Não é possível dar tudo e o melhor a todos.
Há quem tem ou ganha de mais; outros têm ou ganham de menos e outros ainda muito pouco ou nada. É tão simples como isso. Também sabemos que desde sempre isso foi, infelizmente, assim, não obstante o esforço de alguns. Não quer dizer que não seja possível e necessário melhorar a situação. Sabemos, no entanto, que isso apenas será possível se alguns contribuírem bastante ou mais um pouco, outros contribuam menos ou apenas recebam gratuitamente e sem favor, sobretudo, quando são o resultado de uma certa exploração ou injustiça coletiva. O que não devemos é ter medo de enfrentar a realidade sem rodeios e de uma maneira séria, certos de que, na situação em que nos encontramos e tendo em conta os contextos mais ou menos alargados no espaço e no tempo, teremos que racionalizar e até racionar muitas coisas a que teríamos direito e que seria bom que continuássemos a usufruir. Há muita gente por aí que continua a vender ilusões por ignorância, interesse ou má fé, mas também começam a levantar-se outros com muita coragem e determinação como Medina Carreira e os que estiveram no último painel “em contra-corrente”, por exemplo, que saúdo daqui e que, julgo, que serão muitos mais num futuro próximo. Não continuar a ouvir passivamente um certo discurso do dito politicamente correcto que apenas nos embala para o precipício, o desespero e para a desgraça. Portugal e os portugueses terão que começar a fazer face aos problemas com mais verdade e determinação de uma vez por todas sem dar ouvidos a todas essas carpideiras de mau agoiro e da desgraça que pululam nas esquerdas, nas direitas e no centrão. É tempo de dizer basta, pois, todos vamos sabendo cada vez mais através de alguma imprensa cor de rosa da pouca vergonha dos que ganham demais quase sempre em desproporção do seu verdadeiro mérito e das orgias em que se desbarata muita dessa riqueza indevidamente adquirida em ambientes reservados e de elite bem guardados e protegidos. Era bom que muitas coisas viessem também à luz do dia de uma forma séria e rigorosa para sabermos quem é quem e faz o quê. Mais transparência, precisa-se e urge, sem voerismos, doa a quem doer. Seria mais decente e democrático mas não basta dizê-lo e parecê-lo.