
sequência ao que dizem os especialistas de tantas áreas como, por
exemplo, a da Justiça, em que um ex-ministro socialista e
ex-comissário europeu quando, traçando um diagnóstico negro na área da
Justiça, apela a uma “revisão e alteração profundas” no sector e refere que “na
justiça temos um problema de ineficácia e de inadequação do sistema
perante as necessidades da vida actual, social e económica”?
NADA o impediu nem impede! Assim NÃO!
Como escreveu numa Visão deste mês de Fevereiro um rapaz que nasceu três dias depois da revolução dos cravos: «É
tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos
que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os
portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise
desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que
está mais bem preparado para fazer face à crise.»
Por mim, limito-me a repetir que pode
enganar-se uma pessoa uma vez, duas pessoas duas vezes, mas não se pode
enganar toda a gente o tempo todo! E que o pior dos cegos é o que,
podendo ver, tendo a obrigação de ver e realmente vendo, insiste em não
querer ver Portugal a saque, um país que se tornou insuportavelmente
num descomunal e dramático caso de desorganização e de polícia em que
Já não é só o Rei que vai nu. É o Povo que tem Fome de Justiça !!! (arrepiante e imprevisível).
Quase toda a gente sente que esta Democracia já nem é sequer Formal, já está em Formol…
Quanto tempo mais para passarmos deste ‘cadáver adiado que procria‘ para os versos seguintes da nossa Mensagem, senhores?
José Borba Martins, Lagos
in http://talefe.wordpress.com
28.2.2009,12:11

Com Wall Street completamente enleada nos perigos de novas falências de megabancos... e com Washington às guinadas a caminho da pior crise fiscal de todos os tempos, com os mais recentes avisos do próximo grande choque a mal se ouvirem lá quanto mais cá, continuam os Portugueses a assistir estarrecidos ao silêncio do nosso PR.
Ao mesmo tempo vimos o lançamento da candidadura do nosso PM a novo mandato à frente do PS pedindo uma maioria absoluta nas próximas eleições legislativas em concorrência mediática táctica com o congresso de um pequeno partido da oposição portuguesa. Para além da premonitória presença solitária no palco, aquela assinatura pessoal por baixo do slogan daquele sábio cenário valeu por mil palavras.
Porque é bem sintomática de um culto da personalidade que, como todos sabemos, é um traço da uma esquerda responsável, democrática e moderada...Não, é todo o contrário. E é mimetista de outras tintas políticas, não é responsável, não é democrática e, pior, é radical e obscenamente contrário à moderação imperativa em tantas realidades presentes e futuras.
O SG do PS, nessa qualidade, e sob um pano de fundo em que se podia ler o triângulo... «PS: A força da mudança» (assinado "José Sócrates" por baixo e na sua caligrafia pessoal...) disponibilizou-se para apoiar Manuel Alegre, portanto contra o actual PR, tentando uma provável reedição das anteriores presidenciais. Mas as eleições presidenciais são em 2011...
E, de caminho, lançou vários "novos" objectivos argumentando com o seu «sentido de responsabilidade em defesa de um projecto de esquerda democrática e moderada». O que poderia ser normal em tempos normais. Mas não é normal nos tempos que todos vivemos, com maior ou menor grau de consciência e de informação. E muito menos denota sentido de responsabilidade ou evidencia ser da cor da política em nome da qual argumentou. A Ministra da Educação roía as unhas...
Bem, antes de mais, é um facto unanimemente aceite que qualquer recandidatura a qualquer nível pressupõe, para além da credibilidade em concretizar promessas e projectos futuros, uma fortíssima componente de avaliação do que foi de facto realizado Vs. prometido na candidatura anterior.
Depois, é um facto que o PM respondeu claramente às mensagens do PR em menos de 20 dias. Porque, para além de abrir a campanha eleitoral para as Legislativas, tomou posição as Presidenciais de 2011 (a 2 anos exactos de distância) no mais completo antagonismo com o actual PR.
