O frenesim e a caducidade da informação na máquina trituradora do tempo
Dar a primeira informação é uma corrida louca de muita gente e, designadamente, dos que trabalham na comunicação social e percebe-se porquê. Esquecem-se, porém, da máquina trituradora do tempo que sem nunca ter pressa e ansiedade, seja ele o tempo dos relógios ou tempo da duração das coisas, da vida e dos acontecimentos, é implacável e reduz tudo a caducidade, passado em que a sua importância se vai esbatendo rapidamente. O verdadeiro tempo é o futuro que é preciso prever e preparar bem porque para o presente nunca há tempo e o passado apenas fica na memória curta dos homens e é esquecido rapidamente. Por isso, se queremos resolver a sério os nossos problemas teremos que começar a fazê-lo na véspera. Fazê-lo dois ou três dias depois serve apenas para correr loucamente como baratas tontas atrás do prejuízo. As pessoas, na realidade, não aprendem, como diria Medina Carreira, e por isso nem sequer dão conta dos verdadeiros problemas e vão-se entretendo com pequenas coisas. Não quer dizer que ache que o acordo da concertação social, por exemplo, há horas conseguido, seja coisa pouca, só é pena que tenha levado tanto tempo, sabendo que o mais difícil ainda está por fazer: aperfeiçoá-lo e aplicá-lo de um modo correcto e justo. Mas, pelo menos, libertamo-nos deste pesadelo de encontros e desencontros sem verdadeiras razões, com pouco sentido do bem comum nem honra.