Continuando, é um facto que os números do Economist e a conferência da prestigiada revista ocorreram em tempos diferentes. Vejam-se as datas e compare-se com a do anúncio do orçamento "adicional". A divergência dos números é muito significativa mas do ramalhete o que mais me assustou foram duas frases/ideias:
- a que saiu ao MF, segundo o qual «não podemos ter a veleidade de querer acertar nas previsões». É que a última vez que ouvi isto foi de um Vendedor de produtos alimentares que precisou ser convencido da utilidade dos Orçamentos Anuais e das suas Revisões Mensais ytd/ytg feitas a partir dos números reais apurados com essa mesma periodicidade. Nunca pensei ouvir esta frase da boca do Prof. Teixeira dos Santos, é o mínimo que posso dizer; e
- a peregrina afirmação do Prof. Mira Amaral que subscreveu explicitamente a tese da não divulgação dos factos quando são graves, para não alarmar as Pessoas e a Economia. Não terá sido assim "ipsis verbis" mas também estava a cair muita água aqui em casa. Se tivesse ouvido no carro ainda ligava o limpa pára-brisas e podia agora citar. Bem, mas a ideia era essa. Só que há duas maneiras de fazer-se isso: uma é conhecendo a realidade, a outra é quando não se conhece. Como dizia noutro post se não se sabe é mau, mas se se sabe e manipula é pior... E denota uma extrema falta de humildade intelectual e um inaudito paternalismo despótico e iluminado em relação aos seus Concidadãos Portugueses. Mas há vantagens nessa declaração de M. Amaral, é a de que ficámos a conhecer mais outro "dissidente" do Prof. Cavaco, eventualmente agora convertido em mais um "homem da situação". Olhe! Não sabia...mas mais vale tarde que nunca!
Voltando à realidade, no momento em que a Economia Americana colapsa, no dia em que o novo Presidente dos USA Obama toma posse e de acordo com o Center on Budget and Policy Priorities (CBPP):
- o número de estados dos Usa que estão em urgente dificuldade fiscal são 45. Pelo menos...
- só para o ano fiscal 2009, as estimativas iniciais dos Estados da União subiam a 80 Biliões de Usd. Mas à medida a que vai sendo revelada a extensão total dos seus problemas, o CBPP projecta o montante dos défices combinados em 145 Biliões...
- e, pior ainda, os Estados que enfrentam estes desconcertantes défices chegarão a 2011 totalizando no seu conjunto pelo menos 350 Biliões de Us, o pior da História.
O orçamento de quase todos os maiores Estados da União é como uma bomba fiscal. E como quase todos têm leis proibindo os déficits, estão a multiplicar-se em acções de redução de custos de qualquer modo possível: despedindo Funcionários Públicos aos milhares, cortando custos com Educação, cancelando Projectos de Construção, etc. A resistência política a cortes nos custos é enorme. E, no entanto, muitos Estados, como a Califórnia, esgotarão o dinheiro mesmo que consigam fazer passar as suas mais ambiciosas medidas anti-défice. Nunca antes desde a bancarrota da Confederação depois da Guerra Civil Americana tantos Estados enfrentaram a intensidade desta espécie de "Dia do Julgamento Final" financeiro que surge nos exercícios fiscais de 2009 e 2010. Se juntarmos a esta situação a dos Governos da Câmaras Municipais a situação ainda é pior.
O Total Geral: 450 Biliões de Usd de défices dos Governos Estaduais e Locais que se somam ao défice de 2 Triliões de Usd ao nível federal USA, combinados com os últimos tempos de alguns super-bancos americanos. Ainda por cima no meio de uma Economia em colapso.
As consequências: perdas massivas de emprego, não apenas ao nível das funcões públicas estaduais e municipais, mas também entre os empregados em contratos c/privados, companhias de construção e milhares de empresas apoiadas e dependentes dos Estados e Municípios para manter uma aparência de estabilidade económica e social nas suas áreas.
Claro que muitos, os da situação, dirão que é alarmismo ou tremendismo. Mas a realidade, o facto, é que existem especialistas credíveis a apontar para os USA em 2009:
- os níveis de Desemprego com aumentos de 10%, atingindo-se o total de 16%.
- uma segunda vaga de Bancarrotas em Empresas e Bancos.
- o colapso da Actividade Imobiliária entrará numa fase ainda pior. Para além do agravamento ao nível da Habitação Residencial será agora a própria Actividade Imobiliária a cair.
- A Restauração e o Retalho em geral já começaram a sentir um substancial agravamento em 2008. Em 2009 o nível de actividade será ainda pior.
- na Construção, os dados das organizações de Arquitectos estão a dar o primeiro sinal grave da dimensão da queda deste sector.
Existe mesmo um analista económico que chama a 2009 "O Ano da Grande Bola de Poeira" que afectará todas as formas de recebimentos, receitas e proveitos. Na sua opinião, 2009 será o ano que os historiadores no futuro descreverão como "O Ano da Grande Fome Financeira".
Dificilmente poderia existir um pior contexto na data da tomada de posse do Presidente Obama !
Perante todo este tanto alarmante quanto real contexto que vemos nós em Portugal? Não valerá a pena repetir o que quase todos sentem. Valerá a pena comentar as propostas que o PM fez na qualidade de SG do PS? O casamento entre pessoas do mesmo sexo? O 12º ano? Referendar de novo a Regionalização? Não creio ser o momento, nomeadamente para tratar deste último tema, claramente insuficiente do ponto de vista do Algarve. Talvez mais tarde...
Mas creio firmemente que quanto mais tarde os Portugueses acordarem para a realidade pior será para a recuperação de Portugal. Não apenas na área económica, mas em todas sem excepção.
Termino comentando aquela sintomática frase do PM, quando afirmou «Não sou daqueles que apenas estão disponíveis quando os ventos estão de feição». Está então o PM sobre as águas da maré que vaza! Percebe-se a ideia e os seus múltiplos destinatários, mas sabendo o PM que foram os Portugueses que inventaram a vela que permite navegar contra o vento, saberá onde e como estão os Portugueses todos, independentemente dos ventos e das tempestades que sentem diariamente e cujos responsáveis perfeitamente impunes estão à vista de todos, quando não ajudados pela política do seu Governo?
É preocupante mas, afinal de contas, estará José Sócrates a radicalizar o que pode para que Cavaco Silva o demita, apressando-se a oferecer desde já um presente envenenado a Manuel Alegre e iniciando de imediato uma nova profissão de fé nesse ultrapassado "frame" de esquerda moderada, para a seguir, já com o novamente enganado candidato a PR amarrado à "sua" estratégia, vir suavizar o discurso nas legislativas para nova maioria? Se está, está mal. E muito mal aconselhado.
Toda a gente já percebeu que o PS não obterá nova maioria absoluta, coisa que é excepção neste sistema político que desgraçadamente ainda temos e que foi apenas timidamente corrigido ao nível da autarquias (essa sim uma nova oportunidade perdida).
Bem podem Rui Rio e António Costa (pois, que estratégia pessoal brilhante...) ir fazendo exercícios de aquecimento!
Saúde e Sorte para todos! Bem precisamos.
Algarvio de Portugal, Lagos
http://talefe.wordpress.com
_______________________
Nota:
Segundo o site da CNE as próximas eleições que terão lugar na República Portuguesa serão as seguintes:
- 2009: em Junho será a Eleição para o Parlamento Europeu;
- 2009: em Setembro/Outubro terá lugar a Eleição para os Órgãos das Autarquias Locais;
- 2009: em Outubro será o momento da Eleição para a Assembleia da República e (indirectamente no actual sistema político) para o Governo;
- 2011: em Janeiro será o tempo da próxima Eleição para o Presidente da República.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte do desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente com uma insubordinação inconsciente e feliz.
Com a devida vénia, transcrevo de Clara Ferreira Alves um seu artigo de Julho 2008. «Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção. |
| Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. |
| |
| Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto |
| final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. |
| Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada. |
| |
| Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, |
| nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é |
| definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. |
| |
| Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, |
| foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao |
| caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. |
| |
| Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços |
| de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de |
| apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da |
| história é uma coisa normal em Portugal e que este é um país onde as |
| coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura. |
| |
| E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este |
| estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos |
| computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao |
| maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e |
| esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade. |
| |
| Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às |
| escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao |
| caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? |
| |
| Vale e Azevedo pagou por todos. |
| |
| Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de |
| Leonor Beleza com o vírus da sida? |
| Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado |
| num parque aquático? |
| Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos |
| crimes imputados ao padre Frederico? |
| Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre |
| Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana? |
| Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja |
| cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal? |
| Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e |
| enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma. |
| No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, |
| alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém? |
| |
| As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da |
| criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a |
| Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância. |
| E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as |
| crianças desaparecida antes delas, quem as procurou? |
| E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, |
| alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que |
| aconteceu? Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu. |
| |
| E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela |
| reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê? |
| |
| E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios |
| escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que |
| isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da |
| Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha |
| para a sua filha. |
| |
| E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter |
| assassinado doentes por negligência? Exerce medicina? |
| |
| E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de |
| colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é |
| surda, muda, coxa e marreca. |
| |
| Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são |
| arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao |
| esquecimento. |
| Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. |
| |
| Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem |
| eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e |
| abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto |
| que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. |
| |
| Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de |
| protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e |
| reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade. |
| |
| Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.» |

1) UM DIFUSO MAL ESTAR
Sente-se hoje na sociedade portuguesa um mal estar difuso, que alastra e mina a confiança essencial à coesão nacional.
Nem todas as causas desse sentimento são exclusivamente portuguesas, na medida em que reflectem tendências culturais do espaço civilizacional em que nos inserimos. Mas uma boa parte são questões internas à nossa sociedade e às nossas circunstâncias. Não podemos, por isso, ceder à resignação sem recusarmos a liberdade com que assumimos a responsabilidade pelo nosso destino.
Assumindo o dever cívico decorrente de uma ética da responsabilidade, a SEDES entende ser oportuno chamar a atenção para os sinais de degradação da qualidade da vida cívica que, não constituindo um fenómeno inteiramente novo, estão por detrás do referido mal estar.
2) DEGRADAÇÃO DA CONFIANÇA NO SISTEMA POLÍTICO
Ao nível político, tem-se acentuado a degradação da confiança dos cidadãos nos representantes partidários, praticamente generalizada a todo o espectro político.
É uma situação preocupante para quem acredita que a democracia representativa é o regime que melhor assegura o bem comum de sociedades desenvolvidas. O seu eventual fracasso, com o estreitamento do papel da mediação partidária, criará um vácuo propício ao acirrar das emoções mais primárias em detrimento da razão e à consequente emergência de derivas populistas, caciquistas, personalistas, etc.
Importa, por isso, perseverar na defesa da democracia representativa e das suas instituições. E desde logo, dos partidos políticos, pilares do eficaz funcionamento de uma democracia representativa. Mas há três condições para que estes possam cumprir adequadamente o seu papel.
Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos...
É por isso preocupante ver o afunilamento da qualidade dos partidos, seja pela dificuldade em atrair e reter os cidadãos mais qualificados, seja por critérios de selecção, cada vez mais favoráveis à gestão de interesses do que à promoção da qualidade cívica. E é também preocupante assistir à tentacular expansão da influência partidária – quer na ocupação do Estado, quer na articulação com interesses da economia privada – muito para além do que deve ser o seu espaço natural.
Estas tendências são factores de empobrecimento do regime político e da qualidade da vida cívica. O que, em última instância, não deixará de se reflectir na qualidade de vida dos portugueses.
3) VALORES, JUSTIÇA E COMUNICAÇÃO SOCIAL
Outro factor de degradação da qualidade da vida política é o resultado da combinação de alguma comunicação social sensacionalista com uma justiça ineficaz. E a sensação de que a justiça também funciona por vezes subordinada a agendas políticas.
Com ou sem intencionalidade, essa combinação alimenta um estado de suspeição generalizada sobre a classe política, sem contudo conduzir a quaisquer condenações relevantes. É o pior dos mundos: sendo fácil e impune lançar suspeitas infundadas, muitas pessoas sérias e competentes afastam-se da política, empobrecendo-a; a banalização da suspeita e a incapacidade de condenar os culpados (e ilibar inocentes) favorece os mal-intencionados, diluídos na confusão. Resulta a desacreditação do sistema político e a adversa e perversa selecção dos seus agentes.
Nalguma comunicação social prolifera um jornalismo de insinuação, onde prima o sensacionalismo. Misturando-se verdades e suspeitas, coisas importantes e minudências, destroem-se impunemente reputações laboriosamente construídas, ao mesmo tempo que, banalizando o mal, se favorecem as pessoas sem escrúpulos.
Por seu lado, o Estado tem uma presença asfixiante sobre toda a sociedade, a ponto de não ser exagero considerar que é cada vez mais estreito o espaço deixado verdadeiramente livre para a iniciativa privada. Além disso, demite-se muitas vezes do seu dever de isenta regulação, para desenvolver duvidosas articulações com interesses privados, que deixam em muitos um perigoso rasto de desconfiança.
Num ambiente de relativismo moral, é frequentemente promovida a confusão entre o que a lei não proíbe explicitamente e o que é eticamente aceitável, tentando tornar a lei no único regulador aceitável dos comportamentos sociais. Esquece-se, deliberadamente, que uma tal acepção enredaria a sociedade numa burocratizante teia legislativa e num palco de permanente litigância judicial, que acabaria por coarctar seriamente a sua funcionalidade. Não será, pois, por acaso que é precisamente na penumbra do que a lei não prevê explicitamente que proliferam comportamentos contrários ao interesse da sociedade e ao bem comum. E que é justamente nessa penumbra sem valores que medra a corrupção, um cancro que corrói a sociedade e que a justiça não alcança.
4) CRIMINALIDADE, INSEGURANÇA E EXAGEROS
A criminalidade violenta progride e cresce o sentimento de insegurança entre os cidadãos. Se é certo que Portugal ainda é um país relativamente seguro, apesar da facilidade de circulação no espaço europeu facilitar a importação da criminalidade organizada. Mas a crescente ousadia dos criminosos transmite o sentimento de que a impune experimentação vai consolidando saber e experiência na escala da violência.
Ora, para além de alguns fogachos mediáticos, não se vê uma acção consistente, da prevenção, da investigação e da justiça, para transmitir a desejada tranquilidade.
Mas enquanto subsiste uma cultura predominantemente laxista no cumprimento da lei, em áreas menos relevantes para as necessidades do bom funcionamento da sociedade emerge, por vezes, uma espécie de fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso.
Para se ter uma noção objectiva da desproporção entre os riscos que a sociedade enfrenta e o empenho do Estado para os enfrentar, calculem-se as vítimas da última década originadas por problemas relacionados com bolas de Berlim, colheres de pau, ou similares e os decorrentes da criminalidade violenta ou da circulação rodoviária e confronte-se com o zelo que o Estado visivelmente lhes dedicou.
E nesta matéria a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas.
5) APELO DA SEDES
O mal-estar e a degradação da confiança, a espiral descendente em que o regime parece ter mergulhado, têm como consequência inevitável o seu bloqueamento. E se essa espiral descendente continuar, emergirá, mais cedo ou mais tarde, uma crise social de contornos difíceis de prever.
A sociedade civil pode e deve participar no desbloqueamento da eficácia do regime – para o que será necessário que este se lhe abra mais do que tem feito até aqui –, mas ele só pode partir dos seus dois pólos de poder: os partidos, com a sua emanação fundamental que é o Parlamento, e o Presidente da República.
As últimas eleições para a Câmara de Lisboa mostraram a existência de uma significativa dissociação entre os eleitores e os partidos. E uma sondagem recente deu conta de que os políticos – grupo a que se associa quase por metonímia “os partidos” – são a classe em que os portugueses menos confiam.
Este estado de coisas deve preocupar todos aqueles que se empenham verdadeiramente na coisa pública e que não podem continuar indiferentes perante a crescente dissociação entre o conceito de “res pública” e o de intervenção política!
A regeneração é necessária e tem de começar nos próprios partidos políticos, fulcro de um regime democrático representativo. Abrir-se à sociedade, promover princípios éticos de decência na vida política e na sociedade em geral, desenvolver processos de selecção que permitam atrair competências e afastar oportunismos, são parte essencial da necessária regeneração.
Os partidos estão na base da formação das políticas públicas que determinam a organização da sociedade portuguesa. Na Assembleia ou no Governo exercem um mandato ratificado pelos cidadãos, e têm a obrigação de prestar contas de forma permanente sobre o modo como o exercem.
Em geral o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável. Os portugueses têm de poder entender as razões que presidem à formação das políticas públicas que lhes dizem respeito.
A SEDES está naturalmente disponível para alimentar esses canais e frequentar as esferas de reflexão e diálogo que forem efectiva e produtivamente activadas.
Sedes, 21 de Fevereiro de 2008
O Conselho Coordenador
(Vitor Bento (Presidente), M. Alves Monteiro, Luís Barata, L. Campos e Cunha, J. Ferreira do Amaral, Henrique Neto, F. Ribeiro Mendes, Paulo Sande, Amílcar Theias)